terça-feira, fevereiro 10, 2026

O amor único dentro de mim

 Só o amor pode ter a força de expulsar a dor.

A chuva não tem parado. Os dias continuam frígidos, nada produzem senão tristeza. As vozes calaram-se, desapareceram com as suas presenças que encolheram. Muutas sumiram. O último suspiro afogado pelas cheias. As cidades estão plenas, a abarrotar com as águas, cheiram a bafio e desolação. Os lutos acumulados vestiram-se de branco vazio. 

Diz que só daqui a dez dias retorna o sol. Eu escolhi que ele viria qualquer dia destes, mas ainda me falta energia, pós-sangria, tudo em mim dói. 

Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi; reconheço-te, no entanto, o ódio que ainda, durante todo este tempo, sentiste por mim. Mas o amor único que tenho dentro salva-me bastante disso, de ti que quiseste a minha morte. Eu não me esqueci. O Japão vilipendiou Nanquim, a Alemanha Israel e Israel a Palestina. O mapa cor-de-rosa-sangue, o atlas negro. Todas as hordas selváticas de homens que mataram, roubaram e massacraram uns aos outros, antes e depois, nunca souberam o que era a satisfação nem o amor ao seu povo irmão. 

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