Imagina por que raio viemos para aqui sofrer
E "a liberdade está na dor"
Tantas atribulações
só para morrer
"Quem é que foi temperar o choro
E acabou a salgar o pranto?"
Quem é que te amou
E quem é que não ouviu o teu canto?
Poesia filosófica; Poesia Visual; e outros objectos poéticos de Poeta mera observadora
Ando a perder minutos
Mais de dez, um salto
Talvez quântico?
Não, não sou tão atlântico
Agora és tu quem fica na dúvida
Será que significa a música?
Encontro-vos no nevoeiro dos meus erros
Meia dúzia de erros que se remorsam
Dos que podia querer voltar atrás
Só para nunca os ter feito, jamais
Olho para ti e dá vontade de chorar. Não sei por que é assim. Só wuase acontece contigo e não me lembro de me acontecer isto com mais ninguém, nem com eles. Estás tão linda de luar e eu acho que o que faz doer não é tanto te amar, mas saber que nunca deu para estar, nunca cabe neste mundo assim estranho imensurável amar. Amor meu, "não esquece", não esquecemos, faz de conta que ainda é cedo.
- Às vezes basta haver quem nos diga que também quer ir comer sorvete quando nós dizemos que vamos porque precisamos muito. Às vezes basta alguém dizer-nos para não perdermos a esperança porque nunca se sabe o dia de amanhã, mesmo que (seja frase feita) já saibamos porque desde que nascemos, continua praticamente o mesmo inferno diário. Às vezes basta alguém reforçar e tentar fazer com que, ao contrário do que ouvimos desde que lembramos, acreditarmos que temos sim algum valor assim mesmo como somos. Às vezes basta alguém nos dizer que acredita em milagres e que acredita que nós poderemos finalmente ter o que precisamos. Às vezes basta comer o tal sorvete na companhia de alguém que demonstra ter carinho por nós; o dito de não haver prazer maior do que rever um velho amigo, senão o de fazer um novo, os dois juntos neste caso. Às vezes basta a surpresa da beleza de os ver aos dois sob um foco de luz dourada da gelataria a ganhar à luz que vem lá de fora a contraluz. Às vezes é só ter a mais bela visigoda-sueva doce e risonha do reino e um piadista presunto um pouco mais ibérico do que eu, a lembrar-nos que ainda não é altura de entregar os pontos, mas de continuar mesmo que já não dê para lutar. Um momento para recordar e agradecer a existência de duas pessoas (luzes brilhantes no cinzento) que sem saberem, salvaram-me, bastante.
#tbt #gelato #🙏🏽#visigodasuevaeopresuntoiberico #adayinthelife
A minha maior felicidade é quando as pessoas que amo têm felicidades. Poder vê-las brilhar, todas elas no firmamento a iluminar o céu. É uma felicidade imensa que eu, que sempre torci e desejei tanto que fossem aclamados condignamente, não só para terem esse reconhecimento do valor do que fazem, mas também para saberem que de facto sempre foram muito importantes assim como são. Seja alguém que foi minha colega, um meu priminho, um meu tio, um meu irmão, seja minha irmã, minha prima, uma tia, seja um desconhecido que é um excelente ser em serviço aos outros. Todos eles fazem a minha alegria pontualmente a cada grande conclusão. O olhar emocionado deles e o sorriso rasgado é igual ao meu naquele instante. Tudo isso quase como se fosse um orgulho que se tem, eu claro sem propriedade, mas a sentir o coração extravasar pela esperança que dão ao mundo e que é tão rara. É algo de sacramental, como se espalhasse por ondas cósmicas um amor seminal que está sempre feliz na essência do que é. Mesmo quando se perdeu a essência, mesmo quando tudo parece ser desprovido de horizonte solarengo, mesmo quando a morte tomou conta do ser. Só o amor é feliz, só a felicidade é amor.
(suscitado pela BiaMaria, priminho Túlio e Gabs., que protagonizaram os mais recentes instantes de tanta felicidade por eles fazendo a minha excepção no luto acumulado e com a mais recente morte do meu tio)
Lua negra, leva de vez o mal que nos arrasou. Todo este maremoto passional por dentro, tornado tudo desfeito, nunca mais me encontrou.
Eu amo demais cada ser e já não dá para suportar abandono, indiferença, o afastamento. Se ninguém me ama enquanto estou aqui, para quê suportar maus-tratos? George Harrison, nas suas últimas palavras, disse também que não há nada mais importante do que a procura por Deus que é o amor e também disse "amem-se uns aos outros". Onde está o amor de alguém que não nos abandona e faz tudo para estar connosco?
Os parasitas aumentam a sua actividade de madrugada. É toda uma agitação parasitária.
Protege-te Fé.
Eu não sou muito esperançona.
A bicheza não esperou pela morte do corpo para começar a atacar em várias frentes.
A vida é uma guerra, em que quem não dá só leva.
Eu queria uma Montblanc.
Quem morde e não tira pedaço infecta na mesma.
Hoje foi o funeral. O meu pai contou-me que ambas as minhas primas estão divorciadas. O meu tio tinha-me dito aquilo e eu entretanto escrevi o que escrevi, mas fiquei a pensar em tudo de novo. A vida acontece. A morte para uns chega em vida. Às vezes muitas vezes. Uma despedida atrás de despedida. Quantas vezes eles me fizeram chorar? Eu não fui cruel assim, acho. Só fui sempre verdadeira com a realidade da minha falta de condições. Talvez ninguém os tenha de facto amado tanto quanto eu, como as más línguas diziam, mas eles têm razão, o meu amor adoeceu e é por isso que eu, sangrando dilacerada todos os dias, torço para que sejam felizes e que eu morra em breve sem que ninguém saiba. Abandonada porque fiz para isso, porque sempre fiz o que tinha de ser e não o que eu mais queria. Porque o que eu mais queria nunca de mim dependeu.
Tio, parece que tinhas razão, mas acho que algumas vezes ter e sofrer depois na despedida às vezes é melhor do que não ter nunca. Eu acho que o pouco que tive e o tanto que sofri também já foi de bom tamanho. Quanto ao resto já entendi. Não vale a pena viver. Só sofrimento.
Ficar como a tia-avó Beatriz a vida inteira solteira e abandonada. 👌🏽
Muitas vezes escrevo aqui as coisas de outras pessoas, ou como se fosse sobre elas. Mas eu não sei de onde essas coisas vêem. A maior parte das vezes baixa aqui tudo em rajada como se entrasse numa espécie de efusão palavrosa urgente que alguém tinha entupida na garganta e calhou-me a mim tirar. Por isso não é nada do que parece ser sobre mim, a maioria dos textos são pura poesia que jorra para aqui vinda de um lugar misterioso que até hoje ninguém soube nomear, senão aproximadamente de "inspiração". Essa onda que vem e se abate na minha cabeça e muitas vezes vem sim do meu coração, chega de repente e de rompante.
(Hj foi o concerto do Gabs no Tranquilo, showcase de abertura para outra banda, mas eu já queria há tantos anos isso para ele que fiquei extremamente feliz por ele; lembro que até tive de me segurar para não ir dar a dica ao mano Heitor qd vi q ele tava ligado. Isto agora lembrei porque falando de poesia e inspiração, veio à cabeça o que esse meu querido poeta excelente havia de pensar sobre essas coisas. Parte de mim esperava que além de ele ser discípulo de q "a poesia é um inutensílio", não me fosse tb como R. e outros negacionistas da inspiração. Logo ele que teve como musa a J. e escreveu tão belas canções qd estava com ela. Lá está, o amor é a maior fonte de inspiração. Eu gostava de ter sido inspiração para alguém nalgo de eterno bonito e respeitoso amor. Mas já tenho de me dar por feliz por ter sido musa de pessoas brevemente.)
O mais triste é que todos nós morreremos um dia destes e não pudemos viver juntos e todos felizes, em paz, amor e alegria.
(E o mais feliz é que sim, tivemos um momento em que fizemos parecido como deu)
Desde que soube da morte de mais um meu tio, ontem, procurei desesperadamente por ti, em memórias, em imagens. Afinal, a Inês tinha razão e tens os olhos claros. Eu é que provavelmente não queria admitir por causa da minha predilecção por eles e já ter jurado para nunca mais. Mas, eu sim, volto sempre atrás.
Amar-vos aos três todos os dias sem vos ter, sem vocês a gostarem sequer de mim, é uma dor de morte que também carrego todos os dias. Todos os dias eu amo-vos, todos os dias eu sinto a vossa falta, todos os dias eu seguro-me para não tentar contactar-vos, todos os dias eu sofro por tudo o que correu mal, todos os dias eu quero que se acabe tudo isto em mim, todos os dias eu penso que ao menos o meu único objectivo de vocês não sofrerem quando eu tiver de ir desta para sempre será cumprido.
No outro dia sonhei que contava a um professor um sumário do que aconteceu desde 2020, claro que quando chegou na parte do que aconteceu entre mim e alguém que amei demais, com tanta dor despertei quase a chorar.
Ainda é muito inacreditável tudo o que aconteceu nos últimos seis anos. As mortes todas. Entre elas, quatro tios nestes últimos dois anos. Ontem foi o meu tio Zé, que me tinha dito um dia "tu és inteligente, não faças como as tuas primas que casaram logo, nunca dependas de um marido", enquanto olhava para as primas todas a vir para o casamento do primo com os seus esposos e filhos. Hoje em dia, já acho que dada esta sociedade e este mundo horroroso, espertas são todas as mulheres da minha família que se agarraram a um homem logo muito cedo e pronto, ficaram com a vida feita. Eu é que sempre fui a burra com princípios, ética, valores, à procura do amor verdadeiro e nunca contentei-me com menos nem tomei o caminho mais fácil. Por isso sofri terríveis coisas todos os dias da minha vida. O meu tio era embarcadiço, lembro sobre a Noruega (ainda no dia anterior eu disse ao meu irmão sobre como era bom ir viver para lá com o aquecimento global) deu-me um dos meus perfumes favoritos até hoje desde criança, trazendo lá dos países nórdicos.
Como eu disse hoje ao meu pai: o pior é que não só morreram os meus tios mas eram meus amigos, pessoas que gostavam de mim, que eram conta-corrente e tinham mau feitio como eu e que conversavam comigo como não faziam com os outros. Agora já não tenho ninguém. Sobrou um tio, o mais novo de todos.
Quando perguntei ao meu pai se ele ficou muito triste, ele disse "mais ou menos". Depois de desligarmos a chamada, pensei em como a minha teoria e estratégia de quando uma pessoa não tem constante e recente contacto com a outra, a morte da outra custa muito menos, está de facto empiricamente correcta, daí por ter observado isso ao longo do tempo é que também vi. Pensei então que a minha estratégia estava de vento em popa, relação aos meus irmãos e todos os que amei tanto.
Ninguém sofrerá pela minha falta, porque eu não faço parte da vida de ninguém já; todo o mundo também me largou assim que não tive mais vazão para nada. Entretanto continua esta ostracização já antiga, que apesar de dar pena, nunca ninguém fez para ser diferente.
Ainda não houve nenhum poema que eu tenha escrito e pensado que depois dele podia parar de escrever. Provavelmente nunca haverá um que seja o tal. Aquilo que procuramos não existe. Podemos expressar e criar à exaustão e maior abrangência possíveis, que é impossível pôr tudo o que se pensou e sentiu transformado em palavras. E, por isso, continuamos, imperfeitos, incompletos e incessantes buscadores de um nada.
Escrevo para deixar pequenos vestígios do que nunca poderá ser dito.
Desde que eu tivesse capacidade de enxergar e apreciar a beleza
Desde que eu te tivesse
Desde que eu sentisse o amor dentro
Desde que pudesse ver o pôr-do-sol
Desde que eu tivesse paz
Desde que eu tivesse claridade
Desde que eu tivesse alguém
Desde que eu tivesse esperança
Desde que eu tivesse condições
Desde que eu não tivesse complicações
Desde que eu não estivesse desfalcada
Desde que eu não estivesse desabrigada
Desde que eu não me sentisse magoada
Desde que eu tivesse força para superar
Desde que eu conseguisse sobreviver
Desde que eu conseguisse relevar
Desde que eu conseguisse tolerar
Desde que eu conseguisse nãoe afectar
Desde que eu pudesse escrever
Desde que eu pudesse pensar
Diz que Deus tem muitos filhos, até porque tudo é criação dele. Jesus cruxificado e Lúcifer, anjo caído, ambos renegados. Deus usou o diabo para castigar os seus filhos humanos. Deus usou Jesus para salvar os seus filhos humanos. Noé para salvar os seus outros filhos.
O que eu sei é que parece (com o aumento da tirania e do aquecimento global), que Deus disse para Lúcifer vir à Terra e deixar a porta do Inferno aberta para que ele pudesse estar em casa com os seus demónios todos.
Quaisquer objectivos que eu tenha tido quando era mais nova, ficaram rapidamente gorados quando me apercebi do quão corrupto e nojento é o sistema que explora o trabalhador, entre milhões de casos, fosse quando trabalhei sob administrações que acabaram na prisão, fosse por saber que um patrão causou um aborto a uma funcionária.
O mundo societal é podre, cheio de mentiras e violências e tudo completamente arbitrário.
Estar inserido voluntariamente nessas rodas, é contribuir conscientemente para a desgraça do ser humano e corromper a sua verdadeira índole.
Um objectivo de carreira só é cumprido às custas de outras vidas, sacrificadas no altar do consumismo e capitalismo canibalistas. Nada do que se obtém dele é gratuito. Os vendilhões do templo são toda a gente.
A Beleza não é distração, mas sim crucial âncora para permanecer no mundo e continuar a acreditar que pode ser melhor e mais belo. Por ter consciência da fealdade dele é que é necessário enxergar que também existe beleza e conseguir ver e sentir torna-se uma bóia de salvação no meio do caos.
A Beleza é feita de pequenos detalhes que se fazem notar na sua simplicidade. É isso que a torna de se confiar. Garante que independentemente do que possa estar a acontecer de mais hediondo, a Beleza irá sempre estar lá para ser colhida como flor do olhar. Uma esperança brota, verde e luminosa, a cada vez que a Beleza se apresenta, seja sob que forma e o quão fugaz. Só a Beleza salva. E não há nada mais belo que o verdadeiro amor.
A paz que advém da Beleza não é a ausência de qualquer tempestade, é a decisão de procurar uma janela iluminada. Tu foste a minha janela iluminada para a Beleza.
A vida é só o que vem antes da morte; podes fazer o que der com ela. Mas, independentemente do que faças, a morte vem.
Ah, será que nos encontraríamos durante um só dia se fôssemos tão efémeros quanto borboletas e será que ainda nos lembrávamos do que aconteceu antes, quando ainda éramos como lagartas (tal como as borboletas se lembram) e não tínhamos feito toda essa metamorfose que nos mudou completamente?
Eu queria ter nem que fosse só um dia para te ter comigo.
Quando estamos no meio da distopia, ainda existe algures beleza e inocência?
Não há espaço.
Os provedores e benfeitores do mundo estão com o espírito confuso e destroçado. Acossados pelos déspotas imbecis, esses violentos acéfalos, bestas irracionais que tomaram conta de tudo.
Pego no teu corpo, morto, entre os dedos, ondulo-os, vejo o teu corpo balançar de um lado para o outro. És um boneco que morreu. Inanimado guardo-te na minha mão. As saudades que se tem do que está morto. Lembramos o que esquecemos. Imaginamos o que não podemos. Só para lembrarmos da realidade. E a realidade é que está tudo morto. E eu guardo nos meus dedos.
(Este luto todo acumulado está a ser muito engraçado, não haja dúvidas, s.q.n.)
Ser sábio é conhecer a sua própria ignorância. Procurar colmatá-la, ou ter a humildade de admitir a incapacidade de a preencher. Reconhecer as próprias lacunas do carácter e personalidade é de extrema sapiência, mas não se ficando por aí, pois há que encetar os esforços e acções necessárias para resolver essas questões. Com a maturidade, geralmente obtida pelo pensamento e processamento de todas as coisas das quais se deve aprender lições fulcrais sobre si mesmo e os outros, vem a humildade de desistir da intelectualidade que reside apenas em entropia ao verdadeiro conhecimento, pois que este é sempre verdadeiramente simples e seminal.
Não te mostrei quem eu tinha sido? Enxergaste-me no meu silêncio e na minha necessidade extrema de paz? Vieste ao meu encontro, entendendo a minha exaustão? Abriste--me os teus braços?
As lágrimas que me caem automaticamente do rosto molham o vento.
Meu amor. Tu existes. Estás na luz alaranjada de oiro aquecido na penumbra da escuridão. E a treva nunca mente. Será que ainda me escutas? Será que ainda pensas em mim? Ainda tens a força que eu depositei em ti e tê-la-ás sempre. Nada te faltará senão a pura verdade.
"Quem sentiu o toque de Deus, sentiu-o espalhar-se por tudo o que existe", nunca mais sentiu necessidade do toque humano.
(*Pequenos pecados, little trouble girls)
Viemos da terra e da água e do fogo e do ar. Somos inteiros, complexos, conflituosos, sedimentares e rochedos.
Vagamos por aí sem noção do tempo. Refletimos, não por vontade própria, mas porque o Sol insiste em nos iluminar, até de noite com o luar.
Vinte e quatro minerais. Diz-me. Sei nomes de queijos, quantos.
Mineralizando, electrólitos, gerindo e tentando um equilíbrio.
O amor pode ser mineral?
Meu amor.
Fico perplexa ainda de pensar que demorei dois anos, desde 2021, a perceber, admitir e entender um bocado o que me tinha acontecido. Nunca me sucedeu tal coisa. Tanta confusão, tanta opinião, tanto conflito, deu nisso. Tempos anómalos resultam em situações extremamente atípicas. Entretanto, aconteceu tanta coisa, eu mudei tanto, mas para meu grande espanto tudo o que aconteceu não teve mesmo nada a ver comigo. Não é toa que quem me conhecia de antes estranhou-me e disse que eu parecia uma pessoa completamente diferente.
Lembro como a Katy dizia antes mesmo, que quem era do bem ia fazer ainda mais do bem e que quem era mau ia ficar pior.
Ainda assim, eu arrependo-me de tudo, apesar de já me ter conformado com o facto de que foi o que foi e não dá para voltar atrás e não podia ter feito melhor pois agi sob hiperadrenalina e num tempo horrível.
Foi deveras um enorme período de ver de que fibra se é feito e aprender depois com os erros. Durou os cinco anos que previa para a pandemia. Agora temos estado nesta continuação de distopia, temos de esperar mais uns anos até passar todo o trauma e a violência amainar.
Quando lambo o sal das costas da mão sinto-me como um gato.
Já não tenho guardado keepsakes para o meu scrapbook.
Faz sentido, ter cansado de viver, e guardar mementos para quê? Tudo vai para o lixo um dia. Às vezes é giro apanhar alguma coisa que já não se lembrava há muito tempo. Outras vezes é triste. Outras, complicado.
Nestes momentos antes do absoluto nada, tentei levar algumas coisas a cabo. Nunca foi algo que eu quisesse muito, pois isso era impossível para uma criatura pobre como eu. Daí que tivesse uns poucos sonhos, embora maioritariamente ciente da completa impossibilidade de os realizar.
Algumas pessoas disseram que vivi muito e outras que não vivia nada. Logo para começar, o conceito de viver é tão díspar para tanta gente. Coitados dos que não sentiram tudo o que havia para sentir e aprender, pois acho que essa é a condição basilar para se viver e função primordial de se estar vivo.
Vejamos, assim de repente: vi o nascer do sol e o pôr, fui sim a alguma festa, embriaguei-me e intoxiquei-me apenas uma vez na vida, fiquei doente, fui ferida, fui mordida, fui f*dido, chorei, gritei, silenciei, vi muitas coisas, consumi muita comida, olhei em muitos olhos, deixei-me ser beijado, fui abraçado, fui lembrado e lembrei tanto, todos os dias sofri, ri, descansei, cantarolei, procurei respostas, desisti, questionei, viajei sozinha e acompanhada, andei, trabalhei, ajudei muito, tentei muito, resignei-me muito, esforcei-me muito, falei muito, escrevi muito, calei-me, parei de questionar, ouvi muito, pensei e senti muito. Ah, dancei! Isso é estar viva! Claro que nem mencionei que amei, porque faz parte do sentir e isso foi muito mesmo, mais que demais.
O vazio que sinto é como o vácuo no espaço e aquela visão de a bola de bowling e as penas caírem quase em câmara lenta ao mesmo tempo. Eu sou aquele espaço sem ar e que, por isso, não causa resistência. Tudo congela no fundo negro e gélido do espaço. Tudo fica inanimado.
Claro que prnsar em ti faz as bordas desse imenso vazio atravessado no meu peito, sangrarem. Grosso e derramando e deslizando e gotejando. Um sangue meio escuro, suficientemente antigo. De quando tudo enlouqueceu e eu era uma continuação de ti, sangras tu sangro eu. depois fizemos sangrat um so outro, sem saber qual o mais teimoso. Tu o mais sádico e mais cruel de nós, não achas? Eu só queria paz. No fim conseguimos. Menos eu mesmo, que nunca consegui nada de efectivo na minha vida. Mas quase ada disto tem que ver contigo.
Vinha a andar pelas ruas vazias, já pela noite adentro, quando uma pessoa começa a sentir-se insegura e pensei em como fui feita para vaguear assim, à hora em que se ligam os aspersores. Só o som deles corta o silêncio num ritmo contínuo.
Chego a casa e o vazio é outro. Lembro como hoje parecia que via pessoas parecidas contigo e até tirei uma foto longínqua a um par numa esplanada, por onde depois passei e ele levantou os olhos do telefone e olhou-me directamente nos olhos. Eu já antes estava perturbada com a semelhança, mas quando ele me olhou assim pude ver que tinha os olhos verdes. Não tinha, afinal, nada a ver contigo, só a maneira de vestir e o cabelo. Deve estar na moda porque há muitos assim agora.
Já tinha deixado fora a foto, porque não se via nada de jeito com a lonjura, mas fui vê-la de novo e na pasta do lixo estava ainda a outra em que ela está ao teu lado. A que deve ser a tua namorada. Não se vê a cara. Deu-me ódio pensar que ficaste com ela, que foi a ela que tu escolheste. Mas quem sou eu, não é, que tu nem sequer conheces?
Eu não sou como eles. Ninguém sabe. Todos pensam que eu sou incrível e não sabem que é só a hiperadrenalina e que na verdade eu não sou nada nem ninguém, muito menos quem me pensam.
Hoje tentei de novo. Falhei de novo. Continuei a andar como uma zombie. Com a estupidez, a dor e mágoa, completamente destroçada, arrastando-me sem alma.
Passei a vida literalmente nestaa coisas do existencialismo. Só na adolescência fui aflorar os que afinal pensavam e se questionavam acerca das mesmas inquietações, como Sartre, Sócrates, Camus e alguns outros. E Pessoa, claro, que eternizou essa falaciosa frase que passou a feita, falando de que a vida vale a pena quando a alma não é pequena. E das duas, uma: ou a alma é grande e pōe-se a inventar uma vida cheia de sentir, ou a alma inventando e não vivendo na realidade como ela é toda também expõe que a vida em si não vale a pena. No sentido em que a pena é pesada e longo sofrimento, a vida que é senão um intervalo até à morte, não valerá por esse mesmo facto inexorável.
Costumava, no entanto, ver então a vida como um desafio, não tanto uma aventura, mas pela caminhada de descobrir sobre a existência humana que nos calhou e os conhecimentos que podíamos explorar e adquirir sobre o que existia. Muita gente, noutra perspectiva, viam a vida como uma busca pela felicidade, pela concretização de objectivos, sonhos e o hedonismo que ela proporciona. Há quem retire grandes quantidades de prazer da vida pela repetição de actividades que lhes dão isso, até para muitas desembocar em vicio.
Eu sempre vi que a vida não valia as penas que significa e acarreta. Não falo só dos horrores cometidos pelos homens, mas tão simplesmente pelas dores pessoas comuns, até do quotidiano, do mundo humano em que nos inserimos. Contudo, lá está, quando vêm os grandes amores e eventuais realizações, ficamos com a ilusão de que a vida vale sim a pena e, muitas vezes, proferem até a mítica frase "valeu a pena tudo o que se passou para chegar aqui".
Não sei. De quase nada, já. Mas sei que se penso nele a cantar aquelas músicas, faz pensar de novo que dava tudo para as poder ouvir e que muita da pena pesada valia a pena só para ouvir e a amenizar. Isso sim, deve constituir-se em masoquismo. Ou seja, é mesmo assim: só os masoquistas e os inconscientes é que crêem que a vida vale a pena. E quando a pena deles é pequena.
(P.S.; a vida valeria a pena se eu pudesse te ter para sempre)
Por que é que és tão lindo para mim
Por que ainda sorrio quando te vejo
Porque é que a minha barriga aquece
Porque é que ainda és tu que apareces
Por que tudo em mim é teu desejo
Porque é que és tu o meu maior tropeço
Por que é que a minha mente te urdiu
Porque é que te tornaste no que me iludiu
Porque é que és "vida, amor, esperança"
Porque é que és a minha brava criança
Porque é que eu só em ti me foco
Por que me fizeste ficar como um louco
Porque é que não me farto do teu rosto
?
Eu nunca te disse que tu destruíste a minha vida. Eu nunca consegui ser tão cruel. Pensava eu, que se te dissesse, eu seria. Tal é o meu nível de burrice no que diz respeito a deixar que os que me fizeram mal saiam ilesos. A verdade é que os acho a todos uma porcaria e a mim também nesse aspecto de tê-los amado.
Eu era tão nova e acreditei no conto de fadas. Agora, há anos que estou velha e verdade seja dita nunca mais pude acreditar em mais nada. Todos me enganaram. Eu nunca soube de nada. Até ser demasiado tarde. Não é à toa que não dá para confiar em ninguém.
Sou um prato cheio para todo e qualquer narcisista de plantäo. As pessoas egoístas são as que menos têm coração. Fazem-se de altruístas para os outros e quando apanham alguém frágil usam completamente e prendem para manipularem como bem lhes faz questão.
Tu destruíste a minha vida e eu te dei o meu perdão. Uma, duas vezes, nem sei mais o que realmente aconteceu. Alguém que me fez tanto mal não merece mais nada de mim, mesmo que já não me diga nada e eu já nem sequer estar magoada. Mas como eu sempre acabo por não querer ficar mal com as pessoas e sou compreensiva, pus-me em maus lençóis por uma vez ou outra. Não repetindo depois os mesmos erros, pois a quota já estava vista e revista.
As pessoas só estão lá para elas mesmas, no fundo, só quando precisam ou querem alguma coisa só para se sentirem bem consigo próprios. Como sabem que esquecem, que não lhes significa nada, que seguem em frente rápido, não estão nem aí para tudo o que fizeram o outro sofrer.
Todo o tempo que eu passei preocupada com pessoas que não se preocupam comigo, gostava muito que me pudesse ser devolvido, porque entretanto finalmente aprendi a lição de que as pessoas não merecem nada de nós quando são falsas.
Aprende uma coisa: quando disseres que a vida é boa, tem a consciência de que estás a falar da tua vida e não da vida enquanto vida em si. Só porque tu vives numa bolha em que tens só alguns problemas com que conseguiste lidar e já achas que foste grande herói por isso, sem muitas vezes ver todo o sistema que te fez ter essa resolução nem sequer muitas vezes és grato pelas pessoas que te ajudaram a vida toda, não quer dizer que a vida é boa. A vida não é boa, nunca foi, especialmente para o ser humano que sempre foi horrível para com os seus e destruidor de tudo o que é são. Desde que o animal homem existe ele estupra outros seres, nomeadamente crianças. Toda a gente maltrata-se e ao próprio filho que põe no mundo sem sequer ter estudado para ser responsável por outro ser humano. Para não falar da extrema fome e poluição que causámos no planeta que é a única casa que temos.
Pessoas canibalizam, torturam, violam, roubam, matam, assistem todas essas coisas calados todo o segundo e não fazem nada para impedir. A vida não é boa, nem nunca foi, tu é que só fazes parte dos que se mentem e se separam dos outros, dizendo que não é nada contigo, que não queres saber, que só focas no que queres, que não podes fazer nada e que algum deus ou político está aí para resolver essas coisas.
Parabéns para ti.
O que é um sonho mediante a vida? Não o sonho que se tem dormindo, mas o sonho que se vê acordado. Aquele sonho que eu vejo de olhos abertos e olhar emocionado, quase aguado, vislumbrando lá no infinito um delírio. Tão amado. Tão querido. Tão desejado.
A moça que tem o pé sagrado do chão da sua terra, tem benção forte, abraço de acalanto, fé na madrugada, no dia, no nada. Ela joga as rosas no mar e o mundo inteiro vai lá se banhar. Ela conhece a dor e a tormenta mas a sua sorte é benfajeza. Hoje ela mostrou-me o meu esquecido destino, mais uma vez no meu delírio. Amém, Axé, insha'Allah, Oxalá! Maktub.