domingo, maio 24, 2026
Não te escolhi
Ideia de "jerica"
Afinal essa ideia de que como os médicos diziam que era suposto eu morrer com uma hemorragia interna, tipo cerebral, ou assim (desde 2001), ou depois ainda mais probabilidade com a insuficiência suprarrenal (desde 2013), e eu ter pensado que as pessoas afastarem-se de mim assim também não sofreriam tanto com a morte do que se estivessem mais habituados ao contacto, e por isso até era bom, na realidade é mais uma coisa muito má para mim porque entretanto são décadas de estar completamente ostracizada e abandonada.
"parabéns, muito ruim", não é à toa que sempre me considerei a pessoa mais burra à face da Terra, por supostamente ter consciência de muita coisa, mas na prática não ne ter servido para grande coisa a meu favor. ó que porcarias acumuladas, minhanossa!
sábado, maio 23, 2026
Coração Vulgar - Paulinho da Viola
Deixa desilusão a quem não sabe amar
E quem não sabe amar há de sofrer
Porque não poderá compreender
Que o amor que morre é uma ilusão
E uma ilusão deve morrer
Que o amor que morre é uma ilusão
E uma ilusão deve morrer
Um verdadeiro amor nunca fenece
E pouca gente ainda o conhece
Meu bem, se o teu amor morreu
É porque ninguém o entendeu
Deixa o teu coração viver em paz
O teu pecado é querer amar demais
Do Desespero
O desespero chega como bala perdida
Rasgando o corpo mesmo na ferida
Começa a explodir pelas extremidades
Aniquila todas as passadas felicidades
E de igual modo súbito devastador
Todas as futuras possibilidades
É só por causa deles
quinta-feira, maio 21, 2026
quarta-feira, maio 20, 2026
terça-feira, maio 19, 2026
Hoje, agora, lembrei de novo
A Ângela matou-se quando ia fazer 45 anos. Ela também tinha uma irmã e um irmão. Ela também era a que ficou em casa a tomar conta dos outros. Também sofria de depressão.
Hoje pensei de novo. O mesmo desespero já conhecido. Lembrei dela.
Depois guardei a tesoura com que acabei de cortar em pedaços as páginas arrancadas do caderno vermelho, que tinha escrito desde 2022 toda a nóia da pandemia. Nem li agora. Só cortei. Na força de um bocado de raiva da estupidez toda da hiperadrenalina daqueles tempos e toda a porcaria que não me parou, nem me impediu de estragar tudo.
Faz mais de dez dias que perdi a Yaya. Chorei muito hoje, depois de mais um episódio dos vários de sempre desta vida toda a ouvir "tu és uma merda", "sai desta casa" e afins, enquanto a ouvir duas músicas que vi G. cantar e relembrar nos stories. Chorando também por tudo o que aconteceu e pela falta de apoio e solução.
17/18-05-2026
Elo
Hoje vi que os coreanos têm uma palavra (jeong {:jung}) para definir a ligação que fica entre as pessoas mesmo quando já não há relação. Uma ligação que se formou numa época intensa em momentos com uma profunda conexão, de dor partilhada, por exemplo, ou um elo forte que se foi formando pela acumulação de vários momentos frequentes, constantes.
Pensei em como é isso que me fez dizer com certeza que mesmo que os anos passem, o sentimento ao reencontrar aquela pessoa está lá intacto. Talvez a pessoa já nem seja a mesma, tenha passado por algo que mudou muito, mas quem nós somos um com o outro, o que nos uniu, isso existiu e só se houver uma destruição por algum acontecimento anterior é que num reencontrar já não haverá o elo de ligação.
Eu tenho pena de ter contribuído também para essa destruição num caso ou outro. Mas a verdade é que se a destruição do elo de facto ocorreu, é porque não era tão forte, verdadeiro e especial assim. Os anos confirmam nos poucos reencontros breves, mesmo em pessoas muito mudadas, se nos unimos na nossa essência, intimidade, vulnerabilidade, abertura e honestidade, então nada muda, porque isso tudo também se reencontra de novo. Não deve haver muitas pessoas com quem as pessoas consigam isso. O ideal seria nem terem de se reencontrar e assim confirmar isso, mas sim nunca terem se perdido um do outro. O que levou as pessoas a se distanciarem também é toda uma outra questão a ser vista.
Mas afinal nada disto importa, quando só a morte é certa, não é verdade?
domingo, maio 17, 2026
Os pombos
Vê o que a Humanidade fez com os seus mais frágeis, com os seus animais, os seus pombos, com as suas crianças e os seus idosos. Todos eles usados e abandonados.
sábado, maio 16, 2026
Do Abandono
Hoje vi alguém falar que ser abandonado é só quando nos abandonamos a nós próprios. Depois, mais tarde noutra ocasião, ainda ouvi alguém dizer que se devia continuar sempre a preocupar-se com o outro, mas sem nunca se abandonar.
Lembro daquele pequeno milagre que foi um beija-flor vir perto da minha janela. Lembro dos melros lindos sempre a vir aqui perto também. Vi hoje algo sobre os pássaros serem vistos, nalgumas culturas, como espíritos dos antepassados que nos visitam para saber de nós e para dizerem que não estamos sós.
Eu abandonei-me demasiado no passado, porque eu não era ninguém para mim e só existiam os outros que invariavelmente recorriam a mim para ser a melhor amiga, a confidente, a irmã, a prima, a filha, a sobrinha, sempre escolhida para fazer e ajudar em tudo. Que bonito que parece, mas não, sempre foi a pior das torturas para um cérebro hiperactivo e um corpo fragilizado e sobrecarregado. Eu abandonei-me porque eu nunca pude ter vida minha, querer meu, tendo de lutar demasiado a duras penas para conseguir momentaneamente algo apenas para me ser tirado brutalmente num instante.
Eu abandonei-me quando confiei em alguém, a cada vez deixando-me na mão, indo embora sem grande razão. Eu abandonei-me quando me humilhei por acreditar num sentimento e numa ligação com alguém. E tu, alguma vez te sentiste abandonado por mim com inteira certeza de que eu não estava a pensar em ti? A cada segundo estava, numa luta para terminar o que tinha de ser. Quando alguém tem de crescer sozinho e eu já fiz o que podia para isso também, eu afasto-me, sempre foi assim. Mas quando ainda precisas de mim mesmo já não me querendo e com risco de me culpares, eu fico mesmo que a sofrer. Sim, eu disse que era um pouco como a Nanny McPhee.
Eu nunca te abandonei. Não como tu me abandonaste e me fizeste abandonar-me a mim.
Eu já não sou a criança com pouco mais de três anos abandonada com uma tigela de morangos em pleno terror e desespero.
Dormência
O teu nome
sexta-feira, maio 15, 2026
Pelo que vivias tu?
quinta-feira, maio 14, 2026
Essa é que é essa, Camus, toma e embrulha, fdx!
quarta-feira, maio 13, 2026
Os erros que eu cometi
Houvesse!
Não consigo mais
terça-feira, maio 12, 2026
Lucidez
segunda-feira, maio 11, 2026
As coisas todas estão tão horríveis, sem parar, depois ainda mais do pesadelo da pandemia, que eu não sei quanto tempo eu vou aguentar. Tem sido tudo tão tenebroso e desesperador, sem ter para onde me virar, sem ter com quem contar, principalmente para as coisas práticas que é necessário.. Quando estamos sem luz no horizonte procuramos agarrar algo só para continuar. É aí que as dependências ressurgem, as velhas ilusões de amor, o afecto perdido e a necessidade de ter de novo aquela pessoa que era tudo para mim e que só o facto de poder estar perto dele já me dava um abrigo. Ajuda-me, por favor. Tu, que eras muito mais do que um amigo.
Abandono
Estar completamente sozinha em todos estes anos, fez-me ficar com uma dor muito profunda dentro de mim, como se o abandono e o desapoio tivessem cada vez mais proporções gigantes.
Esta sensação tem estado pior nestes dias, depois destes últimos anos todos cheios de mortes. Agora mais ainda, com a morte repentina de alguém que era das únicas pessoas que sabia certas coisas sobre mim (e eu dela) e que partiu assim, sem poder se despedir de mim.
Não foi também à toa que se deu aquele momento horrível no outro dia com a taça de morangos a levar-me para aquele estado, lembrando do trauma.
Tu foste embora. Todos foram. Todos vão. Um dia eu irei também. Nunca tivemos hipótese. Eu pior. Esta dor nunca termina?
domingo, maio 10, 2026
Meu Amor
sábado, maio 09, 2026
Demoníaco
Talvez tu sejas o pior dos escroques da humanidade; falso, cruel, psicopata como não há igual.. Tens sempre um ar arrogante e olhas de lado a ver o que se está a passar e pōes-te a julgar do alto do teu pedestal de alabastro. Na verdade és completamente emplastro, de tal maneira que passas por coitado. Para ti o jogo nunca está acabado. Só quando tu queres, fartas-te e passas para o do lado sem olhar para trás.
Tu não és um anjo caído, não, nada em ti foi realmente verdadeiro. Tu és um demónio perdido, como milhões de outros quase tão maus quanto tu. Para mim não vales nada, não valeste nada da primeira vez que te vi, lembro que até fiquei um bocadinho frustrada porque o teu nome supostamente prometia mais do que os outros. O teu último nome. O nome que quase ninguém te chama.
Para mim és inominável. Assim como abominável. Insuportável mesmo. Como sempre foste. O teu odor é nojento. Deixa um rasto de morte lento. E não é sulfúrico nem enxofre. Embora sejas o enxofrado. Antes isso do que encornado. Ah, mas espera, isso também já foste e te tornaste. Ó diabo! Que fizeste tu para seres tão mal-amado?
sexta-feira, maio 08, 2026
Yaya
pus isto de rajada no post com a Yaya a cantar um bocado da canção que ela fez e me pediu letra, a nossa valsinha Amada, tudo eu Faço :
.. entre tantas coisas, também eras a pessoa que eu mais adorava ouvir cantar a Balada do Louco e, por isso, vou como nessa música das favoritas nossas, ficar feliz (assim que conseguir, q ainda estou quebrada aqui com a notícia), porque cruzei contigo aqui e tivemos momentos muito bonitos de muito amor e fazia-te rir demasiado com as minhas doidices, minha também uma das "matriarcas das lives", naquele que foi dos períodos mais horríveis e que também tu ajudaste-me a salvar 🙏🏽✨💐💐💐 tu poupaste-me por saberes que eu já estava de luto nestes últimos anos consecutivamente e eu só fico muito triste e a sentir-me a pessoa mais incapaz do mundo por causa das minhas impossibilidades de estar com pessoas. Mas o que se deu entre nós enquanto pudemos já foi tudo para uma vida, ou mais, q continuo incrédula e abismada de pensar. Há uns 5 anos atrás, falei de como eu podia ir a qq momento, mas havíamos sempre de estar juntas, mas entretanto sou eu quem tenho perdido todo o mundo e ficado aqui sempre perdida. Eu trocava a minha vida por cada um, pois vcs têm filhos, vida, alegria, e eu nunca entendi por que raio vim para aqui, também exausta de sofrer um inferno diário. Tu, tal como o Magnus que nós perdemos, tb dizia e motivava a continuar; insistiam em dizer que eu já fazia e era muito mais do que pensava e nem tinha noção. Vocês ajudaram-me muito no processo de ter autoestima e tu, em particular, também transformaste-te e libertaste-te comigo, por isso também fico contente de pensar que ainda pudeste cumprir o que querias e ter força para realizar teus sonhos também por mim. Tiamo para sempre, como sabes ❤️
#lullabyyourselfintosleep #amadatudoeufaço #yayatiamoparasempre #💔🖤
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Quem é que me vai chamar de "moreca" agora, Yaya? 😅🤦🏽💔🖤
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Já aprendi mais coisas nestes dois dias: como as pessoas imaturas são cruéis, Yaya. Como as pessoas fazem de tudo para não se enfrentarem a si mesmas e aos seus lutos. Como há pessoas que simplesmente viraram robots. Como há pessoas que ainda sentem e que ainda se permitem sentir de coração aberto, muito raras essas.
Ainda não acredito que foste embora assim tão inesperadamente. Feito tonta, eu ainda estava a perguntar-me se chegaste a ir ver o Lucinho como te tinha avisado e disseste que compraste bilhete. Será que ainda deu para ires, pensei eu. Enfim, a minha cabeça continua a não querer acreditar e estou extremamente chateada de já não nos podermos contactar, mas espero que eu possa continuar também a ver-te e a ouvir a tua voz nas mensagens de áudio e nos vídeos onde cantas.
Tu dizias que eu sempre sentia quando tu estavas mal e que isso era uma conexão divina, mas do que é que isso me valeu desta vez se tu foste embora assim e eu também nem consegui estar contigo? Que saudades, Yaya. 💔💔💔💔😭😭😭😭🖤
PS: bolas, vi dps q a data é 8 e 9, por isso se compraste é mais uma tristeza que se carrega por não poderes ir..
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mddc Yaya, hj já é dia 9 e a cada dia que passa fico mais enraivecida com a hipocrisia das pessoas. Juro que apetece ir lá e gritar HIPÓCRITAS DE M*RDA, mas depois claro que sei que é a raiva do que te aconteceu que devo estar a direccionar, embora tenha direcção de facto correcta e justificada na morada e endereço de certas pessoas. Pessoas todas sentem de forma diferente, sei, mas pelamordedeus, que porcaria de seres humanos Yaya que são tão falsos e nojentos. Pior que também são pessoas que nós amamos, né? Ias falar mais dessas coisas, mas não deu. Estava a pensar em como isto de as pessoas contarem-me aquilo que não falam com ninguém e segredos mesmo, depois sobra sempre para mim na minha consciência desde pequenina. Os adultos são todos totós afffeee Yaya 😅 Tenho saudades tuas. Ontem apercebi-me, ou foi hj, já nem sei, até porque as madrugadas dadas as circunstâncias ficaram ainda mais esquisitas, enfim, só para dizer que em toda a minha vida nunca me tinha permitido sofrer um luto tão inteiramente e honesta como mesmo a sentir tudo o que tenho de sentir de dor e chorá-la, quanto contigo. Dá para ver como toda a minha mudança e crescimento, com os processos terapêuticos todos que me apetrecharam bem, me fizeram enfrentar tudo sem escapar, distração, ou hiperfunção, e sabendo que assim fica-se melhor e pode-se sair pelo outro lado do furacão. Falando nisso, tempestade aqui tá forte, mesmo quando parou a ventania e chuva, deu trovoada tão gigante e forte, q sei lá o quê.
Já senti que estás a ir. Ainda bem. Sê livre completamente agora 🙌🏽😘😘fica bem e até à próxima ❤️
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Yaya, Yaya, como é engraçado... Cada um vê no outro o que quer e o que o outro lhe parece mostrar. Comigo toda a gente que é vista como alegre, luminosa, divertida, é sempre muito triste, muito insegura, muito aberta ao sentir e ser frágil, é introspectivo e nem sou eu que peço nada de ninguém, daí talvez não actuarem como a tpdo o minuto para os outros e poderem ser eles mesmos.
segunda-feira, maio 04, 2026
Processos terapêuticos e tal
domingo, maio 03, 2026
Aceno enquanto partes
sábado, maio 02, 2026
Pulsar
Uma tragicomédia romântica
Sei que para ti sou indiferente, ou apenas não gostas de mim, detestas-me (se alguma vez lembrasses de mim), pelo trauma, por toda a mágoa e atrofio causados. Eu também um bocado, pelo trauma e a dor que passei (ainda passo, está alojada em mim nos cacos do coração), mas prefiro da maioria das vezes quando penso numa versão que é uma ilusão de nós nos termos amado e amarmo-nos e perdoarmo-nos como nas dezenas de comédias românticas que já vi, em que apesar dos erros e equívocos, o amor fala sempre mais forte e ninguém consegue perder a oportunidade de estar com a pessoa amada, de tentar uma última vez, completamente vulneráveis a pedir perdão, e por uma chance de não ficarmos sem a pessoa que realmente amamos. Muitas vezes nesses enredos também é uma paixão integrada num novo local, com novas pessoas, que rapidamente se fazem nos sentir como casa. Nalguns há dois "pretendentes", geralmente de personalidades opostas (pergunto-me se o meu avô e o irmão dele também eram assim 🤔 provavelmente eram), muitas vezes um é o mais certinho e o outro mais problemático.
Coitada da minha avó..
quarta-feira, abril 29, 2026
Um coração partido demora a voltar a bater, se bater sequer
Afinal quando me partiste o coração e eu demorei anos a sentir que ele batia, foi só para mo partirem de novo, mas isso eu já não te expliquei, porque sei que não tem nada a ver contigo e descobrir que não há ninguém que eu pudesse amar sem sentir o perigo da violência de um homem faz-me ao menos ter a certeza de que no fim das contas foi bom não ter de passar por mais isso. A violência que sempre sofri desde que vim para este mundo já me basta. Falas de como tudo é violência e sexo, mas quando te digo que eu não pertenço a este mundo e que por nada disso eu me interesso, já nem sequer escutas, porque já não me conheces.
O que eu não te contei é que depois de ti, anos depois, de novo me apaixonei e desta vez amei como nunca tinha amado ninguém, tendo deveras enlouquecido, porque depois ele mostrou e disse que nem sequer existia como eu havia sentido. Todo o amor de que alguma vez fui capaz por toda a gente em toda a minha vida, foi todo transferido. Todos falam como sempre me preocupei e cuidei, mas hoje em dia, já há alguns anos, não sou mais assim, acabou tudo em mim e a tristeza habita-me de tal modo que nunca mais fui capaz de sorrir de paixão, senão uma vez ou outra ao lembrar alguma cena desse último devaneante amor. Apaixonei-me sempre por quem eles foram em pequenos, com a sua ternura, candura, determinação e inocência. Mas ninguém se mantém puro de sentimentos e se torna equilibrado e sem violência.
Duas vezes eu ouvi o som do coração a partir-se. Da terceira vez não ouvi sequer, talvez porque eu nem sabia então que ele era o grande e único verdadeiro amor da minha vida, ou talvez porque tal como ele disse era tudo da minha cabeça viciada por ele e nem existia.
Um dia, quiçá , eu ainda vou poder contar-te que encontrei uma pessoa decente e que depois de tanto tempo finalmente vale a pena voltar a ceder e amar. Porque mesmo que eu continue sozinha como nestes 13 anos, eu agora sei de quem eu realmente preciso e a quem realmente me entregaria de novo confiando, mesmo que haja grande improbabilidade de haver alguém assim. De qualquer modo, a minha vida sempre foi uma desgraça e o tempo também já provou que afinal nada passa tanto assim quanto eu precisava mesmo para mim.
Sofrimento
terça-feira, abril 28, 2026
Sou um rio
Mais um exercício
segunda-feira, abril 27, 2026
Peri
Eterno
Uma sombra mais pálida
Tudo o que não é dito
domingo, abril 26, 2026
Sempre e para sempre
sábado, abril 25, 2026
sexta-feira, abril 24, 2026
O Sol e a Lua II
quinta-feira, abril 23, 2026
Nome
Todos têm nome
Aquele que escolheram
Aquele que lhes escolheram
Aquele por que são chamados
Aquele que lhes chamam
Mas nem sempre conhecem
O nome que lhes foi dado
À nascença
À sua presença
À sua liberdade
terça-feira, abril 21, 2026
Ele foi como eu?
domingo, abril 19, 2026
2 mortes, 2 nascimentos
Luíza
vê-se num brinco
um coração de viana
oxidado
escurecido de propósito
Ela luta, esperneia
as suas últimas tentativas
de tentar se indignar
contra a falta de controlo
contra a falta de justiça
e imagina e se resigna
mas nunca mais volta
é só o que pode fazer
de decisão própria agora
Ela se quebranta
Esforça agradecimentos
Aproveita segundos de leveza
Depois mais tarde desmancha
Desistiu da sua cara
Antes de ver morrer a pessoa amada
sábado, abril 18, 2026
Fazemos de conta
sexta-feira, abril 17, 2026
Improviso pós-surpresa da foto "movimento" de céu
Capturo o movimento
Ele fotografa as cores
Refraccionando a luz
Ó meu amor, como seduz!
Já sei que me achaste
Meio ridículo de erudito
Mas gozaste de eu estar aflito
Atrapalhado e enamorado
Eu amei tudo e todos demais
Até um dia que não dava mais
Para serem felizes comigo
E larguei-os do meu abrigo
Este meu improviso não vês
Como tudo o que escrevi
E (graças aos deuses 🙌🏽) não lês
Mas achei este céu bonito
Foi uma surpresa que me fiz
Ainda dou-me a experiências
Raras e etéreas, mas sou feliz
Independentemente delas
Também já desconheces
No que me tornei e deixei
Depois de Agosto de 2024
Com tantos lutos e turbilhões
Sem ter chão, deixar de ser vento
Agora como nunca antes
Dissolvi-me no firmamento
Entendi cada fugaz momento
E já nada me importa questionar
Tu acabaste por dar-me tudo
O que eu precisava para confiar
Que tudo um dia vai acabar
E eu já não sofrerei mais
Porque regressarei ao meu lugar
quinta-feira, abril 16, 2026
Sereno
quarta-feira, abril 15, 2026
Outra fase do luto
Do Aborrecimento
Eles só sentem solidão quando estão aborrecidos. Daí usarem de terceiros para se distrair. Eu quase nunca me aborreço, porque eu vivi a vida inteira de pensamento e contemplação. Quando era mais nova fui uma ávida leitora e isso formou-me tanto a imaginação que acabei por me tornar numa pessoa extremamente imagética de tudo o que testemunho. A exponenciação da empatia e dos neurónios-espelhos também se deve desenvolver assim, creio. Ou seja, este cocktail perigoso foi o que também me permitiu, enquanto ser cronicamente alerta, nunca me entediar. Tudo a todo o segundo acontece e eu observo, sou impactada e atravessada por isso. A solidão e o aborrecimento podem ocorrer por não estar com pessoas que sejam presentes, que existam conscientes e que saibam estar no momento. Eu soube relaxar, descansar, divertir-me, mas muito pouco e com a duração de poucos minutos, nesta vida. O resto foi essas aflições de stress, incerteza, bombardeamentos e tudo mais patrocinado por outros (que assim podem e têm tudo, que se divertem à vontade, etc.) enquanto sempre a ter de cuidar de alguém.
Enfim, o tédio não me assiste. Eu assisto o tédio e nunca é completamente entediante. Até traz bonitas surpresas à percepção, às vezes. Um espaço para enxergar, escutar, aceder outras ondas.
domingo, abril 12, 2026
O meu menino
Talvez o meu menino já não exista mais. Morto pelas guerras de que o homem é capaz. Não somente as externas, mas principalmente as internas. O meu menino, no entanto, jamais se deixaria quebrar irremediavelmente no seu espírito. Embora ele não seja Mandela, ele sabe que o atrito tem a sua função apenas integrativa de toda a emoção que abraçamos. Há que estar consciente disso e o meu menino é muito ele, inabalável na sua meninice bonita e terna. Ele é o mesmo que aprendeu a fazer comigo um pequeno ondulante grito de vitória ao erguermo-nos e descermo-nos numa simples lomba na estrada. O meu menino é verde. Como a explosão de sabor que ele sentiu ao prová-lo, como a coragem que teve quando era desafiado para trilhos em rochedos ou simplesmente testar uma ponte de madeira improvisada, ou só mesmo quando apontava para uma estrela dizendo que não se deve apontar para estrelas. Enquanto o meu menino for um grande peixe sempre desidratado e a ansiar pela água e apartar os caminho de pipocas suspensas no ar, entre palhaços, anões e gigantes, e plantar campos inteiros de lírios-do-campo só para a ver feliz, eu sei que ele é imortal e existe em cada um deles um amor puro sem final.
(Eu não tive o meu menino; nem sequer me despedi dele.)
sexta-feira, abril 10, 2026
Um silencioso azul
Planos
quinta-feira, abril 09, 2026
Chorando
terça-feira, abril 07, 2026
"Se eu não sou nada, quem é que eu sou? ele perguntava"
segunda-feira, abril 06, 2026
Os contos de fadas que contamos a nós mesmos
Hoje não resisti ao Big Fish na tv. Lembrei como já foi o meu filme favorito num tempo e a favorita cena das pipocas, claro. Eu sei que vivi uma vida inteira a tentar sobreviver neste inferno diário através dessa fantasia que a arte proporciona, de nos dar esperança, de nos fazer acreditar que há coisas boas e bonitas para viver, mesmo que seja só por simulacro através dos filmes, músicas, livros, quadros, etc. É impressionante como além das ficções e das fantasia, também fui gostar de documentários e coisas de época. No fundo, tudo coisas de fôlego, profundas, que fazem reflectir e imaginar. Como a minha vida se tornou num nó insolúvel desde muito cedo, a minha forma de tentar deslindá-lo e escapar ao terror que me era imposto todos os dias, foi, sem eu me aperceber muito disso, refugiar me nessas artes todas. Desenvolvi alguns mecanismos de sobrevivência por causa dos traumas todos. Só nestes últimos anos bizarros é que me fui aperceber disso e identificar melhor o que se passava comigo aquando de certos comportamentos. Há quem passe a vida toda sem ver essas coisas em si, sem ter consciência nem sequer começar a analisar-se. Pessoas que não se conhecem, que nunca encetaram processos de autoconhecimento. Em vez, contam-se a história mais apropriada sobre si mesmos conforme dá jeito para a ocasião. Ao menos, eu sei de quase tudo o que fui de mau e de bom, sei que também tive muitos momentos de querer escapar deste mundo, mas limitei-me a aprofundar-me nele com as artes. Aos poucos, com o avanço da idade, foi-me dissolvida a maioria dos contos de fadas e depois de tudo me ter sido tirado e eu mil vezes abandonada sem quase nada, só um conto deve ter ainda sobrado. Muito lá no fundo enterrado.
sábado, abril 04, 2026
Afim
quinta-feira, abril 02, 2026
Entre citações musicais
A flor do mar
segunda-feira, março 30, 2026
Divagar
Em meandros da minha exaustão, ainda assim, alternam-se momentos de contemplação, crises existenciais e epifanias. "Frito em óleo profundo", é como me sinto, reconheci agora há pouco enquanto por curiosidade pesquisava entre menus de restaurantes e deparei-me com esta preciosa pérola da tradução literal.
Lembrei de repente como no outro dia em que fui arejar, as ruas vazias pareciam ter um ar seco e quando há mais pessoas tudo fica mais húmido.
Retorno a ti. É-me inconcebível que não me detestes e que voltes um dia, mas nada dentro de mim é mais possível do que este amor doido nunca se acabar. Dizem que amamos uma ideia e temos a falta de sentir que estamos a ser amados e tudo mais que elaborámos à volta das incertezas. No teu caso, demoraste, mas deste-me a confirmação das piores certezas. Pois tenho de te dizer e a todos que em certo momento desejaram a minha morte, que não se preocupem, que todos nós para lá caminhamos eu, apesar de estar fora do prazo, continuo a ser a pior das mortais, que tanto sangra nesta vida de horrores.
Os pássaros estão desesperados. Melros afogueados. Parece, não sei ao certo, mas é como sempre "é de madrugada a criação". E eles não se calam. Hoje acabei por rever uns poucos, em que pensava eu, me cantavas. Eu sorri de novo "dengo, relaxar", quem dera que fosse verdade.
domingo, março 29, 2026
Ficou um bocadinho confuso tudo
sexta-feira, março 27, 2026
Sou de um país que não existe
Acho que sou de um país que não existe.
Quando quis pensar no teu nome veio-me o dele e quando quis pensar em qualquer nome de outros vem-me o teu. Faz sentido. Assim como o meu cérebro associa traços de rostos a outros rostos, confundo-me entre quem é nalguma coisa forte da personalidade igual.
Nunca nada fiz por mal. Foi tudo automático. Mas já sei o que se passa no meu cérebro, no meu coração, na minha sensação.
No país de onde eu sou só existe amor, todos os dias, sem qualquer gota de rancor. Há uma ingenuidade e franqueza alvas, nunca há mágoas, nem ressentimentos. No meu país vive-se por momentos, cada um presente.
Tu moras no meu país. Tens lá morada fixa. Será que era a mim que pedias que fingisse ser tua namorada? Hoje lembrei desse pormenor. Tudo quase questiono em redor.
Agora que somos assim, tão presentes, como acabam os nossos dias? Eu mudei tanto que já nem gosto das mesmas coisas. Nem todas. Eu sei que não fui eu que fui quem esteve naquele momento no tempo. Mas será que tu sabes? És tu quem sempre soube? Afinal és tu quem sempre soube quem eu realmente sou, não é?
O país de onde eu sou tem sim o cheiro doce da figueira, que primeiro me lembrava daquela passagem, das dunas e das libélulas e, depois, mais entranhado ainda eu usava à sexta-feira.
Sou de um país que não existe, que nunca teve fronteiras, limites, mentiras e falsidades, onde só existe tu.
(existe)
domingo, março 22, 2026
Rapariga de papel numa cidade de papel
domingo, março 15, 2026
Acidentes
Lembras-te de quando tiveste o acidente em que o carro ficou de tal forma espatifado que ficou inutilizado? Lembras-te como ficaste depois dias a bater mal da cabeça e a querer viver tudo antes que se acabasse? Lembras-te como, de repente, consciencializaste-te da inevitabilidade do teu fim e tantos arrependimentos vieram ao de cima? Eu lembro, lembro que me ligaste a contar, Lembro-me da tua aflição.
Sempre fico a pensar em como é invariavelmente assim que acontece com toda a gente. Aquele misto de intenso conflito mental com um toque de alívio e o suposto despertar para a iminente morte. Ah e a culpa, especialmente se havia mais gente no carro.
Lembro como eu me espatifei à grande por amor, quase a cada encontro, nunca saí incólume. Eu fui sempre o pendura e como boa pessoa no lugar do morto, morri em bastante. Só para depois entender mais de mim, do que fui e fiz e o quanto me perdi. A tal da expansão da consciência acontece também e a noção da mortalidade regressa. Eu sempre fui propenso a acidentes. Mas qualquer dia destes, despertei, foi de tal forma que nunca mais me apanharam nesses entroncamentos. Nunca mais andei sobre estradas de pedrinhas soltas derrapantes. Nunca mais fiz 180 graus. Nunca mais galguei o passeio nem amolguei coisa nenhuma. Além de ter deixado de conduzir há muito mais de uma década.
Hoje em dia já não sou propenso a acidentes, apenas a raríssimas passagens a pé, que no máximo rebentam as minhas veias das pernas até amanhã.
Quem és tu e quando vens buscar-me? nds "ninguém" 🤦🏽
quinta-feira, março 12, 2026
mais um daqueles pensamentos
A vida é uma coisa muito difícil para a maioria das pessoas.
Tenta-se levar em frente, fazer o que se pode, mas há pessoas que estão fadadas a ter todas as suas oportunidades goradas.
Ultimamente olho para trás, para ver se alguma vez houve uma chance, mas chego sempre à mesma conclusão: não houve e nós não fazemos "ses", não é?
Por causa da malograda saúde, estar há mais de uma década sem poder trabalhar fora, mais de duas décadas sem poder viajar, anos sem poder estar com pessoas à-vontade, e todos os pesadelos enfrentados desde a pandemia, mais uma vida inteira de traumas, faz-me pensar em como abraçar ser artista tem sido mais um murro em ponta de faca.
terça-feira, março 10, 2026
segunda-feira, março 09, 2026
escrito num story do insta pós-8M
Além do que já estamos habituados no dia-a-dia, hoje também foi triste constatar como não há homens que estejam do lado das mulheres a sério, com acções concretas que façam alguma melhoria por mais pequena que seja. De ano para ano aqui é quase sempre a mesma coisa: nenhum homem se põe a falar para os outros homens e chamar-lhes atenção (começo a ver q n é só pela desculpa esfarrapada do "não sinto que seja esse o meu papel, o meu lugar de fala", mas tlvz pq no fundo eles sabem q tb já foram merdosos com mulheres). Inclusive muitos dos seus amigos são homens que já foram extremamente horríveis para as suas amigas e eles não estão nem aí. Infelizmente não há nenhum que eu tenha conhecido que não tenha sido um cobarde nesse sentido. Todos coniventes. E tantas mulheres também amigas desses meninos. É tudo triste, porque na verdade o amor não existe. Todos usam os outros e nem vêem quem realmente são por dentro.
Continuem a fechar os olhos e a baixar a cabeça, fingindo que não é nada convosco, que com certeza essa onda de ódio maior contra as mulheres há-de desaparecer magicamente, ó se há-de. Ah e não esqueçam de continuar a lamentar depois as mortes, como se não tivessem contribuído para isso.
E, sim, sou misândrica.