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quinta-feira, agosto 13, 2026

 Hoje quando lembro em ti
Fujo rápido do pensamento 
Porque ter pedido ao vento 
Que levasse o teu nome
Não funcionou até hoje 

sábado, agosto 08, 2026

 noites em branco

pensamentos nebulosos

o intensificar de obsessões 

paixões eternas

vidas sem soluções 

sexta-feira, agosto 07, 2026

Noite

 A madrugada beijou a aurora
Tomou-a em seus braços 
Ainda quis uns amassos 
Mas a aurora presa no agora 
Surpresa pela inusitada situação 
Inesperada tensão e confusão 
Ainda relembrou o puro amor
De que pensava estar melhor 
E sentiu a culpa emergir

O dia ainda iria raiar
Mas tendo perdido o grande amor
A noite suassuna nunca ia chegar 

quinta-feira, agosto 06, 2026

Intimidade

 Desenvolvi uma intimidade genuína 
Daquela que se aninha no peito
E vai florescendo pelo corpo
Com a ternura e a verdade sós
Mas rodeadas de tanto gosto

Acolhi nos meus braços lassos
Tamanhos pecados de outrem 
Aceitei as suas confissões 
Como se fosse um bispo do amor
Através do véu fino da dor

Permaneci em pé na rua
Em frente à tua janela por anos
A esperar que me tomasses tua
Mas a tua varanda é de arranha-céus
E eu sempre fui só uma pobre pedestre

Apanhei chuva, trovoada e frio
Enquanto os dias no calendário se foram
Finalmente no último dia daquele ano
Acabei por desistir por não te ver
E estar ciente de todo o dano

Porém tu retornaste depois 
Quando eu perdi a esperança 
De que pudesses me amar também 
E vieste finalmente para mim
No meu peito te aninhar

(doppo Cine Paradiso ❤️💔)

quarta-feira, agosto 05, 2026

Vazio

 O teu vazio ficou aqui comigo 
nos teus sorrisos forçados
na tua voz pesarosa
nas tuas gargalhadas ocas
Talvez eu to tenha tirado
Guardado comigo
ficando mais destroçada 
do que eu já estava 
mas não fazia mal
porque tu eras quem eu adorava 
e nunca tinha percebido 
senão quando tu já me odiavas
Eu quis deixar de ser insolucionável
E no fundo tu nunca foste 
um problema para mim
eu nunca te resolvi
nunca quis nada daquilo 
só que o amor cresceu desmedido 
hoje cedi depois de muito e vi
de facto não há como negar 
o nosso amor imenso e denso
brutal de tão intenso
dói saber que posso nunca mais
assim
vazio por dentro 
porque a coisa mais linda
eu destruí

domingo, agosto 02, 2026

 Talvez tenhas sido o último devaneio da alma

Talvez tenhas sido apenas perigo 

Mas certifica-te de quando eu morrer 

Tu fazes de meu amigo a aparecer 

Como se não me tivesses matado um dia

quinta-feira, julho 30, 2026

Âmbar

 Cada música é uma memória preservada em âmbar
A tua viola, do meu priminho e do Silas
Reconheci do nada o som que me chamava
Essas tuas sereias sempre me fizeram ficar condenada
Quantos nomes tem o teu amor e a nossa dor?
Cristalizaram-se na mente como resina peganhenta dos afectos sob tanta pressão 
Eventos que ficam guardados no coração mesmo quando já não se lembram
E quantas palavras e expressões, quantas maldades e malícias, em quantos jogos teus com os teus múltiplos jogadores que eram os teus verdadeiros amores, dizias tu desempoeirado e a verdade é que sempre tiveste muitas certezas para contrapor poucas delicadezas não sendo bruto mas frio e cortante como o cristal de âmbar dourado, embora o teu efeito analgésico só aparecesse por milagre e oração e promessa e eterna devoção 
Que contradição! 
Juraria se pudesse cumprir, apesar de tanto querer parar de lembrar e de escrever
É preciso para deitar fora até se ir de vez embora 
Estamos a torcer!

Barco

 Um barco 
atravessou 
no rio da minha alma
e me afundou
quando eu pensei 
que ele era a minha casa

Nada pode trazê-lo de volta
nem o caudal que seca
nem o vendaval que o leva

Chorei em quatro dias 
nestas últimas mortes
a lamentar a má sorte

Nós já não temos tempo 
e tudo sempre me disse
que não era o momento 

Eu amei-te muito
e nunca larguei âncora 
eu sou uma viciada 
e nada te espanta

Mas eu tenho de ir 
desaparecer, sumir
porque tudo me navegou
sem eu dali conseguir sair


(rip Hansard, goodbye 💔🖤😭)


segunda-feira, julho 27, 2026

Escondemos o amor

 "Ontem" foi um lugar bonito
Onde escondemos  o amor 
Ficou tão bem escondido 
Esquecemos onde fomos pôr 
Mas continua tudo aflito 
Lá por dentro a nos remoer
Que o amor quando é grande
Dói por demais a valer
E a gente encolhe os ombros 
Diz que não há nada a fazer
E que é melhor deixar para lá 
Guarda a sete chaves no baú
Chegamos até a maldizer
Que não é amor tanto sofrer
Mas sabemos bem por detrás 
Amor maior no coração não jaz
Mas sabemos 

sexta-feira, julho 24, 2026

 Imagina por que raio viemos para aqui sofrer

E "a liberdade está na dor"

Tantas atribulações 

só para morrer

"Quem é que foi temperar o choro

E acabou a salgar o pranto?"

Quem é que te amou

E quem é que não ouviu o teu canto?

quarta-feira, julho 22, 2026

O tempo presente

 Viver o tempo presente 
É o que faz mais sentido 
Mesmo quando a tua mente
Procura no passado um abrigo 

E o tempo presente é amigo
Porque é teu confidente
Traz o passado e o futuro 
Quando ele é duro e inimigo

O afago de uma memória 
A esperança para outrora
Sim é tudo a tua história 
Quando nasce cada aurora

Não há o que perdoar mais
Tudo recomeça todo o dia
Faz as necessárias pazes com alegria
Passado, presente e futuro são totais

terça-feira, julho 21, 2026

E ficas na dúvida

 Ando a perder minutos 

Mais de dez, um salto

Talvez quântico?

Não, não sou tão atlântico 

Agora és tu quem fica na dúvida 

Será que significa a música?

Amor meu

 Olho para ti e dá vontade de chorar. Não sei por que é assim. Só wuase acontece contigo e não me lembro de me acontecer isto com mais ninguém, nem com eles. Estás tão linda de luar e eu acho que o que faz doer não é tanto te amar, mas saber que nunca deu para estar, nunca cabe neste mundo assim estranho imensurável amar. Amor meu, "não esquece", não esquecemos, faz de conta que ainda é cedo. 

sexta-feira, julho 17, 2026

Saliente

 Lembras-te quando eu era saliente
Até demasiadamente 
Ao ponto de ter chateado muita gente 
Houve quem me chamasse de invasiva
E eu apenas na brincadeira e correria
Para distrair todos da mortandade
Que nos cercava e minava a mente

Tanto tempo com dezenas de mortes
E conflitos, ausências e desnortes
Já não sou mais assim como fui
Naqueles instantes constantes
Que duraram uns três anos
Eu não controlei os danos
Agora pago as más sortes

Estou silente há muito tempo 
E desisti das pessoas que amo
Só ficaram as que amo sem doer
As que são amigas a valer
E têm maturidade e não enganos

Suspirando

 Estamos perdidos num labirinto 
que criámos nós mesmos 
e suspiramos fundo
demasiadas vezes ultimamente 
damos por nós alheados
não olhando o céu sequer
nem o infinito no horizonte 
apenas cabisbaixo 
meio inclinados 
cabeça desistindo do mundo
e quando suspiramos levantamos
num só segundo a cara para o ar

Vejo-te hoje e ontem 
não amanhã 
não penso muito nisso 
só de vez em quando 
quando tudo parece desesperador

Lembro agora como gostavas
do cabelo liso de seda chinesa
e por isso casaste com ela
e depois nasci eu enrolada 
com caracóis como tu
o nosso cabelo preto
a minha vida negra

Talvez perder um irmão 
seja algo muito confuso mesmo
e pensemos que podíamos ter sido nós 
e fica tudo muito inacreditável 
e inconcebível e atroz
de pensar que ele morreu 

Não sei porque vos confundo 
mas talvez seja porque neste mundo 
não houve mais ninguém 
que eu amasse tanto assim
como a vocês os dois 
com os vossos caracóis 
nos nossos cabelos 

quarta-feira, julho 15, 2026

Lua negra

 Lua negra, leva de vez o mal que nos arrasou. Todo este maremoto passional por dentro, tornado tudo desfeito, nunca mais me encontrou. 

Eu amo demais cada ser e já não dá para suportar abandono, indiferença, o afastamento. Se ninguém me ama enquanto estou aqui, para quê suportar maus-tratos? George Harrison, nas suas últimas palavras, disse também que não há nada mais importante do que a procura por Deus que é o amor e também disse "amem-se uns aos outros". Onde está o amor de alguém que não nos abandona e faz tudo para estar connosco? 

Névoa mental - teste

Yaya Consigo ouvir 
tão nítido o teu "ah, tá, moreca"
Este troço de insta não tem piada
Quem é q vou avisar agora 
quando a Teresa Cristina 
fizer live do vosso rei?

Joaquim Tó Tonho
Pereira de Oliveira 
Oliveira de Pereira 
Pedro de Oliveira 
Gonzalez 
O retrato
Tio tios tantos mortos
tudo absorto
vinho uísque limoncello
como tudo era belo
só que não 

o cérebro em ebulição 
descava os traumas 
pára depois dá o pino mental 
apaga
fica normal?

doces 
salgados
vocês dois meus namorados 
um dia hão-de amadurecer 
por enquanto ficamos separados 
mas estou contente a valer
os meus dois namorados 
prontos-a-comer

monge hare krishna
o meu beatle favorito
primeiro o Paul
Depois foi breve o Ringo
Depois Lennon comigo 
E o George é o tal
Como o Oliveira era
Uma grande pessoa 
Mas tratou-me mal

Esta foi não só 
uma névoa mental 
como uma verborreia anormal 
E a J. ascenderá.
Eu só estremunhada

(uma loiça, uma taça
não é cleptomania 
quando se usa 
é necessária utilidade)

terça-feira, julho 14, 2026

Tio, não sei não.

 Hoje foi o funeral. O meu pai contou-me que ambas as minhas primas estão divorciadas. O meu tio tinha-me dito aquilo e eu entretanto escrevi o que escrevi, mas fiquei a pensar em tudo de novo. A vida acontece. A morte para uns chega em vida. Às vezes muitas vezes. Uma despedida atrás de despedida. Quantas vezes eles me fizeram chorar? Eu não fui cruel assim, acho. Só fui sempre verdadeira com a realidade da minha falta de condições. Talvez ninguém os tenha de facto amado tanto quanto eu, como as más línguas diziam, mas eles têm razão, o meu amor adoeceu e é por isso que eu, sangrando dilacerada todos os dias, torço para que sejam felizes e que eu morra em breve sem que ninguém saiba. Abandonada porque fiz para isso, porque sempre fiz o que tinha de ser e não o que eu mais queria. Porque o que eu mais queria nunca de mim dependeu. 

Tio, parece que tinhas razão, mas acho que algumas vezes ter e sofrer depois na despedida às vezes é melhor do que não ter nunca. Eu acho que o pouco que tive e o tanto que sofri também já foi de bom tamanho. Quanto ao resto já entendi. Não vale a pena viver. Só sofrimento.

Ficar como a tia-avó Beatriz a vida inteira solteira e abandonada. 👌🏽

O amor sem nome

 O meu amor tem tudo menos nome. Ainda, isto é. 
Um rapaz trovador podia ser o meu amor, mas ele não me ama.
Há um que tem um sorriso sincero que se estende a fazer covinhas no rosto, mas não como o Heath Ledger a fazer de Joker. É mais o Brandon Lee n"O Corvo. O cabelo dele também é grande assim, o suficiente para eu passar os meus dedos por ele, como quando o B. disse para eu secar-lhe o cabelo ou como quando cortei o do L. 
Amar um homem nunca lhe é suficiente para ficar e ser o meu amor. São todos demasiado jovens ainda. Têm de amar outras para aprender e desaprender o amor, até entenderem o que é o amor infinito. Esse que lhe tenho e ele diz ser maldito.
Os três rapazes que mais amei foram coincidentemente quem em determinados momentos escreveram poesia, mas não se considerando poetas. Por isso, sim, naturalmente o meu amor tem poesia dentro de si, como livros de Neruda e Vinícius na estante. Mas eu preciso que ele tenha entendimento de alma e seja honesto, real, como Dostoiévski. 
Esse meu amor sem nome, ainda, tem morada. Eu sinto saudades dele hoje, pela já longa, como sempre, madrugada. 
Ter de desistir do amor desde já há tantos anos fez-me ficar com segredos doridos a fermentar no coração. O nome dele é um deles. Só há um que poderia ser o escolhido. 


(geralmente escrevo logo de rajada, mas este texto ficou estes dois dias a marinar e de facto só agora se entende)