Com tudo, acabo de me aperceber que nunca tive nada de bom que não resultasse da minha necessidade de lutar a cada dia para não morrer e, portanto, estando atenta a tudo por defeito do stress pós-traumático que me foi incutido, procurei agarrar um bocadinho de algo que parecesse belo e bom para contrapor a fealdade e o horror do que sempre passei.
domingo, junho 07, 2026
Dos meus sonhos mínimos
Há os serviços mínimos que se procura garantir numa situação de greve e há os sonhos mínimos que se procura porque não se pode sonhar.
Eu queria poder ir à casa-de-banho à-vontade sem ter de limpar tudo antes a cada vez e não poder sentar e passar dificuldade porque a sanita tem aquela porra de assento sobre-elevado que só faz mal. Ter de viver ainda para mais com alguém que nem fecha a tampa da sanita mas vangloria-se aos outros de lavar até as cascas da banana 🤦🏽😵
Eu queria poder dormir (!!), sem ouvir estrondos a toda a hora de portas e loiças e a puxarem cuspo e a tossir e espirrar tudo perto e virado para onde estou, sem fecharem a porta de onde estão; sem ser acordada com cheiros tóxicos, muitas vezes nauseabundos, de pimentas e etc. na minha cara vindos pela parede em frente à minha cara e pela porta.
Eu queria poder cozinhar (sem ter de ser em stress em 15 minutos) e comer (sem ser num cantinho no meu quarto) e qualquer coisa que nem é nutricionalmente completa e apenas uma refeição por dia, se puder chamar isso de refeição. AINDA POR CIMA EU COZINHO BEM e várias cozinhas do mundo todo, tendo visto décadas de Masterchef Austrália e começado a cozinhar aos 7 anos, arroz com ovo, panquecas e assim. Queria tanto poder iniciar comendo alguma coisa mais completa como aveia cozida com banana e canela, um ovo mexido em tosta de sementes, um sumo natural. Algo como as pessoas saudáveis normais. Mas nem isso me é acessível. Agora com a idade ainda mais vou definhando.
Enfim, também ia escrever algo como "ir dar um passeio, arejar", mas já estou deprimida com as minhas impossibilidades de coisas que para a maioria são simples e eu pelos vistos nunca terei.
sábado, junho 06, 2026
#VemMeteoro
"De volta pro aconchego"
A linda cantora Priscilla Frade postou de novo ela a cantar essa música eterna que me remete para a minha avó a ver novelas brasileiras comigo. Acho que era na novela Tieta, ou assim, sei que era a voz da Elba Ramalho, pelo menos foi o conhecimento com que fiquei. A minha avó morou uns pouquitos anos connosco, para ajudar quando o meu irmão nasceu, mas também depois já não aguentou ver os maus tratos que eu sofria e o facto de a minha mãe ser uma déspota para com todos e nunca mais quis viver aqui. Ela lamentava muito tudo, mas também não podia fazer nada. Ao menos, lembro, que ela pelo menos foi uma das pessoas que ouvi dizer "ugirau" e assim a tentar parar a minha mãe de me ameaçar e bater. Infelizmente até foi por isso que eu intuitivamente comecei a escrever num diário e lia-se lá eu com apenas uns 8 anos e durante uma semana não houve um dia em que ela não me ameaçasse ou batesse. Fosse por que motivo fosse: desde pontapear-me na despensa comigo no chão porque eu não queria usar sapatos apertados que doíam para ir à igreja, até ao troco que o senhor da mercearia dava errado, e eu é que era a culpada e eu tinha que lá voltar e reclamar, com 5 anos, fora quase todos os dias para obrigar-me a engolir rápido e porque eu ia à casa-de-banho, quando eu já fui mal feita com doença congénita de piloro que não fecha como deve ser, além de ter herdado lactointolerância do meu pai, confirmada pela médica do Pulido Valente só em 2006. Aos 7 bateu-me no meio da rua à frente da camioneta recém-chegada do passeio da escola (por causa de eu ter dito q tinha caído q m tinham empurrado do palco a q subimos; "pq é q foste lá?" e bateu-me, quando tds tínhamos de ir, óbvio, fomos com a professora) depois de um colega, Tiago, bully branco e forte ter--me empurrado para trás de mais de três metros de altura e os meus restantes colegas ao verem-me estirada no chão pensarem que eu tinha morrido. Houve uma coleguinha que ainda me veio dizer que percebeu que eu tentei aterrar em pé. Agora parece uma coisa cómica esse aspecto. Mas ela tinha razão, tentei mesmo. E é curioso como no ano anterior o meu vizinho do 11° andar e colega de carteira, Marco, tinha morrido caindo pela janela. Nunca associei uma coisa à outra, só agora. Para que serve estes exercícios da escrita senão para processar, como sempre. Para não falar de quando tinha 9 anos e ela entrou na casa de banho enquanto eu estava a tomar banho e bateu-me, ainda me lembro de como senti humilhada ainda mais por estar nua ela bater-me assim directamente na carne encharcada. Eu demorava a tomar banho por causa de lavar o cabelo, mas ela nunca se importou com nada do que era meu, nunca me ouvia, nunca me deixava abrir a boca nem chorar sequer. Batia-me para eu parar de chorar, tal é a psicopatia dela. As pessoas não fazem ideia do que é ter a pessoa que nos pôs no mundo a tratar-nos mal e odiar-nos e fazer-nos odiarmo-nos e odiarmos termos nascido, desde que somos crianças. Os agressores também são assim. Depois esquecem do que fazem nesses supostos surtos (ou dão desculpas, mas nunca admitem nem se desculpam) toda a hora a descarregar no mais fraco violentamente e culpam-nos por sermos traumatizados e dizem que inventamos e imaginamos e mentimos. Lembro que as poucas mentiras que eu era obrigada a dizer era para salvar o meu irmãozinho e arcar eu com as culpas e respectiva porrada que era para ela não se chatear com ele (porque ele tinha asma e eu poupava-o e tentava protegê-lo de tudo, até mesmo quando ele me danificava as coisas ou fazia-me mal porque também tinha aprendido a bater e a ser possessivo com os brinquedos e a fazer o que quisesse de desarrumacao porque não tinha consequências e eu é que estava sempre a ter de arrumar a cada instante em modo alerta). Até hoje ninguém se lembra de nada, ninguém sabe nada, ninguém faz nada. A família toda via, ouvia, mas tinha medo dela e então nunca me protegeram nem fizeram nada. O meu tio, irmão dela que não a suportava, ainda me vinha dizer que a culpa era do meu pai que permite tudo dela. Ele tinha razão, mas também o meu pai teve o AVC, ainda mais com o stress que ela lhe causou com a sua ganância, deixá-lo sozinho aqui comigo e com o meu irmão e até a minha irmã até levá-la também. Eles, meus tios todos que diziam isso do meu pai, não entendiam que também o meu pai foi vítima de violência doméstica como eu, além de tudo o resto. Viver em constante stress, ameaça, maus tratos e sem qualquer amor de verdade, ou carinho que fosse, dá cabo de qualquer família/pessoa.
Acho que a minha avó se soubesse tudo o que passei nesta vida por causa da psicopatia da minha filha dela e até hj, com quase eu a fazer 45 anos com a vida e todas as hipóteses destruídas por causa dela, se tivesse oportunidade de regressar no tempo e se lhe dessem a opção ela provavelmente não a teria tido, só para me salvar. Porque ao contrário do que a minha mãe me quis meter na cabeça que a minha avó gritava comigo tanto que até se ouvia lá fora, eu sei que a minha avó sempre me amou e toda a gente sempre me veio dizer depois também e, ao contrário, pessoas (inclusive uma chorar desesperada a pedir ajuda) vieram contar as coisas horríveis que a minha mãe lhes fez. Precisamente a mim do nada, porque a minha mãe sempre falou mal de mim a todos eles e, por isso, eles se sentiam à-vontade para me vir chatear com as coisas dela. Ela, tal como todos os psicopatas narcisistas bipolares, só agrada as pessoas de quem depende emocionalmente ou para coisa outro objectivo, isto é até elas discordarem dela, ou criticarem-na. Ela só muda o seu tom, o seu comportamento, falseando completamente, quando é para agradar os outros para que gostem dela, ou quando tem algum benefício próprio com isso.
Enfim, infelizmente nós nunca tivemos qualquer aconchego dela, senão no início de tudo e mesmo assim durou pouquíssimo, um par de anos, se tanto, foi o que ela demorou para entender que ela tinha usado o meu pai para se safar mas que ele afinal não lhe ia dar as condições de vida que ela queria e de frustração em frustração lá foi acumulando mais ódio pela sua própria vida e decisões, das quais nos culpa até hoje, porque não lhe deu certo também quando se foi embora e teve de voltar forçada.
Enfim, passei a vida a esconder tudo e a raramente explodir verborreando todos os traumas que ficaram tão marcadamente, como se fosse quase ontem, como é apanágio de traumas, por vergonha de passar por isso tudo e mais, de quem vem, e até hoje não ter conseguido melhorar a situação (mas já tendo tido terapia suficiente de 2018-2020 e 2021-2023, para saber o suficiente sobre os mecanismos que as pessoas não curarão nunca e infernizarão a vida de todos), que já desisti de tudo, especialmente depois das últimas mortes que soube e de mais uma vez ter sido desapoiada, insultada e continuar a viver num inferno diário.
Eles não sabem quantas vezes eu defendi-os e protegi-os, quantas vezes eu pus-me à frente, levando eu até e impedindo que ela os magoasse, Quantas vezes ela nos feixou. Tudo o que eu não pude fazer e perdi, nomeadamente todas as minhas tentativas de relações mais sérias tive que sacrificar por causa de todas as porcarias que eu tinha sempre de estar a postos.
O médico tinha razão afinal e eu nunca poderei ficar boa de todas as doenças autoimunes por causa dela e tudo o que ela caisou em mim e continua para seu bel-prazer de narcisista vingativa que quer sempre mostrar o seu poder, castigar e fazer o que quer, como todos os ditadores fazem com as suas vítimas só para se sentirem mais fortes e mais importantes e poderosos, porque no fundo odeiam-se mas jamais admitem a sua rede compulsiva de mentiras que passaram a vida a repetir para os outros e para si mesmos.
PS: A Priscilla dizia para enviarmos a música para quem é o nosso aconchego. Eu dei por mim mais uma a constatar que não tenho ninguém. Mas hoje pude deitar para fora um bocadinho do que me faz tanto mal. Diz que ajuda ter alguém que nos escute, realmente veja, e que valide a nossa dor de alguma forma (obrigada S. tb). Agora, de repente, pensei: será que se pusesse a coisa desta maneira (o que seria se alguém fizesse isso tudo a alguma criança que ela diz que ama, como o bebé R. ou a L.? ou se alguma mãe tratasse alguma filha que ela ama como ela me tratou a vida toda. ainda tive eu de ouvir de exemplos que ela dava de como outras mães batiam nos filhos) ela havia de entender um bocado de todo o terror, horror e tortura que sempre me fez passar? Ah, pois, psicopatas nunca sentem nada de empatia pelos outros, só mesmo quando lhes toca a eles alguma coisa é que já fazem escândalo.
Dorme bem
A visão de ti
Sem nada
Pode-se viver sem motivo? Sem ter qualquer objectivo? Claro que sim. Pois todas as razões para se viver são inválidas perante a fatalidade de todos nós irmos morrer.
Até mesmo com o contrário, uma pessoa tendo motivos para morrer, mas continua viva, vá-se lá saber. Nada tem razão de ser.
O teu rosto será o último
quarta-feira, junho 03, 2026
Nunca pudemos ser amigos
Amor de Lua Azul
- Eu tive medo, achei que não ia ser suficiente para ti.
- Tu eras tudo o que eu queria e tudo o que eu precisava.
(filme Blue Moon Love)
Aqueles diálogos que aparecem na minha cabeça
- Tu nunca nos deste valor.
- Pois, deve ter sido, deve. Especialmente quando só continuei viva por causa de vocês, (inclusive para que não sofressem se eu me matasse, como cedo tive o exemplo da Filipinski em relação ao irmão dela) mesmo quando vocês me fizeram coisas que me fizeram querer morrer.
(saudades Filipinski)
terça-feira, junho 02, 2026
"O que é que tu finges para ti mesmo que não sabes?"
Todas as coisas que "finjo" para mim mesmo não saber é sobre outras pessoas que infelizmente tenho de aturar. Nomeadamente o quão nojentas, racistas, fascistas, narcisistas, violentas, traidoras, falsas, conseguem ser.
Sobre mim mesmo já não finjo nada, estou a própria Baba Yaga, não só de aspecto 😅🤷🏽😶
segunda-feira, junho 01, 2026
Essa é que é essa
domingo, maio 31, 2026
Dança circular
Nunca mais amei assim
sábado, maio 30, 2026
sexta-feira, maio 29, 2026
Crise
Aquela ardente presença da ausência
Houve durante anos aquela ardente presença da tua ausência. Crepitava em labaredas e incinerava o meu sossego a toda a hora. Não se podia negociar com ela. Impositiva e déspota sobre mim fazia com que a saudade me matasse, me corroesse por dentro.
Fogacho, fogueira, de S. João, foguete, fogo no fogoso coração. "Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não se afaste de mim, não brigue comigo", sussurava incessante à volta dos meus ouvidos. Bombardeava-me de ti se por acaso parecesse que estava a divergir finalmente. Não dava hipótese. Era guerra preemptiva. Uma sombra constante. Também na minha alegria.
A mente era obrigada a regressar pelo mesmo caminho. De memória em memória. De história em história. Um balão vermelho assinalando os incêndios, voando livre e imperioso. Um cheiro, uma comida, um amor.
Enquanto eu conseguir escrever, não estou perdida.
quinta-feira, maio 28, 2026
Toada passada
Mesmo quando não há mais razões para eu ficar, reconheço esse teu dedilhado na viola e a tua voz reverberando uma das antrola, como que se emocionando me diga: fica mais um pouco, não te vás embora. 'Não vai ter bolo", pois nada vale a pena quando todos já se foram e não tarda somos nós.
Ei, meu amor, podemos estar a sós?
Porque é que me abandonaste? Não sabes que eu vou morrer e tu nem hás-de saber? Mas, sim, aquilo que não sabes não te faz sofrer. Estou-te a perceber. Cada vez que olhares o céu meia-noite eu já não estarei lá, nem a lua te lembrará. Tu vives liberto da recordação. Eu fiz questão. Não quero nada de ti - nem o teu pensamento, nem o teu coração - se não for puro e cheio de amor.
Sabemos bem do nosso ressentimento e mágoa, da nossa dor afogada. Não somos de esquecer traumas que nos vão engatilhar e toda a nossa defesa grita a alertar: quem fez o que fez nunca merece nada, nem vai mudar. Eu fiz até se romper. Eu mudei tanto que já nada importa saber (se cada letra de cada canção era o que querias dizer).
quarta-feira, maio 27, 2026
O que é que está no meu coração agora?
Não sei se ainda tenho a capacidade de amar alguém como tinha. Embora os tenha visto aos dois e sentido que me deram cabo do coração e nunca mais de lá saíram, nesse amor que é uma ilusão. O meu por ele que é uma loucura que avariou a minha cabeça numa altura tenebrosa.
O meu coração doeu demais. Quando a Yaya morreu e eu chorei tanto e fiquei com o corpo todo a doer e sem conseguir fazer quase nada. Quando eu me apercebi de toda a falta de hipótese, de esperança, de oportunidade, de capacidade para sentir alegria de novo.
Parece que tento à força toda a hora não tomar uma atitude mais irreversível. Daí os stories e escritos a tentar processar tudo o que aconteceu ultimamente de mais mortes e mais coisas do presente que só me fazem medo de ter de lidar a todo o momento. O terror que sempre foi. O horror. O desastre. A falta de saúde. A falta de um abrigo, a falta de um abraço.
Mas vi meus priminhos na chamada e quando a aniversariante amada disse para nos encontramos um dia de novo para um programa de artes, lembrei como eles são quem me fazem lembrar de quem sou um bocado. Se ainda sou alguma coisa. Mesmo quando não sou nada. Senão o que sempre fui para os outros.
O meu coração desesperou também de novo por eles lá dos brasis, neste conflito em que habito há anos por tanta coisa. Esse amor, aquele fervor, aquela salvação. A minha avaria total. Como diz que é normal voltar ao que deu um dia conforto e esperança. Eu não sou mais nada de nada, nem criança. Desfiz-me. Vaporizou-se-me tudo o que podia ter sido alguma vez.
Eu vi-o e senti de novo aquela nossa antiga, mesmo ancestral, dor de tantas vidas.
pesado coração dorido 🖤 o meu. vocês ficam sempre bem, porque está nos vossos poros a tristeza ser alegre. eu não sou dessa estirpe.
e o meu coração sempre esteve além.
de todas as vezes. e eu espero que o teu, Hel., agora nesses lutos horríveis, também resista. mas de qualquer maneira, tudo passa mesmo no final, pois a vida nunca foi uma brincadeira.
