segunda-feira, setembro 07, 2026

 O amor é uma força motor


Tal como a raiva


Tem um papel construtor


Eu já não dinto nada


Pois o único ardor


Resta em feridas


Que estão expostas


Ao calor

 Houve

Ternura e ferocidade 

Às vezes 

Como as ondas

Que a maré ponteia

Ora arrasta ora bate

Se vaza ou cheia

 Aprendemos

Desaprendemos

Tudo fica igual 

 "Quem és tu?"

perguntei ao longo do tempo 

e todas as vezes 

fiquei sem resposta 


Envelhecemos

esquecemos

mas ficam algumas palavras 

umas doeram mais

e já não somos iguais 


Dissolvido

 Diálogos com o coração 
Onde estão?
Narrador interno
Desapareceu
Na expansão da consciência 
Que o sofrimento fez
Destacar-se pós-anedonia

As antíteses coexistem
Num suicídio do ego
As filosofias escafedecem-se
E as memórias também 

O vazio deixado por Deus 
Que a todos rnlouqueceu
Tentando preenchê-lo 
Com crenças de ateus

quarta-feira, setembro 02, 2026

45 (improv)


Queria ter mudado o mundo 

Mas o mundo foi quem me mudou


Amargurou, pisoteou

Permaneci só um resquício 

De mim


Uma aguarela ténue 

Alojada no peito

Por trás do carvão 

De um envelhecido coração 


Os olhos falham

Mas o olhar não 

Tem rasgos de beleza 

Para se surpreender 

No meio da escuridão

sábado, agosto 29, 2026

 Corpo acossado por dor
Mágoas escorrendo pelos dedos
Onde foi todo o amor
Por que fizeram segredos?

Rosto de sal em lágrimas 
E todo o verde no olhar
A 20 mil léguas 
Quem esperou pelo voltar

Foi aquela única sensação 
De flutuar com chuva no mar
Te emprestei o coração 
Levaste-me a alma a roubar

Menino menina menino
Fui eu e sou eu quem ama
Os três pequeninos 
Dormindo na mesma cama

Os filhos que não tive
Os três amores da minha vida 
Os amantes de um além que vive
E não consigo esquecer a partida

sexta-feira, agosto 28, 2026

 "fui fraca assim, assim tão desalmada"

(bosta d eclipse e tudo mais, nunca retira de mim isto tudo. uma ilusão ancorada num mar fundo nunca acaba? 💙 esperando viver d frente ao mar sonoro q cura 🥺)

Da vida

 A vida pode ser aditiva, especialmente o teu fogo, o êxtase e o clímax de que és dono. A forma como os fabricas, como um mestre marionetista, o furor da dança dos corpos sedentos de alheamento e afago. 

Mas o que é a vida para cada um? É o que os faz felizes? Aquilo que os faz viver? Sentir? Sentir o quê? Se aquilo que é vida para maioria é precisamente o que os impede de sentir grande parte dela, do que foi, do que há-de ser. Viver na consumição do presente é morrer, estar ausente também sem estar no passado nem no futuro. Só quem vive realmente é que está conectado, com tudo o que é, foi, será, convivendo com a sua verdade e totalidade. Tudo mais, em partes pequenas apenas, é subterfúgio. Mesmo que seja escolha consciente, mesmo que seja essa a decisão do que invente. 

Ter a coragem de viver é admitir a sua incapacidade, a sua vulnerabilidade, perante os acontecimentos que não comandamos e abraçar integralmente quem somos e não só o que amamos. Deixar ser-se atravessado pela sua verdade. A vida é maior do que pensamos. 

Eclipsando-nos

 Não posso fingir que não sinto o que sinto. Digo-me que é uma mentira da minha cabeça, que foi tudo uma ilusão, que foi das bruxas o feitiço com a Lua e Plutão. Mas nada retira a razão. Peço sempre a todos os eclipses que assim como tu, também eu tenha eclipsado de vez este sentir do coração. Um amor que não é amor, o que é então? Não é possessão, obsessão, fanatismo, demonização, praga antiga, karma, fatalidade, quebranto, violação? 

E quando vejo esse fino fio do eclipse lunar e ainda me agarro e ao mesmo tempo peço esse anseio da dissolução, sinto que se acaba tudo, por um fio, por agressão. 

Esquece de vez, como ele nunca se lembrou, coração. (acabou, não acabou? 💨)

 A mulata morreu 
Descansa finalmente 
Eu já entendi o que aconteceu 
Eu sei que acabou tudo
O meu coração só mente
 Quando eu estou enlutada 
eu apago
Quando tu estás enlutado
tu não páras

temos ambos medo

só que eu olho
e tu afastas o olhar 

de quem é o rabo
que vai morder? 

quarta-feira, agosto 26, 2026

 Habito na penumbra silente
Comido
Antes de bater as botas
De ser enterrado 
a sete palmos
Mas eu quero ser cremado
Mesmo sabendo que ninguém 
vai satisfazer o meu desejo
a suposta última vontade
Anseio
pelo fim
Ai de mim que não tive sossego 

quinta-feira, agosto 20, 2026

 Ser hipersensível sensorialmente num mundo cheio de ininterruptos barulhos e estímulos desenfreados, é das coisas mais desafiantes, especialmente para quem busca o silêncio. 
 Não passou nem um segundo 
Para mim
E ao mesmo tempo séculos 
Quanto é esperar-vos
Quanto é amar-vos
Sem fim?

quarta-feira, agosto 19, 2026

nem cama tenho de jeito
não tenho ninguém que ajude
o inferno astral está muito real
a ausência de todos também 
enquanto o calor derrete os miolos 
improvisei com o carrom board
coitada espero que sustente 
tenho saudades deles
os meus limerence cases
a quem estou proibida de chatear
eu só queria ir para a praia
e não nadar

socorro 


segunda-feira, agosto 17, 2026

Anedonia

 Buraco negro 
Suga toda a alegria 
Guarda as memórias 
No cofre da História 
Rasurando 
A morte do artista 

Cinzento fúnebre 
Em minh'alma
Retumbante não 
Ausência de perfume 
A vida não é calma
É maremoto e turbilhão 

Mas a mente e coração 
Apagados
Fizeram a minha inexistência 
Sou agora só um fantasma 
Um ser tristonho 
Em todos nós

domingo, agosto 16, 2026

A última vez que vimos Paris

 Eu nunca vi Paris. Senão como nos últimos anos nas aguarelas do Alex Hill, ou há pouco tempo na série Cat's Eyes ou na Emily in Paris, ou em filmes como A última vez que vi Paris, ou tantos outros. 

 Mil vezes f'rida, mil vezes calo. 

sábado, agosto 15, 2026

Sentir

 Nunca conheci alguém suficientemente corajoso para sentir verdadeiramente tudo. Então tornei me eu nessa pessoa, por acaso das circunstâncias várias que me atravessaram. 

Senti tudo o que há para sentir de tipos de emoções. Com o avançar dos anos fui permitindo que as emoções tomassem conta no momento em que elas surgiram e estou orgulhosa por ter feito isso, depois de tanta repressão que me foi feita. 

Não é à toa que para mim estar anedónica é das coisas piores. 

quinta-feira, agosto 13, 2026

 Parece que até o universo se cansou de me dar sinais de ti ou de qualquer coisa sequer. 

 Hoje quando lembro em ti
Fujo rápido do pensamento 
Porque ter pedido ao vento 
Que levasse o teu nome
Não funcionou até hoje 
E sei que és território minado
Que só me faz explodir a vida

A Ferida e a Cicatriz

 Há que se honrar o que se sentiu
E a própria pessoa que se perdeu
Dentro de nós todo o sentimento 
E todas as memórias e aprendizados
Como se da ferida fazer cicatrizes 
Que são a forma de carregarmos
Tudo o que das pessoas aprendemos

E honrá-las é lembrar delas 
Com o amor que tivemos 
E pensar em caminhar juntos 
Com a presença que escolhemos
Vivendo felizes por tê-los dentro 


(há feridas que não fecham e estão lá a sangrar, mesmo que sejam do tamanho de um picar de uma agulha, não fecham)

quarta-feira, agosto 12, 2026

 Nada do que escrevi ou desenhei diz-me algo agora. Já nada significa alguma coisa.