quarta-feira, maio 20, 2026

 Essas virgínias da vida
Que são tudo menos virgens
E esses nem terra nem mar
Que só sabem tentar pescar
Já tinham uma bela despedida 
Desse povo, queres apostar?

(pequena sátira do momento Brasil, dedico-te Yaya, acho que ias achar graça ☺️💓)

 Tu eras onde eu dormiria, sempre e para sempre.


(ele: eu ressono)


🤣 parece mesmo algo que dirias


(bronq?)

terça-feira, maio 19, 2026

Hoje, agora, lembrei de novo

 A Ângela matou-se quando ia fazer 45 anos. Ela também tinha uma irmã e um irmão. Ela também era a que ficou em casa a tomar conta dos outros. Também sofria de depressão. 

Hoje pensei de novo. O mesmo desespero já conhecido. Lembrei dela.

Depois guardei a tesoura com que acabei de cortar em pedaços as páginas arrancadas do caderno vermelho, que tinha escrito desde 2022 toda a nóia da pandemia. Nem li agora. Só cortei. Na força de um bocado de raiva da estupidez toda da hiperadrenalina daqueles tempos e toda a porcaria que não me parou, nem me impediu de estragar tudo. 

Faz mais de dez dias que perdi a Yaya. Chorei muito hoje, depois de mais um episódio dos vários de sempre desta vida toda a ouvir "tu és uma merda", "sai desta casa" e afins, enquanto a ouvir duas músicas que vi G. cantar e relembrar nos stories. Chorando também por tudo o que aconteceu e pela falta de apoio e solução. 

17/18-05-2026

Elo

 Hoje vi que os coreanos têm uma palavra (jeong {:jung}) para definir a ligação que fica entre as pessoas mesmo quando já não há relação. Uma ligação que se formou numa época intensa em momentos com uma profunda conexão, de dor partilhada, por exemplo, ou um elo forte que se foi formando pela acumulação de vários momentos frequentes, constantes.

Pensei em como é isso que me fez dizer com certeza que mesmo que os anos passem, o sentimento ao reencontrar aquela pessoa está lá intacto. Talvez a pessoa já nem seja a mesma, tenha passado por algo que mudou muito, mas quem nós somos um com o outro, o que nos uniu, isso existiu e só se houver uma destruição por algum acontecimento anterior é que num reencontrar já não haverá o elo de ligação. 

Eu tenho pena de ter contribuído também para essa destruição num caso ou outro. Mas a verdade é que se a destruição do elo de facto ocorreu, é porque não era tão forte, verdadeiro e especial assim. Os anos confirmam nos poucos reencontros breves, mesmo em pessoas muito mudadas, se nos unimos na nossa essência, intimidade, vulnerabilidade, abertura e honestidade, então nada muda, porque isso tudo também se reencontra de novo. Não deve haver muitas pessoas com quem as pessoas consigam isso. O ideal seria nem terem de se reencontrar e assim confirmar isso, mas sim nunca terem se perdido um do outro. O que levou as pessoas a se distanciarem também é toda uma outra questão a ser vista. 

Mas afinal nada disto importa, quando só a morte é certa, não é verdade? 

domingo, maio 17, 2026

 Quando já nada resta, o resto de mim fica suspensa.

Os pombos

 Vê o que a Humanidade fez com os seus mais frágeis, com os seus animais, os seus pombos, com as suas crianças e os seus idosos. Todos eles usados e abandonados. 

sábado, maio 16, 2026

 Só agora me apercebi de que os dois mencionaram o mesmo livro/história. 😯🤔

Do Abandono

 Hoje vi alguém falar que ser abandonado é só quando nos abandonamos a nós próprios. Depois, mais tarde noutra ocasião, ainda ouvi alguém dizer que se devia continuar sempre a preocupar-se com o outro, mas sem nunca se abandonar. 

Lembro daquele pequeno milagre que foi um beija-flor vir perto da minha janela. Lembro dos melros lindos sempre a vir aqui perto também. Vi hoje algo sobre os pássaros serem vistos, nalgumas culturas, como espíritos dos antepassados que nos visitam para saber de nós e para dizerem que não estamos sós. 

Eu abandonei-me demasiado no passado, porque eu não era ninguém para mim e só existiam os outros que invariavelmente recorriam a mim para ser a melhor amiga, a confidente, a irmã, a prima, a filha, a sobrinha, sempre escolhida para fazer e ajudar em tudo. Que bonito que parece, mas não, sempre foi a pior das torturas para um cérebro hiperactivo e um corpo fragilizado e sobrecarregado. Eu abandonei-me porque eu nunca pude ter vida minha, querer meu, tendo de lutar demasiado a duras penas para conseguir momentaneamente algo apenas para me ser tirado brutalmente num instante. 

Eu abandonei-me quando confiei em alguém, a cada vez deixando-me na mão, indo embora sem grande razão. Eu abandonei-me quando me humilhei por acreditar num sentimento e numa ligação com alguém. E tu, alguma vez te sentiste abandonado por mim com inteira certeza de que eu não estava a pensar em ti? A cada segundo estava, numa luta para terminar o que tinha de ser. Quando alguém tem de crescer sozinho e eu já fiz o que podia para isso também, eu afasto-me, sempre foi assim. Mas quando ainda precisas de mim mesmo já não me querendo e com risco de te culpares, eu fico mesmo que a sofrer. Sim, eu disse que era um pouco como a Nanny McPhee. 

Eilu nunca te abandonei. Não como tu me abandonaste e me fizeste abandonar-me a mim. 

Eu já não sou a criança com pouco mais de três anos abandonada com uma tigela de morangos em pleno terror e desespero. 

Dormência

 Ei, sabes quanto demora esta ausência?
Não sinto nada mais, pensei eu...
Instalou-se uma dormência 
Mas de repente apareceste tu 
E a minha barriga doeu de te ver
Levei um pouco um misto de susto
Com alguma dor e pena e amor
Como se fosse algo antigo
Como é antigo este meu sofrer

Estou ausente de mim desde sempre 
Até mesmo durante quando te conheci 
Estava eu dormente e desconectada
Pela dor em que estava enterrada
Mas contigo forcei-me presente
Porque era a última utilidade minha 
Antes de morrer unir as gentes
Para sobrevivermos à partida 

Eu não sei quanto passámos
Eu e tu tanto que foi duro já 
Estive em situações horríveis 
Não sei nada sobre as tuas
Mas parece que a dor é gémea
Sempre foi desde o início 
A tristeza que a gente leva
Como se vivêssemos no abismo

"Irmãos da mesma dor", lembro
Os meus pais fugiram de duas guerras 
Cada um deles, antes de se conhecerem
Mas isso nunca carreguei directamente 
E sim os traumas todos decorrentes
Talvez por isso a luta não acabe
E eu nunca pude descansar como quero
Talvez tu sejas quem traz essa paz
De sanar o mal antigo dessa dor
Que carrego entorpecida e incapaz 


O teu nome

 O teu nome está em todo o lado
Para onde me viro lá está ele
E é mais amor que a palavra amor
E é mais dor que a palavra dor

O teu nome é tão omnipresente 
Que chega a ser marca de queijo
Até de santidade e potestade
Não sai da boca para dizer outro

O teu nome é fino biscoito
Mas também duro como calhau
Trágico, herói, bandido, cowboy
Estás em todas as canções 

O teu nome é dito em chinês 
Inglês, certamente em portugueses
Mais ainda em Djavanês
Gestualmente e em braille

O teu nome é o teu pictograma 
Só tu tens o seu semblante 
Essa silhueta de cama
Esse galope de cavaleiro andante

O teu nome é minha sina
Desde a minha adolescência 
Desde que me lembro dele
Até o meu cabelo ficar platina 

sexta-feira, maio 15, 2026

 Eu dava tudo para te poder abraçar. Tu sabes, né?

Pelo que vivias tu?

 O que mais fizeste
Foi sofrer e sobreviver 
Sangrar até morrer
Não obedeceste
Tanto quanto devias
Para ver se menos sofrias
Do mal dos ditadores
Que te calharam bater
Não só no corpo
Mas no espírito 
E até na alma padecer

Por isso a necessidade 
Urgente, vital
De um momento 
Algo às vezes banal
Mas que te desse sossego
Que te lembrasse da beleza
De um mundo de amor
Inventado à força 
Para me agarrar e não parar
Totalmente 
De respirar

Tua voz meu trovão de vida
Atravessando-me perdida
Meu sopro único essencial 
Nada mais voltou ao normal 
Porque aquilo que tu procuravas
Deitar cá para fora no som
Nas palavras 
Era tudo o que eu queria ouvir
E precisava para acreditar 
Em magia 

Graças a quem te fez e constituiu
Pude ter a certeza de que ela existia
Tanto para o meu mal como bem
Sei que já ninguém lembra 
Dessa força que esse amor tem
Mas não há dor e luz maior acesa

(una rosa se engalana)


quinta-feira, maio 14, 2026

Essa é que é essa, Camus, toma e embrulha, fdx!

 Quanto perdes até te perderes completamente?
Que liberdade anseias se ela significar completa solidão? 
Mas atenção: 
Tu já perdeste tudo e nunca foste alguém 
Tu já na tua vida inteira não tens ninguém

chapéu 
já foste
azar

quarta-feira, maio 13, 2026

Os erros que eu cometi

 Os erros que eu cometi
Andam sempre atrás de mim:
Quem deixei que me beijasse 
Quem deixei que me abandonasse
Quem eu ajudei e não devia
Nos seus torpes intentos
E de quem eu nunca desconfiei
Mais ainda e pior que tudo
As pessoas que nunca larguei 
E que me destroem todos os dias 

Houvesse!

 Se houvesse algo
Que tu me mostrasses
De puro e bom
Sem qualquer mácula
Algo assim imaculado 

Se eu pudesse um dia
Ter-te encontrado

Não queria morrer
Sem ter um lar
Com paz e sossego 

Não te quis deixar 
Mas agi por erro
Sempre pensando em ti
Que te ia poupar 

Porque tu mereces
Tanto e tudo
O que tens de amor
De alegria e cuidado 
Que eu não te pude dar

Mas se eu pudesse...
Se tudo quisesse
Bem culminar 
Os sonhos longínquos
Podiam acordar

Houvesse esperança! 
Houvesse amar! 

Não consigo mais

 Desculpa.
Perdoa-me, por favor, se puderes.
Estou destroçada há anos com o que também te fiz passar e com as mortes das pessoas que eu tanto amava, como ainda mais recentemente os meus tios e a Yaya. Sei que não tenho grande solução na vida para a minha falta de condições. Já me dou por contente por ter conseguido um bocado de mais equilíbrio na mente. 
Obrigada. Só preciso de um lugar para descansar. 

terça-feira, maio 12, 2026

Lucidez

 Tive uma vez um delírio 
Produto das circunstâncias 
Extremo atrofio do tempo
De um pandemónio doente
E teve más consequências 

Mas logo as detectando
Pude começar a lutar 
Fiz tudo o que podia
Para a ilusão se acabar

E consegui terminar 
Toda a confusão que se fez
Dentro de mim outra vez
Quando alguém veio atear
Esse fogo antigo devastador 

Foi há uns anos já que acabou
Tudo o que o meu cérebro criou
Só para sobreviver à pandemia 
De um amor de todo o dia

E quando a ilusão breve se foi
Ficou a pena de errar tanto
Estragando o normal encanto
Da possibilidade da amizade

Hoje em dia depois de anos
A despedir-me de toda a gente 
E de somar tantos danos
Tanta coisa que ficou para trás 
E não voltará jamais
Pois morreram os desenganos

Confesso que dá saudade da alegria 
Que se fez sentir um dia
Quando o amor era só amor
E não tinha vindo ainda ventania
Mas ficou entre nós o sonho
Que já terminou no outro dia 

segunda-feira, maio 11, 2026

 Talvez eu tenha sido o Sexta-feira dos Robinsons Crusoés da vida. E apenas Godot para um só. 

 As coisas todas estão tão horríveis, sem parar, depois ainda mais do pesadelo da pandemia, que eu não sei quanto tempo eu vou aguentar. Tem sido tudo tão tenebroso e desesperador, sem ter para onde me virar, sem ter com quem contar, principalmente para as coisas práticas que é necessário.. Quando estamos sem luz no horizonte procuramos agarrar algo só para continuar. É aí que as dependências ressurgem, as velhas ilusões de amor, o afecto perdido e a necessidade de ter de novo aquela pessoa que era tudo para mim e que só o facto de poder estar perto dele já me dava um abrigo. Ajuda-me, por favor. Tu, que eras muito mais do que um amigo. 

 A "trança de Inês" não é a dele. Mas podia ser, não é?

Abandono

 Estar completamente sozinha em todos estes anos, fez-me ficar com uma dor muito profunda dentro de mim, como se o abandono e o desapoio tivessem cada vez mais proporções gigantes. 

Esta sensação tem estado pior nestes dias, depois destes últimos anos todos cheios de mortes. Agora mais ainda, com a morte repentina de alguém que era das únicas pessoas que sabia certas coisas sobre mim (e eu dela) e que partiu assim, sem poder se despedir de mim. 

Não foi também à toa que se deu aquele momento horrível no outro dia com a taça de morangos a levar-me para aquele estado, lembrando do trauma. 

Tu foste embora. Todos foram. Todos vão. Um dia eu irei também. Nunca tivemos hipótese. Eu pior. Esta dor nunca termina?


Tudo se acabou em mim
Como a luz quando vem a noite

domingo, maio 10, 2026

Meu Amor

 Não há dúvida no meu coração 
De que tu me amaste
E me deste o teu perdão 
Mesmo depois de eu
Nos ter tornado num desastre 
Do tamanho de Chernobyl 

Meu amor, ver-te como antes
Mesmo estando nós distantes 
Tu quase que me gritavas
Enquanto sussuravas
Me sinto só, me sinto teu
E eu acenava como dava

Perscruta tudo dentro 
No fundinho sem pensamento 
E diz-me se alguma vez duvidaste
Que esse grande amor único
Era só teu e meu
Mesmo quando me detestaste

sábado, maio 09, 2026

Demoníaco

 Talvez tu sejas o pior dos escroques da humanidade; falso, cruel, psicopata como não há igual.. Tens sempre um ar arrogante e olhas de lado a ver o que se está a passar e pōes-te a julgar do alto do teu pedestal de alabastro. Na verdade és completamente emplastro, de tal maneira que passas por coitado. Para ti o jogo nunca está acabado. Só quando tu queres, fartas-te e passas para o do lado sem olhar para trás. 

Tu não és um anjo caído, não, nada em ti foi realmente verdadeiro. Tu és um demónio perdido, como milhões de outros quase tão maus quanto tu. Para mim não vales nada, não valeste nada da primeira vez que te vi, lembro que até fiquei um bocadinho frustrada porque o teu nome supostamente prometia mais do que os outros. O teu último nome. O nome que quase ninguém te chama. 

Para mim és inominável. Assim como abominável. Insuportável mesmo. Como sempre foste. O teu odor é nojento. Deixa um rasto de morte lento. E não é sulfúrico nem enxofre. Embora sejas o enxofrado. Antes isso do que encornado. Ah, mas espera, isso também já foste e te tornaste. Ó diabo! Que fizeste tu para seres tão mal-amado?

 Querias deixar os lutos
As dezenas deles 
Com as suas desesperanças
Os seus desgostos
Mas eles correm atrás de mim
Fazem fila consecutivamente 
Lembram a presença do ausente