quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Obrigada

 Deus me ajude
E todos os Santos
E Anjos
E xamãs
E mães-de-santo
E alminhas 
E árvores 
E Sol e Luas
E planetas
E todas as forças visíveis 
E invisíveis 
#Socorro 

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Um produto da imaginação

 Eu sou quem todo o mundo trocou 
Rapidamente quando viu a validade
Como um produto que pegaram
E só se aperceberam do prazo 
Depois de gastarem e já era tarde

Tiveram um imediato entusiasmo 
Ao se depararem com a embalagem 
Logo curiosidade e etiquetaram-me 
Como algo exótico para irem de viagem
Mas não estavam preparados 
E nunca têm adequada bagagem 

Talvez seja como disse o meu tio
E é só curiosidade de meninos
Que mal sabem no que se metem
E quando depois percebem 
Enfiam a viola no saco e desaparecem

Acho que a vida toda é feita de ilusão 
Para quem é como um artista 
Que inventa a arte para escapar 
Eu que sempre fui só solista
Sou-lhes apenas produto da imaginação 

 Morrer de saudades é quase tão estúpido quanto morrer com doenças prolongadas raras. Obrigadinha. 🤦🏽😫😵

 GANDA CONFUSÃO, CAR@LHO!

terça-feira, fevereiro 24, 2026

 Assim como o Império Romano fez todas as estradas irem dar a Roma, também tu trataste de fazer com que todos me ligassem a ti. 

 A Lua vela o sono dos poetas
A cada vez que a noite cai
E eu desenho em linhas rectas
Mesmo sendo a curva que trai


segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Afinal nem isso

 Afinal as rimas que fiz a pensar em ti provavelmente nem sequer rimam na tua língua, assim como na tua linguagem. 🤦🏽

 Nunca quis ter nome
Mas quis ter endereço 
Só quem nunca alinhou
É que sabe qual o preço 

De ser contra tudo e todos
Num mundo podre e roto
De valores íntegros e bons
Pois quem tem é posto além

Bem longe de ter direitos
De poder escolher o que quer 
Senão ficar a danar-se em jeitos
De quem nada tem como mulher 

Fraca Figura

 Desenhei-te sem saber quem eras
Ou simplesmente continuei
A ser como tinha de ser
Não sei
Certamente não fui quem esperas
Nem sou eu antes de morrer
Em tudo aquilo que eu sou
E queria fazer
Optar pelo silêncio 
Optar pelo saborear
Indo frágil pelas ruas
Apanhada por todos a olhar 
E mais os que ousam em me falar 

Eu sou apenas uma fraca figura 
Que fizeram de forte 
Para ninguém ter de cuidar 
Ou sequer se responsabilizar 
Quando me causam uma morte

Quem me leva os meus fantasmas?

 Se é mesmo verdade que se nos encontrássemos mesmo nos nossos agora quarentas, depois de mais de vinte anos, nunca poderíamos ser só amigos, eu não sei. Mas acho que não. Eu já não te amo como te amava. Já amei outros dois depois de ti. Pensamos sempre que temos a nossa pessoa. Mas isso só é assim se essa pessoa estiver lá para nos defender e podermos contar com ela. Nenhum dos três me defendeu quando era preciso. E abandonaram-me à morte. Curioso, não? 

Sabes?

 Sabias que não há outra pessoa completamente igual a ti?

Quero crer que tentámos anestesiarmo-mos, doses sem conta, até à amputação. 

Sabias que não há ninguém com o teu olhar?

Sabias que ninguém mais tem o teu riso?

Sabias que eras o meu melhor amigo?

Sabias que só a ti te contei todas as atribulações que ia sentindo?

Sabias que só em ti confiei?

Sabias que não há ninguém que eu mais defendesse, ou acreditasse?

Sabias que só tu me tinhas e à minha vida?

sábado, fevereiro 21, 2026

Incapacidade final

 Talvez a minha forçada inépcia sempre no último verso seja como a minha inabilidade de fazer rapidamente um cheque-mate, ou talvez apenas o facto de nunca ter saído daqui, ou tão simplesmente nunca ter tentado de vez apagar-me.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

 Marcou-me o teu gesto
De tocares um caracol do meu cabelo 
Será que era um brinquedo 
Ou o afastavas do meu rosto?

O teu cabelo é tão negro 
Como a asa de um corvo reluzente
E o teu cavanhaque de moço
Era tal como te dizia espadachim 

Tu causaste-me um alvoroço 
Com a tua desgarrada bravura 
Sempre tiveste optimista candura
Afinal lembravas-te de mim

E eu não sei o que te perdura
Nem soube por que foi assim 
Depois, todo o clima funesto
Quando te tinha já antes dito
Que eu não aguentava nada disto
E vocês que um dia foram alegrias
Acabaram a dar cabo de mim

Palpite (brasileiro a tocar no miradouro)

 porque é que estavam dois homens idosos (tugas, pelo menos um deles, o outro estava demasiado bêbado para falar uma frase  perceptivel) là à porta do bar inglês no Cais Sodré a repetir muitas vezes um ao outro que era "Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão" ou algo parecido a este famoso verso ? 

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Sensibilidade e bom senso

 Penso em quantas pessoas deixámos que nos influenciassem um contra o outro. O quanto de intrigas, fofocas, mexericos, diários equívocos, deixei que me contaminassem e envenenassem como nunca outrora. Sempre soube da perniciosidade dos comportamentos de grupo. Mesmo assim não me afastei das pessoas nefastas, porque por momentos tinha a ingenuidade de um puro amor como escudo acima de tudo e senti-lo era o que bastava para ser imune. Pensava eu. Mas os planos mesquinhos de outros podem matar tudo o que quiserem e, achava também eu, que se fizessem mossa num sentimento tão grande era porque afinal não era tão grande assim. Para mim ele resistiu e foi sempre o que foi: enorme. Massivo e maciço em tais formas que até depois da morte ressoa. 

Afinal também nós tivemos bastante de Heathcliff e Cathy. 

(e quantas vezes de seguida disseste tu a alguém que a amas?)

Hoje ao rever Sensibilidade e Bom Senso pensei em como devia ter morrido aos 16 anos com as febres do vírus, mas também eu tal como a Marianne, sobrevivi. Só que eu não tive o meu final feliz (sei que ainda não se acabou tudo, mas não há esperança para mim nesse departamento). Hoje fiquei feliz e com esperança no mundo porque vi um post da Minó no fim de dezembro a dizer que afinal o amor existe e ela disse que sim (pedido de casamento). Depois, fui ver O Monte dos Vendavais e chorei imenso no fim. 

Não há amor verdadeiro que sobreviva à morte e o despedaçar do coração por inteiro. (Nós, eu, sempre estivemos, estive, condenados, condenada.) Tu nunca saberás o que foi este amor e ainda bem para ti. Como no filme. Nada de bom vem dessa perdição. Não imaginava que ainda poderia viver tamanho amor de destruição total, depois de tudo o que passei na vida e, ainda assim, a loucura e consumição típicas dos amores mais vorazes e adolescentes persistiu com uma violência brutal. 

Tudo tem a sua medida e tamanho e adequação. Só o inferno incontrolável é que não.

 Tenho chorado muito 
Vejo filmes românticos 
Despedaçam-me de novo
Constatar a condenação 
Toda a espera e desespero 
Todo o desejo e quimera 
Todo o arrependimento 
Todo o enredo 

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

 Pessoas que confiam 
Na própria estupidez 
Mas não nos outros 
Pessoas que não aguentam 
A irresponsabilidade 
Quando é de outrém é pior
Porque se odeiam a si
Por terem lhes confiado
Algo que podiam ter sido elas
A assumir e se falhassem
Podiam culpar-se 
E não sentirem 
Que eram pessoas más
Por culparem outros
 Quem de nós extrapolou mais 
Não sei
Mas sei dela e de nós 
A nossa violência 
Os nossos traumas e defesas
Dele nada
Ele é água calma
Doce e de lodo na base funda
Ele nunca se agita
Ele é cristalino quase sempre
Nós não 
Nós somos águas turvas
Feridas expostas
Gritos expressos 
De maneiras pouco várias 

A luz é algo escura
Mas ela existe-nos
Lembras-te quando éramos crianças 
E dançávamos e fugíamos 
Desapareciamos do mundo
Por segundos
Era quando estávamos juntos 

Eu amo-te 
E a ela
E a ele

Três vezes mais e mais
Quando somos os mesmos 
E quando somos desiguais

Sentir-se vivo

 Sentir-se vivo é sobrevalorizado 
Tanto quanto viver 
Dependendo da definição 
Um jeito de ser
"Tesão de viver"
E pode ser se não 
Porque não é o contrário 
De se sentir morto
Nem de estar morto
Ao contrário 
Senão 

Lembras-te do que disseste?
Melhor, ainda, lembras-te 
do que sentiste?

Ama-me assim como eu
Sem ti te amo

E tudo está bem
Tudo bem, tudo certo
Pronto, pronto
"Deixámos p'ró universo"

És tu que eu sinto
És tu que me cantas
Lés a lés 
Olhando o céu 
De olhos fechados
E recordando
Abraçando no pensamento 
Aquilo 
Não há em tempo algum
Ninguém, nenhum
Maior que tu

Quem és tu?

 Quem és tu e quem te conheceu?
Entre uísque, conhaque, bourbon
Que bebida na tua língua ardeu? 

Como fénix erguida escuridão 
Tu te fizeste indestrutível 
E eu pensei-te meu irmão 
Quando isso era impossível 

Mas logo não me digas que não 
Porque quando ele veio mostrou
Que eu erradamente não acreditava
No melhor que me aconteceu 

E não sendo eu quem eu era
Ou sequer quem fui para ele
Já sei que nada é uma quimera
Tudo é uma ilusão que se sucedeu

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Tempestades

 Perdi a conta dos nomes de tempestades 
Assim como do nome dos meus mortos 
Foi Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo
Foram os tios e os primos, dez em 2 anos

Dizem que devemos sonhar
Para não perdermos a esperança 
Que devemos criar 
À espera da bonança 

Quem decide quando tudo acaba?
Quem pára as tempestades?
Quem é que decide quem sara
E quem fica refém das maldades?

Caro leitor (se existir ainda)

 Caro leitor,

não mais escreverei aqui poeminhas romanticóides. Sei que é algo de que as pessoas geralmente gostam, de poemas de amor, mas fartei-me de escrevê-los. Aliás, quem quiser ler tem aqui e no meu blog em inglês, milhentos, inclusive. 

Se por acaso houver de facto algum leitor, que também goste de vir lê-los cá, que gostaria de continuar, então diga e claro, poderei reconsiderar a minha posição. 

Até,
S. 

 tudo bem. tudo certo." naquele bolero eu fui só o reco-reco. 

(Piazzola 4everrr 💓🥺)

Confiar

 Tenho de confiar no Amor, assim como lhe disse para confiar.