sábado, junho 06, 2026
Dorme bem
A visão de ti
Sem nada
Pode-se viver sem motivo? Sem ter qualquer objectivo? Claro que sim. Pois todas as razões para se viver são inválidas perante a fatalidade de todos nós irmos morrer.
Até mesmo com o contrário, uma pessoa tendo motivos para morrer, mas continua viva, vá-se lá saber. Nada tem razão de ser.
O teu rosto será o último
quarta-feira, junho 03, 2026
Nunca pudemos ser amigos
Amor de Lua Azul
- Eu tive medo, achei que não ia ser suficiente para ti.
- Tu eras tudo o que eu queria e tudo o que eu precisava.
(filme Blue Moon Love)
Aqueles diálogos que aparecem na minha cabeça
- Tu nunca nos deste valor.
- Pois, deve ter sido, deve. Especialmente quando só continuei viva por causa de vocês, (inclusive para que não sofressem se eu me matasse, como cedo tive o exemplo da Filipinski em relação ao irmão dela) mesmo quando vocês me fizeram coisas que me fizeram querer morrer.
(saudades Filipinski)
terça-feira, junho 02, 2026
"O que é que tu finges para ti mesmo que não sabes?"
Todas as coisas que "finjo" para mim mesmo não saber é sobre outras pessoas que infelizmente tenho de aturar. Nomeadamente o quão nojentas, racistas, fascistas, narcisistas, violentas, traidoras, falsas, conseguem ser.
Sobre mim mesmo já não finjo nada, estou a própria Baba Yaga, não só de aspecto 😅🤷🏽😶
segunda-feira, junho 01, 2026
Essa é que é essa
domingo, maio 31, 2026
Dança circular
Nunca mais amei assim
sábado, maio 30, 2026
sexta-feira, maio 29, 2026
Crise
Aquela ardente presença da ausência
Houve durante anos aquela ardente presença da tua ausência. Crepitava em labaredas e incinerava o meu sossego a toda a hora. Não se podia negociar com ela. Impositiva e déspota sobre mim fazia com que a saudade me matasse, me corroesse por dentro.
Fogacho, fogueira, de S. João, foguete, fogo no fogoso coração. "Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não se afaste de mim, não brigue comigo", sussurava incessante à volta dos meus ouvidos. Bombardeava-me de ti se por acaso parecesse que estava a divergir finalmente. Não dava hipótese. Era guerra preemptiva. Uma sombra constante. Também na minha alegria.
A mente era obrigada a regressar pelo mesmo caminho. De memória em memória. De história em história. Um balão vermelho assinalando os incêndios, voando livre e imperioso. Um cheiro, uma comida, um amor.
Enquanto eu conseguir escrever, não estou perdida.
quinta-feira, maio 28, 2026
Toada passada
Mesmo quando não há mais razões para eu ficar, reconheço esse teu dedilhado na viola e a tua voz reverberando uma das antrola, como que se emocionando me diga: fica mais um pouco, não te vás embora. 'Não vai ter bolo", pois nada vale a pena quando todos já se foram e não tarda somos nós.
Ei, meu amor, podemos estar a sós?
Porque é que me abandonaste? Não sabes que eu vou morrer e tu nem hás-de saber? Mas, sim, aquilo que não sabes não te faz sofrer. Estou-te a perceber. Cada vez que olhares o céu meia-noite eu já não estarei lá, nem a lua te lembrará. Tu vives liberto da recordação. Eu fiz questão. Não quero nada de ti - nem o teu pensamento, nem o teu coração - se não for puro e cheio de amor.
Sabemos bem do nosso ressentimento e mágoa, da nossa dor afogada. Não somos de esquecer traumas que nos vão engatilhar e toda a nossa defesa grita a alertar: quem fez o que fez nunca merece nada, nem vai mudar. Eu fiz até se romper. Eu mudei tanto que já nada importa saber (se cada letra de cada canção era o que querias dizer).
quarta-feira, maio 27, 2026
O que é que está no meu coração agora?
Não sei se ainda tenho a capacidade de amar alguém como tinha. Embora os tenha visto aos dois e sentido que me deram cabo do coração e nunca mais de lá saíram, nesse amor que é uma ilusão. O meu por ele que é uma loucura que avariou a minha cabeça numa altura tenebrosa.
O meu coração doeu demais. Quando a Yaya morreu e eu chorei tanto e fiquei com o corpo todo a doer e sem conseguir fazer quase nada. Quando eu me apercebi de toda a falta de hipótese, de esperança, de oportunidade, de capacidade para sentir alegria de novo.
Parece que tento à força toda a hora não tomar uma atitude mais irreversível. Daí os stories e escritos a tentar processar tudo o que aconteceu ultimamente de mais mortes e mais coisas do presente que só me fazem medo de ter de lidar a todo o momento. O terror que sempre foi. O horror. O desastre. A falta de saúde. A falta de um abrigo, a falta de um abraço.
Mas vi meus priminhos na chamada e quando a aniversariante amada disse para nos encontramos um dia de novo para um programa de artes, lembrei como eles são quem me fazem lembrar de quem sou um bocado. Se ainda sou alguma coisa. Mesmo quando não sou nada. Senão o que sempre fui para os outros.
O meu coração desesperou também de novo por eles lá dos brasis, neste conflito em que habito há anos por tanta coisa. Esse amor, aquele fervor, aquela salvação. A minha avaria total. Como diz que é normal voltar ao que deu um dia conforto e esperança. Eu não sou mais nada de nada, nem criança. Desfiz-me. Vaporizou-se-me tudo o que podia ter sido alguma vez.
Eu vi-o e senti de novo aquela nossa antiga, mesmo ancestral, dor de tantas vidas.
pesado coração dorido 🖤 o meu. vocês ficam sempre bem, porque está nos vossos poros a tristeza ser alegre. eu não sou dessa estirpe.
e o meu coração sempre esteve além.
de todas as vezes. e eu espero que o teu, Hel., agora nesses lutos horríveis, também resista. mas de qualquer maneira, tudo passa mesmo no final, pois a vida nunca foi uma brincadeira.
terça-feira, maio 26, 2026
Tudo e nada
O grande amor da minha vida
Saber quem nos amou mais na vida assim como nós somos mesmo, é algo difícil, especialmente quando muitas das vezes nunca nos sentimos completamente livres para sermos nós mesmos.
Eu sempre tive o problema de ser muito eu mesma, sem grandes máscaras, excepto quando me calei e me diminuí para não levantar ondas e isso ocorreu de maneira comedida, porque nunca pude ficar permissiva perante abusos e injustiças fosse com quem fosse.
Os lados mais fracos e debilitados de mim foram poucas pessoas que viram e essas sim, considero que as que não me abandonaram nessas alturas, mesmo que tivessem partido depois, foram as pessoas que mais me amaram porque viram mais e melhor sobre quem eu sou e ainda assim me amavam muito. A minha avó e o Hel, que inclusive também me demostraram que eu era uma prioridade e faziam esforços para estar comigo, vindo de longe. Também são das duas pessoas que eu mais amei. Quando olho para trás os primeiros dias em que estive com H. e abraçamo-nos horas a fio sem conseguirmos ir embora, como dois adolescentes apaixonados que éramos, foram mesmo os momentos em que mais me senti feliz. Uma inundação de hormonas da felicidade difícil de replicar. Um abraço longo de alguém muito especial, que é como nós, faz sentir uma completude incrível; senti-a com mais uma pessoa antes, um irmão de alma (que inclusive teve amigáveis ciúmes sadios do H. quando eu disse que ele era a minha alma gémea). Quem teve a felicidade, como eu, de se dar a relações verdadeiras e íntimas com as pessoas, sendo sem máscaras, teve a única miraculosidade de ter uma união absoluta com alguém. Sentir o que ela sente, ser igual sem separação, na condição de sermos humanos, em tudo o que isso implica de bom e menos bom, nomeadamente quando ainda somos muito novos, temos muitos traumas e não conseguimos abafar o ego cheio de inseguranças e medos. Ainda assim o amor prevalece. Fica guardado em retratos. Se quisermos e pudermos é só revisitar e pendurá-los. É bonito isso. Quando a dor da vida e do que correu mal entre nós não mancha as memórias boas.
Como sempre
Tudo o que eu precisava depois destas mortes todas e da desesperança que se instalou em mim, era do teu abraço, de ser uma prioridade para ti. Mas tu nunca vieste. Nunca nada me disseste. Eu fiquei aqui a querer morrer, como sempre. Tu nem quiseste mais saber. Tudo ficou óptimo para ti, como sempre. Assim que desististe de mim. Porque sempre fui muito exigente a querer sempre o teu carinho, a tua atenção, o teu ternurento beijinho. Aquele que mandavas com os dedos da mão. Como dantes. Como sempre.
