Talvez o meu menino já não exista mais. Morto pelas guerras de que o homem é capaz. Não somente as externas, mas principalmente as internas. O meu menino, no entanto, jamais se deixaria quebrar irremediavelmente no seu espírito. Embora ele não seja Mandela, ele sabe que o atrito tem a sua função apenas integrativa de toda a emoção que abraçamos. Há que estar consciente disso e o meu menino é muito ele, inabalável na sua meninice bonita e terna. Ele é o mesmo que aprendeu a fazer comigo um pequeno ondulante grito de vitória ao erguermo-nos e descermo-nos numa simples lomba na estrada. O meu menino é verde. Como a explosão de sabor que ele sentiu ao prová-lo, como a coragem que teve quando era desafiado para trilhos em rochedos ou simplesmente testar uma ponte de madeira improvisada, ou só mesmo quando apontava para uma estrela dizendo que não se deve apontar para estrelas. Enquanto o meu menino for um grande peixe sempre desidratado e a ansiar pela água e apartar os caminho de pipocas suspensas no ar, entre palhaços, anões e gigantes, e plantar campos inteiros de lírios-do-campo só para a ver feliz, eu sei que ele é imortal e existe em cada um deles um amor puro sem final.
(Eu não tive o meu menino; nem sequer me despedi dele.)