sábado, maio 02, 2026
Pulsar
Uma tragicomédia romântica
Sei que para ti sou indiferente, ou apenas não gostas de mim, detestas-me (se alguma vez lembrasses de mim), pelo trauma, por toda a mágoa e atrofio causados. Eu também um bocado, pelo trauma e a dor que passei (ainda passo, está alojada em mim nos cacos do coração), mas prefiro da maioria das vezes quando penso numa versão que é uma ilusão de nós nos termos amado e amarmo-nos e perdoarmo-nos como nas dezenas de comédias românticas que já vi, em que apesar dos erros e equívocos, o amor fala sempre mais forte e ninguém consegue perder a oportunidade de estar com a pessoa amada, de tentar uma última vez, completamente vulneráveis a pedir perdão, e por uma chance de não ficarmos sem a pessoa que realmente amamos. Muitas vezes nesses enredos também é uma paixão integrada num novo local, com novas pessoas, que rapidamente se fazem nos sentir como casa. Nalguns há dois "pretendentes", geralmente de personalidades opostas (pergunto-me se o meu avô e o irmão dele também eram assim 🤔 provavelmente eram), muitas vezes um é o mais certinho e o outro mais problemático.
Coitada da minha avó..
quarta-feira, abril 29, 2026
Um coração partido demora a voltar a bater, se bater sequer
Afinal quando me partiste o coração e eu demorei anos a sentir que ele batia, foi só para mo partirem de novo, mas isso eu já não te expliquei, porque sei que não tem nada a ver contigo e descobrir que não há ninguém que eu pudesse amar sem sentir o perigo da violência de um homem faz-me ao menos ter a certeza de que no fim das contas foi bom não ter de passar por mais isso. A violência que sempre sofri desde que vim para este mundo já me basta. Falas de como tudo é violência e sexo, mas quando te digo que eu não pertenço a este mundo e que por nada disso eu me interesso, já nem sequer escutas, porque já não me conheces.
O que eu não te contei é que depois de ti, anos depois, de novo me apaixonei e desta vez amei como nunca tinha amado ninguém, tendo deveras enlouquecido, porque depois ele mostrou e disse que nem sequer existia como eu havia sentido. Todo o amor de que alguma vez fui capaz por toda a gente em toda a minha vida, foi todo transferido. Todos falam como sempre me preocupei e cuidei, mas hoje em dia, já há alguns anos, não sou mais assim, acabou tudo em mim e a tristeza habita-me de tal modo que nunca mais fui capaz de sorrir de paixão, senão uma vez ou outra ao lembrar alguma cena desse último devaneante amor. Apaixonei-me sempre por quem eles foram em pequenos, com a sua ternura, candura, determinação e inocência. Mas ninguém se mantém puro de sentimentos e se torna equilibrado e sem violência.
Duas vezes eu ouvi o som do coração a partir-se. Da terceira vez não ouvi sequer, talvez porque eu nem sabia então que ele era o grande e único verdadeiro amor da minha vida, ou talvez porque tal como ele disse era tudo da minha cabeça viciada por ele e nem existia.
Um dia, quiçá , eu ainda vou poder contar-te que encontrei uma pessoa decente e que depois de tanto tempo finalmente vale a pena voltar a ceder e amar. Porque mesmo que eu continue sozinha como nestes 13 anos, eu agora sei de quem eu realmente preciso e a quem realmente me entregaria de novo confiando, mesmo que haja grande improbabilidade de haver alguém assim. De qualquer modo, a minha vida sempre foi uma desgraça e o tempo também já provou que afinal nada passa tanto assim quanto eu precisava mesmo para mim.
Sofrimento
terça-feira, abril 28, 2026
Sou um rio
Mais um exercício
segunda-feira, abril 27, 2026
Peri
Eterno
Uma sombra mais pálida
Tudo o que não é dito
domingo, abril 26, 2026
Sempre e para sempre
sábado, abril 25, 2026
sexta-feira, abril 24, 2026
O Sol e a Lua II
quinta-feira, abril 23, 2026
Nome
Todos têm nome
Aquele que escolheram
Aquele que lhes escolheram
Aquele por que são chamados
Aquele que lhes chamam
Mas nem sempre conhecem
O nome que lhes foi dado
À nascença
À sua presença
À sua liberdade
terça-feira, abril 21, 2026
Ele foi como eu?
domingo, abril 19, 2026
2 mortes, 2 nascimentos
Luíza
vê-se num brinco
um coração de viana
oxidado
escurecido de propósito
Ela luta, esperneia
as suas últimas tentativas
de tentar se indignar
contra a falta de controlo
contra a falta de justiça
e imagina e se resigna
mas nunca mais volta
é só o que pode fazer
de decisão própria agora
Ela se quebranta
Esforça agradecimentos
Aproveita segundos de leveza
Depois mais tarde desmancha
Desistiu da sua cara
Antes de ver morrer a pessoa amada
sábado, abril 18, 2026
Fazemos de conta
sexta-feira, abril 17, 2026
Improviso pós-surpresa da foto "movimento" de céu
Capturo o movimento
Ele fotografa as cores
Refraccionando a luz
Ó meu amor, como seduz!
Já sei que me achaste
Meio ridículo de erudito
Mas gozaste de eu estar aflito
Atrapalhado e enamorado
Eu amei tudo e todos demais
Até um dia que não dava mais
Para serem felizes comigo
E larguei-os do meu abrigo
Este meu improviso não vês
Como tudo o que escrevi
E (graças aos deuses 🙌🏽) não lês
Mas achei este céu bonito
Foi uma surpresa que me fiz
Ainda dou-me a experiências
Raras e etéreas, mas sou feliz
Independentemente delas
Também já desconheces
No que me tornei e deixei
Depois de Agosto de 2024
Com tantos lutos e turbilhões
Sem ter chão, deixar de ser vento
Agora como nunca antes
Dissolvi-me no firmamento
Entendi cada fugaz momento
E já nada me importa questionar
Tu acabaste por dar-me tudo
O que eu precisava para confiar
Que tudo um dia vai acabar
E eu já não sofrerei mais
Porque regressarei ao meu lugar