A névoa guarda só um fantasma: eu. Apagada figura. Na confusão leitosa da geada que me causa a bronquite romanticóide. Dói o peito, tanto. Tudo foi tudo, demais, entre inundações e secas, fora os incêndios pontuais. Já não resta nada no meio de tudo. É como as cirurgias sem ser anestesiada.
Disse-te que tive a sensação de que seria a última vez que a veria (tu foste ensaísticamente querido com o teu "espero que não") e, no entanto, nem cheguei a vê-la. Ela, tal como tu, ocultou-se e fugiu de mim, ou de si. Não sei, mas já não importa. (Não vou mais ver esses vossos lados ocultos.) Da mesma forma que ela prefere uma que anda anos com um homem casado; da mesma forma que ele prefere não enfrentar as coisas; da mesma forma que ela prefere quem nunca daria a vida por ela; da mesma forma que ele prefere quem passou a vida a tratá-lo mal; da mesma forma que todos eles nunca gostaram de mim nem me amaram, sem nunca sequer me terem conhecido sequer o suficiente para tal.
Ultimamente todos se queixam, tendo como sempre, e isolam-se e sofrem e esgotam-se, mais do que antes. Mas continuam a fingir e a esforçar-se e a empurrar com a barriga.
Tenho estado em silêncio há tantos anos e, no entanto, sinto que podia ficar ainda mais umas décadas, se as tivesse, que ainda assim não silenciava a geada gélida e gritante no meu peito, que dias antes de vir ao mundo foi cortante ao estilhaçar-me o coração.
(no insta c fotos d nevoeiro)


