quinta-feira, fevereiro 12, 2026
Tempestades
Caro leitor (se existir ainda)
Caro leitor,
não mais escreverei aqui poeminhas romanticóides. Sei que é algo de que as pessoas geralmente gostam, de poemas de amor, mas fartei-me de escrevê-los. Aliás, quem quiser ler tem aqui e no meu blog em inglês, milhentos, inclusive.
Se por acaso houver de facto algum leitor, que também goste de vir lê-los cá, que gostaria de continuar, então diga e claro, poderei reconsiderar a minha posição.
quarta-feira, fevereiro 11, 2026
Cipreste centenário
Encontrarei o grande amor perto do cipreste centenário. (eu vou saber que é ele) No ar sentirei o seu cheiro e depois o dele ao me abraçar. O meu grande amor para sempre é ele, tronco altivo que me guarda na sua sombra, envolve-me com os seus ramos. Das últimas vezes que fui vê-lo não estava muito bem, afectado pelo Inverno. A sua imensa copa apareceu muito reduzida e com galhos nus, finos, retorcidos, como que a agonizar com o frio. Eu apanhei um dos pedaços de galhos e terminações e trouxe comigo. Desde que começaram as tempestades consecutivas tenho-me lembrado. Como estará o meu cipreste, a minha árvore favorita? Sinto-a despedida, um pouco desprotegida, mas lá ainda. Que saudades tenho!
Já não me interessa sobre Pessoa. Apenas imagino o meu grande amor a chegar junto ao cipreste. Talvez possamos tocá-lo juntos para vitalizá-lo com o nosso amor. Talvez isso faça-o frondoso de novo e nunca morrer. E os seus pequenos frutos, tal como tudo nele é tão perfeito nas suas geometrias, possam abundar e até resinosos se ponham a exalar. Já faltou mais para a Primavera chegar!
Cipreste centenário, meu amor inteiro e relicário, leva comigo dentro.
A dor do amor imerecido
Dói muito saber que por minha causa sofreste e que te destruí bastante a vida em momentos. Assim como tu me fizeste sofrer o pão que o diabo amassou até me levares à completa confusão mental. Foi uma destruição total. Tanto que contribuiu para que eu, juntamente com tudo de horrível que me aconteceu, me fizesse tornar em alguém completamente diferente.
As coisas acontecem de forma caótica mesmo quando não se pode controlar nada. Foi o que aconteceu. Só no fim é que tudo se percebeu e eu fiz para que nos libertasses de vez daquele tormento impossível e tão prolongado. Estava tudo já acabado antes de ter começado, condenado por todas.
Eu mudei muito, consegui claridade e assim não deixar a hiperadrenalina tomar conta de mim como dantes. Agora sou a pessoa mais quieta do mundo, como antes da infernal pandemia.
Eu nunca te mereci, nem por tudo o que fiz por ti, mas só pelo amor que te tive, esse sim, em essência merece tudo. E teve tudo de ti. Enquanto deu. (foi também graças a ti que eu sobrevivi)
À espera da Primavera
terça-feira, fevereiro 10, 2026
Lamento informar
Quanto é nada?.
Sabes o quanto eu te amo? Provavelmente dirias que sim (tu sempre sabias tudo e eu acreditava em tudo o que tu dizias), ou antes que não te interessava sequer. Porque tu não me amavas, como fizeste questão de me dizer. E eu amei-te, do princípio até...
O amor único dentro de mim
Só o amor pode ter a força de expulsar a dor.
A chuva não tem parado. Os dias continuam frígidos, nada produzem senão tristeza. As vozes calaram-se, desapareceram com as suas presenças que encolheram. Muutas sumiram. O último suspiro afogado pelas cheias. As cidades estão plenas, a abarrotar com as águas, cheiram a bafio e desolação. Os lutos acumulados vestiram-se de branco vazio.
Diz que só daqui a dez dias retorna o sol. Eu escolhi que ele viria qualquer dia destes, mas ainda me falta energia, pós-sangria, tudo em mim dói.
Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi; reconheço-te, no entanto, o ódio que ainda, durante todo este tempo, sentiste por mim. Mas o amor único que tenho dentro salva-me bastante disso, de ti que quiseste a minha morte. Eu não me esqueci. O Japão vilipendiou Nanquim, a Alemanha Israel e Israel a Palestina. O mapa cor-de-rosa-sangue, o atlas negro. Todas as hordas selváticas de homens que mataram, roubaram e massacraram uns aos outros, antes e depois, nunca souberam o que era a satisfação nem o amor ao seu povo irmão.
segunda-feira, fevereiro 09, 2026
Feridos
domingo, fevereiro 08, 2026
Pedi
Um só amor
Um só amor persiste e perfura o meu coração. Um rasgão no peito se escora e crava a lembrança dele. Só ele é o amor explodido nas estrelas maior do que supernovas. Este amor tem endereço, morada em mim e tão longe ao mesmo tempo assim. Ele vigora nas leis da natureza e escapa-se-lhes com extrema destreza, fintando todos os deuses.
Disseste-me que não me amas e eu não deixo de te amar e sei que se me dissesses que me amas era contigo que eu ia ficar. Eu senti que havia sim um sentimento maior entre nós. Perdoa-me por não ter podido acreditar na altura que de facto podia ser verdade e que podias sim me amar. Que eu podia sim ser meritória, a tal e tu o meu para sempre. Que nos amávamos, de tudo e todos, independentemente.
Não há nada no mundo que mudará este amor tão grande que sempre existiu em mim. Mesmo que não existas mais, mesmo que eu não exista mais, só aquele amor é tão real. Espero que um dia eu possa finalmente: és tu.
Salva-dor
sábado, fevereiro 07, 2026
Confusão
sexta-feira, fevereiro 06, 2026
A Revolução não é um momento
quarta-feira, fevereiro 04, 2026
Azul entranhado
Vê lá tu que ainda está azul, deve ser porque tinha proteínas de trigo e entrançou-se no fio dos cabelos. Hoje mudei o cartucho da Parker, limpei os dedos num guardanapo e foi como se sangrasse azul da tanta tristeza dos lutos. Ontem, um pouco antes de receber a notícia da morte do primo Salvador eu tinha visto que um quadrinho meu (uma antiga pequena tela cartonada que estava na estante dos livros em que no início dr começar a pintar a óleo, há mais de 20 anos, pintei um pôr-do-sol laranja numa savana com apenas uma árvore num canto) estava caído na minha cama. Ao colocar no sítio, olhei para os livros antigos e pensei que devia dar e lembrei de novo da priminha Cátia e da sua página de livros. Pensei na possibilidade de ter havido um pequeno abalo sísmico. Houve depois, no meu estômago, aquela dor do luto. Da tristeza pelos que sofrem com a partida dos seus entes. Pela tristeza de todas as desgraças e nojices que se sabe e se espalham e persistem perpetuadas pelas pessoas.
Um violino rasga o ar... e com ele o meu pesar funesto de um azul escuro fúnebre. A água abunda da chuva, tem alagado tudo, ninguém tem podido contra o azul. Ele é poderoso, o pior inimigo de tudo e de todos os tempos e eu o odeio agora. Queria decepá-lo de mim, podia rapar o cabelo, como a Sinéad, como a Dani ou a Rose, mas precisaria de uma lobotomia e de uma exsanguinação também; talvez assim finalmente o tirasse de mim, toda esta putrefacção que é descobrir tudo o que eu não sabia que me fez triste.