sábado, junho 06, 2026

Dorme bem

 Estás a dormir 
E eu nunca tentei 
Entrar nos teus sonhos 
Já eu só tenho pesadelos 
Ultimamente 
Sei que não há a gente 
Nunca houve 
Mas continuo errante
Desalmada
Como me pintaste
E a inventar 
Como ela me acusou
Porém os factos da escrita 
São distintos e jornalísticos 
E tu sabe-lo como ninguém 
Que a linguagem tem função 
E o silêncio vai muito além 

A visão de ti

 A visão de ti
Arranca de mim 
"Meu menino"
Suspiro e sede
Daquele abraço 
Negado
Do amor estragado 
Que é só Poesia
Que espera a Primavera 
Para renascer

O AMOR EXISTE!
Afinal não era só naquela 

Sem nada

 Pode-se viver sem motivo? Sem ter qualquer objectivo? Claro que sim. Pois todas as razões para se viver são inválidas perante a fatalidade de todos nós irmos morrer.

Até mesmo com o contrário, uma pessoa tendo motivos para morrer, mas continua viva, vá-se lá saber.  Nada tem razão de ser.

O teu rosto será o último

 O teu rosto será o último 
que eu desenharei
pois nenhum outro
se compara ao teu

E eu que nunca me apaixonei 
Fácil ou rapidamente 
Fui me dar comigo
Só depois completamente 
Perdida de paixão 
Por ti

Não há ninguém 
Em tua comparação 

O teu rosto
De dor e mágoa
Foi a minha doce e atormentada
Prisão 


(só agora é que reparei que tens um longo osso antes da cana do nariz)

quarta-feira, junho 03, 2026

Nunca pudemos ser amigos

 Que é essa dor 
Que carregas
Por trás do sorriso 
Quando és amigo
De toda a gente? 

Só tu me amaste
Com tal desespero 
Que depois deixaste
Em mim saudades 
De ter amor inteiro

Talvez a amizade 
Nunca tenha sido
O nosso melhor
Porque nos amámos
Com paixão e ardor



Amor de Lua Azul

 - Eu tive medo, achei que não ia ser suficiente para ti. 

- Tu eras tudo o que eu queria e tudo o que eu precisava. 

(filme Blue Moon Love)

Aqueles diálogos que aparecem na minha cabeça

 - Tu nunca nos deste valor.

- Pois, deve ter sido, deve. Especialmente quando só continuei viva por causa de vocês, (inclusive para que não sofressem se eu me matasse, como cedo tive o exemplo da Filipinski em relação ao irmão dela) mesmo quando vocês me fizeram coisas que me fizeram querer morrer. 

(saudades Filipinski)

terça-feira, junho 02, 2026

"O que é que tu finges para ti mesmo que não sabes?"

 Todas as coisas que "finjo" para mim mesmo não saber é sobre outras pessoas que infelizmente tenho de aturar. Nomeadamente o quão nojentas, racistas, fascistas, narcisistas, violentas, traidoras, falsas, conseguem ser. 

Sobre mim mesmo já não finjo nada, estou a própria Baba Yaga, não só de aspecto 😅🤷🏽😶

segunda-feira, junho 01, 2026

Essa é que é essa

É engraçado como a vida é...
Passa-se por uma série de coisas, depois tratamos de as entender e aprender as lições sobre nós...
Ainda assim, depois de mudarmos completamente, chegamos à mesma ideia que tentámos combater a vida toda...
A verdade é que a minha vida nunca fez sentido sem ele. E nunca mais terá qualquer sentido (mesmo que a vida toda só tenha sido servir para a vida dos outros e sucesso alheio, com ele falo de a vida ter sentido por causa dele como era, ou pensava eu que ele era, e não por causa de qualquer propósito ou servitude que eu tenha feito como naturalmente passei a vida a fazer). Aliás, bastou ouvir uns segundos da voz dele numa canção que já não ouvia há séculos e eis que se deu esse pensamento que despoletou tudo isto aqui escrito. 
Essa é que é essa...

(vdd q tb foi tudo tão confuso, intenso e ilusório, q tb n fez sentido, s formos a ver bem 🤷🏽🤦🏽 {ele salvou-me, foi tudo para mim e eu destruí-lhe o sossego por causa da minha obsessão em obter respostas e entender o que raio se passava com toda a bodega qbme vinham dizer e as cenas dele💔😐😐🖤pena q a culpa dps n m fez morrer finalmente e continuo aqui tds os dias neste calvário de pagar pelos pecados})

domingo, maio 31, 2026

 Disseste que virias
E as figueiras deram flor
Não há nas perfumarias
Esse belo odor

Vem Junho o teu mês
De Santo padroeiro 
Escrevo quadras que lês 
Mas não te vejo inteiro

Aldrabaste-me mas é
E eu ingénua caí
Estou aqui sempre em pé 
À espera de onde não saí

Vê lá se vens depressa 
Porque a morte é célere 
E nada mais me interessa
E os figos nascem em breve

Dança circular

 Escreveste-me canções 
Afogaste-as em vinho
Acabaste-me as ilusões 
Deixaste-me sozinho

Foste embora sem dizeres
Que me amarias sem mim
Escrevi-te para me leres
O que não te disse no fim 

No meu delírio por ti
Vejo filmes com casamentos
Hoje vi um como se sim
Me convertesse os pensamentos

E nas voltas da vida a dois
A promessa eterna da felicidade 
Mesmo com dificuldades depois 
A do outro era prioridade 




Nunca mais amei assim

 Amei-te tanto que enlouqueci
Com uma paixão que se ardeu 
Amei-te tanto que endoideci 
Com uma paixão que se morreu 

Amei-te tanto que embruteci
Com uma paixão que se f*deu
Amei-te tanto que insisti
Com uma paixão que se perdeu

Amei-te tanto que resisti
Com uma paixão que se feneceu
Amei-te tanto que assisti 
Com uma paixão que se encolheu

Amei-te tanto que desisti 
Com uma paixão que se rompeu
Amei-te tanto que despedi
Com uma paixão que se escafedeu

sábado, maio 30, 2026

 Se sentires completamente, és capaz de te conhecer de tal forma que te tornas um com a realidade. 

sexta-feira, maio 29, 2026

Crise

 Crise emocional 
Crise da mortalidade 
Crise existencial 
Crise paranormal 
Crise financeira 
Crise de identidade 
Crise de depressão 
Crise de desemprego 
Crise de saúde 
Crise de solidão 
Crise mental 
Crise de bloqueio 
Crise de anedonia 
Crise de alergia 
Crise de liberdade 
Crise renal
Crise de Addison 
Crise de significado 
Crise de isolamento 

Aquela ardente presença da ausência

 Houve durante anos aquela ardente presença da tua ausência. Crepitava em labaredas e incinerava o meu sossego a toda a hora. Não se podia negociar com ela. Impositiva e déspota sobre mim fazia com que a saudade me matasse, me corroesse por dentro. 

Fogacho, fogueira, de S. João, foguete, fogo no fogoso coração. "Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não se afaste de mim, não brigue comigo", sussurava incessante à volta dos meus ouvidos. Bombardeava-me de ti se por acaso parecesse que estava a divergir finalmente. Não dava hipótese. Era guerra preemptiva. Uma sombra constante. Também na minha alegria. 

A mente era obrigada a regressar pelo mesmo caminho. De memória em memória. De história em história. Um balão vermelho assinalando os incêndios, voando livre e imperioso. Um cheiro, uma comida, um amor. 

Enquanto eu conseguir escrever, não estou perdida. 

 A única coisa boa de estar completamente esgotada é não sentir mais a consumição do amor.

quinta-feira, maio 28, 2026

Toada passada

 Mesmo quando não há mais razões para eu ficar, reconheço esse teu dedilhado na viola e a tua voz reverberando uma das antrola, como que se emocionando me diga: fica mais um pouco, não te vás embora. 'Não vai ter bolo", pois nada vale a pena quando todos já se foram e não tarda somos nós. 

Ei, meu amor, podemos estar a sós? 

Porque é que me abandonaste? Não sabes que eu vou morrer e tu nem hás-de saber? Mas, sim, aquilo que não sabes não te faz sofrer. Estou-te a perceber. Cada vez que olhares o céu meia-noite eu já não estarei lá, nem a lua te lembrará. Tu vives liberto da recordação. Eu fiz questão. Não quero nada de ti - nem o teu pensamento, nem o teu coração - se não for puro e cheio de amor. 

Sabemos bem do nosso ressentimento e mágoa, da nossa dor afogada. Não somos de esquecer traumas que nos vão engatilhar e toda a nossa defesa grita a alertar: quem fez o que fez nunca merece nada, nem vai mudar. Eu fiz até se romper. Eu mudei tanto que já nada importa saber (se cada letra de cada canção era o que querias dizer). 

quarta-feira, maio 27, 2026

 Sulcos nos dedos
A pele vincada
Marcada pelo chão 
Encarquilhada
Também na mão 
Nada se sustém mais
Tudo desistiu
Ficou para trás 
Um pêlo branco na axila
Surgiu
Os pêlos deles na barba
Também embranquecem
Como os meus cabelos 
Quantos anos passaram?
Quantos mais anos passarão? 
À medida que deixo de existir 
Tu continuas intermitentemente 
A sorrir

O que é que está no meu coração agora?

 Não sei se ainda tenho a capacidade de amar alguém como tinha. Embora os tenha visto aos dois e sentido que me deram cabo do coração e nunca mais de lá saíram, nesse amor que é uma ilusão. O meu por ele que é uma loucura que avariou a minha cabeça numa altura tenebrosa. 

O meu coração doeu demais. Quando a Yaya morreu e eu chorei tanto e fiquei com o corpo todo a doer e sem conseguir fazer quase nada. Quando eu me apercebi de toda a falta de hipótese, de esperança, de oportunidade, de capacidade para sentir alegria de novo. 

Parece que tento à força toda a hora não tomar uma atitude mais irreversível. Daí os stories e escritos a tentar processar tudo o que aconteceu ultimamente de mais mortes e mais coisas do presente que só me fazem medo de ter de lidar a todo o momento. O terror que sempre foi. O horror. O desastre. A falta de saúde. A falta de um abrigo, a falta de um abraço. 

Mas vi meus priminhos na chamada e quando a aniversariante amada disse para nos encontramos um dia de novo para um programa de artes, lembrei como eles são quem me fazem lembrar de quem sou um bocado. Se ainda sou alguma coisa. Mesmo quando não sou nada. Senão o que sempre fui para os outros. 

O meu coração desesperou também de novo por eles lá dos brasis, neste conflito em que habito há anos por tanta coisa. Esse amor, aquele fervor, aquela salvação. A minha avaria total. Como diz que é normal voltar ao que deu um dia conforto e esperança. Eu não sou mais nada de nada, nem criança. Desfiz-me. Vaporizou-se-me tudo o que podia ter sido alguma vez. 

Eu vi-o e senti de novo aquela nossa antiga, mesmo ancestral, dor de tantas vidas.

pesado coração dorido 🖤 o meu. vocês ficam sempre bem, porque está nos vossos poros a tristeza ser alegre. eu não sou dessa estirpe. 

e o meu coração sempre esteve além.

de todas as vezes. e eu espero que o teu, Hel., agora nesses lutos horríveis, também resista. mas de qualquer maneira, tudo passa mesmo no final, pois a vida nunca foi uma brincadeira. 

 Quem espalhou genuíno amor
Colherá pedras
Serão das mais belas
No entanto 
Quem espalhou servilismo 
Colherá nuvens 
Serão passageiras
As pessoas nas suas vidas 
E quem espalhou egoísmo 
Acabará sozinha
Detestada e mal-amada
Tendo sido muito entendido 

terça-feira, maio 26, 2026

Tudo e nada

 Esta coisa de sentir tudo
Especialmente de madrugada 
No silêncio da calada
Quando só pássaros palram
E depois de dia sentir nada
Como zombies nas sociedades 
Na rodinha do hamster 
Operadores com formalidades 

Só acima da espécie humana 
Reside o espelho espacial abstrato 

O grande amor da minha vida

 Saber quem nos amou mais na vida assim como nós somos mesmo, é algo difícil, especialmente quando muitas das vezes nunca nos sentimos completamente livres para sermos nós mesmos. 

Eu sempre tive o problema de ser muito eu mesma, sem grandes máscaras, excepto quando me calei e me diminuí para não levantar ondas e isso ocorreu de maneira comedida, porque nunca pude ficar permissiva perante abusos e injustiças fosse com quem fosse. 

Os lados mais fracos e debilitados de mim foram poucas pessoas que viram e essas sim, considero que as que não me abandonaram nessas alturas, mesmo que tivessem partido depois, foram as pessoas que mais me amaram porque viram mais e melhor sobre quem eu sou e ainda assim me amavam muito. A minha avó e o Hel, que inclusive também me demostraram que eu era uma prioridade e faziam esforços para estar comigo, vindo de longe. Também são das duas pessoas que eu mais amei. Quando olho para trás os primeiros dias em que estive com H. e abraçamo-nos horas a fio sem conseguirmos ir embora, como dois adolescentes apaixonados que éramos, foram mesmo os momentos em que mais me senti feliz. Uma inundação de hormonas da felicidade difícil de replicar. Um abraço longo de alguém muito especial, que é como nós, faz sentir uma completude incrível; senti-a com mais uma pessoa antes, um irmão de alma (que inclusive teve amigáveis ciúmes sadios do H. quando eu disse que ele era a minha alma gémea). Quem teve a felicidade, como eu, de se dar a relações verdadeiras e íntimas com as pessoas, sendo sem máscaras, teve a única miraculosidade de ter uma união absoluta com alguém. Sentir o que ela sente, ser igual sem separação, na condição de sermos humanos, em tudo o que isso implica de bom e menos bom, nomeadamente quando ainda somos muito novos, temos muitos traumas e não conseguimos abafar o ego cheio de inseguranças e medos. Ainda assim o amor prevalece. Fica guardado em retratos. Se quisermos e pudermos é só revisitar e pendurá-los. É bonito isso. Quando a dor da vida e do que correu mal entre nós não mancha as memórias boas. 

 Depois de toda a dor que me fizeram passar neste mundo, de todo o abandono e crueldade, nada deixa saudade. 

Como sempre

 Tudo o que eu precisava depois destas mortes todas e da desesperança que se instalou em mim, era do teu abraço, de ser uma prioridade para ti. Mas tu nunca vieste. Nunca nada me disseste. Eu fiquei aqui a querer morrer, como sempre. Tu nem quiseste mais saber. Tudo ficou óptimo para ti, como sempre. Assim que desististe de mim. Porque sempre fui muito exigente a querer sempre o teu carinho, a tua atenção, o teu ternurento beijinho. Aquele que mandavas com os dedos da mão. Como dantes. Como sempre.