sexta-feira, março 06, 2026

Nothing, woman

 Eu sempre soube que nada daquilo era para ficar. Eu disse-vos desde o início em coisas como "que seja eterno enquanto dure", depois todo o mundo há-de ir à sua vida", "é o que vai acontecer depois normalmente", "também não faço questão de encontrar ninguém". Mas claro que, como em tudo neste mundo, eu queria sim que fosse melhor, que fosse idílico, que o que se quis num momento ou outro pudesse sim realizar-se e que não fosse "para a vida toda" só no coração. É a tal da minha famigerada lucidez que sempre me avisa de tudo como é e de como provavelmente se irá suceder, tirando logo o chão a todos e quaisquer  sonhos que eu pudesse ter. 
Essa minha derrota face à impermanência e incapacidade, cedo me matou para a vida e me fez adaptar a tudo o que ela, em vez, queria. 
Nada foi para mim. Foi tudo para os outros. Tudo é dos outros. Tudo o que alguma vez foi meu até recentemente também. Eu não existia senão como veículo de amor e atenção para com todos. Posto isto, a maré não voltou, o whisky não me aqueceu e o cavaleiro da noite não me salvou. É assim que eu sou, era assim que eles tinham de ser. Ninguém conhece o tanto de alguém?

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