sábado, março 07, 2026

Desoriente

 Andamos com uma espada 
Em cima das nossas cabeças 
E o ar vai-nos sufocando
Até que piramos
No tecido infinito do céu
E o que era nosso, agora é teu
Todas as ruas e candeeiros 
Todas as luas e meses de Janeiro 
Eu não julgo que seja eu 
Tu não sabes o que é teu

Andamos perdidos no vácuo 
Como pássaros doentes
Em razias ao fogo fátuo 
Koa'e keas ao redor de vulcões 
Nós éramos alvos e puros
Víamos outro tipo de aviões 
Tu nunca foste inteiramente maduro
Eu sempre fui idosa demais 
Mas no final de tudo
A verdade é que já casámos
Na fotografia dos meus pais
Também incompatíveis e desiguais 


Sem comentários: