sábado, maio 02, 2026

Pulsar

 Já não oiço essa onda de rádio 
Meus receptores estão em baixo 
Acabou a sintonia e o fogacho
De um instante de sincronia
E a transmissão do gáudio 

Nesse território de elevações 
Nessa faixa de contradições 
A melancolia é desmedida
Não há alegria ou paixões 

Sinal morto sem quaisquer picos 
Que ainda pudessem esperançar
Foi quando se foi a confiança 
E qualquer ilusão ao ar

Não há período de duração 
Não há milésimos de segundos 
Só um sistema em franganicos
E um sonar num avião 

Tempestades electromagnéticas
Não penetram o nosso metal
Mas tudo abalam para parte incerta
Do início do ano até ao Natal

E eu que só te queria a ti
Um pulsar para vivermos
Ressuscitarmos e regenerarmos
Não me tenho mais em mim


 Pensar que um dia quando eu morrer todas estas coisas estúpidas escritas ficarão aqui.. 

Uma tragicomédia romântica

 Sei que para ti sou indiferente, ou apenas não gostas de mim, detestas-me (se alguma vez lembrasses de mim), pelo trauma, por toda a mágoa e atrofio causados. Eu também um bocado, pelo trauma e a dor que passei (ainda passo, está alojada em mim nos cacos do coração), mas prefiro da maioria das vezes quando penso numa versão que é uma ilusão de nós nos termos amado e amarmo-nos e perdoarmo-nos como nas dezenas de comédias românticas que já vi, em que apesar dos erros e equívocos, o amor fala sempre mais forte e ninguém consegue perder a oportunidade de estar com a pessoa amada, de tentar uma última vez, completamente vulneráveis a pedir perdão, e por uma chance de não ficarmos sem a pessoa que realmente amamos. Muitas vezes nesses enredos também é uma paixão integrada num novo local, com novas pessoas, que rapidamente se fazem nos sentir como casa. Nalguns há dois "pretendentes", geralmente de personalidades opostas (pergunto-me se o meu avô e o irmão dele também eram assim 🤔 provavelmente eram), muitas vezes um é o mais certinho e o outro mais problemático. 

Coitada da minha avó..

 "O amor para tentar sobreviver foi um fracasso, ou talvez não."