domingo, maio 31, 2026

 Disseste que virias
E as figueiras deram flor
Não há nas perfumarias
Esse belo odor

Vem Junho o teu mês
De Santo padroeiro 
Escrevo quadras que lês 
Mas não te vejo inteiro

Aldrabaste-me mas é
E eu ingénua caí
Estou aqui sempre em pé 
À espera de onde não saí

Vê lá se vens depressa 
Porque a morte é célere 
E nada mais me interessa
E os figos nascem em breve

Dança circular

 Escreveste-me canções 
Afogaste-as em vinho
Acabaste-me as ilusões 
Deixaste-me sozinho

Foste embora sem dizeres
Que me amarias sem mim
Escrevi-te para me leres
O que não te disse no fim 

No meu delírio por ti
Vejo filmes com casamentos
Hoje vi um como se sim
Me convertesse os pensamentos

E nas voltas da vida a dois
A promessa eterna da felicidade 
Mesmo com dificuldades depois 
A do outro era prioridade 




Nunca mais amei assim

 Amei-te tanto que enlouqueci
Com uma paixão que se ardeu 
Amei-te tanto que endoideci 
Com uma paixão que se morreu 

Amei-te tanto que embruteci
Com uma paixão que se f*deu
Amei-te tanto que insisti
Com uma paixão que se perdeu

Amei-te tanto que resisti
Com uma paixão que se feneceu
Amei-te tanto que assisti 
Com uma paixão que se encolheu

Amei-te tanto que desisti 
Com uma paixão que se rompeu
Amei-te tanto que despedi
Com uma paixão que se escafedeu

sábado, maio 30, 2026

 Se sentires completamente, és capaz de te conhecer de tal forma que te tornas um com a realidade. 

sexta-feira, maio 29, 2026

Crise

 Crise emocional 
Crise da mortalidade 
Crise existencial 
Crise paranormal 
Crise financeira 
Crise de identidade 
Crise de depressão 
Crise de desemprego 
Crise de saúde 
Crise de solidão 
Crise mental 
Crise de bloqueio 
Crise de anedonia 
Crise de alergia 
Crise de liberdade 
Crise renal
Crise de Addison 
Crise de significado 
Crise de isolamento 

Aquela ardente presença da ausência

 Houve durante anos aquela ardente presença da tua ausência. Crepitava em labaredas e incinerava o meu sossego a toda a hora. Não se podia negociar com ela. Impositiva e déspota sobre mim fazia com que a saudade me matasse, me corroesse por dentro. 

Fogacho, fogueira, de S. João, foguete, fogo no fogoso coração. "Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não se afaste de mim, não brigue comigo", sussurava incessante à volta dos meus ouvidos. Bombardeava-me de ti se por acaso parecesse que estava a divergir finalmente. Não dava hipótese. Era guerra preemptiva. Uma sombra constante. Também na minha alegria. 

A mente era obrigada a regressar pelo mesmo caminho. De memória em memória. De história em história. Um balão vermelho assinalando os incêndios, voando livre e imperioso. Um cheiro, uma comida, um amor. 

Enquanto eu conseguir escrever, não estou perdida. 

 A única coisa boa de estar completamente esgotada é não sentir mais a consumição do amor.

quinta-feira, maio 28, 2026

Toada passada

 Mesmo quando não há mais razões para eu ficar, reconheço esse teu dedilhado na viola e a tua voz reverberando uma das antrola, como que se emocionando me diga: fica mais um pouco, não te vás embora. 'Não vai ter bolo", pois nada vale a pena quando todos já se foram e não tarda somos nós. 

Ei, meu amor, podemos estar a sós? 

Porque é que me abandonaste? Não sabes que eu vou morrer e tu nem hás-de saber? Mas, sim, aquilo que não sabes não te faz sofrer. Estou-te a perceber. Cada vez que olhares o céu meia-noite eu já não estarei lá, nem a lua te lembrará. Tu vives liberto da recordação. Eu fiz questão. Não quero nada de ti - nem o teu pensamento, nem o teu coração - se não for puro e cheio de amor. 

Sabemos bem do nosso ressentimento e mágoa, da nossa dor afogada. Não somos de esquecer traumas que nos vão engatilhar e toda a nossa defesa grita a alertar: quem fez o que fez nunca merece nada, nem vai mudar. Eu fiz até se romper. Eu mudei tanto que já nada importa saber (se cada letra de cada canção era o que querias dizer). 

quarta-feira, maio 27, 2026

 Sulcos nos dedos
A pele vincada
Marcada pelo chão 
Encarquilhada
Também na mão 
Nada se sustém mais
Tudo desistiu
Ficou para trás 
Um pêlo branco na axila
Surgiu
Os pêlos deles na barba
Também embranquecem
Como os meus cabelos 
Quantos anos passaram?
Quantos mais anos passarão? 
À medida que deixo de existir 
Tu continuas intermitentemente 
A sorrir

O que é que está no meu coração agora?

 Não sei se ainda tenho a capacidade de amar alguém como tinha. Embora os tenha visto aos dois e sentido que me deram cabo do coração e nunca mais de lá saíram, nesse amor que é uma ilusão. O meu por ele que é uma loucura que avariou a minha cabeça numa altura tenebrosa. 

O meu coração doeu demais. Quando a Yaya morreu e eu chorei tanto e fiquei com o corpo todo a doer e sem conseguir fazer quase nada. Quando eu me apercebi de toda a falta de hipótese, de esperança, de oportunidade, de capacidade para sentir alegria de novo. 

Parece que tento à força toda a hora não tomar uma atitude mais irreversível. Daí os stories e escritos a tentar processar tudo o que aconteceu ultimamente de mais mortes e mais coisas do presente que só me fazem medo de ter de lidar a todo o momento. O terror que sempre foi. O horror. O desastre. A falta de saúde. A falta de um abrigo, a falta de um abraço. 

Mas vi meus priminhos na chamada e quando a aniversariante amada disse para nos encontramos um dia de novo para um programa de artes, lembrei como eles são quem me fazem lembrar de quem sou um bocado. Se ainda sou alguma coisa. Mesmo quando não sou nada. Senão o que sempre fui para os outros. 

O meu coração desesperou também de novo por eles lá dos brasis, neste conflito em que habito há anos por tanta coisa. Esse amor, aquele fervor, aquela salvação. A minha avaria total. Como diz que é normal voltar ao que deu um dia conforto e esperança. Eu não sou mais nada de nada, nem criança. Desfiz-me. Vaporizou-se-me tudo o que podia ter sido alguma vez. 

Eu vi-o e senti de novo aquela nossa antiga, mesmo ancestral, dor de tantas vidas.

pesado coração dorido 🖤 o meu. vocês ficam sempre bem, porque está nos vossos poros a tristeza ser alegre. eu não sou dessa estirpe. 

e o meu coração sempre esteve além.

de todas as vezes. e eu espero que o teu, Hel., agora nesses lutos horríveis, também resista. mas de qualquer maneira, tudo passa mesmo no final, pois a vida nunca foi uma brincadeira. 

 Quem espalhou genuíno amor
Colherá pedras
Serão das mais belas
No entanto 
Quem espalhou servilismo 
Colherá nuvens 
Serão passageiras
As pessoas nas suas vidas 
E quem espalhou egoísmo 
Acabará sozinha
Detestada e mal-amada
Tendo sido muito entendido 

terça-feira, maio 26, 2026

Tudo e nada

 Esta coisa de sentir tudo
Especialmente de madrugada 
No silêncio da calada
Quando só pássaros palram
E depois de dia sentir nada
Como zombies nas sociedades 
Na rodinha do hamster 
Operadores com formalidades 

Só acima da espécie humana 
Reside o espelho espacial abstrato 

O grande amor da minha vida

 Saber quem nos amou mais na vida assim como nós somos mesmo, é algo difícil, especialmente quando muitas das vezes nunca nos sentimos completamente livres para sermos nós mesmos. 

Eu sempre tive o problema de ser muito eu mesma, sem grandes máscaras, excepto quando me calei e me diminuí para não levantar ondas e isso ocorreu de maneira comedida, porque nunca pude ficar permissiva perante abusos e injustiças fosse com quem fosse. 

Os lados mais fracos e debilitados de mim foram poucas pessoas que viram e essas sim, considero que as que não me abandonaram nessas alturas, mesmo que tivessem partido depois, foram as pessoas que mais me amaram porque viram mais e melhor sobre quem eu sou e ainda assim me amavam muito. A minha avó e o Hel, que inclusive também me demostraram que eu era uma prioridade e faziam esforços para estar comigo, vindo de longe. Também são das duas pessoas que eu mais amei. Quando olho para trás os primeiros dias em que estive com H. e abraçamo-nos horas a fio sem conseguirmos ir embora, como dois adolescentes apaixonados que éramos, foram mesmo os momentos em que mais me senti feliz. Uma inundação de hormonas da felicidade difícil de replicar. Um abraço longo de alguém muito especial, que é como nós, faz sentir uma completude incrível; senti-a com mais uma pessoa antes, um irmão de alma (que inclusive teve amigáveis ciúmes sadios do H. quando eu disse que ele era a minha alma gémea). Quem teve a felicidade, como eu, de se dar a relações verdadeiras e íntimas com as pessoas, sendo sem máscaras, teve a única miraculosidade de ter uma união absoluta com alguém. Sentir o que ela sente, ser igual sem separação, na condição de sermos humanos, em tudo o que isso implica de bom e menos bom, nomeadamente quando ainda somos muito novos, temos muitos traumas e não conseguimos abafar o ego cheio de inseguranças e medos. Ainda assim o amor prevalece. Fica guardado em retratos. Se quisermos e pudermos é só revisitar e pendurá-los. É bonito isso. Quando a dor da vida e do que correu mal entre nós não mancha as memórias boas. 

 Depois de toda a dor que me fizeram passar neste mundo, de todo o abandono e crueldade, nada deixa saudade. 

Como sempre

 Tudo o que eu precisava depois destas mortes todas e da desesperança que se instalou em mim, era do teu abraço, de ser uma prioridade para ti. Mas tu nunca vieste. Nunca nada me disseste. Eu fiquei aqui a querer morrer, como sempre. Tu nem quiseste mais saber. Tudo ficou óptimo para ti, como sempre. Assim que desististe de mim. Porque sempre fui muito exigente a querer sempre o teu carinho, a tua atenção, o teu ternurento beijinho. Aquele que mandavas com os dedos da mão. Como dantes. Como sempre. 

Os primeiros grandes amores

 O primeiro grande amor nós nunca esquecemos, dizem. E é verdade. Ou não teria sido grande. No meu caso foi devastador para mim tudo o que aconteceu. Eu era muito nova e no final da adolescência tudo foi muito para o que podia aguentar. Nunca mais fui a mesma. Ser traída e abandonada por quem mais confiámos é algo que me aconteceu antes também por quem era suposto me proteger e que depois só fez com que reabrisse uma ferida imensa a cada vez que aconteceu de novo. 

A vida vai nos tirando tudo o que nos dá de bom. Todos os amores, Todos os momentos felizes. Deixa-nos só horrores e frágeis cicatrizes. 

Ninguém nos diz tudo o que pode acontecer connosco. Ninguém nos ensina que tudo dá errado em determinado momento e que num instante o jogo está terminado. Eu não pude fazer nada bem para mim, porque não tive oportunidades para isso se desenvolver e consolidar. Forcei muito tudo, contra todas as probabilidades, para ainda tentar ter uma hipótese, mas sempre muito rapidamente a vida foi me mostrando o quanto eu nada podia para a fazer vergar um pouco que fosse para o meu lado. E como eu tentei, durante tantos anos, já com as últimas forças e depois mesmo sem forças, até quase a vida me matar. É, eu não fui feita para a vida, nem para este mundo, mas tentei muito me encaixar, lutar, fazer o que podia para todos ajudar, especialmente a terem uma vida muito melhor que a minha. A todos os meus grandes amores amei incondicionalmente, compreendendo tudo sobre eles, perdoando todos os enganos que não me traziam mais danos. A vida encarregou-se de me mostrar a realidade dura, nua e crua; eu nunca quis acreditar, porque isso iria me matar e eu tentei ao máximo sobreviver precisamente pelos meus amores todos também que eu cuidei e jamais quis que sofressem, muito menos por minha causa. 

Mas nada é como se quer totalmente. No meu caso nem um bocadinho foi. Antigamente eu pensava que o primeiro foi o grande amor da minha vida, até porque quando se desfez eu quis morrer e pensava que nunca mais ia amar e ser feliz. Hoje em dia, depois de tantos anos e de ter mudado tanto, já ter amado muito alguém de novo, também se deu o caso louco de ter sentido que o grande amor da minha vida era alguém que eu nem conhecia e com quem pensei ter uma semelhança de alma que nunca tinha tido com ninguém, nem mesmo com o meu primeiro grande amor que parecia aquilo que diziam de uma alma gémea. Depois de aprender sobre muita coisa, crescer e desmistificar tudo o que ouvi sobre esse tipo de ligação, sei que afinal uma "alma gémea" é alguém ter a alma igual à nossa, com os mesmos "defeitos e qualidades". Isso, na verdade, é muito terrível, é um inferno mesmo, porque somos dois de nós e a mim já me bastava eu com os meus problemas de origem. Talvez daqui a mais umas décadas eu desdiga tudo isto também. Até porque se Deus não existe como os seres humanos o pintaram, a alma gémea também não. É tudo parte dessa ilusão global que se construiu para sobreviver enquanto ser humano, nomeadamente em sociedade. 

domingo, maio 24, 2026

Não te escolhi

 Consciente não te escolhi 
Jamais o faria
Pois pessoa cruel assim
Eu jamais amaria
Por decisão própria 

Talvez muitas vezes
Tenha me entregado ao "risco
De amar no máximo"
Mas não convosco 
Pois nem me apercebi 

Essa é a verdade, meus caros
Há em mim racionalidade
Nunca fui masoquista 
Ao contrário do que pareceu
Quando fiquei com amor que morreu

Pensando que alguma vez
Ele foi real
Mas quem, como vocês 
Ama no mínimo possível 
Nunca saberá o que é total



Ideia de "jerica"

 Afinal essa ideia de que como os médicos diziam que era suposto eu morrer com uma hemorragia interna, tipo cerebral, ou assim (desde 2001), ou depois ainda mais probabilidade com a insuficiência suprarrenal (desde 2013), e eu ter pensado que as pessoas afastarem-se de mim assim também não sofreriam tanto com a morte do que se estivessem mais habituados ao contacto, e por isso até era bom, na realidade é mais uma coisa muito má para mim porque entretanto são décadas de estar completamente ostracizada e abandonada. 

"parabéns, muito ruim", não é à toa que sempre me considerei a pessoa mais burra à face da Terra, por supostamente ter consciência de muita coisa, mas na prática não ne ter servido para grande coisa a meu favor. ó que porcarias acumuladas, minhanossa! 

sábado, maio 23, 2026

Coração Vulgar - Paulinho da Viola

Morre mais um amor num coração vulgar
Deixa desilusão a quem não sabe amar

E quem não sabe amar há de sofrer
Porque não poderá compreender
Que o amor que morre é uma ilusão
E uma ilusão deve morrer

Que o amor que morre é uma ilusão
E uma ilusão deve morrer

Um verdadeiro amor nunca fenece
E pouca gente ainda o conhece
Meu bem, se o teu amor morreu
É porque ninguém o entendeu

Deixa o teu coração viver em paz
O teu pecado é querer amar demais

Do Desespero

 O desespero chega como bala perdida

Rasgando o corpo mesmo na ferida

Começa a explodir pelas extremidades

Aniquila todas as passadas felicidades 

E de igual modo súbito devastador 

Todas as futuras possibilidades 


É só por causa deles

 É só por causa deles
Que eu não durmo
E morro devagar
Com preocupações 
Preso a um tempo
Que nunca passa
Açoitado numa prisão 
De diária desgraça 

É só por causa deles
Que ainda rio tem vezes
Raras em que me lembro 
Do nosso período doido
Ao mesmo tempo doído 
Formando amor tranquilo 
Queridos meus longe
Por mim tão amados

É só por causa deles 
Que eu não sei como fazer
Deixar os que me fazem mal
E me moem até morrer
E ir ficar com quem me quer bem
Mesmo que morra mais além 
Pois viver como eu vivo
Não é viver, é só sofrer

quinta-feira, maio 21, 2026

 "Será que você ainda pensa em mim?"
Claro que sim, todos os dias.
Meu amor. 
O tempo não passa. Embora os anos estejam a passar. E tu? Será? Claro que não. Se calhar seres forçado a lembrar certamente não será com boa sensação e pensamento sobre mim. É tudo muito triste nesta história que para mim ainda não tive fim e para ti nem querias que tivesse começado. 
Estou em sofrimento aqui como sempre, por causa das mesmas razões de sempre. Nunca ter sido amada por vocês, os dois gémeos, na realidade: quem me deu vida e quem me tirou tudo, ao mesmo tempo. 

(o mais doido é que os dois que em circunstâncias diferentes me deram vida, também me quiseram morta)

quarta-feira, maio 20, 2026

 Essas virgínias da vida
Que são tudo menos virgens
E esses nem terra nem mar
Que só sabem tentar pescar
Já tinham uma bela despedida 
Desse povo, queres apostar?

(pequena sátira do momento Brasil, dedico-te Yaya, acho que ias achar graça ☺️💓)

 Tu eras onde eu dormiria, sempre e para sempre.


(ele: eu ressono)


🤣 parece mesmo algo que dirias


(bronq?)

terça-feira, maio 19, 2026

Hoje, agora, lembrei de novo

 A Ângela matou-se quando ia fazer 45 anos. Ela também tinha uma irmã e um irmão. Ela também era a que ficou em casa a tomar conta dos outros. Também sofria de depressão. 

Hoje pensei de novo. O mesmo desespero já conhecido. Lembrei dela.

Depois guardei a tesoura com que acabei de cortar em pedaços as páginas arrancadas do caderno vermelho, que tinha escrito desde 2022 toda a nóia da pandemia. Nem li agora. Só cortei. Na força de um bocado de raiva da estupidez toda da hiperadrenalina daqueles tempos e toda a porcaria que não me parou, nem me impediu de estragar tudo. 

Faz mais de dez dias que perdi a Yaya. Chorei muito hoje, depois de mais um episódio dos vários de sempre desta vida toda a ouvir "tu és uma merda", "sai desta casa" e afins, enquanto a ouvir duas músicas que vi G. cantar e relembrar nos stories. Chorando também por tudo o que aconteceu e pela falta de apoio e solução. 

17/18-05-2026

Elo

 Hoje vi que os coreanos têm uma palavra (jeong {:jung}) para definir a ligação que fica entre as pessoas mesmo quando já não há relação. Uma ligação que se formou numa época intensa em momentos com uma profunda conexão, de dor partilhada, por exemplo, ou um elo forte que se foi formando pela acumulação de vários momentos frequentes, constantes.

Pensei em como é isso que me fez dizer com certeza que mesmo que os anos passem, o sentimento ao reencontrar aquela pessoa está lá intacto. Talvez a pessoa já nem seja a mesma, tenha passado por algo que mudou muito, mas quem nós somos um com o outro, o que nos uniu, isso existiu e só se houver uma destruição por algum acontecimento anterior é que num reencontrar já não haverá o elo de ligação. 

Eu tenho pena de ter contribuído também para essa destruição num caso ou outro. Mas a verdade é que se a destruição do elo de facto ocorreu, é porque não era tão forte, verdadeiro e especial assim. Os anos confirmam nos poucos reencontros breves, mesmo em pessoas muito mudadas, se nos unimos na nossa essência, intimidade, vulnerabilidade, abertura e honestidade, então nada muda, porque isso tudo também se reencontra de novo. Não deve haver muitas pessoas com quem as pessoas consigam isso. O ideal seria nem terem de se reencontrar e assim confirmar isso, mas sim nunca terem se perdido um do outro. O que levou as pessoas a se distanciarem também é toda uma outra questão a ser vista. 

Mas afinal nada disto importa, quando só a morte é certa, não é verdade? 

domingo, maio 17, 2026

 Quando já nada resta, o resto de mim fica suspensa.

Os pombos

 Vê o que a Humanidade fez com os seus mais frágeis, com os seus animais, os seus pombos, com as suas crianças e os seus idosos. Todos eles usados e abandonados. 

sábado, maio 16, 2026

 Só agora me apercebi de que os dois mencionaram o mesmo livro/história. 😯🤔

Do Abandono

 Hoje vi alguém falar que ser abandonado é só quando nos abandonamos a nós próprios. Depois, mais tarde noutra ocasião, ainda ouvi alguém dizer que se devia continuar sempre a preocupar-se com o outro, mas sem nunca se abandonar. 

Lembro daquele pequeno milagre que foi um beija-flor vir perto da minha janela. Lembro dos melros lindos sempre a vir aqui perto também. Vi hoje algo sobre os pássaros serem vistos, nalgumas culturas, como espíritos dos antepassados que nos visitam para saber de nós e para dizerem que não estamos sós. 

Eu abandonei-me demasiado no passado, porque eu não era ninguém para mim e só existiam os outros que invariavelmente recorriam a mim para ser a melhor amiga, a confidente, a irmã, a prima, a filha, a sobrinha, sempre escolhida para fazer e ajudar em tudo. Que bonito que parece, mas não, sempre foi a pior das torturas para um cérebro hiperactivo e um corpo fragilizado e sobrecarregado. Eu abandonei-me porque eu nunca pude ter vida minha, querer meu, tendo de lutar demasiado a duras penas para conseguir momentaneamente algo apenas para me ser tirado brutalmente num instante. 

Eu abandonei-me quando confiei em alguém, a cada vez deixando-me na mão, indo embora sem grande razão. Eu abandonei-me quando me humilhei por acreditar num sentimento e numa ligação com alguém. E tu, alguma vez te sentiste abandonado por mim com inteira certeza de que eu não estava a pensar em ti? A cada segundo estava, numa luta para terminar o que tinha de ser. Quando alguém tem de crescer sozinho e eu já fiz o que podia para isso também, eu afasto-me, sempre foi assim. Mas quando ainda precisas de mim mesmo já não me querendo e com risco de me culpares, eu fico mesmo que a sofrer. Sim, eu disse que era um pouco como a Nanny McPhee. 

Eu nunca te abandonei. Não como tu me abandonaste e me fizeste abandonar-me a mim. 

Eu já não sou a criança com pouco mais de três anos abandonada com uma tigela de morangos em pleno terror e desespero. 

Dormência

 Ei, sabes quanto demora esta ausência?
Não sinto nada mais, pensei eu...
Instalou-se uma dormência 
Mas de repente apareceste tu 
E a minha barriga doeu de te ver
Levei um pouco um misto de susto
Com alguma dor e pena e amor
Como se fosse algo antigo
Como é antigo este meu sofrer

Estou ausente de mim desde sempre 
Até mesmo durante quando te conheci 
Estava eu dormente e desconectada
Pela dor em que estava enterrada
Mas contigo forcei-me presente
Porque era a última utilidade minha 
Antes de morrer unir as gentes
Para sobrevivermos à partida 

Eu não sei quanto passámos
Eu e tu tanto que foi duro já 
Estive em situações horríveis 
Não sei nada sobre as tuas
Mas parece que a dor é gémea
Sempre foi desde o início 
A tristeza que a gente leva
Como se vivêssemos no abismo

"Irmãos da mesma dor", lembro
Os meus pais fugiram de duas guerras 
Cada um deles, antes de se conhecerem
Mas isso nunca carreguei directamente 
E sim os traumas todos decorrentes
Talvez por isso a luta não acabe
E eu nunca pude descansar como quero
Talvez tu sejas quem traz essa paz
De sanar o mal antigo dessa dor
Que carrego entorpecida e incapaz 


O teu nome

 O teu nome está em todo o lado
Para onde me viro lá está ele
E é mais amor que a palavra amor
E é mais dor que a palavra dor

O teu nome é tão omnipresente 
Que chega a ser marca de queijo
Até de santidade e potestade
Não sai da boca para dizer outro

O teu nome é fino biscoito
Mas também duro como calhau
Trágico, herói, bandido, cowboy
Estás em todas as canções 

O teu nome é dito em chinês 
Inglês, certamente em portugueses
Mais ainda em Djavanês
Gestualmente e em braille

O teu nome é o teu pictograma 
Só tu tens o seu semblante 
Essa silhueta de cama
Esse galope de cavaleiro andante

O teu nome é minha sina
Desde a minha adolescência 
Desde que me lembro dele
Até o meu cabelo ficar platina 

sexta-feira, maio 15, 2026

 Eu dava tudo para te poder abraçar. Tu sabes, né?

Pelo que vivias tu?

 O que mais fizeste
Foi sofrer e sobreviver 
Sangrar até morrer
Não obedeceste
Tanto quanto devias
Para ver se menos sofrias
Do mal dos ditadores
Que te calharam bater
Não só no corpo
Mas no espírito 
E até na alma padecer

Por isso a necessidade 
Urgente, vital
De um momento 
Algo às vezes banal
Mas que te desse sossego
Que te lembrasse da beleza
De um mundo de amor
Inventado à força 
Para me agarrar e não parar
Totalmente 
De respirar

Tua voz meu trovão de vida
Atravessando-me perdida
Meu sopro único essencial 
Nada mais voltou ao normal 
Porque aquilo que tu procuravas
Deitar cá para fora no som
Nas palavras 
Era tudo o que eu queria ouvir
E precisava para acreditar 
Em magia 

Graças a quem te fez e constituiu
Pude ter a certeza de que ela existia
Tanto para o meu mal como bem
Sei que já ninguém lembra 
Dessa força que esse amor tem
Mas não há dor e luz maior acesa

(una rosa se engalana)


quinta-feira, maio 14, 2026

Essa é que é essa, Camus, toma e embrulha, fdx!

 Quanto perdes até te perderes completamente?
Que liberdade anseias se ela significar completa solidão? 
Mas atenção: 
Tu já perdeste tudo e nunca foste alguém 
Tu já na tua vida inteira não tens ninguém

chapéu 
já foste
azar

quarta-feira, maio 13, 2026

Os erros que eu cometi

 Os erros que eu cometi
Andam sempre atrás de mim:
Quem deixei que me beijasse 
Quem deixei que me abandonasse
Quem eu ajudei e não devia
Nos seus torpes intentos
E de quem eu nunca desconfiei
Mais ainda e pior que tudo
As pessoas que nunca larguei 
E que me destroem todos os dias 

Houvesse!

 Se houvesse algo
Que tu me mostrasses
De puro e bom
Sem qualquer mácula
Algo assim imaculado 

Se eu pudesse um dia
Ter-te encontrado

Não queria morrer
Sem ter um lar
Com paz e sossego 

Não te quis deixar 
Mas agi por erro
Sempre pensando em ti
Que te ia poupar 

Porque tu mereces
Tanto e tudo
O que tens de amor
De alegria e cuidado 
Que eu não te pude dar

Mas se eu pudesse...
Se tudo quisesse
Bem culminar 
Os sonhos longínquos
Podiam acordar

Houvesse esperança! 
Houvesse amar! 

Não consigo mais

 Desculpa.
Perdoa-me, por favor, se puderes.
Estou destroçada há anos com o que também te fiz passar e com as mortes das pessoas que eu tanto amava, como ainda mais recentemente os meus tios e a Yaya. Sei que não tenho grande solução na vida para a minha falta de condições. Já me dou por contente por ter conseguido um bocado de mais equilíbrio na mente. 
Obrigada. Só preciso de um lugar para descansar. 

terça-feira, maio 12, 2026

Lucidez

 Tive uma vez um delírio 
Produto das circunstâncias 
Extremo atrofio do tempo
De um pandemónio doente
E teve más consequências 

Mas logo as detectando
Pude começar a lutar 
Fiz tudo o que podia
Para a ilusão se acabar

E consegui terminar 
Toda a confusão que se fez
Dentro de mim outra vez
Quando alguém veio atear
Esse fogo antigo devastador 

Foi há uns anos já que acabou
Tudo o que o meu cérebro criou
Só para sobreviver à pandemia 
De um amor de todo o dia

E quando a ilusão breve se foi
Ficou a pena de errar tanto
Estragando o normal encanto
Da possibilidade da amizade

Hoje em dia depois de anos
A despedir-me de toda a gente 
E de somar tantos danos
Tanta coisa que ficou para trás 
E não voltará jamais
Pois morreram os desenganos

Confesso que dá saudade da alegria 
Que se fez sentir um dia
Quando o amor era só amor
E não tinha vindo ainda ventania
Mas ficou entre nós o sonho
Que já terminou no outro dia 

segunda-feira, maio 11, 2026

 Talvez eu tenha sido o Sexta-feira dos Robinsons Crusoés da vida. E apenas Godot para um só. 

 As coisas todas estão tão horríveis, sem parar, depois ainda mais do pesadelo da pandemia, que eu não sei quanto tempo eu vou aguentar. Tem sido tudo tão tenebroso e desesperador, sem ter para onde me virar, sem ter com quem contar, principalmente para as coisas práticas que é necessário.. Quando estamos sem luz no horizonte procuramos agarrar algo só para continuar. É aí que as dependências ressurgem, as velhas ilusões de amor, o afecto perdido e a necessidade de ter de novo aquela pessoa que era tudo para mim e que só o facto de poder estar perto dele já me dava um abrigo. Ajuda-me, por favor. Tu, que eras muito mais do que um amigo. 

 A "trança de Inês" não é a dele. Mas podia ser, não é?

Abandono

 Estar completamente sozinha em todos estes anos, fez-me ficar com uma dor muito profunda dentro de mim, como se o abandono e o desapoio tivessem cada vez mais proporções gigantes. 

Esta sensação tem estado pior nestes dias, depois destes últimos anos todos cheios de mortes. Agora mais ainda, com a morte repentina de alguém que era das únicas pessoas que sabia certas coisas sobre mim (e eu dela) e que partiu assim, sem poder se despedir de mim. 

Não foi também à toa que se deu aquele momento horrível no outro dia com a taça de morangos a levar-me para aquele estado, lembrando do trauma. 

Tu foste embora. Todos foram. Todos vão. Um dia eu irei também. Nunca tivemos hipótese. Eu pior. Esta dor nunca termina?


Tudo se acabou em mim
Como a luz quando vem a noite

domingo, maio 10, 2026

Meu Amor

 Não há dúvida no meu coração 
De que tu me amaste
E me deste o teu perdão 
Mesmo depois de eu
Nos ter tornado num desastre 
Do tamanho de Chernobyl 

Meu amor, ver-te como antes
Mesmo estando nós distantes 
Tu quase que me gritavas
Enquanto sussuravas
Me sinto só, me sinto teu
E eu acenava como dava

Perscruta tudo dentro 
No fundinho sem pensamento 
E diz-me se alguma vez duvidaste
Que esse grande amor único
Era só teu e meu
Mesmo quando me detestaste

sábado, maio 09, 2026

Demoníaco

 Talvez tu sejas o pior dos escroques da humanidade; falso, cruel, psicopata como não há igual.. Tens sempre um ar arrogante e olhas de lado a ver o que se está a passar e pōes-te a julgar do alto do teu pedestal de alabastro. Na verdade és completamente emplastro, de tal maneira que passas por coitado. Para ti o jogo nunca está acabado. Só quando tu queres, fartas-te e passas para o do lado sem olhar para trás. 

Tu não és um anjo caído, não, nada em ti foi realmente verdadeiro. Tu és um demónio perdido, como milhões de outros quase tão maus quanto tu. Para mim não vales nada, não valeste nada da primeira vez que te vi, lembro que até fiquei um bocadinho frustrada porque o teu nome supostamente prometia mais do que os outros. O teu último nome. O nome que quase ninguém te chama. 

Para mim és inominável. Assim como abominável. Insuportável mesmo. Como sempre foste. O teu odor é nojento. Deixa um rasto de morte lento. E não é sulfúrico nem enxofre. Embora sejas o enxofrado. Antes isso do que encornado. Ah, mas espera, isso também já foste e te tornaste. Ó diabo! Que fizeste tu para seres tão mal-amado?

 Querias deixar os lutos
As dezenas deles 
Com as suas desesperanças
Os seus desgostos
Mas eles correm atrás de mim
Fazem fila consecutivamente 
Lembram a presença do ausente 

sexta-feira, maio 08, 2026

 Em mim a mágoa aninhou-se
Como pássaro ferido fez ninho
O meu amor por ti acabou-se
Simplesmente não és meu amigo
Com essa imaturidade e crueldade
Mostraste-me que não és abrigo 
E agora que tudo se quebrou 
Esgotei as desculpas que te dava
Pois eu apenas me enganava 


Yaya

 pus isto de rajada no post com a Yaya a cantar um bocado da canção que ela fez e me pediu letra, a nossa valsinha Amada, tudo eu Faço :

.. entre tantas coisas, também eras a pessoa que eu mais adorava ouvir cantar a Balada do Louco e, por isso, vou como nessa música das favoritas nossas, ficar feliz (assim que conseguir, q ainda estou quebrada aqui com a notícia), porque cruzei contigo aqui e tivemos momentos muito bonitos de muito amor e fazia-te rir demasiado com as minhas doidices, minha também uma das "matriarcas das lives", naquele que foi dos períodos mais horríveis e que também tu ajudaste-me a salvar 🙏🏽✨💐💐💐 tu poupaste-me por saberes que eu já estava de luto nestes últimos anos consecutivamente e eu só fico muito triste e a sentir-me a pessoa mais incapaz do mundo por causa das minhas impossibilidades de estar com pessoas. Mas o que se deu entre nós enquanto pudemos já foi tudo para uma vida, ou mais, q continuo incrédula e abismada de pensar. Há uns 5 anos atrás, falei de como eu podia ir a qq momento, mas havíamos sempre de estar juntas, mas entretanto sou eu quem tenho perdido todo o mundo e ficado aqui sempre perdida. Eu trocava a minha vida por cada um, pois vcs têm filhos, vida, alegria, e eu nunca entendi por que raio vim para aqui, também exausta de sofrer um inferno diário. Tu, tal como o Magnus que nós perdemos, tb dizia e motivava a continuar; insistiam em dizer que eu já fazia e era muito mais do que pensava e nem tinha noção. Vocês ajudaram-me muito no processo de ter autoestima e tu, em particular, também transformaste-te e libertaste-te comigo, por isso também fico contente de pensar que ainda pudeste cumprir o que querias e ter força para realizar teus sonhos também por mim. Tiamo para sempre, como sabes ❤️ 

#lullabyyourselfintosleep #amadatudoeufaço #yayatiamoparasempre #💔🖤

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Quem é que me vai chamar de "moreca" agora, Yaya? 😅🤦🏽💔🖤

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Já aprendi mais coisas nestes dois dias: como as pessoas imaturas são cruéis, Yaya. Como as pessoas fazem de tudo para não se enfrentarem a si mesmas e aos seus lutos. Como há pessoas que simplesmente viraram robots. Como há pessoas que ainda sentem e que ainda se permitem sentir de coração aberto, muito raras essas.

Ainda não acredito que foste embora assim tão inesperadamente. Feito tonta, eu ainda estava a perguntar-me se chegaste a ir ver o Lucinho como te tinha avisado e disseste que compraste bilhete. Será que ainda deu para ires, pensei eu. Enfim, a minha cabeça continua a não querer acreditar e estou extremamente chateada de já não nos podermos contactar, mas espero que eu possa continuar também a ver-te e a ouvir a tua voz nas mensagens de áudio e nos vídeos onde cantas. 

Tu dizias que eu sempre sentia quando tu estavas mal e que isso era uma conexão divina, mas do que é que isso me valeu desta vez se tu foste embora assim e eu também nem consegui estar contigo? Que saudades, Yaya. 💔💔💔💔😭😭😭😭🖤


PS: bolas, vi dps q a data é 8 e 9, por isso se compraste é mais uma tristeza que se carrega por não poderes ir.. 

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mddc Yaya, hj já é dia 9 e a cada dia que passa fico mais enraivecida com a hipocrisia das pessoas. Juro que apetece ir lá e gritar HIPÓCRITAS DE M*RDA, mas depois claro que sei que é a raiva do que te aconteceu que devo estar a direccionar, embora tenha direcção de facto correcta e justificada na morada e endereço de certas pessoas. Pessoas todas sentem de forma diferente, sei, mas pelamordedeus, que porcaria de seres humanos Yaya que são tão falsos e nojentos. Pior que também são pessoas que nós amamos, né? Ias falar mais dessas coisas, mas não deu. Estava a pensar em como isto de as pessoas contarem-me aquilo que não falam com ninguém e segredos mesmo, depois sobra sempre para mim na minha consciência desde pequenina. Os adultos são todos totós afffeee Yaya 😅 Tenho saudades tuas. Ontem apercebi-me, ou foi hj, já nem sei, até porque as madrugadas dadas as circunstâncias ficaram ainda mais esquisitas, enfim, só para dizer que em toda a minha vida nunca me tinha permitido sofrer um luto tão inteiramente e honesta como mesmo a sentir tudo o que tenho de sentir de dor e chorá-la, quanto contigo. Dá para ver como toda a minha mudança e crescimento, com os processos terapêuticos todos que me apetrecharam bem, me fizeram enfrentar tudo sem escapar, distração, ou hiperfunção, e sabendo que assim fica-se melhor e pode-se sair pelo outro lado do furacão. Falando nisso, tempestade aqui tá forte, mesmo quando parou a ventania e chuva, deu trovoada tão gigante e forte, q sei lá o quê. 

Já senti que estás a ir. Ainda bem. Sê livre completamente agora 🙌🏽😘😘fica bem e até à próxima ❤️

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Yaya, Yaya, como é engraçado... Cada um vê no outro o que quer e o que o outro lhe parece mostrar. Comigo toda a gente que é vista como alegre, luminosa, divertida, é sempre muito triste, muito insegura, muito aberta ao sentir e ser frágil, é introspectivo e nem sou eu que peço nada de ninguém, daí talvez não actuarem como a tpdo o minuto para os outros e poderem ser eles mesmos.

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Olá, Yaya, é madruga do dia 27. Vim escrever-te aqui de novo porque estava outra vez a pensar em contar-te o que aconteceu entretanto: como fui ficando cada vez pior, mais em desespero e desesperança, com esta vida tenebrosa e com tudo o que se tem passado ultimamente a piorar as coisas. Mas também vinha te contar em como me lembrei tanto de ti de dizeres que achavas impressionante como eu sentia sempre quando alguém estava mal. Mais uma vez deu-se algo parecido. Sonhei com o meu primeiro grande amor e depois soube que ele perdeu o pai há dois meses e a mãe tinha tido um enfarte há uma semana e meia e saía hoje do hospital. Foi bom eu ter cedido à pressão dos meus sentidos e ter-lhe dado um toque mesmo depois de tanto tempo. Antes disso, nesses dias também a minha prima ligou quando teve problemas com o carro e estava precisamente em Tires e no carro tocou no rádio a música The Scientist que me liga a um momento com ele em que ele ofereceu o CD e pôs essa. Mais uma pessoa que só comunicava por letras de canções, mesmo não sendo músico. Acho que também por isso eu ficava sempre na dúvida depois nos outros dois casos, como sabes. Agora estava a pensar que afinal já tive pessoas a terminar comigo por canção, que traumas, apesar de algumas serem muitíssimo bonitas. A minha cunhada também perdeu o padrasto mesmo no dia que o irmão fez 40 anos. Infelizmente não parou em ti a mortandade neste mês mau. O calor extremo também está a ser perigoso, faz sempre muito mal ao meu sangue e todo o corpo, e ainda não é Verão. Eu e esse primeiro amor do final da adolescência continuamos dois deprimidos a querer que a morte não demore, embora ele tinha dito que os gatos dele são a única coisa que impedem de ele pensar mais em matar-se.  Enfim, Yaya, como toda a gente, nós só queríamos que o sofrimento acabasse e como não temos mais esperanças de nada bom e sim tudo piora com o tempo, é normal sentirmo-nos assim. Eu ainda estou muito à flor da pele, lacrimejei logo quando ele contou do pai. Ai Yaya, a vida além de ser macabra, também é muito inesperada toda a hora. Ontem também consegui finalmente ver a mams Lis numa ligação rápida, que no fim tb eu já estava a lacrimejar. Falámos sobre ti e como é difícil e tão chocante que foi. Ah Yaya, eu queria ter-te podido salvar. Desculpa. 💔

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7 Junho 

Oi, Yaya, pensei que não te escreveria mais aqui, mas tive mesmo de vir te escrever, porque já passou um mês que eu soube da tua partida súbita e tudo piotou tanto depois também. Pensei em como sinto falta de ti e de como tu dabendo do mal que me faziam passar todos os dias, havias de me desejar o melhor e rezar por mim. Por estar de luto eu não andava a dizer quase nada e agora contigo é ainda maior o meu silêncio, embora hoje tenha contado a uma pessoa um bocadinho do inferno que estou a passar aqui por causa da pessoa que me destruiu a vida toda sempre. 

Yaya, saudades, tiamoparasempre, confesso que não estou longe de qualquer dia destes decidir ir também para o reino do céus encontrar-te. Ninguém que era suposto gostar de mim e proteger-me está aqui para mim, já cagaram para mim a vida toda e inclusivamente já foram motivo para eu querer morrer pelos maus tratos e desprezo que me fizeram. Nem acredito que já vou perfazer 45 anos e continuo sem solução presa a pessoas que só me fizeram ficar mal de saúde e desistir de todas as coisas boas que me surgiam. Eu sempre tão doente e tão sozinha e desapoiada e ainda por cima, enfim, nem quero mais falar sobre isso a encher-te os ouvidos com coisas que nunca te contei quando estavas neste plano, não é agora que te vou chatear também, né, minha mais-que-querida eterna? Descansa em paz e diverte-te, já sei que estás por aí luminosa e solta 😊💓🙏🏽

segunda-feira, maio 04, 2026

Processos terapêuticos e tal


Questionamentos e realidade

Hiperconsciência, sobredotação 

Tragédias consecutivas

Doenças autoimunes 

Chi-kong, Tai-chi

Angústia existencial 

Esgotamento mental

Síndrome de Stress pós-traumático complexo

Pânico, pensamentos intrusivos, ideação mortal

Auto-ostracização

Pino Mental

Psicoterapia 

Autoconhecimento 

Desconstrução do Ego

Despersonalização 

Terapia de Exposição 

Cristaloterapia

Meditação 

Cura da Criança Interior 

Enfrentamento de Traumas 

Transmutação 

Auto-estima 

Merecimento, Permissão 

Trabalho de Sombra

Fluxo, sincronia, pertencimento ao todo

Ligar ao tempo

Ilusão 

Inteireza, Presença

Trabalho de Respiração 

Luto, tristeza, dor, desesperança

Desamor, desapoio

Luta contra dependência emocional 

Apego evitativo

Isolamento total 

Ultrapassar mentalidade de escassez

Almejar Equilíbrio sempre

Perimenopausa















domingo, maio 03, 2026

Aceno enquanto partes

 Foste finalmente embora 
Despediste-te?
Quantas vezes antes?
Sentimos alívio 
Imediatamente 
Depois eu quebrei
A dor instalou-se
A tristeza tomou conta 
Depois desvaneceu-se
Até volta e meia se intensificar
Tirando tudo do lugar 
Outra vez
"É sorrir e acenar, meus caros 
É sorrir e acenar"

sábado, maio 02, 2026

Pulsar

 Já não oiço essa onda de rádio 
Meus receptores estão em baixo 
Acabou a sintonia e o fogacho
De um instante de sincronia
E a transmissão do gáudio 

Nesse território de elevações 
Nessa faixa de contradições 
A melancolia é desmedida
Não há alegria ou paixões 

Sinal morto sem quaisquer picos 
Que ainda pudessem esperançar
Foi quando se foi a confiança 
E qualquer ilusão ao ar

Não há período de duração 
Não há milésimos de segundos 
Só um sistema em franganicos
E um sonar num avião 

Tempestades electromagnéticas
Não penetram o nosso metal
Mas tudo abalam para parte incerta
Do início do ano até ao Natal

E eu que só te queria a ti
Um pulsar para vivermos
Ressuscitarmos e regenerarmos
Não me tenho mais em mim


 Pensar que um dia quando eu morrer todas estas coisas estúpidas escritas ficarão aqui.. 


(🤣🤣🤣🤣)

Uma tragicomédia romântica

 Sei que para ti sou indiferente, ou apenas não gostas de mim, detestas-me (se alguma vez lembrasses de mim), pelo trauma, por toda a mágoa e atrofio causados. Eu também um bocado, pelo trauma e a dor que passei (ainda passo, está alojada em mim nos cacos do coração), mas prefiro da maioria das vezes quando penso numa versão que é uma ilusão de nós nos termos amado e amarmo-nos e perdoarmo-nos como nas dezenas de comédias românticas que já vi, em que apesar dos erros e equívocos, o amor fala sempre mais forte e ninguém consegue perder a oportunidade de estar com a pessoa amada, de tentar uma última vez, completamente vulneráveis a pedir perdão, e por uma chance de não ficarmos sem a pessoa que realmente amamos. Muitas vezes nesses enredos também é uma paixão integrada num novo local, com novas pessoas, que rapidamente se fazem nos sentir como casa. Nalguns há dois "pretendentes", geralmente de personalidades opostas (pergunto-me se o meu avô e o irmão dele também eram assim 🤔 provavelmente eram), muitas vezes um é o mais certinho e o outro mais problemático. 

Coitada da minha avó..

 "O amor para tentar sobreviver foi um fracasso, ou talvez não."