sábado, maio 02, 2026

Pulsar

 Já não oiço essa onda de rádio 
Meus receptores estão em baixo 
Acabou a sintonia e o fogacho
De um instante de sincronia
E a transmissão do gáudio 

Nesse território de elevações 
Nessa faixa de contradições 
A melancolia é desmedida
Não há alegria ou paixões 

Sinal morto sem quaisquer picos 
Que ainda pudessem esperançar
Foi quando se foi a confiança 
E qualquer ilusão ao ar

Não há período de duração 
Não há milésimos de segundos 
Só um sistema em franganicos
E um sonar num avião 

Tempestades electromagnéticas
Não penetram o nosso metal
Mas tudo abalam para parte incerta
Do início do ano até ao Natal

E eu que só te queria a ti
Um pulsar para vivermos
Ressuscitarmos e regenerarmos
Não me tenho mais em mim


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