Ei, sabes quanto demora esta ausência?
Não sinto nada mais, pensei eu...
Instalou-se uma dormência
Mas de repente apareceste tu
E a minha barriga doeu de te ver
Levei um pouco um misto de susto
Com alguma dor e pena e amor
Como se fosse algo antigo
Como é antigo este meu sofrer
Estou ausente de mim desde sempre
Até mesmo durante quando te conheci
Estava eu dormente e desconectada
Pela dor em que estava enterrada
Mas contigo forcei-me presente
Porque era a última utilidade minha
Antes de morrer unir as gentes
Para sobrevivermos à partida
Eu não sei quanto passámos
Eu e tu tanto que foi duro já
Estive em situações horríveis
Não sei nada sobre as tuas
Mas parece que a dor é gémea
Sempre foi desde o início
A tristeza que a gente leva
Como se vivêssemos no abismo
"Irmãos da mesma dor", lembro
Os meus pais fugiram de duas guerras
Cada um deles, antes de se conhecerem
Mas isso nunca carreguei directamente
E sim os traumas todos decorrentes
Talvez por isso a luta não acabe
E eu nunca pude descansar como quero
Talvez tu sejas quem traz essa paz
De sanar o mal antigo dessa dor
Que carrego entorpecida e incapaz
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