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domingo, agosto 16, 2026

A última vez que vimos Paris

 Eu nunca vi Paris. Senão como nos últimos anos nas aguarelas do Alex Hill, ou há pouco tempo na série Cat's Eyes ou na Emily in Paris, ou em filmes como A última vez que vimos Paris ou tantos outros. 

quinta-feira, agosto 13, 2026

 Hoje quando lembro em ti
Fujo rápido do pensamento 
Porque ter pedido ao vento 
Que levasse o teu nome
Não funcionou até hoje 

A Ferida e a Cicatriz

 Há que se honrar o que se sentiu
E a própria pessoa que se perdeu
Dentro de nós todo o sentimento 
E todas as memórias e aprendizados
Como se da ferida fazer cicatrizes 
Que são a forma de carregarmos
Tudo o que das pessoas aprendemos

E honrá-las é lembrar delas 
Com o amor que tivemos 
E pensar em caminhar juntos 
Com a presença que escolhemos
Vivendo felizes por tê-los dentro 

sexta-feira, agosto 07, 2026

Noite

 A madrugada beijou a aurora
Tomou-a em seus braços 
Ainda quis uns amassos 
Mas a aurora presa no agora 
Surpresa pela inusitada situação 
Inesperada tensão e confusão 
Ainda relembrou o puro amor
De que pensava estar melhor 
E sentiu a culpa emergir

O dia ainda iria raiar
Mas tendo perdido o grande amor
A noite suassuna nunca ia chegar 

quinta-feira, agosto 06, 2026

 As pessoas viajam
Vão á praia 
Eu queria tanto
Mas caio em desgraça 
Fico aqui fechada 
No meu quarto abandonada 
Com tosse e meio febril
Ora mordida ora dorida
Ora chorosa ora esvaziada 

quarta-feira, agosto 05, 2026

Ajudar

 Não é muito complicado
A ajudar só és "obrigado"
Quando sentes que podes
Corresponder ao pedido 
Que alguém fez em perigo

De resto há outro gesto
Que deves fazer ao perceber 
Perguntar se é preciso
Ajuda naquele momento 
Ou noutro qualquer 
Pois tens esse sentimento 
Do teu humano carácter 

E conforme a resposta 
E as tuas possibilidades 
Faz o bem sem veres a quem
E sem alardear para ninguém 
Pois foi simples pura vontade 

terça-feira, agosto 04, 2026

Roupa

 Roupa cobre o corpo
mas veste a alma

o estilo dela era só dela
o olhar era de ninguém 

fosse uma camisa amarela 
fosse para a rua sem

E disfarce meio gasto
Personagem sem fim
Uma vez deu cabo de mim

Encerram recordações 
Umas meias ou uns calções 

Uma roupa não é roupa 
É atalho para corações 

E a expressão do que tentas
Não vale de muito
Mas se for para um espectáculo 
Aí é tudo o que precisas 

As interpretações lentas
São lentes de pré-conceitos
E eu não passo a roupa 
Gosto à italiana cheia de jeitos 

Alguns viram-me assim
Outras viram-me assado
Eu sou arte e visão 
Todos me passam ao lado

sexta-feira, julho 31, 2026

O que faz um homem maior? (Como o Glen Hansard)

 A sua capacidade de ser maior do que ele, dando-se aberta e livremente às pessoas, com uma genuinidade e carinho desmedidos. Ele deixa um rasto de ternura e bonitas histórias, pois ele é vida e sentimento puro. Ele tem uma humildade e uma verdade que raras pessoas têm. Não faz nada usando e descartando as pessoas, não as manipula, não é frio nem distante com elas. Todo ele é amor e compaixão. Todo ele é claridade e coração. Ele entende o valor da vida e como ela é tão frágil e passageira, assolada por dificuldades e sofrimento. Ele sabe que só o amor vale a pena. Ele é o sol que irradia e a gargalhada que contagia, todos, mas ele é também quem é abrigo quando há perigo ou temos de chorar. Presta atenção, repara nas pequenas coisas, tira tempo para respirar e viver, cultiva a beleza e a arte. Homenageia e agradece. Viaja, conhece destinos, partilha mil momentos, vibra junto de "desconhecidos", aumenta todo o universo da tua linguagem e conhece melhor tudo sabendo da sua impossibilidade de compreensão. Entranha-te, intrusa-te, acontece, abraça forte e largamente, amplia os laços, espalha as experiências e vivências e as epifanias. Pinta, escreve, canta. Bebe uma cerveja artesanal. Esgoela-te por uma boa causa. Corre, luta, morre, sê total, sem nunca ser brutal! 


Tu nunca partiste

 Cada meu respirar
Sou eu a te aguardar
É o compasso da espera
Marcado por um pulsar
Do amor que nunca partiu

Tu nunca foste embora 
Não há porta para fechar
Tu és o amor mais puro
Aquele que chega inteiro
E não parte para outro lugar 

segunda-feira, julho 27, 2026

Escondemos o amor

 "Ontem" foi um lugar bonito
Onde escondemos  o amor 
Ficou tão bem escondido 
Esquecemos onde fomos pôr 
Mas continua tudo aflito 
Lá por dentro a nos remoer
Que o amor quando é grande
Dói por demais a valer
E a gente encolhe os ombros 
Diz que não há nada a fazer
E que é melhor deixar para lá 
Guarda a sete chaves no baú
Chegamos até a maldizer
Que não é amor tanto sofrer
Mas sabemos bem por detrás 
Amor maior no coração não jaz
Mas sabemos 

quinta-feira, julho 23, 2026

 Costumava ter samba no coração 
Apesar de ter mais alma de fadista
Mas até em momentos virei lampião 
Imagine-se só, se calhar sou artista! 

quarta-feira, julho 22, 2026

O tempo presente

 Viver o tempo presente 
É o que faz mais sentido 
Mesmo quando a tua mente
Procura no passado um abrigo 

E o tempo presente é amigo
Porque é teu confidente
Traz o passado e o futuro 
Quando ele é duro e inimigo

O afago de uma memória 
A esperança para outrora
Sim é tudo a tua história 
Quando nasce cada aurora

Não há o que perdoar mais
Tudo recomeça todo o dia
Faz as necessárias pazes com alegria
Passado, presente e futuro são totais

terça-feira, julho 21, 2026

E ficas na dúvida

 Ando a perder minutos 

Mais de dez, um salto

Talvez quântico?

Não, não sou tão atlântico 

Agora és tu quem fica na dúvida 

Será que significa a música?

sexta-feira, julho 17, 2026

Suspirando

 Estamos perdidos num labirinto 
que criámos nós mesmos 
e suspiramos fundo
demasiadas vezes ultimamente 
damos por nós alheados
não olhando o céu sequer
nem o infinito no horizonte 
apenas cabisbaixo 
meio inclinados 
cabeça desistindo do mundo
e quando suspiramos levantamos
num só segundo a cara para o ar

Vejo-te hoje e ontem 
não amanhã 
não penso muito nisso 
só de vez em quando 
quando tudo parece desesperador

Lembro agora como gostavas
do cabelo liso de seda chinesa
e por isso casaste com ela
e depois nasci eu enrolada 
com caracóis como tu
o nosso cabelo preto
a minha vida negra

Talvez perder um irmão 
seja algo muito confuso mesmo
e pensemos que podíamos ter sido nós 
e fica tudo muito inacreditável 
e inconcebível e atroz
de pensar que ele morreu 

Não sei porque vos confundo 
mas talvez seja porque neste mundo 
não houve mais ninguém 
que eu amasse tanto assim
como a vocês os dois 
com os vossos caracóis 
nos nossos cabelos 

quarta-feira, julho 15, 2026

Névoa mental - teste

Yaya Consigo ouvir 
tão nítido o teu "ah, tá, moreca"
Este troço de insta não tem piada
Quem é q vou avisar agora 
quando a Teresa Cristina 
fizer live do vosso rei?

Joaquim Tó Tonho
Pereira de Oliveira 
Oliveira de Pereira 
Pedro de Oliveira 
Gonzalez 
O retrato
Tio tios tantos mortos
tudo absorto
vinho uísque limoncello
como tudo era belo
só que não 

o cérebro em ebulição 
descava os traumas 
pára depois dá o pino mental 
apaga
fica normal?

doces 
salgados
vocês dois meus namorados 
um dia hão-de amadurecer 
por enquanto ficamos separados 
mas estou contente a valer
os meus dois namorados 
prontos-a-comer

monge hare krishna
o meu beatle favorito
primeiro o Paul
Depois foi breve o Ringo
Depois Lennon comigo 
E o George é o tal
Como o Oliveira era
Uma grande pessoa 
Mas tratou-me mal

Esta foi não só 
uma névoa mental 
como uma verborreia anormal 
E a J. ascenderá.
Eu só estremunhada

(uma loiça, uma taça
não é cleptomania 
quando se usa 
é necessária utilidade)

Névoa mental - exercício 1

 Era uma vez um parvalhão
e um parvalhoco
O parvalhão era um tordo
e o parvalhoco tinha cara de choco
Os dois eram praticamente iguais 
Embora diferentes para os demais 

Um tinha a mania de ser lúdico 
O outro de ser cuidadoso 
Com as suas aparências
Mas o outro é que era estiloso
Porque já o outro era sedutor

Um era encantador 
Outro era de um sex appeal inacto
Um era doutor e de carisma nato
Outro era pastor e de pé chato

O parvalhoco tinha uma parvinha
E o parvalhão uma cretina
Todos viveram felizes para sempre 
Com uma platinada madrinha 

terça-feira, julho 14, 2026

O amor sem nome

 O meu amor tem tudo menos nome. Ainda, isto é. 
Um rapaz trovador podia ser o meu amor, mas ele não me ama.
Há um que tem um sorriso sincero que se estende a fazer covinhas no rosto, mas não como o Heath Ledger a fazer de Joker. É mais o Brandon Lee n"O Corvo. O cabelo dele também é grande assim, o suficiente para eu passar os meus dedos por ele, como quando o B. disse para eu secar-lhe o cabelo ou como quando cortei o do L. 
Amar um homem nunca lhe é suficiente para ficar e ser o meu amor. São todos demasiado jovens ainda. Têm de amar outras para aprender e desaprender o amor, até entenderem o que é o amor infinito. Esse que lhe tenho e ele diz ser maldito.
Os três rapazes que mais amei foram coincidentemente quem em determinados momentos escreveram poesia, mas não se considerando poetas. Por isso, sim, naturalmente o meu amor tem poesia dentro de si, como livros de Neruda e Vinícius na estante. Mas eu preciso que ele tenha entendimento de alma e seja honesto, real, como Dostoiévski. 
Esse meu amor sem nome, ainda, tem morada. Eu sinto saudades dele hoje, pela já longa, como sempre, madrugada. 
Ter de desistir do amor desde já há tantos anos fez-me ficar com segredos doridos a fermentar no coração. O nome dele é um deles. Só há um que poderia ser o escolhido. 


(geralmente escrevo logo de rajada, mas este texto ficou estes dois dias a marinar e de facto só agora se entende)

segunda-feira, julho 13, 2026

O que eu escrevo aqui

 Muitas vezes escrevo aqui as coisas de outras pessoas, ou como se fosse sobre elas. Mas eu não sei de onde essas coisas vêem. A maior parte das vezes baixa aqui tudo em rajada como se entrasse numa espécie de efusão palavrosa urgente que alguém tinha entupida na garganta e calhou-me a mim tirar. Por isso não é nada do que parece ser sobre mim, a maioria dos textos são pura poesia que jorra para aqui vinda de um lugar misterioso que até hoje ninguém soube nomear, senão aproximadamente de "inspiração". Essa onda que vem e se abate na minha cabeça e muitas vezes vem sim do meu coração, chega de repente e de rompante. 

(Hj foi o concerto do Gabs no Tranquilo, showcase de abertura para outra banda, mas eu já queria há tantos anos isso para ele que fiquei extremamente feliz por ele; lembro que até tive de me segurar para não ir dar a dica ao mano Heitor qd vi q ele tava ligado. Isto agora lembrei porque falando de poesia e inspiração, veio à cabeça o que esse meu querido poeta excelente havia de pensar sobre essas coisas. Parte de mim esperava que além de ele ser discípulo de q "a poesia é um inutensílio", não me fosse tb como R. e outros negacionistas da inspiração. Logo ele que teve como musa a J. e escreveu tão belas canções qd estava com ela. Lá está, o amor é a maior fonte de inspiração. Eu gostava de ter sido inspiração para alguém nalgo de eterno bonito e respeitoso amor. Mas já tenho de me dar por feliz por ter sido musa de pessoas brevemente.)

sexta-feira, julho 10, 2026

 Só uma vez me olhaste
E linda me achaste 
Mas não valeu de nada
Fui na mesma abandonada 

E passei dias à espera 
Que um dia me passasse
Toda a aflição que era
Se eu por ti esperasse

Foi assim que se sucedeu 
O meu coração era teu
Sem eu ter entendido 
Quanto ele estava perdido 

terça-feira, julho 07, 2026

Objectivo Felicidade

 Inventei de fazer um café com flor de laranjeira 
Lembrei de ti
O café já tinha antes aroma de chocolate 
Fiz umas bolachas de banana cacau manteiga de amendoim e mais uns pózinhos 
Ligou muito bem com o café 

Acho que roçou o objectivo 
Mas sempre me faltas tu