Nada do que escrevi ou desenhei diz-me algo agora. Já nada significa alguma coisa.
quarta-feira, agosto 12, 2026
sexta-feira, julho 24, 2026
sexta-feira, julho 17, 2026
Suspirando
sexta-feira, julho 03, 2026
E agora o que sobrou?
Desde que eu tivesse capacidade de enxergar e apreciar a beleza
Desde que eu te tivesse
Desde que eu sentisse o amor dentro
Desde que pudesse ver o pôr-do-sol
Desde que eu tivesse paz
Desde que eu tivesse claridade
Desde que eu tivesse alguém
Desde que eu tivesse esperança
Desde que eu tivesse condições
Desde que eu não tivesse complicações
Desde que eu não estivesse desfalcada
Desde que eu não estivesse desabrigada
Desde que eu não me sentisse magoada
Desde que eu tivesse força para superar
Desde que eu conseguisse sobreviver
Desde que eu conseguisse relevar
Desde que eu conseguisse tolerar
Desde que eu conseguisse nãoe afectar
Desde que eu pudesse escrever
Desde que eu pudesse pensar
terça-feira, junho 30, 2026
segunda-feira, junho 29, 2026
Alumbramento
quarta-feira, maio 13, 2026
Os erros que eu cometi
sábado, maio 09, 2026
Demoníaco
Talvez tu sejas o pior dos escroques da humanidade; falso, cruel, psicopata como não há igual.. Tens sempre um ar arrogante e olhas de lado a ver o que se está a passar e pōes-te a julgar do alto do teu pedestal de alabastro. Na verdade és completamente emplastro, de tal maneira que passas por coitado. Para ti o jogo nunca está acabado. Só quando tu queres, fartas-te e passas para o do lado sem olhar para trás.
Tu não és um anjo caído, não, nada em ti foi realmente verdadeiro. Tu és um demónio perdido, como milhões de outros quase tão maus quanto tu. Para mim não vales nada, não valeste nada da primeira vez que te vi, lembro que até fiquei um bocadinho frustrada porque o teu nome supostamente prometia mais do que os outros. O teu último nome. O nome que quase ninguém te chama.
Para mim és inominável. Assim como abominável. Insuportável mesmo. Como sempre foste. O teu odor é nojento. Deixa um rasto de morte lento. E não é sulfúrico nem enxofre. Embora sejas o enxofrado. Antes isso do que encornado. Ah, mas espera, isso também já foste e te tornaste. Ó diabo! Que fizeste tu para seres tão mal-amado?
quarta-feira, abril 29, 2026
Um coração partido demora a voltar a bater, se bater sequer
Afinal quando me partiste o coração e eu demorei anos a sentir que ele batia, foi só para mo partirem de novo, mas isso eu já não te expliquei, porque sei que não tem nada a ver contigo e descobrir que não há ninguém que eu pudesse amar sem sentir o perigo da violência de um homem faz-me ao menos ter a certeza de que no fim das contas foi bom não ter de passar por mais isso. A violência que sempre sofri desde que vim para este mundo já me basta. Falas de como tudo é violência e sexo, mas quando te digo que eu não pertenço a este mundo e que por nada disso eu me interesso, já nem sequer escutas, porque já não me conheces.
O que eu não te contei é que depois de ti, anos depois, de novo me apaixonei e desta vez amei como nunca tinha amado ninguém, tendo deveras enlouquecido, porque depois ele mostrou e disse que nem sequer existia como eu havia sentido. Todo o amor de que alguma vez fui capaz por toda a gente em toda a minha vida, foi todo transferido. Todos falam como sempre me preocupei e cuidei, mas hoje em dia, já há alguns anos, não sou mais assim, acabou tudo em mim e a tristeza habita-me de tal modo que nunca mais fui capaz de sorrir de paixão, senão uma vez ou outra ao lembrar alguma cena desse último devaneante amor. Apaixonei-me sempre por quem eles foram em pequenos, com a sua ternura, candura, determinação e inocência. Mas ninguém se mantém puro de sentimentos e se torna equilibrado e sem violência.
Duas vezes eu ouvi o som do coração a partir-se. Da terceira vez não ouvi sequer, talvez porque eu nem sabia então que ele era o grande e único verdadeiro amor da minha vida, ou talvez porque tal como ele disse era tudo da minha cabeça viciada por ele e nem existia.
Um dia, quiçá , eu ainda vou poder contar-te que encontrei uma pessoa decente e que depois de tanto tempo finalmente vale a pena voltar a ceder e amar. Porque mesmo que eu continue sozinha como nestes 13 anos, eu agora sei de quem eu realmente preciso e a quem realmente me entregaria de novo confiando, mesmo que haja grande improbabilidade de haver alguém assim. De qualquer modo, a minha vida sempre foi uma desgraça e o tempo também já provou que afinal nada passa tanto assim quanto eu precisava mesmo para mim.
quarta-feira, abril 15, 2026
Outra fase do luto
quinta-feira, abril 09, 2026
Chorando
segunda-feira, abril 06, 2026
Os contos de fadas que contamos a nós mesmos
Hoje não resisti ao Big Fish na tv. Lembrei como já foi o meu filme favorito num tempo e a favorita cena das pipocas, claro. Eu sei que vivi uma vida inteira a tentar sobreviver neste inferno diário através dessa fantasia que a arte proporciona, de nos dar esperança, de nos fazer acreditar que há coisas boas e bonitas para viver, mesmo que seja só por simulacro através dos filmes, músicas, livros, quadros, etc. É impressionante como além das ficções e das fantasia, também fui gostar de documentários e coisas de época. No fundo, tudo coisas de fôlego, profundas, que fazem reflectir e imaginar. Como a minha vida se tornou num nó insolúvel desde muito cedo, a minha forma de tentar deslindá-lo e escapar ao terror que me era imposto todos os dias, foi, sem eu me aperceber muito disso, refugiar me nessas artes todas. Desenvolvi alguns mecanismos de sobrevivência por causa dos traumas todos. Só nestes últimos anos bizarros é que me fui aperceber disso e identificar melhor o que se passava comigo aquando de certos comportamentos. Há quem passe a vida toda sem ver essas coisas em si, sem ter consciência nem sequer começar a analisar-se. Pessoas que não se conhecem, que nunca encetaram processos de autoconhecimento. Em vez, contam-se a história mais apropriada sobre si mesmos conforme dá jeito para a ocasião. Ao menos, eu sei de quase tudo o que fui de mau e de bom, sei que também tive muitos momentos de querer escapar deste mundo, mas limitei-me a aprofundar-me nele com as artes. Aos poucos, com o avanço da idade, foi-me dissolvida a maioria dos contos de fadas e depois de tudo me ter sido tirado e eu mil vezes abandonada sem quase nada, só um conto deve ter ainda sobrado. Muito lá no fundo enterrado.
quinta-feira, março 12, 2026
mais um daqueles pensamentos
A vida é uma coisa muito difícil para a maioria das pessoas.
Tenta-se levar em frente, fazer o que se pode, mas há pessoas que estão fadadas a ter todas as suas oportunidades goradas.
Ultimamente olho para trás, para ver se alguma vez houve uma chance, mas chego sempre à mesma conclusão: não houve e nós não fazemos "ses", não é?
Por causa da malograda saúde, estar há mais de uma década sem poder trabalhar fora, mais de duas décadas sem poder viajar, anos sem poder estar com pessoas à-vontade, e todos os pesadelos enfrentados desde a pandemia, mais uma vida inteira de traumas, faz-me pensar em como abraçar ser artista tem sido mais um murro em ponta de faca.