Um deslumbre sôfrego
Como num quadro de Rothko
Quando a sensação perpassa
Deixa sem fôlego
Por um segundo inteiro
E não há chiaroscuro que me valha
Agora nesta hora sombria
De tanto vazio, pesar e melancolia
Procuro mas não acho
Ainda
Bebo um sumo, trago a trago
Vizualizo algo
Tranquilo
E lentamente absorvo
Qualquer coisa que seja algo
Que me estenda a mão
Directa ao coração
Como quem ressuscita
Não com boca à respiração
Mas um aperto sincopado
De uma massagem remediada
De uma ajuda involuntária
Os dedos que tocam
E sentem alguma pele arrepiar
As pestanas dos olhos
Protegem o nosso olhar
Goteja fraco e forte
Como os retratos da Fraga
Era uma vez essa história acabada
Num flash de imagem guardada
Que delírio imagético foi esse
Que te fez perder a objectiva
Olhando para todo o lado
E não sentindo nada
Voltaste ao mesmo fado
Toca de novo essa guitarra
Perfaz o teu curto dedilhado
Dá asas a essa tua pancada
Não é à toa que goste sempre
A pessoa mais deslumbrafa
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