O poeta é um arranjador de palavras; maestro máximo do pensamento e da contemplação, ele conduz o maravilhamento com a caneta com que escreve.
Apenas é verdadeiramente poeta, não quem escreve poesia ou di-la, mas que a vive, quem é a própria poesia em si.
Eu fui a poeta que ninguém viu, o poema que ninguém leu, a palavra que era só uma imagem e um som na cabeça de alguém.
Não tentei escrever o belo, recuperá-lo nas minhas frases.
Caminhei desesperançada, tendo dificuldades e conflitos em lidar com o sombreado, não gosto do barulho e aflige-me a multidão. Cada vez que chorei, "chovei" para lavar o ar que estava tão carregado de mágoas. Também eu sou apenas uma desempregada do meu destino, uma desalmada da minha alma gémea, desirmanada, desfilhada, habitando o silêncio com as patinhas do melro que canta na minha janela. Tenho de descobrir o nome dessa árvore que está aqui e que faz insistentes flores amarelas.
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