terça-feira, junho 09, 2026

Ela não soube de nada

 No instante da sede o mar apareceu
E ela amou-o como se nunca fosse amar
Depois na escuridão uma nuvem veio
Branca gigante e solícita de rompante
E ela nada entendeu

Talvez não houvesse mais nada para dar

E tudo nela há muito feneceu
Embora tudo eles ressuscitaram
Com sopros e estórias e sorrisos 
Fazendo-se dela melhores amigos 

Acontece que afinal os homens 
É que são ardilosos quando caçam
Fazem crer que a caça é de raça
E só mostram que a querem comer

Ela lamentou os factos da vida
Chorou à despedida 
Nunca mais se levantou 

Tudo o que viveu de trágico 
E até hoje a feria
Nenhum deles foi mágico e ficou
Para fazer da dor dela
Algo que para sempre sumiria
Só por tê-lo a seu lado

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