terça-feira, maio 26, 2026

Os primeiros grandes amores

 O primeiro grande amor nós nunca esquecemos, dizem. E é verdade. Ou não teria sido grande. No meu caso foi devastador para mim tudo o que aconteceu. Eu era muito nova e no final da adolescência tudo foi muito para o que podia aguentar. Nunca mais fui a mesma. Ser traída e abandonada por quem mais confiámos é algo que me aconteceu antes também por quem era suposto me proteger e que depois só fez com que reabrisse uma ferida imensa a cada vez que aconteceu de novo. 

A vida vai nos tirando tudo o que nos dá de bom. Todos os amores, Todos os momentos felizes. Deixa-nos só horrores e frágeis cicatrizes. 

Ninguém nos diz tudo o que pode acontecer connosco. Ninguém nos ensina que tudo dá errado em determinado momento e que num instante o jogo está terminado. Eu não pude fazer nada bem para mim, porque não tive oportunidades para isso se desenvolver e consolidar. Forcei muito tudo, contra todas as probabilidades, para ainda tentar ter uma hipótese, mas sempre muito rapidamente a vida foi me mostrando o quanto eu nada podia para a fazer vergar um pouco que fosse para o meu lado. E como eu tentei, durante tantos anos, já com as últimas forças e depois mesmo sem forças, até quase a vida me matar. É, eu não fui feita para a vida, nem para este mundo, mas tentei muito me encaixar, lutar, fazer o que podia para todos ajudar, especialmente a terem uma vida muito melhor que a minha. A todos os meus grandes amores amei incondicionalmente, compreendendo tudo sobre eles, perdoando todos os enganos que não me traziam mais danos. A vida encarregou-se de me mostrar a realidade dura, nua e crua; eu nunca quis acreditar, porque isso iria me matar e eu tentei ao máximo sobreviver precisamente pelos meus amores todos também que eu cuidei e jamais quis que sofressem, muito menos por minha causa. 

Mas nada é como se quer totalmente. No meu caso nem um bocadinho foi. Antigamente eu pensava que o primeiro foi o grande amor da minha vida, até porque quando se desfez eu quis morrer e pensava que nunca mais ia amar e ser feliz. Hoje em dia, depois de tantos anos e de ter mudado tanto, já ter amado muito alguém de novo, também se deu o caso louco de ter sentido que o grande amor da minha vida era alguém que eu nem conhecia e com quem pensei ter uma semelhança de alma que nunca tinha tido com ninguém, nem mesmo com o meu primeiro grande amor que parecia aquilo que diziam de uma alma gémea. Depois de aprender sobre muita coisa, crescer e desmistificar tudo o que ouvi sobre esse tipo de ligação, sei que afinal uma "alma gémea" é alguém ter a alma igual à nossa, com os mesmos "defeitos e qualidades". Isso, na verdade, é muito terrível, é um inferno mesmo, porque somos dois de nós e a mim já me bastava eu com os meus problemas de origem. Talvez daqui a mais umas décadas eu desdiga tudo isto também. Até porque se Deus não existe como os seres humanos o pintaram, a alma gémea também não. É tudo parte dessa ilusão global que construiu-se para sobreviver enquanto ser humano, nomeadamente em sociedade. 

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