A Ângela matou-se quando ia fazer 45 anos. Ela também tinha uma irmã e um irmão. Ela também era a que ficou em casa a tomar conta dos outros. Também sofria de depressão.
Hoje pensei de novo. O mesmo desespero já conhecido. Lembrei dela.
Depois guardei a tesoura com que acabei de cortar em pedaços as páginas arrancadas do caderno vermelho, que tinha escrito desde 2022 toda a nóia da pandemia. Nem li agora. Só cortei. Na força de um bocado de raiva da estupidez toda da hiperadrenalina daqueles tempos e toda a porcaria que não me parou, nem me impediu de estragar tudo.
Faz mais de dez dias que perdi a Yaya. Chorei muito hoje, depois de mais um episódio dos vários de sempre desta vida toda a ouvir "tu és uma merda", "sai desta casa" e afins, enquanto a ouvir duas músicas que vi G. cantar e relembrar nos stories. Chorando também por tudo o que aconteceu e pela falta de apoio e solução.
17/18-05-2026
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