terça-feira, maio 26, 2026

O grande amor da minha vida

 Saber quem nos amou mais na vida assim como nós somos mesmo, é algo difícil, especialmente quando muitas das vezes nunca nos sentimos completamente livres para sermos nós mesmos. 

Eu sempre tive o problema de ser muito eu mesma, sem grandes máscaras, excepto quando me calei e me diminuí para não levantar ondas e isso ocorreu de maneira comedida, porque nunca pude ficar permissiva perante abusos e injustiças fosse com quem fosse. 

Os lados mais fracos e debilitados de mim foram poucas pessoas que viram e essas sim, considero que as que não me abandonaram nessas alturas, mesmo que tivessem partido depois, foram as pessoas que mais me amaram porque viram mais e melhor sobre quem eu sou e ainda assim me amavam muito. A minha avó e o H., que inclusive também me demostraram que eu era uma prioridade e faziam esforços para estar comigo, vindo de longe. Também são das duas pessoas que eu mais amei. Quando olho para trás os primeiros dias em que estive com H. e abraçamo-nos horas a fio sem conseguirmos ir embora, como dois adolescentes apaixonados que éramos, foram mesmo os momentos em que mais me senti feliz. Uma inundação de hormonas da felicidade difícil de replicar. Um abraço longo de alguém muito especial, que é como nós, faz sentir uma completude incrível; senti-a com mais uma pessoa antes, um irmão de alma (que inclusive teve amigáveis ciúmes sadios do H. quando eu disse que ele era a minha alma gémea). Quem teve a felicidade, como eu, de se dar a relações verdadeiras e íntimas com as pessoas, sendo sem máscaras, teve a única miraculosidade de ter uma união absoluta com alguém. Sentir o que ela sente, ser igual sem separação, na condição de sermos humanos, em tudo o que isso implica de bom e menos bom, nomeadamente quando ainda somos muito novos, temos muitos traumas e não conseguimos abafar o ego cheio de inseguranças e medos. Ainda assim o amor prevalece. Fica guardado em retratos. Se quiseres e pudermos é só revisitar e pendurá-los. É bonito isso. Quando a dor da vida e do que correu mal entre nós não mancha as memórias boas. 

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