quinta-feira, agosto 06, 2026

Intimidade

 Desenvolvi uma intimidade genuína 
Daquela que se aninha no peito
E vai florescendo pelo corpo
Com a ternura e a verdade sós
Mas rodeadas de tanto gosto

Acolhi nos meus braços lassos
Tamanhos pecados de outrem 
Aceitei as suas confissões 
Como se fosse um bispo do amor
Através do véu fino da dor

Permaneci em pé na rua
Em frente à tua janela por anos
A esperar que me tomasses tua
Mas a tua varanda é de arranha-céus
E eu sempre fui só um pobre pedestre

Apanhei chuva, trovoada e frio
Enquanto os dias no calendário se foram
Finalmente no último dia daquele ano
Acabei por desistir por não te ver
E estar ciente de todo o dano

Porém tu retornaste depois 
Quando eu perdi a esperança 
De que pudesses me amar também 
E vieste finalmente para mim
No meu peito te aninhar

Sem comentários: