Desenvolvi uma intimidade genuína
Daquela que se aninha no peito
E vai florescendo pelo corpo
Com a ternura e a verdade sós
Mas rodeadas de tanto gosto
Acolhi nos meus braços lassos
Tamanhos pecados de outrem
Aceitei as suas confissões
Como se fosse um bispo do amor
Através do véu fino da dor
Permaneci em pé na rua
Em frente à tua janela por anos
A esperar que me tomasses tua
Mas a tua varanda é de arranha-céus
E eu sempre fui só um pobre pedestre
Apanhei chuva, trovoada e frio
Enquanto os dias no calendário se foram
Finalmente no último dia daquele ano
Acabei por desistir por não te ver
E estar ciente de todo o dano
Porém tu retornaste depois
Quando eu perdi a esperança
De que pudesses me amar também
E vieste finalmente para mim
No meu peito te aninhar
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