terça-feira, julho 07, 2026

 De noitinha ele vinha
Abrir as hostes
Como quem apadrinha
Tudo o que fostes
Num tempo em que o vírus 
Se espalhava como perfume
Abundava morte e queixume

Procurávamos torpes
Esquecer a vida e o mundo
Entranhar no som profundo
Que mexia com as entranhas
Atravessávamos um limbo 
Movíamos montanhas
Só para resistir mais um minuto

As horas passavam
Nem se dava por nada
Se não lhe fosse a profissão 
Se não fosses tu guiada
Vivendo no gume afiado
De uma faca cansada
Buscavam alento
Tu eras só sofrimento 
Mas para outros disfarçava 

Encontrei só o meu coração 
Que de tanto sangrar e amar
E ser deixado pendurado
Sempre a esperar
Acabava a madrugada 
Com a ilusão de sonhar 

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