terça-feira, julho 14, 2026

Tio, não sei não.

 Hoje foi o funeral. O meu pai contou-me que ambas as minhas primas estão divorciadas. O meu tio tinha-me dito aquilo e eu entretanto escrevi o que escrevi, mas fiquei a pensar em tudo de novo. A vida acontece. A morte para uns chega em vida. Às vezes muitas vezes. Uma despedida atrás de despedida. Quantas vezes eles me fizeram chorar? Eu não fui cruel assim, acho. Só fui sempre verdadeira com a realidade da minha falta de condições. Talvez ninguém os tenha de facto amado tanto quanto eu, como as más línguas diziam, mas eles têm razão, o meu amor adoeceu e é por isso que eu, sangrando dilacerada todos os dias, torço para que sejam felizes e que eu morra em breve sem que ninguém saiba. Abandonada porque fiz para isso, porque sempre fiz o que tinha de ser e não o que eu mais queria. Porque o que eu mais queria nunca de mim dependeu. 

Tio, parece que tinhas razão, mas acho que algumas vezes ter e sofrer depois na despedida às vezes é melhor do que não ter nunca. Eu acho que o pouco que tive e o tanto que sofri também já foi de bom tamanho. Quanto ao resto já entendi. Não vale a pena viver. Só sofrimento.

Ficar como a tia-avó Beatriz a vida inteira solteira e abandonada. 👌🏽

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