Penso em quantas pessoas deixámos que nos influenciassem um contra o outro. O quanto de intrigas, fofocas, mexericos, diários equívocos, deixei que me contaminassem e envenenassem como nunca outrora. Sempre soube da perniciosidade dos comportamentos de grupo. Mesmo assim não me afastei das pessoas nefastas, porque por momentos tinha a ingenuidade de um puro amor como escudo acima de tudo e senti-lo era o que bastava para ser imune. Pensava eu. Mas os planos mesquinhos de outros podem matar tudo o que quiserem e, achava também eu, que se fizessem mossa num sentimento tão grande era porque afinal não era tão grande assim. Para mim ele resistiu e foi sempre o que foi: enorme. Massivo e maciço em tais formas que até depois da morte ressoa.
Afinal também nós tivemos bastante de Heathcliff e Cathy.
(e quantas vezes de seguida disseste tu a alguém que a amas?)
Hoje ao rever Sensibilidade e Bom Senso pensei em como devia ter morrido aos 16 anos com as febres do vírus, mas também eu tal como a Marianne, sobrevivi. Só que eu não tive o meu final feliz (sei que ainda não se acabou tudo, mas não há esperança para mim nesse departamento). Hoje fiquei feliz e com esperança no mundo porque vi um post da Minó no fim de dezembro a dizer que afinal o amor existe e ela disse que sim (pedido de casamento). Depois, fui ver O Monte dos Vendavais e chorei imenso no fim.
Não há amor verdadeiro que sobreviva à morte e o despedaçar do coração por inteiro. (Nós, eu, sempre estivemos, estive, condenados, condenada.) Tu nunca saberás o que foi este amor e ainda bem para ti. Como no filme. Nada de bom vem dessa perdição. Não imaginava que ainda poderia viver tamanho amor de destruição total, depois de tudo o que passei na vida e, ainda assim, a loucura e consumição típicas dos amores mais vorazes e adolescentes persistiu com uma violência brutal.
Tudo tem a sua medida e tamanho e adequação. Só o inferno incontrolável é que não.
Sem comentários:
Enviar um comentário