A linda cantora Priscilla Frade postou de novo ela a cantar essa música eterna que me remete para a minha avó a ver novelas brasileiras comigo. Acho que era na novela Tieta, ou assim, sei que era a voz da Elba Ramalho, pelo menos foi o conhecimento com que fiquei. A minha avó morou uns pouquitos anos connosco, para ajudar quando o meu irmão nasceu, mas também depois já não aguentou ver os maus tratos que eu sofria e o facto de a minha mãe ser uma déspota para com todos e nunca mais quis viver aqui. Ela lamentava muito tudo, mas também não podia fazer nada. Ao menos, lembro, que ela pelo menos foi uma das pessoas que ouvi dizer "ugirau" e assim a tentar parar a minha mãe de me ameaçar e bater. Infelizmente até foi por isso que eu intuitivamente comecei a escrever num diário e lia-se lá eu com apenas uns 8 anos e durante uma semana não houve um dia em que ela não me ameaçasse ou batesse. Fosse por que motivo fosse: desde pontapear-me na despensa comigo no chão porque eu não queria usar sapatos apertados que doíam para ir à igreja, até ao troco que o senhor da mercearia dava errado, e eu é que era a culpada e eu tinha que lá voltar e reclamar, com 5 anos, fora quase todos os dias para obrigar-me a engolir rápido e porque eu ia à casa-de-banho, quando eu já fui mal feita com doença congénita de piloro que não fecha como deve ser, além de ter herdado lactointolerância do meu pai, confirmada pela médica do Pulido Valente só em 2006. Aos 7 bateu-me no meio da rua à frente da camioneta recém-chegada do passeio da escola (por causa de eu ter dito q tinha caído q m tinham empurrado do palco a q subimos; "pq é q foste lá?" e bateu-me, quando tds tínhamos de ir, óbvio, fomos com a professora) depois de um colega, Tiago, bully branco e forte ter--me empurrado para trás de mais de três metros de altura e os meus restantes colegas ao verem-me estirada no chão pensarem que eu tinha morrido. Houve uma coleguinha que ainda me veio dizer que percebeu que eu tentei aterrar em pé. Agora parece uma coisa cómica esse aspecto. Mas ela tinha razão, tentei mesmo. E é curioso como no ano anterior o meu vizinho do 11° andar e colega de carteira, Marco, tinha morrido caindo pela janela. Nunca associei uma coisa à outra, só agora. Para que serve estes exercícios da escrita senão para processar, como sempre. Para não falar de quando tinha 9 anos e ela entrou na casa de banho enquanto eu estava a tomar banho e bateu-me, ainda me lembro de como senti humilhada ainda mais por estar nua ela bater-me assim directamente na carne encharcada. Eu demorava a tomar banho por causa de lavar o cabelo, mas ela nunca se importou com nada do que era meu, nunca me ouvia, nunca me deixava abrir a boca nem chorar sequer. Batia-me para eu parar de chorar, tal é a psicopatia dela. As pessoas não fazem ideia do que é ter a pessoa que nos pôs no mundo a tratar-nos mal e odiar-nos e fazer-nos odiarmo-nos e odiarmos termos nascido, desde que somos crianças. Os agressores também são assim. Depois esquecem do que fazem nesses supostos surtos (ou dão desculpas, mas nunca admitem nem se desculpam) toda a hora a descarregar no mais fraco violentamente e culpam-nos por sermos traumatizados e dizem que inventamos e imaginamos e mentimos. Lembro que as poucas mentiras que eu era obrigada a dizer era para salvar o meu irmãozinho e arcar eu com as culpas e respectiva porrada que era para ela não se chatear com ele (porque ele tinha asma e eu poupava-o e tentava protegê-lo de tudo, até mesmo quando ele me danificava as coisas ou fazia-me mal porque também tinha aprendido a bater e a ser possessivo com os brinquedos e a fazer o que quisesse de desarrumacao porque não tinha consequências e eu é que estava sempre a ter de arrumar a cada instante em modo alerta). Até hoje ninguém se lembra de nada, ninguém sabe nada, ninguém faz nada. A família toda via, ouvia, mas tinha medo dela e então nunca me protegeram nem fizeram nada. O meu tio, irmão dela que não a suportava, ainda me vinha dizer que a culpa era do meu pai que permite tudo dela. Ele tinha razão, mas também o meu pai teve o AVC, ainda mais com o stress que ela lhe causou com a sua ganância, deixá-lo sozinho aqui comigo e com o meu irmão e até a minha irmã até levá-la também. Eles, meus tios todos que diziam isso do meu pai, não entendiam que também o meu pai foi vítima de violência doméstica como eu, além de tudo o resto. Viver em constante stress, ameaça, maus tratos e sem qualquer amor de verdade, ou carinho que fosse, dá cabo de qualquer família/pessoa.
Acho que a minha avó se soubesse tudo o que passei nesta vida por causa da psicopatia da minha filha dela e até hj, com quase eu a fazer 45 anos com a vida e todas as hipóteses destruídas por causa dela, se tivesse oportunidade de regressar no tempo e se lhe dessem a opção ela provavelmente não a teria tido, só para me salvar. Porque ao contrário do que a minha mãe me quis meter na cabeça que a minha avó gritava comigo tanto que até se ouvia lá fora, eu sei que a minha avó sempre me amou e toda a gente sempre me veio dizer depois também e, ao contrário, pessoas (inclusive uma chorar desesperada a pedir ajuda) vieram contar as coisas horríveis que a minha mãe lhes fez. Precisamente a mim do nada, porque a minha mãe sempre falou mal de mim a todos eles e, por isso, eles se sentiam à-vontade para me vir chatear com as coisas dela. Ela, tal como todos os psicopatas narcisistas bipolares, só agrada as pessoas de quem depende emocionalmente ou para coisa outro objectivo, isto é até elas discordarem dela, ou criticarem-na. Ela só muda o seu tom, o seu comportamento, falseando completamente, quando é para agradar os outros para que gostem dela, ou quando tem algum benefício próprio com isso.
Enfim, infelizmente nós nunca tivemos qualquer aconchego dela, senão no início de tudo e mesmo assim durou pouquíssimo, um par de anos, se tanto, foi o que ela demorou para entender que ela tinha usado o meu pai para se safar mas que ele afinal não lhe ia dar as condições de vida que ela queria e de frustração em frustração lá foi acumulando mais ódio pela sua própria vida e decisões, das quais nos culpa até hoje, porque não lhe deu certo também quando se foi embora e teve de voltar forçada.
Enfim, passei a vida a esconder tudo e a raramente explodir verborreando todos os traumas que ficaram tão marcadamente, como se fosse quase ontem, como é apanágio de traumas, por vergonha de passar por isso tudo e mais, de quem vem, e até hoje não ter conseguido melhorar a situação (mas já tendo tido terapia suficiente de 2018-2020 e 2021-2023, para saber o suficiente sobre os mecanismos que as pessoas não curarão nunca e infernizarão a vida de todos), que já desisti de tudo, especialmente depois das últimas mortes que soube e de mais uma vez ter sido desapoiada, insultada e continuar a viver num inferno diário.
Eles não sabem quantas vezes eu defendi-os e protegi-os, quantas vezes eu pus-me à frente, levando eu até e impedindo que ela os magoasse, Quantas vezes ela nos feixou. Tudo o que eu não pude fazer e perdi, nomeadamente todas as minhas tentativas de relações mais sérias tive que sacrificar por causa de todas as porcarias que eu tinha sempre de estar a postos.
O médico tinha razão afinal e eu nunca poderei ficar boa de todas as doenças autoimunes por causa dela e tudo o que ela caisou em mim e continua para seu bel-prazer de narcisista vingativa que quer sempre mostrar o seu poder, castigar e fazer o que quer, como todos os ditadores fazem com as suas vítimas só para se sentirem mais fortes e mais importantes e poderosos, porque no fundo odeiam-se mas jamais admitem a sua rede compulsiva de mentiras que passaram a vida a repetir para os outros e para si mesmos.
PS: A Priscilla dizia para enviarmos a música para quem é o nosso aconchego. Eu dei por mim mais uma a constatar que não tenho ninguém. Mas hoje pude deitar para fora um bocadinho do que me faz tanto mal. Diz que ajuda ter alguém que nos escute, realmente veja, e que valide a nossa dor de alguma forma (obrigada S. tb). Agora, de repente, pensei: será que se pusesse a coisa desta maneira (o que seria se alguém fizesse isso tudo a alguma criança que ela diz que ama, como o bebé R. ou a L.? ou se alguma mãe tratasse alguma filha que ela ama como ela me tratou a vida toda. ainda tive eu de ouvir de exemplos que ela dava de como outras mães batiam nos filhos) ela havia de entender um bocado de todo o terror, horror e tortura que sempre me fez passar? Ah, pois, psicopatas nunca sentem nada de empatia pelos outros, só mesmo quando lhes toca a eles alguma coisa é que já fazem escândalo.
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