Sou um combalido bailarino
Que se demora na corda-bamba
Entre o milagre de estar vivo
E a morte que repete a lembrança
Morri em vários outonos da vida
Perdi e congelei em muitos invernos
Toda a lata esperança de guarida
E de renascimento fora dos infernos
Pelos caminhos livres e travessos
Malabaristando entre a névoa
A fumaça envolta pelos meus dedos
Fiz graça, pirraça e nocturnos segredos
Acreditando que o amor é maior
Que a desventura, a fome, o horror
Andando até não mais poder
Há gente que é gente a valer
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