quarta-feira, setembro 23, 2026

Só para o Jorge Palma

 Sou um combalido bailarino 
Que se demora na corda-bamba
Entre o milagre de estar vivo
E a morte que repete a lembrança 

Morri em vários outonos da vida
Perdi e congelei em muitos invernos 
Toda a lata esperança de guarida
E de renascimento fora dos infernos

Pelos caminhos livres e travessos
Malabaristando entre a névoa 
A fumaça envolta pelos meus dedos
Fiz graça, pirraça e nocturnos segredos

Acreditando que o amor é maior
Que a desventura, a fome, o horror 
Andando até não mais poder
Há gente que é gente a valer


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