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sábado, fevereiro 15, 2025

O meu amor existe - Jorge Palma

 O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe

quinta-feira, julho 20, 2023

 Saudades desse teu "passo inseguro e o paraíso do teu olhar"
o sorriso, o riso, a gargalhada
o teu cabelo de ondas do mar

(8jul.)

quarta-feira, agosto 17, 2022

Frágil

 Tu és terra e eu sou nuvens
Apenas meu como ninguém
Apenas tua e mais além
Na quentura de penugens
Seres alados esvoaçando
Mas acima de tudo 
Estrela-do-mar 
"Só a ele obedeço, só ele me conheceSó ele sabe quem sou no principio e no fimSó a ele sou fiel e é ele quem me protegeQuando alguém quer à forçaSer dono de mim"
Frágil mas completamente tua

domingo, novembro 07, 2021

Ém e Ente

 Dou-me com toda a gente
Mas não entrego a ninguém
O que sei que tanto se sente
Viaja muito mais além
Do que cada um mente 
E vale tudo o que contém.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Dá-me o meu sangue de volta

Dá-me o meu sangue de volta.
Dá-me o meu sangue de volta!
Já não há os contos perenes da Rosa
nem os risos infantes do Viegas,
já não há as cantigas resistentes do Zeca
e dos dizeres do Ary,
nem a calmia da guitarra do Paredes. 
Dá-me o meu sangue de volta,
dá-me o ar, a respiração:
já não há a intrincada pintura da Vieira da Silva
nem os poemas crus e mansos do Cesariny.
Dá-me de novo o meu peito,
o lugar onde batia o meu coração,
pois já não há da Florbela a sofreguidão,
nem os delírios filosóficos de Pessoa.
Traz-me de volta o meu sangue,
o seu pulsar, a sua cor,
as vísceras do meu ser.
Chupa Godinho, Palma e Branco,
e transfusa Pimenta e Herberto,
pois já não há a dor de Al Berto,
mas ainda há o pranto do hugo-mãe.
Dá-me o meu sangue de volta,
dá-me o meu sangue de volta...
neste meu breve amanhecer.