"fui fraca assim, assim tão desalmada"
(bosta d eclipse e tudo mais, nunca retira de mim isto tudo. uma ilusão ancorada num mar fundo nunca acaba? 💙 esperando viver d frente ao mar sonoro q cura 🥺)
Poesia filosófica; Poesia Visual; e outros objectos poéticos de Poeta mera observadora
A vida pode ser aditiva, especialmente o teu fogo, o êxtase e o clímax de que és dono. A forma como os fabricas, como um mestre marionetista, o furor da dança dos corpos sedentos de alheamento e afago.
Mas o que é a vida para cada um? É o que os faz felizes? Aquilo que os faz viver? Sentir? Sentir o quê? Se aquilo que é vida para maioria é precisamente o que os impede de sentir grande parte dela, do que foi, do que há-de ser. Viver na consumição do presente é morrer, estar ausente também sem estar no passado nem no futuro. Só quem vive realmente é que está conectado, com tudo o que é, foi, será, convivendo com a sua verdade e totalidade. Tudo mais, em partes pequenas apenas, é subterfúgio. Mesmo que seja escolha consciente, mesmo que seja essa a decisão do que invente.
Ter a coragem de viver é admitir a sua incapacidade, a sua vulnerabilidade, perante os acontecimentos que não comandamos e abraçar integralmente quem somos e não só o que amamos. Deixar ser-se atravessado pela sua verdade. A vida é maior do que pensamos.
Não posso fingir que não sinto o que sinto. Digo-me que é uma mentira da minha cabeça, que foi tudo uma ilusão, que foi das bruxas o feitiço com a Lua e Plutão. Mas nada retira a razão. Peço sempre a todos os eclipses que assim como tu, também eu tenha eclipsado de vez este sentir do coração. Um amor que não é amor, o que é então? Não é possessão, obsessão, fanatismo, demonização, praga antiga, karma, fatalidade, quebranto, violação?
E quando vejo esse fino fio do eclipse lunar e ainda me agarro e ao mesmo tempo peço esse anseio da dissolução, sinto que se acaba tudo, por um fio, por agressão.
Esquece de vez, como ele nunca se lembrou, coração. (acabou, não acabou? 💨)
Eu nunca vi Paris. Senão como nos últimos anos nas aguarelas do Alex Hill, ou há pouco tempo na série Cat's Eyes ou na Emily in Paris, ou em filmes como A última vez que vi Paris, ou tantos outros.
Nunca conheci alguém suficientemente corajoso para sentir verdadeiramente tudo. Então tornei me eu nessa pessoa, por acaso das circunstâncias várias que me atravessaram.
Senti tudo o que há para sentir de tipos de emoções. Com o avançar dos anos fui permitindo que as emoções tomassem conta no momento em que elas surgiram e estou orgulhosa por ter feito isso, depois de tanta repressão que me foi feita.
Não é à toa que para mim estar anedónica é das coisas piores.