segunda-feira, março 28, 2011

da serenidade triste

hoje o despertar lento da madrugada fria
aninhou-se manso e triste

por todo o lado a luz que não o era
simplesmente cinza, sem brilho,
a prata de outrora é como se nunca tivesse existido


ao longe avista-se o mar, ou não,
nem se consegue definir numa imagem
que seja perceptível para o olhar meio morto

hoje a luz metamorfizou-se
plena e explosivamente inexistente
como uma molécula improvável


depois, visitou-me uma diáfana melancolia
com um abraço leve mas com uma toda densidade
de quem faz disso a sua última morada

as gotículas sincopadas num formigueiro vindo do céu
ilustram a sombria luz com a cadência de uma orquestra
e, assim, instala-se por fim a indeterminada serenidade

domingo, fevereiro 27, 2011

O significado de tudo...

O significado de tudo está tão simplesmente na aura do que se sente acerca de todas as coisas que se podem observar ou apenas cogitar.
Na ponta dos dedos, o toque suave ou áspero. O cheiro que emana de algo que passou. A voz doce ou a brisa salgada que arranha a cútis, as memórias que emergem tão subitamente, a ferros. Tudo o que é belo, será? A razão encontrar-se-á em tudo o que é tão livremente belo? No fundo esfumaça-se, como o véu de luz sombria que recortou a silhueta de alguém por uns instantes.
O significado de tudo está tão simplesmente na totalização do nada. Tão simplesmente... tudo... e nada.

A necessidade de enquadrar numa significação familiar tudo o que nos existe, insiste e impõe-se, mas de nada serve a longo prazo. Assim como uma pessoa cuja mente é assolada pelo fantasma do esquecimento, também tudo se torna fantasmagórico num fatídico Alzheimer da vida.

Daí, enquanto estarmos vivos estarmos a viver uma espécie de sonho, acordados, sem termos consciência disso. Há um limite para todas as coisas: o início e o fim, sendo a vida e a morte, em estado onírico.
O ressonar, por vezes mais grave ou mais agudo, de cada um de nós enquanto a sonhar em vida, faz com que não haja qualquer vestígio do aspecto ilusório que vivemos.

Todas as medidas de todas as coisas são distorcidas pelo significado que lhes atribuímos, não havendo significado real também elas não têm qualquer peso ou medida.

Tão simplesmente...

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Da(s) Saudade (s)

Tem duas estirpes este sentimento,
tão afamado de nobre e poético,
a beleza do que se teve
e a falta do que se podia ter tido.

No entanto, dessas duas estirpes,
nenhuma me parece digna de dó:
a saudosista só glorifica o que perdeu
e a idealista espera o que não aconteceu.

Vigora a lei do cansaço, da dor e do desembaraço,
a Saudade já não interessa, não vive de um abraço
e à Tristeza já não há quem a impeça.

Em conformidade e em conformação se perdura
quem da sabedoria do Oeste e do Oriente bebeu,
o meio termo da Felicidade e do Sofrimento urdura
no frágil e danoso tear da vida, que recebeu.

sábado, dezembro 04, 2010

A porta e a chave

Abre a porta devagar e entra.
Suavemente, esse teu halo branco
envolve toda a extensão do teu corpo.
Alvo e translúcido se torna o teu ser.

Espraias-te em nuvens da cor do céu
e não há luz que não te atravesse
e te rasgue em mil pedaços
a tua face, esse teu véu.

Serena é a visão que me acalma;
indolente, langorosa, sem dor,
apenas a vibração constante
e ébria, permanecem fiéis.

eu sou a porta e tu és a chave.

terça-feira, novembro 16, 2010

Os mete-nojo deste lugarejo

Metem-me nojo «os fatos»
que andam por aí em contralto
armados em superiores, são mais sujos que o lixo,
mais reles que as ratazanas do esgoto
esses ditos senhores doutores.

Metem-me nojo os «sapatos de vela»,
também produzidos em série,
que pisam nos pobres transeuntes
com o seu olhar de desprezo
trazem «os outros» numa trela
é a escravidão que eu agora revejo.

Objectos de luxo que desfilam
em paradas de mete-nojos;
são eles carros, roupas, delicatessen,
esses burgueses, a camada alta,
ignora quem lhes produz esses artigos:
o povo trabalhador, os que perecem.

Assim, os mete-nojo habitam este lugarejo
espalhando os seus negócios pela terra,
onde têm como dirigentes altamente remunerados
os seus amigos e familiares mete-nojo,
que exploram «os outros» que são,
como em tudo o resto no planeta,
noventa por cento dos que têm coração.

quarta-feira, novembro 10, 2010

A Casa

Construí uma casa para nós,
mas habita apenas na minha imaginação,
pois não é feita de tijolos,
é mormente feita de sonhos,
muitos desejos e uma imensa paixão.

É lamechas a decoração que invento,
na realidade tem cores e linhas sóbrias,
minimalistas e nada rococó.
Digo-a lamechas por pensar em cada traço
teu e meu e transpô-lo para cada móvel,
para cada pavimento e disposição de objectos.
Mas de verdade ela é cinza, azul noite, negra,
com apontamentos de vermelho,
envolvidos em pacíficos mantos de branco,
um pouco como o nosso amor.

A nossa casa é rectilínea, mas flutua como nuvem,
marmoreada com pedras preciosas encastradas,
a anciã técnica da pietra dura adorna uma parede externa
ancorada no pátio, da parte de trás onde bate o sol.

Não há espaço para arrependimentos nem mentiras
em todas as mesas e cadeiras que temos.
Não há jardim, nem árvores tão velhas quanto nós,
nem sequer flores porque eu sou alérgica
e porque tu simplesmente não as entendes.
Dizem que é mais fácil amar alguém
quando não temos de viver com ela sempre,
mas contigo eu vivo todos os dias
na casa que construí para nós
e parece-me que as amplas janelas da sala
estarão sempre com vista para o nosso amor.

sexta-feira, outubro 29, 2010

sexta-feira, outubro 22, 2010

O Metro

Salto umas escadas, apressada, não vá ele fugir...
Já sentada, o alívio sente-se no ofegar na ponta da língua,
e depois o coice que gera uma onda de calor no corpo,
uma corrida do sangue que estava atrasado para o cérebro.
Tento lembrar-me das carruagens antigas,
mas não consigo... apenas me recordo de momentos da infância
em que eu me arrastava - enquanto o meu pai me levava pela mão a tentar apressar-nos pelos túneis agrestes
- só para que eu pudesse ver durante mais tempo o chão cintilar:
pensava que estava a pisar o chão da lua - a negritude do chão era tão atraente, tão brilhante - feito com pó das estrelas.
De repente, tocam-me nas narinas os dedos de uma fragrância familiar. Espalha-se pelo túnel e adivinha-se o crepitar das castanhas, o fumo quente e salgado de um tempo antigo.
Ao olhar para cima vejo as pegas onde as pessoas se seguram, todas vazias, tremelicam inseguras,
umas vibram mais que outras, assim como as pessoas, na sua estoicidade de aço a tentar combater a inércia.
Hoje em dia reaproveitam o chão das carruagens, cinzentos e com os círculos em relevo mais claros devido ao desgaste; penso em como aquele linóleo será a mala de alguma rapariga rica, bem sucedida e à espera de alcançar um qualquer status por usá-la. Aspira-se o céu e da maioria das vezes não se percebe que é com o chão que lá se chega...

domingo, outubro 10, 2010

Poema das cinzas

Há uma certa melancolia em saber que nada tem grande sentido. Por vezes, também se sente um alívio por se saber que nada realmente importa. É apenas um pensamento para dois poemas, como um concerto para dois pianos. A sinfonia dos velhos alinhados à beira da cova onde fazem descer um caixão negro de patina brilhante, todos eles simplesmente à espera da sua vez.
A dor que sinto é tão grande que dilacera tudo o resto que o meu coração albergou. Sensações cálidas que o aqueciam, são agora dissipadas como as cinzas mortais espalhadas e tornadas invisíveis pelo vento da tormenta. Preciso que alguém me guarde, como um ente amado faz com os restos mortais cinzentos que conserva num pequeno recipiente. Hoje e antes, o meu corpo fora sempre a urna onde se esconderam os meus fracassos e vazios. Apenas uma colecção de cinzas, apenas isso...

quinta-feira, setembro 30, 2010

Ser

Eu sou alguém que vive à margem do que queria ser.
Estou acampado debaixo do vidoeiro, no limite do rio que corre e ninguém vê.
Serei sempre aquela árvore de tronco fino, gasto, envelhecido pelo olhar das aves.
Agora vejo que, diferentemente dos argonautas, penso que a única coisa necessária para se ter vivido é apenas sentir, não é viver. Sentir o mundo inteiro e todas as coisas que nele existem sem ter de visitá-las fisicamente. Sentir - essa propriedade do ser humano que nos faz ser diferentes dos outros seres e que nos permite viajar sem sair do mesmo lugar. É aquilo que se chama de turismo infinito.
Assim se constrói o Ser.

terça-feira, setembro 28, 2010

Je suis un cadavre exquis
e o teu coração, forte, é a casa onde eu moro, où j'habite.
I could love you in every way,
in every language and in any place,
mas é aqui que te amo e assim que te quero,
in the language that I want.
E da quella finestra ti posso vedere,
lontano, ma mai del cuore.

sexta-feira, setembro 17, 2010

O papel

Recorto o papel minuciosamente
com cuidados de criança
tesoura de pontas redondas
e no entanto as arestas do que recorto
estão toscamente desenhadas.

Tinha vinte e uma páginas de onde escolher
o papel que havia de talhar.
Sei que o que escolhi não era meu
daí o desafio de o recortar.

Sombras de vincos manchavam o meu papel
que não se conseguia manter plano
nem sequer límpido.
A sua cor era cada vez mais chamuscada
pelo calor dos cortes que eu operava.

Esmerei-me para que não me rasgasse a pele
o papel
que eu tão cuidadosamente recortava
mas amiúde senti-o raspar na minha mão
como que a ameaçar-me...
... a tentar penetrar em mim.

O som num compasso binário
que a tesoura no seu abrir e fechar de pernas
fazia ao abrir caminho
fez-me recordar do pulsar do mundo.

Aquele som
naquele papel
e o pulsar presente numa vida inteira
desse bolígrafo
desse flamenco
no ritmo do coração do mundo.

Assim despertei
para a importância do papel
para a importância da tesoura
e para a importância do mundo.

terça-feira, setembro 14, 2010

Uma sinopse literária do nosso amor (em construção)

Sempre que voas como um pássaro, para longe, cá dentro choro como uma nuvem num peito assolado pela tempestade anunciada.
Absinto-te pela distância, mas tenho em mim impregnado o cheiro dos girassóis desse teu corpo áureo.
Ainda mais forte do que tudo é o romper das ondas do que sentimos em uníssono; é essa a chave que faz funcionar o motor do nosso coração.

para Rui Herbon.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Ego-saturação

A relação que tenho comigo,
sendo a mais intensa e duradoura
de todas as relações que já tive,
deixa-me farta de mim mesma.

Demasiados eus, demasiados céus,
demasiados ais e demasiados mais.

Todas as unidades de tempo,
milimetricamente contadas,
vividas e tão saturadas
que me tiram hoje o alento.

Estou cansada deste emprego
sem férias
este laborar constante
que torna tudo tão bisonho.

Não sou quem me entrego,
mas sim alguém distante
deste mundo implodido
onde o horizonte é tristonho.

Quero sair deste modo implorativo
desta auto-comiseração forçada
talvez por alguém que não sou eu
talvez por alguém melhor do que eu.

quarta-feira, junho 23, 2010

Eu-legia

Que ninguém chore,
porque parte mansa esta criatura
que foi tão vossa como da água.
Outrora se debatia, revolvia e revolucionava
no seu modo de se rebelar,
mas já há quase uma década que não é assim.

Na sua lembrança tem consciência
de que privou de algumas das maiores felicidades
que o ser perene, temporário, experiencia.

Atravessado pela degeneração fugaz,
este ente apercebe-se, no seu fim,
que na morte não há lugar para arrependimentos:
é como ouviu de certa vez - «todos morremos culpados».

Aos poucos, a necessidade de cultura escasseia-a,
lentamente a solidão é a melhor companheira que se tem.
O que é isto senão a morte?
Pois que continue a descansar em paz.

sexta-feira, junho 18, 2010

O tempo das memórias

O tempo é obsoleto
como os três relógios que disponho numa caixa
para que perdurem como memórias do que já não é.

A dor continua a incomodar-me naquele lugar,
aquela dor que me há-de matar,
tal como o sorriso dela que um dia
ainda há-de ser a minha morte.

A mulher que tinha uma língua de vinagre e que
cada vez que chamava pelo meu nome
a acidez da bílis se me agitava no âmago,
tinha em mim a sua criação mais extrema.

Durante o primeiro dos três relógios
ela se imprimiria em mim
e eu seria muito ela.
Durante o segundo, porém,
já ganha a personalidade, pareceria menos ela,
muito mais eu, mas também os traumas
que começaram por causa dela.

O terceiro relógio chegou. Eu já não sou quase nada
e a olhar para trás vejo o que muito pouco fui
e o nada que apenas restou.

quarta-feira, maio 26, 2010

sem título

Não tenho quem me tire o cotão do umbigo.
Sei que viajaste por nuvens brancas
e voltaste para beber do mesmo rio
mas nunca mais te tive comigo.
Liras de platina soavam ao longe
quando vibravam as águas da memória
através da luz que emanavas.
Ainda assim, permanecia o aglomerado,
lento e enfadonho, do cotão no meu umbigo.
Os mistérios que lobriguei, vestido de cinzas,
foram-se adensando com o passar das nuvens
e o teu semblante, figura alva e altiva,
jamais pude alcançar.
Consigo ver o pormenor da roda dentada,
ou mesmo a espiral do parafuso,
os magros fios metálicos que ligam tudo
nesse mecanismo do tempo ceifado.
Sozinho, continuei à tua espera,
não como quem aguarda por um transporte público,
mas como quem anseia por se transportar sem meio,
flutuar sem ficar sem os seus pés no chão,
correr mais rápido que o som da nossas vozes.
Estirado, de barriga ao alto, meio estremunhado,
passei o dedo indicador na cova do umbigo
e lá estava ele, o cotão aglomerado,
que só posso tirar sozinho.

quinta-feira, maio 20, 2010

A presença da ausência...

Imaginei-te ao pé de mim
provavelmente já mais vezes
do que as que realmente estiveste.
Sei que nem sempre será assim
e na minha mente toda a hora aconteces.
Mas para nós a vida passa célere
e o amor, esse, nunca tem fim;
os dias, no entanto, são morosos
e as noites dão cabo de mim.
As insónias corróem o pensamento
qual ácido sulfúrico nas veias cerebrais,
enquanto sonho com o momento
em que não diremos Adeus não mais.
Ao meu lado, sinto sempre a falta
que me faz a presença do teu corpo
um recorte de uma ausência cálida,
quase física, ou estarei eu já louco?

quarta-feira, maio 19, 2010

Maio, o mês dos imaculados, dos que sofrem de mil e uma maleitas, e no entanto a mãe de todos, Maria, é visitada e adorada, celebrada a sua santidade e relembrado o seu sacrifício - o padecer de toda uma vida concentrado no crucificar do seu filho.

(in Hospital Sta Maria)

domingo, maio 09, 2010

Só a dor é real

Já não sei o que é não sentir dor. Já não me consigo lembrar.
Cravo as unhas na terra e arrasto-me a muito custo, qual verme do húmus. A humidade e o mosto, o bolor de uma vida, espalhados pelo chão fétido. O corpo é vilipendiado, uma e outra vez, como são os caixões pelos ladrões de cadáveres. A dor não tem fim e esquece-se o seu princípio. Os membros e o rosto ardem, quando o nariz dos cães e o rabo das mulheres estão quentes, é porque eles estão com febre. As costas tortas, uma espinha dorsal num invertebrado?, e toda uma vida não-armazenada em casca de caracol. É tal, o fenómeno pirético, que os olhos saem dos seus globos circundados por chamas, aros ardentes, e flamejam as lágrimas antes que elas consigam escapar. A memória, toda, excepto pela mão que segurará a minha no final, esfumaça-se nas altas e crepitantes labaredas da febre. Nada como ser atingido pela amnésia da febre e pela pura inocência da dor, para começar a chamar nomes às pessoas e dizer coisas que jamais me imaginei a cogitar. Será que o corpo ardendo passa a ser propriedade do demo?
Uma bactéria fulminante é um agente do diabo, como são os bombistas-suicidas: irradiam e arrasam com tudo à sua volta; todos os pedaços de carne, todos os recantos do corpo em astenia.
Os lábios, mais reais do que nunca, esquentam, dilatam-se de tal modo que me parece que também eles, depois de vociferarem palavras indecorosas, ameaçam em gesto de penitência expirarem-se numa explosão. É o fenecer da alma e o padecer do corpo que me fazem ter neste momento a certeza: só a dor é real.

quinta-feira, maio 06, 2010

A tarte do desejo

A maçã do pecado era uma tarte,
uma tarte de maçã dourada
com um travo a luxúria
muito fel e desengano
foram os sabores da desventura.

A polpa do fruto era a parte
que se fundia na massa deitada,
o resto eram pedaços e penúria
deixados sem causar dano
ao doce polvilhado de amargura.

O pau de canela dá-lhe arte,
para despertar sentidos é condenada,
com essa especiaria polvilhada a fúria
embora quando me engano
sei que o acre dá lugar à doçura.

quarta-feira, abril 28, 2010

Sem título (2)

Ela é uma miniatura de ti,
quando ela pensa e fala
aquilo que tu não dizes.
Igual a ti,
nos teus traços morenos e altivos
de uma nobreza genuína,
rara de se encontrar.

Tu és como os arco-íris que vejo
e me deslumbram
mesmo embora nunca chegue
a ver todas as suas cores,
a sua complexidade sempre me fascina.

Quando seguro a tua cabeça,
um ovo delicado 
na cova da palma da minha mão pousado,
chego a sentir o palpitar de um feto
que se une com a minha veia
que vai directo ao coração.
Aí, também ela é um só,
de novo, contigo,
nesse palpitar constante e seguro.

Tudo se encaixa, por momentos,
naquele palpitar
- o pulsar de todo o mundo se funde num só -
e o que resta é apenas Silêncio.

segunda-feira, abril 26, 2010

sem título

Quero fazer de ti as minhas manhãs de sol, que me aquecem lentamente o corpo num tímido abraçar.
E quando chove no meu mundo, quero fazer de ti meu guarda-chuva e refugiar-me, no teu corpo magnânimo, do manto cinzento que cobre o céu.

Quero que faças comigo o que a Primavera faz às flores, e que me envolvas no perfume dos crepúsculos de mil tons, enquanto apartas os caminhos luxuriantes desses jardins.
Os meus dedos percorrem todos os sítios por onde andaste e desejo arduamente ir contigo nessas tuas viagens. Trilhos de escarlates ladrilhos, os da vontade e do medo. Trilhos carmim, fogosos, os da liberdade alcançada.
Por fim, quero fazer-te minha noite, para te marcar com um último beijo frio.

quinta-feira, abril 22, 2010

De cinzas a cinzas.

Se convives com problemas,
não deixes que te esquente
o facto de teres dilemas
pois a morte chega a toda a gente

Para quê tanto alvoroço,
mais as brigas e confusões,
ainda te dá mas é um troço
e não ganhas soluções

Perante a inevitável morte
tudo o que existe é relativo,
nunca se sabe se tem sorte

Quem é inocente ou bandido
nunca escapa ninguém ao fim,
de cinzas a cinzas, é só assim.