terça-feira, abril 28, 2026

Sou um rio

 Era dele como o rio é do mar
Mas o rio mudou de lugar 
Perdeu o curso
Foi secando
Deixou de transbordar 
Perdeu as margens
O seu caudal não vingou
Castores o prenderam-no
Luas-cheias-micro diminuíram-no
Serão duas em Maio
Para lhe dar o último golpe
Esse rio teve má sorte
Estava destinado à morte
E o mar nunca o quis
Porque rios malfadados como eu
São abandonados até por quem prometeu 

As aves ainda habitam ao seu redor
Nas fracas árvores que ainda se mantêm 
E os restantes animais a cada ano emigram
Sabem que o rio já não os tem
Ele aceitou o seu destino 
Sou um rio, sou um rio
Mas sequei

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