quinta-feira, setembro 13, 2012

Tatuagem, por Chico Buarque


Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...

E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...

[Com Caetano Veloso: http://www.youtube.com/watch?v=TB6Cpy-X7A8]

terça-feira, setembro 04, 2012

Surfista sem prancha

Quatro horas da tarde e não me apetece muito...
não há água quente e a fria causa-me hipotermia.

Não sei se hoje vai aparecer alguém,
mas sei que não há ninguém.

Os Verões são cada vez mais longos,
cada vez mais incendiários,
mas não na minha vontade
que dispensa intermediários.

O sofá sempre disponível,
nem sempre confortável
e a isto se chegou
tão rápido quanto o mar secou.

Surfo em revistas, sítios e páginas,
vejo o horizonte com dois palmos e meio
e a reluzir minusculamente
porque já não há pôr-do-sol
ondas ou luar.

Na minha terra havia palmeiras a dançar
acompanhando o corpo mole
que bailava a cada passo na areia.

Assim são os surfistas sem prancha
românticos, idealistas,
lunáticos, existencialistas...


terça-feira, agosto 28, 2012

A AMIZADE DAS PEDRAS


Num lindo dia de sol, todos os habitantes da Cidade das Pedras comemoravam a chegada da Primavera. O Rei Diamante tinha decretado que tinham o dia livre para se prepararem para a festa de celebração, que seria mais logo, à noitinha, à luz da lua cheia.

Quatro amigas, conhecidas por todo o Bairro das Opalas e bairros adjacentes – por serem filhas de quatro importantes famílias, que constituíam a Alta Nobreza da Cidade das Pedras –, preparavam-se, em casa de uma delas, para a grande festa, para a qual também tinham ajudado a organizar, um luau na praia, dirigido aos mais jovens, a fim de complementar o tradicional baile para os adultos, situado no centro da cidade.
As jovens adolescentes gostavam muito da sua cidade, da natureza e de animais; pelo que, sendo de famílias reais e conhecendo-se umas às outras desde muito novas, juntavam-se sempre na escola e em todos os sítios que frequentavam, ajudando a empreender várias actividades na cidade. Apesar de serem todas melhores amigas, a Jéssica Topázio e a Joana Esmeralda estavam sempre juntas, e a Carla Rubi andava mais frequentemente com a Joana Safira.

Nesse dia solarengo, a Jéssica ía usar um vestidinho branco, que contrastava bem com a sua pele e lhe dava um ar fresco e jovial; a Joana Esmeralda vestiria um conjunto esverdeado que a faria parecer mais adulta; a Carla Rubi trajava um vestido saia-calção de cor escarlate, muito prático; e a Joana Safira um vestido de alças, azul escuro, que dava bastante cor à palidez da sua pele e a deixava muito elegante. As quatro tinham dependurado uma flor no cabelo – símbolo primaveril e de união –, da cor de cada vestimenta. Quando, finalmente, foram andando para a festa, encontravam-se alegres e ansiosas: umas por irem comer umas guloseimas feitas à base de coral e micas doces, e outras porque íam ter a oportunidade de conhecer rapazes de outras escolas e, quiçá, dançar com um deles à luz do luar. Foram cumprimentar as famílias conhecidas; combinar as horas do reencontro para verem juntos o espectáculo final, de explosões de fogo magmático, antes de tornarem a casa; e se despedirem para irem para o luau para jovens.

Chegadas à praia, ainda mais eufóricas e já ruborizadas aquém dos círculos rosa-pastel da maquilhagem nas bochechas, deparam-se com um amigo da turma, o Márcio Pirite, que estava com um amigo que as quatro raparigas mal olharam e caíram logo de suspiros de micas doces; apaixonadas ora pelo seu sorriso, ora pelos seus olhos, ambos muito luminosos, espelhando as chamas da fogueira crepitante. A Carla e a Jéssica entreolharam-se e as Joanas para elas, e trocaram entre si impressões sobre aquele delfim que brilhava mais do que a lua cheia naquela praia. Rapidamente, Carla e Jéssica trataram de inquirir Márcio que se sentia sob ameaça perante a ansiedade das amigas. Ficaram ainda mais inquietas quando descobriram que ele era, afinal, o príncipe herdeiro, filho único do Rei Diamante, de seu nome Duarte, e que fizera 16 anos há poucos dias. A noite avançava e as quatro amigas desesperavam pela atenção do Príncipe. A pouco e pouco, elas começaram a discutir; primeiro, sobre quem é que o tinha visto primeiro e, depois, sobre para quem é que ele mais tinha olhado. Na verdade – que era, então, invisível para elas –, Duarte Diamante não estava muito interessado em olhar para as raparigas, pois era muito novo e queria era aproveitar aquela noite rara, de liberdade dos afazeres da Cidade que um dia, mais tarde, teria de governar, para ser apenas um adolescente, naquelas poucas horas.

Na festa da Primavera desse ano, as quatro amigas haviam iniciado aquilo que seriam dois anos de estragarem uma amizade de longa data e tudo por causa do belo jovem príncipe. As quatro adolescentes, quando regressaram ao baile dos adultos, já não eram as mesmas; já não íam juntas e alegres, e nem sequer se despediram do Inverno ao som dos estrondosos fogos, de braços dados, como faziam cheias de esperança a florir, desde que se lembravam de serem amigas.

Dois anos decorreram e nem a notícia de que Joana Safira estava com uma preocupante virose, erosiva no Verão, ou a boa-nova de que Carla Rubi era eleita a melhor jogadora de futebol feminino de todas as equipas da Cidade das Pedras, fez com que as quatro voltassem a se falar. Assim, apesar da imensa vontade que tinham de estar umas com as outras e que mantinham em segredo, orgulhosamente, ficaram dois anos: sem se falarem – apenas se olhavam e quando uma era apanhada a olhar, desviava os olhos imediatamente para não “dar o braço a torcer”; sem irem aos mesmos eventos – tentavam, mais tarde, saber das notícias por outras colegas; e sem disfrutarem das férias de Verão juntas – o que não estragava os planos do resto das quatro famílias, de as passarem juntas, como era habitual, na estância da Praia de Xisto, no grande solar marmóreo, herança secular para as famílias da Alta Nobreza.

Era chegada a época da hora do sol se pôr, amarelado; era o Outono a vir de mansinho, anunciava-se lá para o fim do mês, com as suas folhas de feldspato, caídas, a fazerem a passadeira real para o regresso dos alunos – pequenos príncipes do conhecimento –, às escolas.

Márcio Pirite, amigo de ferro, não queria saber de inimizades e confusões, especialmente entre as suas grandes amigas de infância, Carla Rubi e Jéssica Topázio; daí que, durante estes dois últimos anos, se tivesse mantido imparcial e reportasse a ambas tudo o que ía sabendo de Duarte Diamante, o príncipe sobejamente desejado por todas as jovens cujos corações não eram de pedra. Por ter assistido às competições entre as, outrora, melhores amigas – Jéssica, Carla e Joanas –, Márcio Pirite resolve combinar um encontro com as quatro para anunciar algo que as interessava de igual maneira. Márcio era um rapaz extremamente afável, tido pelos colegas como algo despistado e ingénuo, mas, desta vez, todos ficariam cientes de que ele tem vindo a crescer interiormente, mais do que os outros rapazes, tornando-se perspicaz – muito à custa das quatro amigas, agora mais inimigas – e um tanto sábio, no que dizia respeito a relações de amizade. Combinou com as quatro raparigas no Parque dos Géisers, pois sabia que, assim, elas viriam cada uma pelo seu caminho e não havia o risco de se encontrarem, senão já no centro do parque, onde Márcio as “emboscaria”. Entre as cinco horas e as cinco e um quarto, foram chegando, e Márcio explicou – pedindo paciência, às primeiras a chegar, Carla e Joana Safira – que tinha uma notícia muito importante para todas.

Finalmente, as amigas faziam as pazes, abraçando-se, e tudo porque Márcio Pirite fez-lhes o favor de lhes abrir os olhos: «O meu amigo Duarte já tem uma namorada; estão juntos há um mês inteiro e até estiveram uns dias das férias de Verão juntos; é a Cátia Quartzo! Enquanto vocês estiveram a perder as férias, já para não falar destes dois anos, ele já tinha escolhido outra princesa. Estragaram a vossa amizade para nada! Não vêem que os namorados passam e os amigos é que ficam?! Espero que tenham aprendido a lição, porque eu já não estou mais para vos aturar chateadas umas com as outras.»
As raparigas ouviram, atentas e depois cabisbaixas, tudo o que Márcio deitou cá para fora e apressaram-se a consolarem-se umas às outras, repetindo como tinham sido estúpidas e que nunca mais se separariam por semelhante insignificância.

O regresso à escola – com todos os outros colegas, surpresos, a seguir com o olhar as quatro jovens, de novo, amigas –, pareceu-lhes muito doce, enquanto, de braços dados, pisavam o tapete de folhas de feldspato e soltavam risinhos que se confundiam com o tiritar das folhas secas.

N.B.: Para variar um bocado, um conto infantil, dedicado à minha irmã Jéssica e aos seus amigos.

quarta-feira, agosto 22, 2012

coração feito com chumbos para espingarda de pressão de ar


O coração pode ser um eterno caçador solitário,
ou uma freira pudica, ou até um tarado!

Mas quando o coração 
é um idoso que olha para a sua cara-metade
com felicidade plena,
então aí temos a certeza de que o amor é certo,
confiável e verdadeiro.

O Passado está repleto de ontens
e o Futuro tem demasiados amanhãs
Por isso, só o hoje é tido em conta,
só o hoje nos abala como se não houvesse amanhã.

Eu sou forte, mas só de pensar em ficar sem ti
sucumbo como areia, num monte que apenas jaz
e se deixa extinguir lentamente pelos sussurros do vento.

Eu sou forte, mas sei que sem ti o meu coração deixa de pulsar
como acontece com a chama de uma vela
nos últimos instantes antes de se apagar
porque já se queimou todo o seu pavio.

terça-feira, agosto 14, 2012

O som do Amor a partir-se

Visitámos o mel dos lugares paradisíacos e logo depois descemos aos infernos do sofrimento terreno.

O Amor que foi o certo do certo e o errado do errado, tudo mais e nada.

Já alguma vez ouviste o som do Amor a partir-se?
Com o peso das desilusões, de repente, ele se partiu. Inesperadamente.

Mas os cacos estão lá, como fósseis recentes, pó de estrelas cadentes, que agora não se erguem mais.

Incrivelmente, depois de tudo, ainda sinto falta do que tive de bom contigo. Infelizmente, apenas restam vestígios e reminiscências dolorosas que eu tento imediato afastar.

Estará sempre tudo bem, porque tem estado sempre tudo mal, por isso não faz mal... é só um coração despedaçado.

terça-feira, agosto 07, 2012

Risco

Abalanças-te contra o vento,
sem qualquer pejo encarnas
toda a atmosfera do relento
sem que ardas nesse inferno
e repousas os pés no abismo
das falésias onde te enterro.

Hoje não és meu para guardar
não és mais quem se ajoelhou
aos meus pés virado do avesso
na direcção contrária de quem era para ser.

Escolhes a noite e ficas no momento
desde o seu tardio começo
até quando começou a entardecer.

quinta-feira, julho 12, 2012

sábado, junho 30, 2012

Matar ou morrer

Um rosto afundado nas brumas da tristeza,
que arrasta consigo um corpo vítima da gravidade,
esta, que com os seus braços lânguidos
severamente o castiga
condenando-o a arrastar-se  pela Terra.

E de vez em vez, o ódio e a raiva como injecção letal
influem-se no corpo exangue
tomam conta dos braços agora entesados
e até os pés tendem a suplantar o corpo.

É nessas horas que se pode matar ou morrer.
É nesses momentos que o sibilo da víbora soa,
pérfido nos ouvidos, despertando as imagens
violentas e repetidas como ataques infligidos
à alma atormentada pelas memórias
do que nos fizeram.

E o que nos fizeram jamais sai de nós
e surge como em relâmpagos
repentinamente, sem aviso,
à menor escuridão no horizonte.




terça-feira, junho 19, 2012

Não há diferença

As minhas mãos não estão muito diferentes
de quando te deixei no quarto escuro
com a penumbra a envolver-te o corpo
mas não fui capaz e voltei a ver-te.

Os meus cabelos não estão muito diferentes
de quando passeávamos de mãos dadas
e o vento os percorria como invisíveis dedos,
mas não fui capaz de derrotar os velhos medos.

O meu rosto não está muito diferente
de quando visitavas as memórias doces e amargas
apenas de olhá-lo nos olhos
mas não fui capaz e reduzi-as a escolhos.

O meu corpo não está muito diferente
de quando te deitavas a meu lado
e mo acariciavas durante lânguido tempo
mas não fui capaz e perdi o momento.

quarta-feira, junho 13, 2012

Acredito que alguns de nós somos mais tudo aquilo que aconteceu antes de virmos ao mundo, todas as histórias que as pessoas que nasceram antes de nós viveram, do que propriamente o que nos acontece depois de existirmos.


É como com os cabelos brancos, que quando caem, ou são arrancados, já tinham outros cabelos à espera de crescerem no lugar deles. Somos essa rede, mais ou menos desgrenhada, esse emaranhado de cabelos, que gradualmente envelhece e decai para dar lugar aos novos.

domingo, junho 10, 2012

Perspectiva

Podemos ter opinião sobre várias matérias sem termos lido sobre elas, porém só obtemos perspectiva quando nos informamos sobre o que várias outras pessoas dizem essas várias matérias.

Aí podemos juntar a nossa visão ao conglomerado opinionista apesar de não valer em nada para a matéria em questão.

quinta-feira, junho 07, 2012

” Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”
Krishnamurti


Por isso é que... enfim... para mim é óbvio e não entendo como é que as pessoas não vêem em que Mundo é que estamos, que Mundo criámos e aquilo em que nos tornámos.

Ligado a isto: http://crypticpoetry.blogspot.pt/2012/04/reasons-by-images-to-not-have-children.html

terça-feira, junho 05, 2012

Psico-traumatismo

Proferia ameaças embebidas em álcool, infantilidade, pura estupidez humana...

De certa vez, sempre em descontrolo e em absoluta falta de senso, abriu a porta do carro e saiu... estava o carro a 90 kms à hora pela avenida da liberdade... irónico, não? Mas não era aquilo liberdade, mas antes um acto completamente prisioneiro de um desespero agreste, típico da frustração humana acumulada durante décadas.

Doutra vez, recordo-me da imagem, bebeu álcool etílico, não sei bem porquê, confesso. Mas imagino que a quantidade não tenha sido muita.

Houve uma outra vez, num tempo mais antigo, em que eu consigo até visualizar-me fora do meu corpo pequeno, e vi, uma das muitas vezes que se seguiriam, sair a dizer que se ia matar. Usava sempre este termo e nunca que se ía suicidar. Imagino que este último seja demasiado sofisticado para quem profere esse tipo de coisas.

O amor que supostamente é incondicional e que pensamos nunca ter fim perde-se com o acumular de desiludidas ameaças. Suponho eu.

sexta-feira, maio 18, 2012

Quando eu era pequenina...

... os senhores velhinhos que se sentavam nos bancos da minha rua eram acarinhados por todos os moradores e muitos deles vistos como sábios a quem se recorria para se aconselhar em momentos de tormenta.

... a minha mãe obrigava-me a usar collants toda a hora e a agasalhar-me sempre em demasia, mas eu gostava muito das minhas calças largas de bombazina por baixo das quais ela forçava-me muitas vezes a usar umas calças de fato de treino. Hoje só há skinny jeans por todo o lado... eu que sempre fui skinny nunca usava calças muito apertadas.

... o champô fazia-me arder os olhos quando lavava o cabelo que ficava sempre com tantos nós.

... das coisas que mais gostava de fazer com o meu pai eram: limpar os discos de vinyl com a escovinha que tinha um tecido tão suave e também de ajudar com a colecção de selos, usando uma pinça, molhá-los e esperar que eles se despegassem do papel para depois secá-los com muito cuidado para que não se colassem e mais tarde arrumá-los, dispondo-os gentilmente entre o papel vegetal e o papel normal do livro que o meu pai tinha criado para servir de álbum de selos. Com as notas e moedas também me divertia a consultar o livrinho de numismática para descobrir qual o valor das moedas que tínhamos e como é que se avaliava a sua condição:
EF - Soberba: moedas com pouco vestígio de circulação.
VF - Muito Bem Conservada: moedas com vestígios de circulação.
F - Bem Conservada: moedas com muitos vestígios de circulação.
VG  - Um Tanto Gasta: moedas com excessivos vestígios de circulação.
G - Gasta: moedas excessivamente gastas, de péssima visualização.
Slug - Completamente Gasta: moedas com nenhuma visualização.

... pegava na caneta da Bic e usava-a para repor a fita das cassetes que se soltava.

... levava o meu irmão para brincar no parque e às vezes jogar um bocado com uma bola à frente do meu prédio, ou ia andar de bicicleta, uma bmx com uma cor fluorescente.

... já era filha da noite e dos desassossegos pela responsabilidade que demasiado cedo me foi imposta.

...

sexta-feira, abril 20, 2012

Orgulho

Quando alguém faz parte de ti e sentes orgulho, isso transparece e irradia, e o contrário também.
Infelizmente a única pessoa que alguma vez me disse directamente que tinha orgulho em mim, é apenas um vulto que assombrou a minha existência.

segunda-feira, abril 16, 2012

O retorno à Liberdade

Hoje, tenho a sensação de que nunca serei livre.

Mas respiro Liberdade;
desejo-a com todos os sentidos,
em último suspiro,
em última vertigem,
em último abraço,
em juízo final.

Almejo retornar à Liberdade que nunca tive.

sexta-feira, abril 13, 2012

Cinematografia Portuguesa

Woody Allen tenta simular "a vida é bela" nos países mediterrânicos; passa por Espanha, França, Itália, sempre em ambientes ligeiros, de romantismo efémero, alumiados pelo calor do Sul.

Mas não passa por Portugal. Não, Portugal merece mais, mais do que ele pode dar.
Portugal é maior, de tonalidades profusas e oblíquas, com a intensidade de Byron e a magia de Wenders.

A sua atmosfera, ora bucólica, ora frenética; as esparsas cores da sua terra e do seu mar, atraem os olhares como as sereias com os seus cantares e fazem de Portugal um país encantado.

Mergulhado na neblina de outrora e atravessada por raios de luz intensa, modernista, Portugal é o país  de onde partiu Camões para o exotismo das Índias e para onde retornaram os filhos dessa eterna órfã mãe.

sábado, abril 07, 2012

O meu saldo da Poesia é positivo: por pior que ela me tenha feito, o que de bem ela me fez não tem preço.

quinta-feira, abril 05, 2012

Objecto esquisito

Sei lá!
Era uma vez um gato
Ela está a escrever mesmo
que comia ratos
eram eras perdidas
Era uma vez um galo
que endoidecia o arado!

Onde é que estão os guardanapos?
o cimento
Estou a ficar com rugas acentuadas
Não sei nem quero saber!
Cantei bem alto e tu ouviste,
fez cocó?
Adeus praias tão lindas e tão belas!

*poema composto com a co-autoria de Jéssica e César Costa Campos

sábado, março 10, 2012

Gerações

Os mais novos não tem saudades do passado e dos momentos com os familiares mais idosos; apenas anseiam pelo futuro e vivem o presente com a indiferença de pássaros livres.

Os mais velhos, esses, recordam a família que já não têm e momentos que se passaram em alegria.
Carcomida a alma pelas traças da nostalgia, os segredos esqueceram-se de tão bem guardados. 

«Eu ainda brinquei na rua.»

«No teu tempo era diferente.»

Não sei qual foi a geração mais humana, nem mesmo a que celebrou melhor a vida, mas sei que é apenas um ciclo que vai e vem, nada mais.

terça-feira, março 06, 2012

Ser idealista

Muitas são as pessoas idealistas, que vivem em torno e à procura de um mundo construído nas suas mentes.
Essa irrealidade sobrepõe-se ao real quotidiano e imerge todos os seus obstáculos numa névoa.

Mas perante a brutalidade das chacinas e crimes humanos espalhados por todo o mundo, que outra saída resta à mente conscienciosa?

Neste mundo de Hitler, mais vale ser Quixote: continuar a lutar contra moinhos na nossa mente e imaginar que o Bem triunfa no ser humano e se propaga em seu redor, num verdadeiro mundo de Paz e Amor.


segunda-feira, março 05, 2012

Para as pessoas-bombas a solidão e o desespero são o rastilho e a pólvora prontos a explodir.