Será preciso sempre a faca raspar o osso
para que mergulhes no fosso de ti mesmo
e vejas que é necessário mais pontes que muros?
Cada vez que levantas bandeiras divisórias
Cada vez que enalteces vitórias egotísticas
Cada vez que te demoras em julgamentos
Cada vez que rememoras passados ultrapassados
Assim ninguém dá a volta
e quantas vidas mais
e quantas eras mais
e quantas guerras mais...
Estou exausta, mas sei que um dia hei-de descansar.
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domingo, março 28, 2021
Consciências
quarta-feira, janeiro 09, 2013
sexta-feira, dezembro 21, 2012
Sonho e Maresia
Penso que qualquer pessoa se podia habituar a sol e mar,
à vida boa que é não ter de sofrer, não ter de lutar.
Um sol que não queima e um mar que não se revolta,
perfeição e calmia, sempre crepúsculo e luar
ao doce som da maresia.
É, acho que eu me podia habituar.
à vida boa que é não ter de sofrer, não ter de lutar.
Um sol que não queima e um mar que não se revolta,
perfeição e calmia, sempre crepúsculo e luar
ao doce som da maresia.
É, acho que eu me podia habituar.
quarta-feira, dezembro 19, 2012
Conexão Humana
Todos procuram
conectar-se a outrem
nas ruas, nos transportes,
nas redes físicas e virtuais
e as multidões de comensais.
Pois, eu digo que se beba o vinho
e que comece o desatino!
Mercados de gente,
mercados de natal
mercados de viagens
mercados de hospitais.
Não te ligas a ninguém
pensas que não sais magoado
mas a solidão não é só um achado
pois pode corroer-te mais além.
Teias com microchips nas intersecções,
assim é a rede humana de relações
em que se assiste à dizimação dos valores
e ao crescendo dos preços
Não temos deus, não temos crença,
mas também não temos razão
nem a tradição da benevolência.
conectar-se a outrem
nas ruas, nos transportes,
nas redes físicas e virtuais
e as multidões de comensais.
Pois, eu digo que se beba o vinho
e que comece o desatino!
Mercados de gente,
mercados de natal
mercados de viagens
mercados de hospitais.
Não te ligas a ninguém
pensas que não sais magoado
mas a solidão não é só um achado
pois pode corroer-te mais além.
Teias com microchips nas intersecções,
assim é a rede humana de relações
em que se assiste à dizimação dos valores
e ao crescendo dos preços
Não temos deus, não temos crença,
mas também não temos razão
nem a tradição da benevolência.
domingo, dezembro 16, 2012
Escrevo-te com o sangue diluído em lágrimas
a partir do tinteiro do meu coração
e com a pena do corvo negro
que um dia foi apenas azul.
E escrevo-te porque sempre foste tu
e porque nunca soube onde estavas
e no entanto continuei a escrever-te
no papel translúcido e pardo
para um endereço sem morada.
Não consigo precisar
se foi a falar contigo em pensamento
ou se foi a escrever
que cedo perpetuei o hábito
de ninguém me responder.
Porque a solidão é a minha maior companhia
e, como dizem, não me dou com pessoas
nem tão pouco com animais.
E a minha vida sempre foi torta
como a escoliose que me oscila
um centímetro e meio para o lado errado
em meia dúzia de vértebras insustentadas.
Escrevo-te sobre coisa nenhuma
e como sempre foi apenas fruto do ar
que o vento levou e não esqueceu
deixando a sua marca febril
nas minhas veias marcada.
a partir do tinteiro do meu coração
e com a pena do corvo negro
que um dia foi apenas azul.
E escrevo-te porque sempre foste tu
e porque nunca soube onde estavas
e no entanto continuei a escrever-te
no papel translúcido e pardo
para um endereço sem morada.
Não consigo precisar
se foi a falar contigo em pensamento
ou se foi a escrever
que cedo perpetuei o hábito
de ninguém me responder.
Porque a solidão é a minha maior companhia
e, como dizem, não me dou com pessoas
nem tão pouco com animais.
E a minha vida sempre foi torta
como a escoliose que me oscila
um centímetro e meio para o lado errado
em meia dúzia de vértebras insustentadas.
Escrevo-te sobre coisa nenhuma
e como sempre foi apenas fruto do ar
que o vento levou e não esqueceu
deixando a sua marca febril
nas minhas veias marcada.
segunda-feira, dezembro 10, 2012
Como sabemos que ele é o "tal"?
Depois de crescermos e nos definirmos minimamente, ou seja, identificarmos características e valores que nos definem, nomeadamente o que queremos e o que não queremos, podemos enquanto seres humanos conectarmos com os outros mais plenamente.
Após algumas experiências de termos estado em relacionamentos amorosos, podemos ver o que gostamos e o que não gostamos nessas pessoas e saberemos qual o conjunto de boas características a reconhecer no "tal".
Quando encontramos a pessoa certa, sabemos, porque ela apresenta as qualidades que sempre quisemos que a pessoa que ficasse connosco tivesse.
Escolhemos amá-la mesmo que tenha defeitos, pois as suas qualidades são tudo o que sempre quisemos encontrar numa só pessoa e os seus defeitos são mínimos e também minimizados pelas qualidades que talvez sejam difíceis de encontrar numa só pessoa.
Não nos devemos habituar, ou conformar com as pessoas, mas antes darmo-nos ao pleno exercício do direito de termos do nosso lado a pessoa que nos completa e que reúne todas as boas características que as anteriores não tiveram em conjunto em cada uma de si mesmas.
A vida é só uma, não há hipótese de voltar atrás para se corrigir, por isso o Amor que é ingrediente principal para a felicidade deve ser bem pensado, testado, aprovado e comprovado, e não apenas sentido, para que seja dos melhores que pode ser.
(acabei de ler agora a 1 de Julho de 2024 e pensei: xi, que científico lolollolll q palhaçada, não há "tal" nenhum, senão eventualmente o que se esforçar por ser sempre 🤦🏾🤷🏾)
domingo, dezembro 02, 2012
sexta-feira, novembro 23, 2012
A queda de um anjo
Guardava a minha alma
de noite e de dia
jamais desviava seu olhar
da minha parda face
enquanto eu sucumbia
Mostrava a devoção dos fiéis
e o sacrifício dos crentes
e soubera eu do seu destino
jamais sussurado entre dentes
o cruel desatino da queda
O que me leva a cair
que me impeça de re-ascender
O que me leva a sorrir
que nunca se aparta de mim
Pois longe estamos no vento do tempo
e mais perto estamos de chegar;
já não somos quem éramos, penso,
embora saiba que não se deixa de ser quem é.
de noite e de dia
jamais desviava seu olhar
da minha parda face
enquanto eu sucumbia
Mostrava a devoção dos fiéis
e o sacrifício dos crentes
e soubera eu do seu destino
jamais sussurado entre dentes
o cruel desatino da queda
O que me leva a cair
que me impeça de re-ascender
O que me leva a sorrir
que nunca se aparta de mim
Pois longe estamos no vento do tempo
e mais perto estamos de chegar;
já não somos quem éramos, penso,
embora saiba que não se deixa de ser quem é.
quinta-feira, novembro 22, 2012
O frio do desamor
Hoje senti-o: o frio do colchão do desamor,
acordar face a uma parede rachada
sem ninguém ao lado
sem qualquer esperança de vida.
Por breves momentos, senti-o:
o rubor esmaecido de memória de outrora,
quando o amor era bandido
e roubava suspiros sem demora.
A madrugada levou os sonhos bons
e deixou o deserto da realidade.
O meu amor nunca acabará,
é impossível que deixe de existir,
pois está ligado ao meu coração
e enquanto ele bate o seu pulsar
deixa-o repousado em mim.
acordar face a uma parede rachada
sem ninguém ao lado
sem qualquer esperança de vida.
Por breves momentos, senti-o:
o rubor esmaecido de memória de outrora,
quando o amor era bandido
e roubava suspiros sem demora.
A madrugada levou os sonhos bons
e deixou o deserto da realidade.
O meu amor nunca acabará,
é impossível que deixe de existir,
pois está ligado ao meu coração
e enquanto ele bate o seu pulsar
deixa-o repousado em mim.
sábado, novembro 10, 2012
Auto-Imune
Sempre tive relações temporárias com o mundo
e soube apagar logo a informação desnecessária,
porém o que resta no hotel da memória
não é agradável de se habitar,
mas necessário para não se repetir.
Como se pudesse controlar totalmente!
O mundo lá fora corre e eu sossegada
no tumulto da minha prisão e ostracismo
como nenhuma outra jovem mulher
construiu a sua solidão e o seu pensamento.
No meu quarto, os 36 espelhos que já nada me gritam
apenas acompanham a minha inexistência
como espíritos inertes, estátuas de quem fui.
Transfiro a dor em palavras
que a expiam temporariamente,
mas quem as lesse todas,
não conseguiria ver um décimo de quem fui.
As muralhas que o meu corpo ergueu
não se comparam às fortificações consequentes na mente:
a auto-imunidade de quem morreu a cada batalha
e teve que à força da vida ressuscitar
para continuar a guerra.
Os pacíficos, idealistas, como eu,
nunca conseguiram sozinhos as suas vitórias,
mas o meu ser - ariete contra os obstáculos
- não teve claques ou guarnições de apoio;
a solidão foi a minha força, o meu templo e construção.
e soube apagar logo a informação desnecessária,
porém o que resta no hotel da memória
não é agradável de se habitar,
mas necessário para não se repetir.
Como se pudesse controlar totalmente!
O mundo lá fora corre e eu sossegada
no tumulto da minha prisão e ostracismo
como nenhuma outra jovem mulher
construiu a sua solidão e o seu pensamento.
No meu quarto, os 36 espelhos que já nada me gritam
apenas acompanham a minha inexistência
como espíritos inertes, estátuas de quem fui.
Transfiro a dor em palavras
que a expiam temporariamente,
mas quem as lesse todas,
não conseguiria ver um décimo de quem fui.
As muralhas que o meu corpo ergueu
não se comparam às fortificações consequentes na mente:
a auto-imunidade de quem morreu a cada batalha
e teve que à força da vida ressuscitar
para continuar a guerra.
Os pacíficos, idealistas, como eu,
nunca conseguiram sozinhos as suas vitórias,
mas o meu ser - ariete contra os obstáculos
- não teve claques ou guarnições de apoio;
a solidão foi a minha força, o meu templo e construção.
sexta-feira, outubro 19, 2012
Epitáfio de Portugal
Aqui jaz Portugal
cuja data de nascimento
e data de morte
não têm precisão tal
que haja discernimento
capaz de lhe ler a sorte.
Da fibra que teve
apenas reza que foi por necessidade
sem grande interesse no bem comum
à medida que a gente ferve
por causa da riqueza e da vaidade
de todos e mais algum.
Alimentação farta se concedeu
enquanto outros se contentavam
com bifanas, cervejas e tremoços
Sugaram-lhe o tutano no apogeu,
lambuzando os dedos olhavam
enquanto ficavam apenas os ossos.
Oh burocracia entrevada,
que nem numa cadeira de rodas é empurrada!
Dizimaram a Flora em prol do alcatrão,
não vêem que não chegam a lado nenhum
sempre só a cultivar o betão;
dizimam-se futuras colheitas
cimentando o pão às pessoas
que se vêem obrigadas
a abandonar a agropecuária
que nos séculos anteriores
tiveram no coração.
Não há lugar a elegias
ao moribundo país,
que acabou com as alegrias
de um povo que não lhe traz flores à campa.
Portugal, Portugal, que nas tuas próprias terras jogaste sal!
cuja data de nascimento
e data de morte
não têm precisão tal
que haja discernimento
capaz de lhe ler a sorte.
Da fibra que teve
apenas reza que foi por necessidade
sem grande interesse no bem comum
à medida que a gente ferve
por causa da riqueza e da vaidade
de todos e mais algum.
Alimentação farta se concedeu
enquanto outros se contentavam
com bifanas, cervejas e tremoços
Sugaram-lhe o tutano no apogeu,
lambuzando os dedos olhavam
enquanto ficavam apenas os ossos.
Oh burocracia entrevada,
que nem numa cadeira de rodas é empurrada!
Dizimaram a Flora em prol do alcatrão,
não vêem que não chegam a lado nenhum
sempre só a cultivar o betão;
dizimam-se futuras colheitas
cimentando o pão às pessoas
que se vêem obrigadas
a abandonar a agropecuária
que nos séculos anteriores
tiveram no coração.
Não há lugar a elegias
ao moribundo país,
que acabou com as alegrias
de um povo que não lhe traz flores à campa.
Portugal, Portugal, que nas tuas próprias terras jogaste sal!
domingo, outubro 14, 2012
Casino
Luzes langorosas
contrastam com o frenesim das salas
O piso alcatifado não ampara
os golpes de quem sucumbe ao vício
Hoje já não se vê o primor do vestuário,
circulam ténis néon apressados
à mesma velocidade de sapatos de verniz.
Há um misto de desespero, vergonha e ambição no ar:
uma expectativa diferente de quem quer ganhar.
E no meio de tudo um casal de idosos apaixonado
conta anos de casados na máquina da sorte.
O mundo gira tão veloz quanto a roleta
e o resultado para a maioria é sempre a perder,
à medida que o dinheiro muda de mãos
como numa prova de estafetas a correr.
contrastam com o frenesim das salas
O piso alcatifado não ampara
os golpes de quem sucumbe ao vício
Hoje já não se vê o primor do vestuário,
circulam ténis néon apressados
à mesma velocidade de sapatos de verniz.
Há um misto de desespero, vergonha e ambição no ar:
uma expectativa diferente de quem quer ganhar.
E no meio de tudo um casal de idosos apaixonado
conta anos de casados na máquina da sorte.
O mundo gira tão veloz quanto a roleta
e o resultado para a maioria é sempre a perder,
à medida que o dinheiro muda de mãos
como numa prova de estafetas a correr.
quarta-feira, outubro 10, 2012
Lambendo as tuas lágrimas de veludo azul
provo a Tristeza
e fico a conhecer o sabor da tua dor.
Eu estou aqui à tua espera
de braços abertos
vazios
como a terra que anseia pela água
que a faz ganhar vida.
Meu Amor. Meu Amado.
De quem eu sou amadora.
De quem eu sou amante.
Vem para mim
na cálida brisa
que faz ondular o meu cabelo
como se fosse um teu afago.
E faz de mim tua para sempre
ao baptizar-me com a luz que emana do teu coração.
Assim é o nosso Amor.
provo a Tristeza
e fico a conhecer o sabor da tua dor.
Eu estou aqui à tua espera
de braços abertos
vazios
como a terra que anseia pela água
que a faz ganhar vida.
Meu Amor. Meu Amado.
De quem eu sou amadora.
De quem eu sou amante.
Vem para mim
na cálida brisa
que faz ondular o meu cabelo
como se fosse um teu afago.
E faz de mim tua para sempre
ao baptizar-me com a luz que emana do teu coração.
Assim é o nosso Amor.
domingo, outubro 07, 2012
Mandamentos: "Não ser como ela"
- Não subjugar
- Não agredir
- Não mentir, enganar, ludibriar
- Não explorar e usar
- Não descarregar
- Não queixar
- Não se auto-vangloriar
- Não trair
- Não se auto-vitimizar
- Não magoar
- Não enervar
- Não esperar
- Não frustrar
- Não pisar
- Não impedir
- Não julgar
- Não criticar
- Não gritar
terça-feira, outubro 02, 2012
Para a Fernanda*
Um coração de oiro que irradia luz,
num corpo de deusa grega,
queimado ao sol mediterrânico,
tem esta mulher que nos seduz
e nos deslumbra mal chega,
acalmando todo o pânico.
Doce bálsamo, Fernanda, produz
ao nos presentear com a sua amizade.
Vejo a sua classe e a bondade
e aspiro ser como ela,
chegar aos calcanhares dela.
Sei que essa altivez é nobre
e está nos nossos corações
mesmo quando se encobre
momentaneamente de ilusões.
Porque sonhamos com a ilha dos prazeres
longe daqui e da gaiola
que nos aprisiona com dizeres
de quem nem sequer foi à escola.
E finalmente empilhamos essa espera
como jornais que acumulam pó,
mas avistam dias melhores
pois com Fernanda sinto-me menos só.
* À minha querida Fernanda, agradeço a amizade e o carinho. Obrigada por ser quem é e a única amiga que liga para saber de mim :)
num corpo de deusa grega,
queimado ao sol mediterrânico,
tem esta mulher que nos seduz
e nos deslumbra mal chega,
acalmando todo o pânico.
Doce bálsamo, Fernanda, produz
ao nos presentear com a sua amizade.
Vejo a sua classe e a bondade
e aspiro ser como ela,
chegar aos calcanhares dela.
Sei que essa altivez é nobre
e está nos nossos corações
mesmo quando se encobre
momentaneamente de ilusões.
Porque sonhamos com a ilha dos prazeres
longe daqui e da gaiola
que nos aprisiona com dizeres
de quem nem sequer foi à escola.
E finalmente empilhamos essa espera
como jornais que acumulam pó,
mas avistam dias melhores
pois com Fernanda sinto-me menos só.
* À minha querida Fernanda, agradeço a amizade e o carinho. Obrigada por ser quem é e a única amiga que liga para saber de mim :)
segunda-feira, outubro 01, 2012
E tudo desfalece
Tudo ficou de um azul-cinza claro
e na minha boca um travo amargo,
é o final de mais um dia no mundo
e a paisagem pontilhada de focos-laranja
anuncia o sentimento outonal do vento calmo.
Retalhei os fios de cabelo que choram à despedida
desfiam-se pelo chão durante estas semanas
porque estão cansados mas ainda anseiam renovação.
O renascimento que não vem,
o renascimento difícil,
a vida em pausa antes de um último esforço.
As andorinhas inexistentes e as cigarras caladas,
os ramos que estáticos murmuram algo ao vento
e eu não vejo qualquer esperança para o sol,
já não lhe vejo o alento.
Amanhã tudo estará igual em lento esmorecer
e depois disso também, um dia de vida
a equivaler um dia de morte,
como em todos os dias que ninguém vê.
Os focos-laranja artificiais parecem-me agora
de beleza extraordinária, como a dos pôr-de sóis
que vi outrora, com raios de luz mágica e moribunda,
mas que deixavam nos nossos corpos a sensação
de que renasceriam quais fénix, dia-após-dia,
para um espectáculo dissonante.
e na minha boca um travo amargo,
é o final de mais um dia no mundo
e a paisagem pontilhada de focos-laranja
anuncia o sentimento outonal do vento calmo.
Retalhei os fios de cabelo que choram à despedida
desfiam-se pelo chão durante estas semanas
porque estão cansados mas ainda anseiam renovação.
O renascimento que não vem,
o renascimento difícil,
a vida em pausa antes de um último esforço.
As andorinhas inexistentes e as cigarras caladas,
os ramos que estáticos murmuram algo ao vento
e eu não vejo qualquer esperança para o sol,
já não lhe vejo o alento.
Amanhã tudo estará igual em lento esmorecer
e depois disso também, um dia de vida
a equivaler um dia de morte,
como em todos os dias que ninguém vê.
Os focos-laranja artificiais parecem-me agora
de beleza extraordinária, como a dos pôr-de sóis
que vi outrora, com raios de luz mágica e moribunda,
mas que deixavam nos nossos corpos a sensação
de que renasceriam quais fénix, dia-após-dia,
para um espectáculo dissonante.
terça-feira, setembro 25, 2012
O nosso amor é mais do que possível
ao mesmo tempo que tem sido impossível
em todos os dias das nossas vidas.
Mas um dia, sentar-me-ei naquele mesmo banco de jardim,
em baixo daquela mesma árvore e tu estarás sentado ao meu lado.
E um dia eu estarei a olhar o rio e tu o mesmo ondular.
Um dia estarei naquela praia e tu a olhar o mesmo horizonte.
E nesse mesmo dia tu e eu estaremos a olhar um para o outro
no nosso leito, lado a lado, enquanto entardece.
ao mesmo tempo que tem sido impossível
em todos os dias das nossas vidas.
Mas um dia, sentar-me-ei naquele mesmo banco de jardim,
em baixo daquela mesma árvore e tu estarás sentado ao meu lado.
E um dia eu estarei a olhar o rio e tu o mesmo ondular.
Um dia estarei naquela praia e tu a olhar o mesmo horizonte.
E nesse mesmo dia tu e eu estaremos a olhar um para o outro
no nosso leito, lado a lado, enquanto entardece.
domingo, setembro 16, 2012
Vai-se andando
Supostamente somos animais civilizados
No entanto, todos os minutos das nossas vidas
são premiados com eventos selváticos
a que assistimos a partir dos nossos sofás
confortavelmente defronte à televisão.
Enquanto civilização devíamos aspirar
desenvolvermo-nos em paz e harmonia
procurando atingir a perfeição
considerando a humanidade como um todo.
No entanto, todos os minutos das nossas vidas
são premiados com eventos selváticos
a que assistimos a partir dos nossos sofás
confortavelmente defronte à televisão.
Enquanto civilização devíamos aspirar
desenvolvermo-nos em paz e harmonia
procurando atingir a perfeição
considerando a humanidade como um todo.
Porém, numa vida mormente curta
o indivíduo pejado de defeitos
vive a afundar-se num lodo
de movediças guerras e ódios.
Enquanto houver ganância
e o ser humano perpetuar imperfeições
nada poderá florir em calma
e semear a paz em todos os corações.
Sonhei com um mundo melhor
com pessoas melhores
e amei-os nessa ilusão doce
de quem vive amando.
o indivíduo pejado de defeitos
vive a afundar-se num lodo
de movediças guerras e ódios.
Enquanto houver ganância
e o ser humano perpetuar imperfeições
nada poderá florir em calma
e semear a paz em todos os corações.
Sonhei com um mundo melhor
com pessoas melhores
e amei-os nessa ilusão doce
de quem vive amando.
e ainda assim
toda a gente responde:
"vai-se andando".
quinta-feira, setembro 13, 2012
Tatuagem, por Chico Buarque
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...
[Com Caetano Veloso: http://www.youtube.com/watch?v=TB6Cpy-X7A8]
terça-feira, setembro 04, 2012
Surfista sem prancha
Quatro horas da tarde e não me apetece muito...
não há água quente e a fria causa-me hipotermia.
Não sei se hoje vai aparecer alguém,
mas sei que não há ninguém.
Os Verões são cada vez mais longos,
cada vez mais incendiários,
mas não na minha vontade
que dispensa intermediários.
O sofá sempre disponível,
nem sempre confortável
e a isto se chegou
tão rápido quanto o mar secou.
Surfo em revistas, sítios e páginas,
vejo o horizonte com dois palmos e meio
e a reluzir minusculamente
porque já não há pôr-do-sol
ondas ou luar.
Na minha terra havia palmeiras a dançar
acompanhando o corpo mole
que bailava a cada passo na areia.
Assim são os surfistas sem prancha
românticos, idealistas,
lunáticos, existencialistas...
não há água quente e a fria causa-me hipotermia.
Não sei se hoje vai aparecer alguém,
mas sei que não há ninguém.
Os Verões são cada vez mais longos,
cada vez mais incendiários,
mas não na minha vontade
que dispensa intermediários.
O sofá sempre disponível,
nem sempre confortável
e a isto se chegou
tão rápido quanto o mar secou.
Surfo em revistas, sítios e páginas,
vejo o horizonte com dois palmos e meio
e a reluzir minusculamente
porque já não há pôr-do-sol
ondas ou luar.
Na minha terra havia palmeiras a dançar
acompanhando o corpo mole
que bailava a cada passo na areia.
Assim são os surfistas sem prancha
românticos, idealistas,
lunáticos, existencialistas...
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