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segunda-feira, maio 26, 2025

No País dos Grunhos

 Ontem, hoje e amanhã 
Protestos serão grunhidos 
Perto dos sonoros "golooo!"
E todos duros de ouvido 
Para os avisos do que aí vem
Com as famílias à fome
Bons cogitam serem foragidos 
E eu fico que sou um tolo
Porque sofro desde que nasci
Neste país de grunhos barrigudos 
Só eu é que (me) perdi

quinta-feira, abril 10, 2025

Das Tarifas

 Na recente jiga-joga das tarifas
Entram os BRICS multilateralistas
A fazer um belo de um pirete
Ao trampa que fez esse joguete

Dos pedófilos fascistas nojentos 
Cujo objectivo é só o poder e o dinheiro 
Não existem indivíduos mais abjectos
Que falsos algodoeiros-doces e pipoqueiros
Manipulando a alegria e os mercados 
Como o capital é quem manda em todos
Eles são só os seus moços de recados 
Enquanto espalham mentiras a rodos

A impunidade é o pão de cada dia
Que também está inflacionado
Infelizmente é chegado o tempo 
Em que tudo já está acabado 
Não haverá nem pão nem alegria 
Enquanto pregam a misoginia 
E a xenofobia e até declaram 
A empatia número um dos inimigos 
Desses nacionalistas ambíguos 

Os psicopatas todos-poderosos
Cobardolas de egos frágeis 
Tremendo e ameaçando 
Maltratando as mulheres ágeis 
Têm tanto medo de ser taxados
Que se põem com a violência 
Preemptiva à norte-americanos 
Contra quem ganha a audiência 

Mas a profecia da economia 
Já há anos adivinhava e dizia
Que a força estava nos números 
Do Brasil, Rússia, Índia e China
Como da África que se industria
Porque o progresso é a falácia 
Ainda maior do que foi um dia


domingo, novembro 12, 2023

Portuguesa de (sg) raça

 

Ora aqui vai um pouco de História pra portuguesa de raça, com essa falta de classe estás mais pra morcona, uma pedigree vira-lata,
Fica a saber que não existem raças, isso foi só fake news de um passado cheio de traças, os esclavagistas, a inventar desculpas e chalaças só para justificarem a sua barbárie e a ganância de chupistas. Tu e os restantes milhões vieram dos mesmos invasores, misturados mais que os feijões, com ora mouros, ora saxões, mais uns dez povos em séculos de invasões. Se não sabes do que falas, vai fazer um teste de ADN, vais ter cá uma surpresa que és tu que deves fazer as malas. Nenhuma terra é de alguém, nasceram nelas por acaso, por se separarem assim é que vai pró diabo. Ó portuguesa, tu tás mais é pa desgraça.

sábado, julho 09, 2022

 Ainda estamos vivos, meu amor, obrigada por isso. Sei que faz agora tempo que nos matámos, com as nossas defesas a falar mais alto - não há a força descomunal do abraço, mas por milagre sobrevivemos. Eu fui a estúpida do Kill Bill. Desculpa. Todos os dias é só sofrimento, terror de que tudo se acabe, antes não era assim. "Yeah, I hurt but I'm still alive yeahhh". 

Muito difícil tudo. 


sexta-feira, julho 01, 2022

Já faz anos que não falo com quase ninguém

 Para quê falar com pessoas-livros
pessoas-documentários, pessoas-fofocas?
Para isso leria em vez os livros,
veria os documentários,
e leria revistas cor-de-rosa e afins.

As únicas coisas que me interessavam
poderiam ser as pessoas em si,
elas que supostamente contêm universos,
mas infelizmente só são nebulosas
com tantas máscaras grossas e toscas
mentiras vãs e ocas
para as quais não há mais paciência.

Saudades das pessoas que têm mundos
criados por elas mesmas dentro
tão ricos e profundos
tão interessantes com os seus delírios
e devaneios que pensam por si
não copiam os outros ipsis verbis
não têm medo de ser assim
assumem que estão perdidas a navegar
em busca de um dos sete mares

quinta-feira, janeiro 27, 2022

 Tenho pena de quando vejo coisas bonitas e não posso partilhar contigo.

do filme "O que me ficou da Revolução"

quarta-feira, novembro 10, 2021

Avanço

 Eu sou de todos os cantos
E de nenhum
Sou das planícies e planaltos
Aos terrenos eu levanto-os
Sou das montanhas e asfaltos
Eu sou muitos e sou só um. 

Não paro nem dentro de água,
Ou mesmo areia movediça,
Mágoa rapidamente espanto
Só fica quem não se desperdiça.



quinta-feira, outubro 28, 2021

Brasil

 Terra de seios virginais
Selva maternal
Em que todos os sons
Criados são desiguais
Pelos biliões de pássaros
Que voam ora despreocupados
Ora afugentados

O verde abunda 
O céu ora entupido
Ora esculpido em tons azuis

Contém todas as cores menos o branco
Senão nas vestes de quem roga por paz

Brasil tu és demais
Eu anseio já há tanto tempo pelo tal dia
Em que tu salvarás o Mundo
Com o teu abraço mais profundo. 


terça-feira, outubro 12, 2021

A solitude continua a ser o templo onde o poeta se constrói e se destrói e reconstrói.
Nada pode perturbar a solitude nem a mente que é um palácio decorado a pietra dura
O resto é nada. 
E tudo é então maravilhoso como as reflexões de luz que raiam ao ripostar das suas paredes majestosas, refracções inúmeras dos milhares de pedras preciosas.

segunda-feira, julho 12, 2021

Ter Liberdade

 Mais do que Liberdade para fazer o que se quer
É muito melhor quando se tem Liberdade para se ser o que é
Mesmo que isso signifique estar desajustado à sociedade
Ser visto como louco, doente, errado, falhado
e tudo isso de pejorativo e etiquetado
por quem está de facto do lado errado.


(nota: LoFi rocks <3 :D listening to Julian Avila )

quinta-feira, julho 01, 2021

Do Amor não-correspondido

O Amor acontece de repente
sem avisar e sem haver culpa
de quem se foi arrematar
por esse sentimento tão forte
e amar alguém que não nos ama 
consegue ser muito doloroso
pode-nos arrastar para a morte
se não houver cuidado e zelo
temo não ter muita sorte
e às vezes sim sinto medo.

É um pavor de ser uma condenação
daquelas que dura uma eternidade
e não larga jamais o coração
uma coisa que nunca aconteceu
e que faz fazer coisas que nunca se fez
de tudo o que se passou não se percebeu
é uma confusão como na tenra idade.

Essa dor no peito e no estômago
que aperta e esmaga de vez em quando
ora nos faz sorrir e cantar como jamais
mas rapidamente no seu âmago
tem a realidade que nos vai chocando
com as impossibilidades que ela traz.

No entanto, o Amor resiste a tudo
e não diminui perante as dificuldades
não se extingue perante as realidades
de quem ama e de quem não ama
só arde como mítica chama.

terça-feira, junho 29, 2021

Da Violência

A violência é o que mais abunda no mundo humano:
começa pelo cérebro que se forma em contrastes;
zeros e uns, esquerda e direita, explosões de sinapses

Quanto tempo demora a reajustar-se?
Mas sim adapta-se e molda-se
quando tem urgência de continuar
ele regenera-se até mais não poder durar

A violência permanece
no forçar da reação
e no estender da conclusão

O que ele não entende, não aceita,
porque não se enquadra na associação

O que ele não vê, não respeita,
não é capaz de tomar a decisão

Assim perpetua-se o preconceito
e toda essa situação em que nada muda

A esperança mantém-se de que nas novas gerações
haja então de raiz a educação e essa integral cura.

segunda-feira, junho 28, 2021

Da Surpresa

 Se insisto em dizer que não gosto de surpresas, mormente porque geralmente são más, porque é que dou por mim a pensar com tanto entediamento que por uma vez na vida gostava que alguma coisa me surpreendesse de facto?

Saber de antemão como tudo se vai desenvolver e conforme os comportamentos-padrão, tornou-se numa chatice maior agora, provavelmente por ter regressado a um envolvimento mais societal. Sim, faz sentido.

De qualquer forma, passar a vida inteira a parecer-me que estou apenas a ver um filme antigo que já tinha visto é muito aborrecido e eu nunca fui de pensar ou sentir que estava aborrecida, pois sempre me chegavam problemas maiores e desafios. 

Ora, de momento, ao ver que todas pessoas que eu amei em tempos sabendo exactamente como eram, e tudo tendo acontecido exactamente como eu havia dito que aconteceria, as coisas acabam por tomar uma perspectiva de pasmaceira muito cansativa mesmo. Ainda mais do que aquele velho título do "viver cansa". 

É, parece que ao contrário do que te disse, há pouco tempo, também eu sinto aborrecimento. Mas entretanto, sei ocupar-me com coisas que possam por segundos captar o meu deslumbramento pelo belo que lhes consigo enxergar, para ver que não perdi de novo o sentido de maravilhamento e que não estou anedónica outra vez. 

De resto sim, não houve ainda nada que me surpreendesse e, muitas vezes, como já disse algumas vezes, quis mesmo estar enganada, mas infelizmente ainda não aconteceu esse real sentido de inédito. 

domingo, junho 20, 2021

Algoritmo da Raça

 "Preto", quando na verdade é de todas as cores
"Asiático", quando na verdade não são só chineses, mas indonésios, malaios, indianos, entre outros
"Branco", quando são todos misturados com Adn de povos originários dos berços da Humanidade


*perpetuando-se ignorância e preconceito em todas as redes

domingo, março 28, 2021

Consciências

 Será preciso sempre a faca raspar o osso
para que mergulhes no fosso de ti mesmo
e vejas que é necessário mais pontes que muros?

Cada vez que levantas bandeiras divisórias
Cada vez que enalteces vitórias egotísticas
Cada vez que te demoras em julgamentos
Cada vez que rememoras passados ultrapassados

Assim ninguém dá a volta
e quantas vidas mais
e quantas eras mais
e quantas guerras mais...

Estou exausta, mas sei que um dia hei-de descansar.

segunda-feira, maio 01, 2017

O elogio do tal rapaz lusitano

O mundo não é maravilhoso como quando se canta,
nem tanto o mundo das pessoas é tão fascinante como se conta
e há as que têm um mundo por dentro e as que têm um universo,
mas mesmo assim não é tudo belo só por ser complexo.

O salvador* é quem nos traz esse outro lado inesperado,
que nos embala a vista com ternuras tristes
em notas flutuantes que emite como quem inebria,
tal qual as sereias que atraíram tantos marinheiros
transportando na voz promessas de felicidade eterna.

E o mundo fica belo quando se ouve o divino silêncio
e a vida fica mais suportável, esquece-se o inevitável fim,
tudo isto porque alguém dá a sua vida até ao último sopro
para que se tenha direito a vislumbrar essa espécie de nirvana.

Se Camões e Pessoa se juntassem para urdir poemas
para serem cantados com belas melodias a acompanhar
certamente esse seria o rapaz lusitano sem dilemas,
que iria sempre em frente, genuíno, já a ganhar.


Salvador Sobral, o rapaz mágico e prolífico da Música, que leva a canção e toda a alma portuguesa para espalhar o amor pela Europa no Festival da Eurovisão - singela homenagem, neste mês de Maio, em que evento se aproxima :) 






quarta-feira, fevereiro 22, 2017

A estranha sensação

Como se chama quando falas e o que dizes não te impacta absolutamente nada? Que fenómeno é este? As palavras saem corridas e até fortes da boca como sempre, mas agora já nada querem dizer porque não as sentes, nem sequer uma letra, uma nota, um gotejar da alma, nada, absolutamente nada. 
Esta sensação de não haver sensação e que é diferente de tudo o que já sentiste ou experienciaste, pois não lhe encontras qualquer ponte com anedonia, apatia, indiferença, nada. No entanto sabes que não é mentira o que dizes, mas simplesmente não o sentes e parece que estás a mentir ao dizê-lo. Não é também um desconvencimento ou falta de vontade para o dizer, mas antes um sentir que não valia de nada dizê-lo. 
Estranho. Muito estranho. 
Quando há algo de novo é porque algo mudou, mas tão subrepticiamente terá sido que não se apercebera? E só agora assim se revela? Talvez. 

segunda-feira, janeiro 16, 2017

nonsense is real sense

A fragilidade do traço,
não do teu rosto, mas do que traças nessa tarde de vazio...
O abandono e o frio,
chegam de mansinho na neblina que cobre as árvores
e vai abafando os chilreios dos melros.

Ao fim e ao cabo, também não faz mal estares só,
todos te abandonarem, um a um,
como quem sai da máquina de lavar carros,
até porque na realidade
a verdade
é que não precisas de ninguém (quando)
pois ninguém pode impedir que a morte chegue.

segunda-feira, dezembro 12, 2016

in construction

Estou completamente destruído e, com estes simultâneos e constantes vazio e peso alojados no peito, sinto que arrancaram tudo de mim brutalmente, como se uma retroescavadora me atacasse, unhando-me da boca aos joelhos. E viesse ainda um bulldozer com um cilindro demolidor e me chutasse para acabar no chão onde o rolo compressor me esmaga os restantes ossos e me funde com a podridão do alcatrão morno.

sexta-feira, dezembro 02, 2016

"Os poetas não morrem"

"Os poetas não morrem", oiço alguém dizer com veemência. Mas não o exclamou, não. A mim só me ocorreu que os poetas morrem aos poucos, a uma velocidade tão lenta que ninguém dá por ela. E quando dão, já é tarde demais.