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quinta-feira, novembro 13, 2025

Ilusão

 A ilusão é vidro grosso 
que se estilhaçou
em mil pedaços 
e ficaram só os cacos
do que nunca se chegou a ser

quinta-feira, fevereiro 20, 2025

sexta-feira, julho 26, 2024

 Fogo, não tenho 
Custa a atear, o medo
Não é um segredo 
Sim, fui corvo
Mas venta a sanha
Não levantei vôo
Deixei-me de façanhas
Agora uma coisa é certa:
Nunca quis estar alerta.

sexta-feira, abril 22, 2022

Até um dia

 Desejei que encontrasses alguém
Que era para acabar com o tormento
Depois que encontraste fiquei feliz
Mas foi só por um momento
Porque agora permaneço triste
Lembrando a quantos isso fiz
Só porque não tenho direito a nada
E assim ao menos ficas com um amor pra vida.

Mas ainda tenho esperança 
De que noutro tempo, ou sei lá,
Ainda haja para mim bonança
E finalmente poderei tirar tudo a limpo
Entender tudo o que foi e não foi
Tudo o que se sentiu e não se sentiu
Nesse eterno vínculo.

sábado, março 12, 2022

Pandemia Eterna

 Haverá algo mais doloroso para duas pessoas que se amam, não poderem estar juntas mesmo estando tão perto fisicamente? 

Tudo me dói agora de tudo, em tudo e sobre tudo.

domingo, novembro 14, 2021

Corpo enfézado

Rios de veias calhaus tumores
Espírito sem crença mas eles têm fé que o corpo dela se cure
Não passa de débil frágil craquelada secura
Glandular cruz de seios
Braços flácidos exangues exaustos chicoteados
Escápulas raspadas de anjo caído
Condenado a vaguear arrastando o semblante
De esculturas pós-guerra de Giacometti
Não ateu obstante
Acreditas que existe alma? 
Não neste corpo mal inflado.

quinta-feira, outubro 28, 2021

Brasil

 Terra de seios virginais
Selva maternal
Em que todos os sons
Criados são desiguais
Pelos biliões de pássaros
Que voam ora despreocupados
Ora afugentados

O verde abunda 
O céu ora entupido
Ora esculpido em tons azuis

Contém todas as cores menos o branco
Senão nas vestes de quem roga por paz

Brasil tu és demais
Eu anseio já há tanto tempo pelo tal dia
Em que tu salvarás o Mundo
Com o teu abraço mais profundo. 


segunda-feira, setembro 06, 2021

Esvaziei meus braços

 Esvaziei meus braços
de todos os teus carinhos
Embarquei em mil passos
para deixar o teu rasto

Diluí os meus afagos
Abraços que não te dei
e só imaginei
Vislumbrei o meu cansaço
Não olhei mais para trás
para não ver o que deixei

Devoto-te real afeição,
sabes tu o que tens em mão
e quiçá no coração?
Mas nem todas as narrativas
tão bem construídas
tecem verdadeiramente o perdão.

Um dia veremos que nos esquecemos
e que não passou tudo de imaginação. 

sexta-feira, julho 30, 2021

"you saved our life, we're eternally grateful to you" , little toy aliens to mr potato on toy story :D

 Saberás como me ajudaste 
com a tua voz
com a tua arte
a sair de anedonia
a deixar a despersonalização
e poder refazer-me de novo?

Saberás como te estou grata
verdadeira e profundamente
não apenas quando nos dissemos
que estávamos por tudo
com palavras?

Saberás como o que era nosso
era um laço e não um nó
sempre com a liberdade
de um amor maior?

Saberás que o carinho e apoio
e a torcida pessoal
era tudo o que pude dar então?

Saberás como o mundo quebra
e como nós temos tudo para sermos inteiros?

Saberás como esse sentimento é forte e pleno?

segunda-feira, julho 26, 2021

Samba alegre, Samba Triste

Dessa beleza que é certa
vem esse ritmo que aperta
no doce balanço da tristeza
a alegria que é lata e pungente
vem da raiz bahia o quente
vem di semba da umbigada
da terra-mãe entranhada

Traz o burucuntum
abana no zirigudum
reboliço alegre

xica bum xica bum
xica bumbum 
soluço triste 
balançando breve 

é como a vida em oração
esse samba alegre, 
esse samba triste  

a liberdade da gente
o sonho-esperança
o vira-vira
o corre-corre
o samba nunca morre


(mais uma q "baixou" de seguida, desta vez pra samba pra Yaya pôr melodia :D)

Realidade

 A realidade está aí
para mero observador
que se digne a isso
Litro e meio de vinho
um tanto de comida
não-viva a vida
sabe o que é o flagelo

Da amizade iludida
porque tudo é falsidade
e ninguém sabe o que é 
se não os que amam de verdade

Mas eles não existem nem persistem
tudo é vento e espuma de mar
nem chega a ser maresia
nem muito menos a naufragar

E a vida é só uma fantasia
que os seres condenados vivem
como se fosse tudo normal

Somos vítimas de fenómenos do acaso
nas nossas existências de embriões 
paridos por poeira cósmica e electrões

Não existe amor ou amizade
porque a vida só se criou por mera necessidade.


#JurassicLifeForcesWay

domingo, março 21, 2021

Ensina-me a Amar

O que é amar alguém?
Podes me ensinar?

Será cuidar e adorar,
fazer carinhos e dar atenção,
alimentar e não fazer chorar,
evitar ter de pedir perdão?

Será deixar cuidarem e adorarem,
fazerem carinhos e darem atenção,
alimentarem e não fazerem chorar,
evitarem ter de pedir perdão?

Amar é verdadeiramente deixar-se amar?  


sábado, março 20, 2021

Artista

 Eu conheci Artista muitas vezes até agora
e, em cada vez, despiu um pouco de si.
Uma vez, Ela estava a tricotar com um fio da alma dela
uma peça que era infinita.
Noutra vez, Ele estava a construir um simples puzzle 
com uma peça da sua mente.
A última vez que Ela e Ele foram vistos,
estavam a despedaçar pedaços dos seus corações
e a colá-los com os seus próprios sangues. 

(trad. 'The Artist' do meu blog www.crypticpoetry.blogspot.com)

quarta-feira, dezembro 26, 2018

Da morte da poesia

Faltam-me as metáforas, as personalizações, as melopeias,
Só sobraram as elipses e os sempre presentes pleonasmos.
Já não há ribombares de pétalas nem aliterações,
nem muito menos hipérbatos ou repetições.

Nunca mais vi um pôr-do-sol,
Sequer tenho escrito sonetos
Assim como não tenho
carícias ternurentas
ou abraços desempoeirados.

A janela está baça,
esqueci-me da última vez que a olhei
e a luz atravessava a vidraça
aquecendo-me o coração.

São mil poemas e versos que se foram
verdades cinzentas de toda a incerteza
letras e palavras que se escapuliram
líquidas passando a gasosas
evaporando-se na escuridão.

quinta-feira, abril 19, 2018

Viver uma vida apenas contemplando a Vida: 
a rugosidade do passeio que trilhas, o intermitente brilho nas pedras do caminho, a extensão das planícies e planaltos a que os animais retornam passadas décadas, o vento que transporta a vida e traz também notícias do outro lado, o mundo que ninguém vê*, só tu e mais ninguém, vislumbrando o céu imenso que ainda é minúsculo para tanto mar dentro de ti, e a falta de estrelas porque a luz da cidade as ofusca, e a falta de silêncio porque o barulho apodrecido da sociedade impera, não deixa escutar a vida que poderia ter sido, mil milhões de vidas que foram, toda a mortandade contida em todos os aflitivos chilreios incessantes de madrugada em madrugada, de despertar em despertar, raiando a atmosfera nebulosa de todos os que pariram a vida num só mundo. 

Eu não sei viver. 



*as cores que não existem

quarta-feira, dezembro 10, 2008

6.6.05

Lifeless: from my room I can see the world and from my window I can see myself crawling like an alley cat under a car, face and belly glued to the road. I have no life, only death is in my lifeless beat of pulse.
I wanted to draw my veins with blood and end the endless misery and the infinite pain. I'm still the same all along I've been the same nothing. My hands are now flying in the sky, they ran off from me.
Remember :Love is not Love", my Love.