terça-feira, novembro 29, 2022
Bonita
Tu és um bocado bonita
Mas não és ela
Não lhe tens a formosura
As curvas e a altura
Só a morenice mediterrânica
E a magreza
De dançarina hispânica
Essa tua herança
Que a viola faz vibrar
Nesse som que não engana
Ela é upgrade de ti em tudo
Como a encomendaste aos céus
Para ele
E é por isso que ela
É a mulher da vida dele
Neste mundo como ele existe
segunda-feira, novembro 28, 2022
Talvez
Talvez me tenhas amado
e eu a ti também
de um jeito
tão desassossegado
por não podermos ir além
Talvez o teu respeito
por mim se acabou
no dia em que rejeito
esse tão teu suposto amor
Porque tu não és carinhoso
nem és decente comigo
talvez nunca tenhas sido
sequer meu melhor amigo
Talvez esse sofrimento
essa mágoa e tormento
que me deste diariamente
o tenhas feito de propósito
e nunca planeies retirá-los
desse depósito que criaste
com tijolos de dor e ódio
do teu coração no meu.
sábado, novembro 26, 2022
quarta-feira, novembro 23, 2022
O Inamável
Será que realmente chegaste a pensar e a crer que me amavas? Como é que isso seria alguma vez possível? Se ninguém me conhece e até a minha própria mãe não me amou?
Eu sou a besta brutal e horrorífica que vomita fel do nojo dos Homens.
Cada célula do meu corpo
Foi destruída por traumas
A violência de todos tiranos
Sobre tudo o que eu era
E de tanto lutar e defender-me
Com as poucas armas que tinha
Parece que o meu ser desatina
Porque não consegue se salvar
Agora mesmo explodi
Como granada a quem espoletam
A mim mesma agredi
Quando oiço deles e me afectam
A minha vida foi sempre este inferno
De me desrespeitarem e insultarem
Quando tudo o que peço para mim
Ou mesmo até para servir a eles
Nunca lhes é algo que os danifique
Mas insistem em nunca me ouvir
A não ser quando lhes é do interesse
Não sei mais o que fazer já há muito
Tudo o que tento acaba por falhar
É só tormento e lamento a dobrar
Insisti em melhorar e ter de fingir
Quando eles continuam horríveis
terça-feira, novembro 22, 2022
domingo, novembro 20, 2022
Porque somos nós
Quando sou sussurro
Tu és grito
Quando sou tempestade
Tu és resoluto
Quando sou sossego
Tu és animação
Quando sou vibração
Tu és má onda
Quando sou silêncio
Tu és desilusão
Quando sou o que penso
Tu és perdição
Quando sou vento
Tu és condenação
Quando sou amor
Tu és ilusão
Quando sou racional
Tu és danação
Mas quando eu sou eu
E tu és tu
Não há separação
sexta-feira, novembro 18, 2022
Quebro-me
Quando te quebras
És como barro ou cristal
Ficas em largos cacos
Ou mil pedaços?
Quando te quebras
És como as ondas ou a terra
Produzes som ou murmurar
Em aridez ou rebentação?
Quando te quebras
Procuras o meu rosto
As minhas mãos
Ou sou eu a razão
do teu quebrar?
Quem te ama desfeita
Parecendo-lhe completa?
Resgata-me do meu interior
Como eu a ti te rapto do teu
Vem, volta a chamar-me amor
Leva de novo tudo o que é meu
Cobre-me de cobertores de carícias
Beija-me com lábios de delícias
Baila nessas envolventes fantasias
Como se fossem os últimos dias
Repete-me todas as palavras e sons
Que me disseste sem mos dizer
Demonstra-me agora esses teus dons
Pra juntos fazermos o que nos apetecer
Anoiteceu em mim
Pedaços do girassol morto
Matado por ela
Ficaram soterrados
No meu tenro interior, mas
Como é bonito o meu amor
Quando a lua o ilumina
A estrela que mais brilha
No firmamento
Salva esse sentimento
Que não há em lugar nenhum
De tão raro, lato e profundo
Agarra-me esta noite
No pano de veludo azul escuro
Porque eu sem ti não duro
E não caibo num céu assim
Amor
Achas que um dia vais esquecer tudo e depois esquecer-me a mim também? É, é isso que costuma acontecer, especialmente se nunca fui mesmo alguém que amaste de verdade. Lembro de quando o Oliveira ensinou-me que nem sempre dizemos que temos saudades e quando pensamos na outra pessoa. Até hoje acho parvo não dizermos, não estarmos com a pessoa, não fazermos nada senão deixar o tempo nos matar.
Eu queria morrer no momento em que morresses, talvez só assim pudesse suportar.
Afinal o comprimido não resultou:
acordei às 3 da manhã
tendo dormido só desde a 1h
e a tua música nova na cabeça
o refrão como otoverme
ainda tentei contrariar
com meu bem meu mal
os bala desejo ganharam grammy
já imaginava que iriam ganhar
a minha esperança de novo
acabou de acabar
e tenho tanta falta tua
que começo mesmo a desabar
Quando pessoas diziam que eras meu
Eu negava, dizia que eras livre
Fazia piadas com o que elas diziam
Agora vejo que tudo se virou
Contra mim estiveram todos
Maldizendo, tentando afastar-nos
Sempre achei todos muito doidos
Porque não sabiam que nós
Nem sequer nos falávamos muito
Por causa também da minha doença
De hiperadrenalina eu não podia
Mas eles viam mais do que eu
Percebi só muito depois
Mas sempre pensei que não eras meu
Que nem sequer precisavas de mim
E eu tinha um bocado de razão
Foi só durante um tempo que servi
Como a todos fui espécie de coração
quinta-feira, novembro 17, 2022
Amaro
"Amarguraste"
Como o café
Que tanto gostas
Sempre dizia
A todos
Mantém-te assim
Coração puro
Não deixes que a vida
Te amargure
Guarda a tua essência
Não sufoques a criança
Advertia
Porque acontece muito
E é mesmo raro alguém
Que não envelheça
Distraído
Com coração empedernido
Mea culpa para ti também
Ainda sou pelo cacau derretido
Ou mesmo a amêndoa amarga
Esse líquido digestivo
Tu tens há um tempo Amaretto
Eu fiquei com a versão pobre
A nossa bela amarguinha
Que é bem melhor na verdade
Talvez seja eu muito docinha
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