quinta-feira, junho 07, 2012

” Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”
Krishnamurti


Por isso é que... enfim... para mim é óbvio e não entendo como é que as pessoas não vêem em que Mundo é que estamos, que Mundo criámos e aquilo em que nos tornámos.

Ligado a isto: http://crypticpoetry.blogspot.pt/2012/04/reasons-by-images-to-not-have-children.html

terça-feira, junho 05, 2012

Psico-traumatismo

Proferia ameaças embebidas em álcool, infantilidade, pura estupidez humana...

De certa vez, sempre em descontrolo e em absoluta falta de senso, abriu a porta do carro e saiu... estava o carro a 90 kms à hora pela avenida da liberdade... irónico, não? Mas não era aquilo liberdade, mas antes um acto completamente prisioneiro de um desespero agreste, típico da frustração humana acumulada durante décadas.

Doutra vez, recordo-me da imagem, bebeu álcool etílico, não sei bem porquê, confesso. Mas imagino que a quantidade não tenha sido muita.

Houve uma outra vez, num tempo mais antigo, em que eu consigo até visualizar-me fora do meu corpo pequeno, e vi, uma das muitas vezes que se seguiriam, sair a dizer que se ia matar. Usava sempre este termo e nunca que se ía suicidar. Imagino que este último seja demasiado sofisticado para quem profere esse tipo de coisas.

O amor que supostamente é incondicional e que pensamos nunca ter fim perde-se com o acumular de desiludidas ameaças. Suponho eu.

sexta-feira, maio 18, 2012

Quando eu era pequenina...

... os senhores velhinhos que se sentavam nos bancos da minha rua eram acarinhados por todos os moradores e muitos deles vistos como sábios a quem se recorria para se aconselhar em momentos de tormenta.

... a minha mãe obrigava-me a usar collants toda a hora e a agasalhar-me sempre em demasia, mas eu gostava muito das minhas calças largas de bombazina por baixo das quais ela forçava-me muitas vezes a usar umas calças de fato de treino. Hoje só há skinny jeans por todo o lado... eu que sempre fui skinny nunca usava calças muito apertadas.

... o champô fazia-me arder os olhos quando lavava o cabelo que ficava sempre com tantos nós.

... das coisas que mais gostava de fazer com o meu pai eram: limpar os discos de vinyl com a escovinha que tinha um tecido tão suave e também de ajudar com a colecção de selos, usando uma pinça, molhá-los e esperar que eles se despegassem do papel para depois secá-los com muito cuidado para que não se colassem e mais tarde arrumá-los, dispondo-os gentilmente entre o papel vegetal e o papel normal do livro que o meu pai tinha criado para servir de álbum de selos. Com as notas e moedas também me divertia a consultar o livrinho de numismática para descobrir qual o valor das moedas que tínhamos e como é que se avaliava a sua condição:
EF - Soberba: moedas com pouco vestígio de circulação.
VF - Muito Bem Conservada: moedas com vestígios de circulação.
F - Bem Conservada: moedas com muitos vestígios de circulação.
VG  - Um Tanto Gasta: moedas com excessivos vestígios de circulação.
G - Gasta: moedas excessivamente gastas, de péssima visualização.
Slug - Completamente Gasta: moedas com nenhuma visualização.

... pegava na caneta da Bic e usava-a para repor a fita das cassetes que se soltava.

... levava o meu irmão para brincar no parque e às vezes jogar um bocado com uma bola à frente do meu prédio, ou ia andar de bicicleta, uma bmx com uma cor fluorescente.

... já era filha da noite e dos desassossegos pela responsabilidade que demasiado cedo me foi imposta.

...

sexta-feira, abril 20, 2012

Orgulho

Quando alguém faz parte de ti e sentes orgulho, isso transparece e irradia, e o contrário também.
Infelizmente a única pessoa que alguma vez me disse directamente que tinha orgulho em mim, é apenas um vulto que assombrou a minha existência.

segunda-feira, abril 16, 2012

O retorno à Liberdade

Hoje, tenho a sensação de que nunca serei livre.

Mas respiro Liberdade;
desejo-a com todos os sentidos,
em último suspiro,
em última vertigem,
em último abraço,
em juízo final.

Almejo retornar à Liberdade que nunca tive.

sexta-feira, abril 13, 2012

Cinematografia Portuguesa

Woody Allen tenta simular "a vida é bela" nos países mediterrânicos; passa por Espanha, França, Itália, sempre em ambientes ligeiros, de romantismo efémero, alumiados pelo calor do Sul.

Mas não passa por Portugal. Não, Portugal merece mais, mais do que ele pode dar.
Portugal é maior, de tonalidades profusas e oblíquas, com a intensidade de Byron e a magia de Wenders.

A sua atmosfera, ora bucólica, ora frenética; as esparsas cores da sua terra e do seu mar, atraem os olhares como as sereias com os seus cantares e fazem de Portugal um país encantado.

Mergulhado na neblina de outrora e atravessada por raios de luz intensa, modernista, Portugal é o país  de onde partiu Camões para o exotismo das Índias e para onde retornaram os filhos dessa eterna órfã mãe.

sábado, abril 07, 2012

O meu saldo da Poesia é positivo: por pior que ela me tenha feito, o que de bem ela me fez não tem preço.

quinta-feira, abril 05, 2012

Objecto esquisito

Sei lá!
Era uma vez um gato
Ela está a escrever mesmo
que comia ratos
eram eras perdidas
Era uma vez um galo
que endoidecia o arado!

Onde é que estão os guardanapos?
o cimento
Estou a ficar com rugas acentuadas
Não sei nem quero saber!
Cantei bem alto e tu ouviste,
fez cocó?
Adeus praias tão lindas e tão belas!

*poema composto com a co-autoria de Jéssica e César Costa Campos

sábado, março 10, 2012

Gerações

Os mais novos não tem saudades do passado e dos momentos com os familiares mais idosos; apenas anseiam pelo futuro e vivem o presente com a indiferença de pássaros livres.

Os mais velhos, esses, recordam a família que já não têm e momentos que se passaram em alegria.
Carcomida a alma pelas traças da nostalgia, os segredos esqueceram-se de tão bem guardados. 

«Eu ainda brinquei na rua.»

«No teu tempo era diferente.»

Não sei qual foi a geração mais humana, nem mesmo a que celebrou melhor a vida, mas sei que é apenas um ciclo que vai e vem, nada mais.

terça-feira, março 06, 2012

Ser idealista

Muitas são as pessoas idealistas, que vivem em torno e à procura de um mundo construído nas suas mentes.
Essa irrealidade sobrepõe-se ao real quotidiano e imerge todos os seus obstáculos numa névoa.

Mas perante a brutalidade das chacinas e crimes humanos espalhados por todo o mundo, que outra saída resta à mente conscienciosa?

Neste mundo de Hitler, mais vale ser Quixote: continuar a lutar contra moinhos na nossa mente e imaginar que o Bem triunfa no ser humano e se propaga em seu redor, num verdadeiro mundo de Paz e Amor.


segunda-feira, março 05, 2012

Para as pessoas-bombas a solidão e o desespero são o rastilho e a pólvora prontos a explodir.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

A Arte, quando é industrializada, deixa de ser Arte. Porquê? Porque a sua alma é vendida ao desbarato.

Ser ou não ser intolerante? Eis a questão. *

Gosto dos dias de Inverno que parecem dias de Primavera.
Deve ter que ver com o facto de que em toda a minha vida me regi pela máxima «in medium, virtus est», ou pelo menos tentei.
Apercebo-me, agora, que sou uma pessoa que se tem inclinado para a exigência e para a intolerância, depois de me falharem, especialmente no que trata de pessoas de quem gosto. Também concluo que se devia primariamente  por me sentir negligenciada por essas pessoas, pois era muito doloroso para mim sentir que elas não se interessavam por saber como eu estava, nem se preocupavam assim tanto comigo. Por me ter dedicado tanto tempo a elas, por me ter disponibilizado sempre com o maior dos altruísmos, é para mim devastador o mínimo sinal de que elas se esqueceram de mim, ou de indiferença, ou que não me consideram diariamente nos seus corações.

Tanta foi a minha dedicação, que tentando encontrar solução para os problemas que elas tinham e não saber depois como elas estavam, perturbava-me o sono. Tornei-me numa insomníaca há muito, como é sobejamente sabido, também por causa de me preocupar com elas.

Com o tempo aprendi a não andar atrás das pessoas de quem gostava para saber como elas estavam, mas vejo agora que ficou mascarada a parte em que deveria mesmo deixar de me preocupar. Resultado: comecei a chatear-me com as pessoas por elas não terem a iniciativa de me dizerem como estão, de partilharem os seus problemas de modo a que juntos tentássemos encontrar uma solução, tal como antigamente.

Parece-me que com tudo isto, vista agora como "intolerante", "garrote" e exigente, não há grande volta a dar, senão deixá-las ir, sem que o explique, pois ninguém volta para saber como e para que haja oportunidade de me entenderem e, quiçá, tolerarem-me.

As relações interpessoais supõem esperarmos algo do outro e, quando as expectativas (que nunca) não correspondem desiludimo-nos.
Solução: não nos preocuparmos com os outros; e não esperarmos nada dos outros.


* Este txt deu-se a 16.02.2012, a propósito de uns dias antes uma amiga ter-me chamado de intolerante. (depois de ela cancelar encontros em cima da hora por 3x)

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Tu e Eu


Tu és rochedos
com o mar a bater neles
Tu és os teus olhos
verdadeiramente belos.

Eu sou a calma
e os raios de luz e sombras
Eu sou alma
que encanta e seduz.

Juntos somos o céu e o mar
com imensidão de Amor
Juntos entrelaçados
Como os dedos das nossas mãos.

sábado, fevereiro 11, 2012

sábado, fevereiro 04, 2012

Irreversível

O que tu me fizeste,
já nada pode alterar.

És um monstro de duas cabeças: a que me pariu e a que me desflorou.

Ser espancado e pisoteado pelas tuas ações e inações é igualmente brutal às humilhações psicológicas, verbais e não-verbais.
O veneno que espalhaste por todo o meu ser, como um alquimista ao serviço do demo - ao circularmente agitares uma colher para o dissolveres na tua bebida que era o meu sangue -, continua disseminado nas minhas veias.

Nem o passar dos anos conseguiu sobrepor camadas de felicidade que enterrem o mal que perpetraste. Por tua causa jamais consegui confiar em alguém plenamente, ou deixar que tudo progrida naturalmente.

Sou uma sombra que vagueia a terra e carrega consigo todo o peso do mundo.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Ser louco é uma faca de dois gumes: pode-se dizer tudo e mais alguma coisa, que ninguém liga.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

A explicação da insónia

A luz ténue de uma vela é a única coisa que me embala o corpo nestas noites frias que passo só, no colchão frio do desamor.

É quando a noite chega, que a consciência desperta, como se tivesse esperado o final do dia para se libertar, entra-me na mente em forma de paranóia. Sim, paranóia, que mais parece ter a forma de um parafuso-meio-tornado que não pára de se agitar violento.

O mal que reside em mim é de um carácter profano, forte na sua profundeza divina. Esta pessoa feia que eu sou, e conformada com isso, nada tem a temer de nada. 

Isto de levar a vida como poeta tem muito que se lhe diga; dá mesmo muita dor de cabeça. O sofrimento está para os feios e ricos de espírito como as argolas para as betas.

Não procuro mais ser uma intervencionista, nem com o que escrevo, nem com o que faço da minha vida; hoje em dia fazer seja o que for com carácter intervencionista dá muito trabalho. Então tudo não passará de preguiça mental ou de outra qualquer espécie? ¾ Não, nada disso. As coisas não são como na realidade aparentam ser.

É mais uma forma de me proteger contra o aumento da dor causada pelo espancamento psicológico, pela libertação da consciência, pela paranóia. Então tudo não passará de paranóia. É essa a realidade que para ninguém é real.

sábado, janeiro 14, 2012

Falo, contigo, falo, em dias e noites cobertas de névoa,

onde tu és o farol que me guia até ao deleite da vida.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Parar. Pensar. Perceber.

Um dia destes ainda perdemos a capacidade de escrever, da mesma maneira que partes do cérebro morrem devido à falta de exercício.

As conversas também já cessaram e escasseiam-se as letras e palavras em todo o lado.

Estupidificamos, não apenas pela falta de interesse em aprender coisas novas e conhecer os mundos das várias pessoas, mas também porque nos apercebemos que no cômputo da vida humana - devido à sua mortalidade e a tantas atrocidades que ela testemunha - as coisas e as pessoas não interessam nada, nem valem nada, senão enquanto estamos a viver o caminho para nos encontrarmos com a nossa insignificância.

Com a idade, aumenta o conformismo e sentimos saudades de sermos rebeldes, mesmo já tendo percebido que ser revolucionário conseguia ser bastante extenuante e em vão.

quinta-feira, janeiro 05, 2012