A vida é mesmo assim
triste e miserável
arranca-nos tudo
pouco a pouco
como um louco
que arranca os próprios cabelos.
As pessoas tumultuadas
pelos sulcos dos percalços
enlouquecem surdinamente
até que explodem estilhaços
das suas psiques
alevejando quem está por perto.
terça-feira, fevereiro 25, 2014
domingo, fevereiro 16, 2014
Onde estão as árvores?
As viagens já não são as mesmas
e as paisagens já não são lesmas
que se arrastam pelo meu olhar
lânguidas para eu as saborear.
Incrivelmente já não há árvores
a encher-me a vista de ar puro
apenas selvas com mármores
que se erguem num cenário duro.
São erecções de betão armado
que destruíram toda a natureza
numa reprodução sem delicadeza
tornando tudo desfigurado.
e as paisagens já não são lesmas
que se arrastam pelo meu olhar
lânguidas para eu as saborear.
Incrivelmente já não há árvores
a encher-me a vista de ar puro
apenas selvas com mármores
que se erguem num cenário duro.
São erecções de betão armado
que destruíram toda a natureza
numa reprodução sem delicadeza
tornando tudo desfigurado.
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Fartei-me de poemas sobre nada e de gestos vazios de mãos cansadas e de mentes aborrecidas e aguadas.
A amargura é apenas um dos temperos da vida do qual não se deve abusar. Tal como se diz que o segredo para uma vida bem passada é uma dieta equilibrada...
Pois não quero mais esse nada que é o equilíbrio de uma linha recta que emite o ruído monótono da morte. Não quero mais essa mediania, esse passar bem e suposto bem-estar que não são nada, que não têm pulsar.
Chegam as cores que não o são, o preto, o branco e o mortiço cinza; eu quero é vermelho no sangue e no coração!
A amargura é apenas um dos temperos da vida do qual não se deve abusar. Tal como se diz que o segredo para uma vida bem passada é uma dieta equilibrada...
Pois não quero mais esse nada que é o equilíbrio de uma linha recta que emite o ruído monótono da morte. Não quero mais essa mediania, esse passar bem e suposto bem-estar que não são nada, que não têm pulsar.
Chegam as cores que não o são, o preto, o branco e o mortiço cinza; eu quero é vermelho no sangue e no coração!
terça-feira, fevereiro 04, 2014
Todos os dias vejo-te em todas as coisas de tantos tamanhos.
Penso em poder sonhar-te a sorrires e cuido do teu coração com carinho.
O Tempo totaliza o nosso namoro de séculos sozinhos e ósculos oscilam nas largas linhas do pensamento em par. Correspondemo-nos cautelosamente nuns chamados, cheios de sentimentos sincronizados e amamo-nos até um amanhecer de novo nos alcançar abraçados.
Penso em poder sonhar-te a sorrires e cuido do teu coração com carinho.
O Tempo totaliza o nosso namoro de séculos sozinhos e ósculos oscilam nas largas linhas do pensamento em par. Correspondemo-nos cautelosamente nuns chamados, cheios de sentimentos sincronizados e amamo-nos até um amanhecer de novo nos alcançar abraçados.
domingo, fevereiro 02, 2014
quinta-feira, janeiro 30, 2014
Helena (Len Inha)
Ela protege-se do desamor vestindo cores garridas... e baila ao sabor das marés e do vento, com a lua como acompanhante de dança sempre a brilhar no palco-chão de relva.
Helena não tem necessidade de ser deusa nem adorada ou ser solicitada por todos, mas ela é, porque ela irradia como o sol uma honestidade e autenticidade inatas, raras qualidades humanas.
Os anos passam, mas Helena não se detém na poeira do tempo e de raízes fortes ela permanece florescida e florescente.
Helena não tem necessidade de ser deusa nem adorada ou ser solicitada por todos, mas ela é, porque ela irradia como o sol uma honestidade e autenticidade inatas, raras qualidades humanas.
Os anos passam, mas Helena não se detém na poeira do tempo e de raízes fortes ela permanece florescida e florescente.
domingo, janeiro 26, 2014
Para quem está longe mas nunca está.
Quando se ama verdadeiramente,
por mais que a outra pessoa esteja do outro lado do Mundo,
ela está sempre colada à tua pele
e sentes o seu respirar mais intimamente
do que a brisa que te sopra gentilmente no rosto.
Ela é o invólucro do teu coração;
contém-nos e fá-lo existir.
por mais que a outra pessoa esteja do outro lado do Mundo,
ela está sempre colada à tua pele
e sentes o seu respirar mais intimamente
do que a brisa que te sopra gentilmente no rosto.
Ela é o invólucro do teu coração;
contém-nos e fá-lo existir.
Sem título
Nunca o vira com tamanhos olhos de ver. Talvez eu tenha chegado à idade e um certo acumular de experiência, que me permitiram enxergar como as coisas eram além do visível, do imediato, do que todos os outros em redor, em ambiente de festa, viam.
Ele pegou na bebé, como tinha pegado em tantos outros e fez as mesmas brincadeiras de sempre que resultavam em gargalhadas sonoras das crianças e em espanto de quem via como ele tinha tanto jeito com elas. No entanto, desta vez percebi que ao pegá-la e ao brincar com ela, ele tentava à força afastar todas as coisas más que lhe tinham acontecido; esperava - com a esperança de quem está há muito no deserto e precisa de encontrar água - que todas as memórias das suas dores e das suas mágoas se dissolvessem com a força do riso.
Eu, por outro lado, nunca consegui não ver que os bebés vêm para um mundo pejado de intolerância e massacre e que ninguém escapa ao sofrimento, e por isso olhava-os com a pena devida e merecida que lhes pertencia por serem, então, inocentes.
Quando se tem noção dos absurdos que existem ao longo da vida das pessoas, entende-se que não havendo qualquer sentido para todos esses aspectos não há grande coisa que se possa fazer. O próprio acto de se pegar num bebé torna-se indiferente para a engrenagem das coisas e não há que haver mais tristezas ou alegrias, pois ora tudo é, ora tudo não é e nós vivemos no meio disso, sem haver Norte possível.
Ele pegou na bebé, como tinha pegado em tantos outros e fez as mesmas brincadeiras de sempre que resultavam em gargalhadas sonoras das crianças e em espanto de quem via como ele tinha tanto jeito com elas. No entanto, desta vez percebi que ao pegá-la e ao brincar com ela, ele tentava à força afastar todas as coisas más que lhe tinham acontecido; esperava - com a esperança de quem está há muito no deserto e precisa de encontrar água - que todas as memórias das suas dores e das suas mágoas se dissolvessem com a força do riso.
Eu, por outro lado, nunca consegui não ver que os bebés vêm para um mundo pejado de intolerância e massacre e que ninguém escapa ao sofrimento, e por isso olhava-os com a pena devida e merecida que lhes pertencia por serem, então, inocentes.
Quando se tem noção dos absurdos que existem ao longo da vida das pessoas, entende-se que não havendo qualquer sentido para todos esses aspectos não há grande coisa que se possa fazer. O próprio acto de se pegar num bebé torna-se indiferente para a engrenagem das coisas e não há que haver mais tristezas ou alegrias, pois ora tudo é, ora tudo não é e nós vivemos no meio disso, sem haver Norte possível.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
A redundância do final do tempo
A vontade azul que ninguém consegue mover
cristalizou-se em cume de glaciar
que ninguém consegue alcançar.
A vida de todos eles, envelhecidos,
materializou-se em sonhos perdidos
e deixou-se ficar em tempos idos
a que não mais se pode regressar.
Desejam-se promessas, esperanças, gargalhadas,
ao invés das lembranças desgarradas,
remorsos e arrependimentos
do que também não há-de mais chegar.
A vida já é breve
e o bater cansado do coração
anuncia-se leve
pronto para largar a mão.
cristalizou-se em cume de glaciar
que ninguém consegue alcançar.
A vida de todos eles, envelhecidos,
materializou-se em sonhos perdidos
e deixou-se ficar em tempos idos
a que não mais se pode regressar.
Desejam-se promessas, esperanças, gargalhadas,
ao invés das lembranças desgarradas,
remorsos e arrependimentos
do que também não há-de mais chegar.
A vida já é breve
e o bater cansado do coração
anuncia-se leve
pronto para largar a mão.
segunda-feira, janeiro 13, 2014
Quando aqui não estás, de Al Berto
Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
o que nos rodeou põe-se a morrer
a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas
um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz
quero morrer
com uma overdose de beleza
e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador
sexta-feira, janeiro 10, 2014
quarta-feira, janeiro 08, 2014
Da persistente presença da impossível Saudade
Quando se tem saudade de alguém,
essa pessoa está sempre presente na distância:
ela é adorada erva-daninha no pensamento
e uma lapa impossível de descolar do coração.
Os nossos braços nunca esfriam completamente
e o nosso peito, apesar de esburacado,
está sempre morno,
do misto que é perder e reter ao mesmo tempo.
E, como que em banho-maria,
assim se mantém o nosso sentimento cálido,
que nunca permitimos que ferva para não derramar
nem tanto apagamos o lume para ele não esfriar.
essa pessoa está sempre presente na distância:
ela é adorada erva-daninha no pensamento
e uma lapa impossível de descolar do coração.
Os nossos braços nunca esfriam completamente
e o nosso peito, apesar de esburacado,
está sempre morno,
do misto que é perder e reter ao mesmo tempo.
E, como que em banho-maria,
assim se mantém o nosso sentimento cálido,
que nunca permitimos que ferva para não derramar
nem tanto apagamos o lume para ele não esfriar.
Porque é que as pessoas são tão "voyeuristas"?
Será que é porque as suas vidas são completamente chatas e por isso agarram-se às vidas dos outros, como espectadores de telenovelas, como tantas vezes se supõe? Ou, por outro lado, as suas vidas são tão más que fazem das vidas dos outros um escape, talvez numa sede de exaltação e do espectáculo de entretenimento?
Era de se pensar que por observação aprendessem algo, mas também não me parece que fiquem atentas às vidas alheias com esse objectivo e nem sequer retirando esse benefício.
Quero pensar que, por mais que o ser humano tenha a sua natureza pérfida, não fique a vigiar a vida do vizinho apenas para se regozijar com as eventuais desgraças para se compensar pensando que a "erva no jardim do vizinho" já não é tão verde quanto a sua. Embora, de facto, veja e oiça constantemente as pessoas reagirem perante a desgraça alheia imediatamente com uma comparação do género "já viste, ao menos nós estamos melhor" ou "antes eles do que nós" - esta última irrita-me particularmente. (E é provável que começarei a dizê-la, caso tenha oportunidade, quando me vierem "fofocar" boas notícias de outros. "Não-sei-quem ganhou o Euromilhões!" e eu direi: "Antes eles do que nós!", a ver como é a reacção obtida. Na verdade sempre que me vinham contar algo bom ou normal sobre alguém sempre dizia "olha, parabéns para eles", de modo que não será muito diferente.)
No caso das "vidas boas" que por exemplo muitas celebridades espelham na Imprensa e as pessoas consomem avidamente, devo ainda questionar: além da inveja, ou dos que ainda mais criticam, será apenas o pobre "zé povinho" a perpetuar aquilo que já era prática nas monarquias da Idade Média de acompanhar ao máximo as "cortes reais" para as imitar no que podem, aspirando (sonhando, claro) a uma elevação social e a uma melhoria de vida? E até que ponto isso funciona como motivação para que essa dita camada de posses reduzidas tente - por que meios, depois se verá - alcançar um status superior?
É claro que também os há doutrinadores, sejam católicos ou não, que têm a mania que podem intervir a toda a hora, assim que testemunham algum acontecimento na vida de outrem, para despejar pérolas de sabedoria em cima de quem não as pediu, muitas vezes apenas porque já estão habituados a fazê-lo, pois tanta é a frequência com que o fazem, e sempre pensam que estão a ajudar (não vá, como bónus, isso resultar num lugarzinho no céu, ou ainda antes numa redenção terrena).
Seja por causa de presunção, inveja, aborrecimento, tentativa de se integrar (tal é a prioridade do sentimento de pertença que o ser humano estabelece, de que Maslow falava), curiosidade ou simplesmente pura estupidez, não tenho qualquer apetência para o que quer que seja que esteja relacionado com a vida alheia e é apenas mais uma daquelas coisas - tal como muitas no ser humano societal - que não me faz sentido algum.
Era de se pensar que por observação aprendessem algo, mas também não me parece que fiquem atentas às vidas alheias com esse objectivo e nem sequer retirando esse benefício.
Quero pensar que, por mais que o ser humano tenha a sua natureza pérfida, não fique a vigiar a vida do vizinho apenas para se regozijar com as eventuais desgraças para se compensar pensando que a "erva no jardim do vizinho" já não é tão verde quanto a sua. Embora, de facto, veja e oiça constantemente as pessoas reagirem perante a desgraça alheia imediatamente com uma comparação do género "já viste, ao menos nós estamos melhor" ou "antes eles do que nós" - esta última irrita-me particularmente. (E é provável que começarei a dizê-la, caso tenha oportunidade, quando me vierem "fofocar" boas notícias de outros. "Não-sei-quem ganhou o Euromilhões!" e eu direi: "Antes eles do que nós!", a ver como é a reacção obtida. Na verdade sempre que me vinham contar algo bom ou normal sobre alguém sempre dizia "olha, parabéns para eles", de modo que não será muito diferente.)
No caso das "vidas boas" que por exemplo muitas celebridades espelham na Imprensa e as pessoas consomem avidamente, devo ainda questionar: além da inveja, ou dos que ainda mais criticam, será apenas o pobre "zé povinho" a perpetuar aquilo que já era prática nas monarquias da Idade Média de acompanhar ao máximo as "cortes reais" para as imitar no que podem, aspirando (sonhando, claro) a uma elevação social e a uma melhoria de vida? E até que ponto isso funciona como motivação para que essa dita camada de posses reduzidas tente - por que meios, depois se verá - alcançar um status superior?
É claro que também os há doutrinadores, sejam católicos ou não, que têm a mania que podem intervir a toda a hora, assim que testemunham algum acontecimento na vida de outrem, para despejar pérolas de sabedoria em cima de quem não as pediu, muitas vezes apenas porque já estão habituados a fazê-lo, pois tanta é a frequência com que o fazem, e sempre pensam que estão a ajudar (não vá, como bónus, isso resultar num lugarzinho no céu, ou ainda antes numa redenção terrena).
Seja por causa de presunção, inveja, aborrecimento, tentativa de se integrar (tal é a prioridade do sentimento de pertença que o ser humano estabelece, de que Maslow falava), curiosidade ou simplesmente pura estupidez, não tenho qualquer apetência para o que quer que seja que esteja relacionado com a vida alheia e é apenas mais uma daquelas coisas - tal como muitas no ser humano societal - que não me faz sentido algum.
terça-feira, janeiro 07, 2014
Juventude perdida
Ela faz-me lembrar de mim quando miúda.
Imagino que todas nós, então, sejamos assim: paixões platónicas, pensamentos e sentimentos radicais e extremas emoções.
O conforto e a doçura de uma maçã cozida, uma papa ou uma canja de arroz, a lembrar a infância delicada. Para não falar dos longos cabelos e roupas largas quentes, para nos darem um abraço sempre que está frio...
Mas há coisas que nunca mudam. A madrugada e o luar, o pôr-do-sol e a praia. Às vezes não sei se destruo o que está no meio de propósito, para assegurar que o fim é o melhor, já que o princípio teve uns seus raros momentos leves.
O tempo o dirá, como sempre, só ele tem essa eloquência.
Imagino que todas nós, então, sejamos assim: paixões platónicas, pensamentos e sentimentos radicais e extremas emoções.
O conforto e a doçura de uma maçã cozida, uma papa ou uma canja de arroz, a lembrar a infância delicada. Para não falar dos longos cabelos e roupas largas quentes, para nos darem um abraço sempre que está frio...
Mas há coisas que nunca mudam. A madrugada e o luar, o pôr-do-sol e a praia. Às vezes não sei se destruo o que está no meio de propósito, para assegurar que o fim é o melhor, já que o princípio teve uns seus raros momentos leves.
O tempo o dirá, como sempre, só ele tem essa eloquência.
sábado, janeiro 04, 2014
Naquela tarde em Foshan
Funestos festivais de cores
que os amores vêem na melancolia do céu
quando caem as flores de cerejeiras
com as suas pétalas alvas
brilhando através do breu.
Atravessam as nuvens raios de nostalgia
que mortiços se vão deitar na terra,
entregues às suas últimas moradas
e as memórias desconsoladas
vivem nas folhas do vento lento
que move as montanhas do nosso pensamento.
que os amores vêem na melancolia do céu
quando caem as flores de cerejeiras
com as suas pétalas alvas
brilhando através do breu.
Atravessam as nuvens raios de nostalgia
que mortiços se vão deitar na terra,
entregues às suas últimas moradas
e as memórias desconsoladas
vivem nas folhas do vento lento
que move as montanhas do nosso pensamento.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Os Conscientes
Bem-aventurados e condenados são os que têm a consciência de não fazer sofrer pois sabem e já viram demasiado sofrimento na Terra...
Esta faca de dois gumes, ter consciência da realidade que é tão horrenda e ao mesmo tempo ter de continuar a viver, tornou-se numa impossibilidade tal que fomenta um turbilhão constante de dificuldades existenciais.
Como é que se vê, ou se tem consciência, das atrocidades que o Homem comete contra a sua própria espécie e contra as outras, contra as suas próprias crianças e se continua? As guerras, as mutilações, explorações, assédios e violações... como é que se continua depois de se ter consciência, depois de se ter gravado no olhar e na mente e no coração e na alma toda a podridão que nos rodeia e sabendo que o que quer que se faça de bom e belo nunca é um milésimo do que de mal se faz a todo o segundo no Mundo?
Esta faca de dois gumes, ter consciência da realidade que é tão horrenda e ao mesmo tempo ter de continuar a viver, tornou-se numa impossibilidade tal que fomenta um turbilhão constante de dificuldades existenciais.
Como é que se vê, ou se tem consciência, das atrocidades que o Homem comete contra a sua própria espécie e contra as outras, contra as suas próprias crianças e se continua? As guerras, as mutilações, explorações, assédios e violações... como é que se continua depois de se ter consciência, depois de se ter gravado no olhar e na mente e no coração e na alma toda a podridão que nos rodeia e sabendo que o que quer que se faça de bom e belo nunca é um milésimo do que de mal se faz a todo o segundo no Mundo?
quinta-feira, dezembro 26, 2013
quarta-feira, dezembro 11, 2013
O paraíso
Dizem que o paraíso está repleto de hibiscos e romãs
e por todos os lados carmim de hedonismo e verdes de esperanças.
Mas eu vejo-o com fortes tons de azul e também claros
como se de tão pálidos cinzentos e
branco por todo o lado
e laranja num bronze de sol e sal.
É o teu corpo e nos teus olhos que o encontro
sempre sem fazer nada
porque eles vêm até a mim como num sonho.
Vislumbrar o paraíso com ondas de prazer
e lentamente entregarmo-nos ao céu e ao mar
com a mesma rendição com que viemos ao mundo.
e por todos os lados carmim de hedonismo e verdes de esperanças.
Mas eu vejo-o com fortes tons de azul e também claros
como se de tão pálidos cinzentos e
branco por todo o lado
e laranja num bronze de sol e sal.
É o teu corpo e nos teus olhos que o encontro
sempre sem fazer nada
porque eles vêm até a mim como num sonho.
Vislumbrar o paraíso com ondas de prazer
e lentamente entregarmo-nos ao céu e ao mar
com a mesma rendição com que viemos ao mundo.
quarta-feira, dezembro 04, 2013
O Tempo
Parece-me que o Tempo nunca se cansa
e está sempre à frente do acontecimento;
é um velocista que ensaia uma dança
e não vê o seu próprio movimento.
Discorre ondulações de brisa no ar
Descobre vibrações de raios de luar
No deserto a areia passa pelos cabelos
das memórias de todas as pessoas
que vagueiam dias e noites nas dunas
No campo a erva passeia pelas pernas
das visões de todos os animais
que perambulam manhãs e tarde nos montes
Na cidade o asfalto é pisado pelos pés
das histerias de todos os autómatos
que nervosamente se atropelam entre os prédios.
E em todos os cantos e todas as ruas e todas as paisagens
a vida toma forma e o Tempo não se apercebe.
e está sempre à frente do acontecimento;
é um velocista que ensaia uma dança
e não vê o seu próprio movimento.
Discorre ondulações de brisa no ar
Descobre vibrações de raios de luar
No deserto a areia passa pelos cabelos
das memórias de todas as pessoas
que vagueiam dias e noites nas dunas
No campo a erva passeia pelas pernas
das visões de todos os animais
que perambulam manhãs e tarde nos montes
Na cidade o asfalto é pisado pelos pés
das histerias de todos os autómatos
que nervosamente se atropelam entre os prédios.
E em todos os cantos e todas as ruas e todas as paisagens
a vida toma forma e o Tempo não se apercebe.
sexta-feira, novembro 15, 2013
sábado, novembro 09, 2013
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