Às vezes vem à superfície a sensação de que todos os capítulos das vidas de todas as pessoas já foram encerrados há muito e ninguém se apercebeu.
Todas as páginas completas por histórias que se repetem ao longo dos tempos.
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segunda-feira, dezembro 22, 2014
domingo, novembro 23, 2014
sexta-feira, novembro 21, 2014
domingo, novembro 16, 2014
Uma parda miragem no final
Saboreio a melancolia da tua voz, gota a gota como a primeira chuva outonal que desliza sobre as folhas que ainda amarelecerão mais e cairão ao chão. Sabes-me ao passado que é tudo o que existe e que perdura sempre.
Abraço-te agora com um fim de tarde que anoitece cedo e sei que nunca foste propriedade minha e que eu nunca quis ter-te. Possuir-te sim, foi possível enquanto me dizias amar para sempre, mas hoje já não, hoje estás nos braços de outra pessoa e mais outra e mais outra... "à terceira é de vez?". Nunca é. Nunca nada é. Porque a imaginação nos leva sempre mais longe e vivemos a cada dia com aspirações que só são magnéticas quando estão ao alcance da mão.
Falas-me sobre ditos de sabedoria popular, sobre a vida que é uma viagem e tudo o que já ouvi tantas vezes... palavras cansadas do mundo inteiro, ou sou só eu que com o passar dos anos deixei esses sonhos de meninice de viajar pelo mundo, também à semelhança dos de salvar o mundo, e tudo por me ter apercebido que nada disso vale a pena, nada na viagem vale a pena se não estivermos bem connosco mesmos. Podemos viajar quilómetros e na bagagem levaremos os mesmos fantasmas que insistirão em aflorar quando menos esperarmos. E depois vi isso nos outros, tantos que partiram pelo mundo e meio repartidos como já eram, mas que nunca ficaram completos.
De que serve o mundo inteiro e mais algum pedaço do universo, se tudo o que precisamos está dentro de nós? O amor íntegro e maior, a paz que ele alcança e emana. Quase ninguém sabe o que isso é, embora nestes tempos até já haja universidades muito especiais que o leccionam. Sim, a viagem é o que importa, mas não a externa, pois a viagem mais enriquecedora está sempre dentro de nós.
segunda-feira, outubro 27, 2014
O princípio para uma cura
O princípio é simples e lógico, e a quem lê isto provavelmente fará todo o sentido:
- mais de 80% ou que é da nossa imunidade está no intestino, ora se temos uma doença auto-imune é porque principalmente o intestino está em degeneração e temos de o curar tornando o organismo alcalino e regenerando o intestino.
Os rins estão também muito envolvidos por exemplo na tormenta da Fibromialgia, pois são o filtro onde estão todas as toxinas acumuladas e retidas.
Alcalinizar e desintoxicar e regenerar se for apenas com nutrição (removendo alimentos que causam alergias e intolerância, e de difícil digestão) e depois uma boa dose de vit. C e consegue-se grandes melhorias.
sexta-feira, outubro 17, 2014
A idade que nunca tive
Não quero acreditar que cada um tem a idade do seu coração, ou mesmo da sua mente.
Mas em muitos casos sei que é assim.
Não, a idade não está escrita no corpo como se fossem as medidas de um produto que podemos comprar. Não são as linhas de expressão e as rugas mais vincadas que ditam há quanto tempo estamos vivos.
Quero acreditar que não tens idade, que és para sempre, eterno enquanto dures.
Mas em muitos casos sei que é assim.
Não, a idade não está escrita no corpo como se fossem as medidas de um produto que podemos comprar. Não são as linhas de expressão e as rugas mais vincadas que ditam há quanto tempo estamos vivos.
Quero acreditar que não tens idade, que és para sempre, eterno enquanto dures.
sexta-feira, outubro 03, 2014
"A vida é um moinho que tritura os sonhos, mesquinho..."
às vezes torna-se tudo uma amálgama
e nessas vezes a confusão torna-se em explosão
porque a mente não aguenta tanta contradição:
é a liberdade que é boa ou a prisão que se quer;
é a independência que ressoa ou ser apenas mulher?
dizem: "Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
um dia a certeza é mais certeira que todas as outras,
outro dia é outra que é mais certa
e mesmo assim nem uma nem outra poderão ser a mais acertada.
e nessas vezes a confusão torna-se em explosão
porque a mente não aguenta tanta contradição:
é a liberdade que é boa ou a prisão que se quer;
é a independência que ressoa ou ser apenas mulher?
dizem: "Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar"
um dia a certeza é mais certeira que todas as outras,
outro dia é outra que é mais certa
e mesmo assim nem uma nem outra poderão ser a mais acertada.
quarta-feira, setembro 17, 2014
quinta-feira, agosto 14, 2014
Da Depressão
Dizem que para nos mantermos vivos é preciso estar sempre com uma ocupação, estabelecer objectivos e ter algo a que aspirar (sonhar).
Ao sermos humanos temos consciência da própria morte e embora a maioria não a tenha sempre presente existem muitas vezes em que somos lembrados da sua inevitabilidade. Existem, porém, outras pessoas (menos) que têm sempre noção da morte, ou porque a sentem em si mesmos, ou porque vêem-na no dia-a-dia, ou porque pensam em morrer, ou apenas porque têm sempre presente que ela vai chegar a qualquer momento.
Nestas sociedades modernas, são poucas as pessoas que almejam solidão. Todos têm sede de contacto e uma maioria destes, hoje, consegue-o através das tecnologias de comunicação, criando múltiplas relações virtuais, mas que as fazem sentirem-se mais e mais isolados. É para isso que caminhamos há algum tempo: o isolamento e consequente depressão.
Pensar que as profissões do futuro estarão mormente ligadas a isto é uma possibilidade: haverá mais necessidade de apoio psicológico e psiquiátrico, e de nutricionistas focados para uma alimentação "mais feliz" e afins, tal como um boom dessa espécie estranha que são os designados "life coachs".
No tempo de Kurt Cobain não se sabia a depressão como doença, não se sabia que ela existia por causa, entre outros, das alterações/desequilíbrios químicos decorrentes no organismo e que é uma doença tratável e mesmo curável.
Agora que Robin Williams - actor e comediante excelso - faleceu por causa dos seus problemas de lidar com uma depressão e desequilíbrios químicos no organismo há mais de 30 anos, pode ser que as pessoas entendam que a depressão é de facto uma doença como tantas outras, com consequências não só mentais mas físicas. Pode ser que as pessoas percebam que mesmo o melhor dos humoristas, as pessoas mais alegres e animadas, têm crises profundas de depressão, não porque querem e "é da cabeça delas", mas apenas por causa de processos que ocorrem a nível interno quimicamente que não conseguem controlar, à semelhança de uma constipação ou outra doença qualquer.
Penso que Robin Williams ficaria extremamente contente por saber que a sua morte contribuiu para que as pessoas finalmente tivessem noção e acordassem para esta epidemia moderna, silenciosa, que qualquer um pode ter a dada altura na vida, que é a depressão.
Ao sermos humanos temos consciência da própria morte e embora a maioria não a tenha sempre presente existem muitas vezes em que somos lembrados da sua inevitabilidade. Existem, porém, outras pessoas (menos) que têm sempre noção da morte, ou porque a sentem em si mesmos, ou porque vêem-na no dia-a-dia, ou porque pensam em morrer, ou apenas porque têm sempre presente que ela vai chegar a qualquer momento.
Nestas sociedades modernas, são poucas as pessoas que almejam solidão. Todos têm sede de contacto e uma maioria destes, hoje, consegue-o através das tecnologias de comunicação, criando múltiplas relações virtuais, mas que as fazem sentirem-se mais e mais isolados. É para isso que caminhamos há algum tempo: o isolamento e consequente depressão.
Pensar que as profissões do futuro estarão mormente ligadas a isto é uma possibilidade: haverá mais necessidade de apoio psicológico e psiquiátrico, e de nutricionistas focados para uma alimentação "mais feliz" e afins, tal como um boom dessa espécie estranha que são os designados "life coachs".
No tempo de Kurt Cobain não se sabia a depressão como doença, não se sabia que ela existia por causa, entre outros, das alterações/desequilíbrios químicos decorrentes no organismo e que é uma doença tratável e mesmo curável.
Agora que Robin Williams - actor e comediante excelso - faleceu por causa dos seus problemas de lidar com uma depressão e desequilíbrios químicos no organismo há mais de 30 anos, pode ser que as pessoas entendam que a depressão é de facto uma doença como tantas outras, com consequências não só mentais mas físicas. Pode ser que as pessoas percebam que mesmo o melhor dos humoristas, as pessoas mais alegres e animadas, têm crises profundas de depressão, não porque querem e "é da cabeça delas", mas apenas por causa de processos que ocorrem a nível interno quimicamente que não conseguem controlar, à semelhança de uma constipação ou outra doença qualquer.
Penso que Robin Williams ficaria extremamente contente por saber que a sua morte contribuiu para que as pessoas finalmente tivessem noção e acordassem para esta epidemia moderna, silenciosa, que qualquer um pode ter a dada altura na vida, que é a depressão.
terça-feira, agosto 12, 2014
quinta-feira, julho 24, 2014
Golpes desta guerra de vida
Golpes e mais golpes,
golpeado pela vida inteira
uma e outra vez, sem descanso...
Primeiramente, ainda no ventre,
o terramoto da queda e tudo sangue
e tudo negro e a seguir
foi o punhal que rasgou o ventre
e eu de um roxeado mas vivo.
Depois, ainda na pré-adolescência,
aperceber-me pela primeira vez
do quanto tudo é horrível e vão
e todos os golpes que sofrera na pele,
só até então, tal como tudo,
derradeiramente não fazerem qualquer sentido.
Posteriormente a terrível consumação de tudo ser muito tudo.
Os golpes que nos ferem como bicadas de abutres
e outros necrófagos..., morrer e continuar a ser golpeado.
Vivendo como irmãos de Sísifo e Prometeu,
com facas a rasgarem a veias dos braços
e a apunhalarem-nos o corpo repetidamente
nos sítios em que as feridas nunca chegam a fechar completamente,
onde já foi arrancado o órgão e continua o seu fantasma.
Os rostos dos agressores fundem-se e toda a dor é una
e toda a dilaceração jorra sangue ininterruptamente.
É o bebé que morreu mas continuou vivo,
é a criança que foi violada mas enquanto cresce sorri,
é o adulto que sempre foi órfão e sempre será,
é o idoso que nunca importa e nunca importará:
milhares de vidas e mundos sempre destruídos,
golpe atrás de golpe com pequenas pausas
para regenerar apenas o suficiente para haver de novo terreno para bombardear.
golpeado pela vida inteira
uma e outra vez, sem descanso...
Primeiramente, ainda no ventre,
o terramoto da queda e tudo sangue
e tudo negro e a seguir
foi o punhal que rasgou o ventre
e eu de um roxeado mas vivo.
Depois, ainda na pré-adolescência,
aperceber-me pela primeira vez
do quanto tudo é horrível e vão
e todos os golpes que sofrera na pele,
só até então, tal como tudo,
derradeiramente não fazerem qualquer sentido.
Posteriormente a terrível consumação de tudo ser muito tudo.
Os golpes que nos ferem como bicadas de abutres
e outros necrófagos..., morrer e continuar a ser golpeado.
Vivendo como irmãos de Sísifo e Prometeu,
com facas a rasgarem a veias dos braços
e a apunhalarem-nos o corpo repetidamente
nos sítios em que as feridas nunca chegam a fechar completamente,
onde já foi arrancado o órgão e continua o seu fantasma.
Os rostos dos agressores fundem-se e toda a dor é una
e toda a dilaceração jorra sangue ininterruptamente.
É o bebé que morreu mas continuou vivo,
é a criança que foi violada mas enquanto cresce sorri,
é o adulto que sempre foi órfão e sempre será,
é o idoso que nunca importa e nunca importará:
milhares de vidas e mundos sempre destruídos,
golpe atrás de golpe com pequenas pausas
para regenerar apenas o suficiente para haver de novo terreno para bombardear.
quarta-feira, julho 16, 2014
O Tempo é um desperdício de vida.
O Tempo é um desperdício de vida. Já que a Vida em si não vale nada. Todos os dias morrem crianças. Todos os dias são torturadas pessoas. Todos os dias há pessoas a serem escravizadas. Todos os dias existem os gritos de dor silenciados de tantas e tantas pessoas. Todos os dias assistimos, incapazes de fazer o que seja, às injustiças grotescas que causam tanto sofrimento a tanta gente.
O Universo criou muito mais beldade do que nós. Nós, sendo conscientes e poderosos com a nossa capacidade de decisão, apenas criámos mais fealdade do que beleza neste mundo que habitamos e destruímos impunemente. E em todos os espaços que estivéssemos havíamos de proceder à mesma destruição, porque somos demasiado imperfeitos, demasiado poluídos ou apenas com uma evolução demasiado atrofiada.
O Universo criou muito mais beldade do que nós. Nós, sendo conscientes e poderosos com a nossa capacidade de decisão, apenas criámos mais fealdade do que beleza neste mundo que habitamos e destruímos impunemente. E em todos os espaços que estivéssemos havíamos de proceder à mesma destruição, porque somos demasiado imperfeitos, demasiado poluídos ou apenas com uma evolução demasiado atrofiada.
sexta-feira, julho 11, 2014
sexta-feira, junho 27, 2014
Não sei se é longa a viagem, pois tudo se torna relativo quando comparado
e nada parece existir por si só, mas sinto com certeza
que tenho mais chão nos ombros do que debaixo dos pés
e que carrego mais poeira nos olhos do que nos ombros.
E nas minhas mãos tantas silhuetas, e nas suas palmas tantas cinzas de tantos corpos...
A vida é um sopro, perene, e todavia tem a intensidade do que arde
e se esfumaça, deixando às vezes microscópicas partículas para trás.
Custou a entender e talvez não tenha agarrado todo o significado
do que vi e vivi agora em poucos minutos que duraram muito mais do que isso
- perceber que o amor é apenas um sonho cinematográfico, mas de facto o mais doce a se ter.
e nada parece existir por si só, mas sinto com certeza
que tenho mais chão nos ombros do que debaixo dos pés
e que carrego mais poeira nos olhos do que nos ombros.
E nas minhas mãos tantas silhuetas, e nas suas palmas tantas cinzas de tantos corpos...
A vida é um sopro, perene, e todavia tem a intensidade do que arde
e se esfumaça, deixando às vezes microscópicas partículas para trás.
Custou a entender e talvez não tenha agarrado todo o significado
do que vi e vivi agora em poucos minutos que duraram muito mais do que isso
- perceber que o amor é apenas um sonho cinematográfico, mas de facto o mais doce a se ter.
sexta-feira, junho 13, 2014
Do apocalipse da humanização
É deplorável...
Pensar que agora as pessoas têm de competir com objectos e afins (smartphones, jogos, redes sociais, etc.) só para ter a atenção das pessoas. Não se passa de bestas zombificadas. Depois têm a lata de dizerem que estão muito ocupadas, quando precisamente dispondo de telemóvel bastam menos de 15 segundos para dar um toque, dar sinal de vida, a outra pessoa.
Há 15 anos atrás a maioria das pessoas não tinha telemóvel e eram todas mais humanas que isso nas suas (então verdadeiras) relações interpessoais.
Pensar que agora as pessoas têm de competir com objectos e afins (smartphones, jogos, redes sociais, etc.) só para ter a atenção das pessoas. Não se passa de bestas zombificadas. Depois têm a lata de dizerem que estão muito ocupadas, quando precisamente dispondo de telemóvel bastam menos de 15 segundos para dar um toque, dar sinal de vida, a outra pessoa.
Há 15 anos atrás a maioria das pessoas não tinha telemóvel e eram todas mais humanas que isso nas suas (então verdadeiras) relações interpessoais.
quinta-feira, maio 22, 2014
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