Às vezes a vida parece um nunca mais acabar de coisas que passamos e que temos de ultrapassar. Uma sequência de pesadelos, mas lembro que exististe mesmo.
quinta-feira, julho 31, 2025
Da Dor
Quem avisa, amigo é"
Aconselha-se vivamente a não perturbar, porque tenho uma tendência forte em devolver perturbação.
terça-feira, julho 29, 2025
Não podia, nem devia
segunda-feira, julho 28, 2025
sábado, julho 26, 2025
Voz
Como é que uma voz te pode salvar e ao mesmo tempo te matar?
Uma voz que ama, que acarinha, que fascina, mas ao mesmo tempo te domina, te engana, de fragiliza e assim que te tem inteiramente te adoece, te vicia.
Ainda assim, essa voz, uma vida inteira eu a ouviria.
sexta-feira, julho 25, 2025
Nojo de Humanidade
Deixa as crianças morrerem de fome
Deixa os sem-abrigo congelarem
Deixa as crianças sem educação
Deixa as pessoas trans sem nome
Deixa os doentes a definharem
Deixa as mulheres sem contracepção
Deixa as crianças serem violadas
Deixa o planeta asfixiar com a poluição
Deixa as crianças serem exploradas
Deixa as pessoas serem entretidas
Deixa as pessoas serem cegadas
Deixa o consumismo esconder feridas
Tu precisas do teu conforto material
Os bilionários precisam de mais
Tu precisas de fingir que és normal
Os ricos precisam de se sentir superiores
Os bilionários precisam de mais
Todos precisam mascarar os seus horrores
quarta-feira, julho 23, 2025
terça-feira, julho 22, 2025
Do inferno
O inferno é na Terra, onde todos os dias violam crianças, matam, estropiam, e fazem tantas outras coisas horrendas.
Fazem uns aos outros e a si mesmos. Aos animais, aos habitats, aos elementos da natureza.
O ser humano tem deuses falsos para justificar a sua existência idiota e ele próprio é o diabo dos animais. Neste inferno que criámos e para o qual eu nunca quis vir, todos os dias da minha existência tive problemas físicos. Tive esperança várias vezes que o meu inferno pessoal terminasse, que eu finalmente morresse e não tivesse mais de sofrer todos os minutos com a barbárie que me faziam. Não tive ainda essa sorte. Pior, ainda me meti em mais trabalhos. E agora vivo todos os dias a sentir-me culpada e a não entender completamente como me deixei afectar e até contaminar por tantas pessoas, ao ponto de ter imitado os seus comportamentos por tempo suficiente para fazer muito mal, especialmente a mim.
Com tantas mortes de pessoas da minha família, lembro das pessoas famosas e não só que se suicidaram. Sempre tive um bocado de inveja delas. Sempre queria ter tido a coragem ou a falta da hiperconsciência que me trava sempre nos momentos mais desesperadores. Já vi e vivi tantos horrores para mim. Mesmo assim, digo-me sempre: pior estão as crianças estropiadas, etc., e as que são obrigadas a casar com homens velhos.
É, a merda do inferno na Terra, só fica mais e mais quente ultimamente. Ele é de tantas estirpes e locais, mas é um todo que infelizmente tem como cúmplices os ditos normais.
Tom
Ele tem o mesmo tom desiludido com a vida do que eu. Às vezes surge um tom mais doce, algo paternal, outras vez um tom mais assertivo e final. Também tem aquele tom de quem ri. Mas também o que faz graça sem se rir ao mesmo tempo, só depois. Esse tem um tom também de chalaça. Há um tom de desgraça: esse é fundo no pesar, ou então é sonoro gritar. Tem o tom maroto acompanhado de jeito afoito. Tem ainda outro tom, que me faz ficar num oito. Há o tom que me atravessa, me devassa, o que me devasta e o que me despedaça.
Todos acompanhados de um olhar quase de cada vez diferente.
Quase me esquecia do seu primordial tom de espanto. É tão basal quanto o seu tom de pranto.
Música
A música está mais acelerada
Como os indivíduos e os tempos
Em síncope e sincopadas
Ritmos curtos e ofegantes
As mensagens mais endiabradas
Reflectindo o inferno que vivemos
Somos o que ouvimos e o que lemos
Mas mais o que fazemos
Nessa vida toda errada
segunda-feira, julho 21, 2025
Um amor de nós pretas
Como com todas as coisas, ninguém precisa de acreditar no amor, porque ele existe se existir e pronto, um dia há-de vir. Como volta e meia vem em ondas que ninguém tem, mas que todos sabem sentir quando vêm.
O amor não salvou quem tanto o teve à sua volta. Embora enquanto ela esteve por cá se sentiu salva por ele. Em tantas formas que se viu, que se sentiu, que veio em ondas bater.
Estar ligada nessa grelha de afectos com o coração, ainda não me desligou mesmo passado tanto tempo e tanta desilusão. Ainda somos todos o mesmo, com pequenas variações. Sentimos e levamos com as mesmas ondas de rádio. A cura também era assim. Um oásis na dor era feito de amor, não tenhas dúvidas. Fui sim amor infinito em alma penada, sei, mas nunca quis nada. Aconteceu e eu fui também a ele subjugada.