quinta-feira, julho 31, 2025

 Às vezes a vida parece um nunca mais acabar de coisas que passamos e que temos de ultrapassar. Uma sequência de pesadelos, mas lembro que exististe mesmo. 

Da Dor

 A Dor quebra o ego
Destrói as ilusões 
Estilhaça as certezas
Torna vidente um cego
Enudece complicações 
E realça as delicadezas

É um marco que passamos
Para nos afinar o amor
É um portão que atravessamos
Sentindo do inferno o calor
E em brasas caminhamos
É só feito de enxofre o odor

Tudo o que ela esconde 
Vem à tona finalmente 
Já não te sentes gente
Não há uma luz que ronde
Só escuridão que arde
Sem fazer grande alarde 
Entranha-se simplesmente 

É ferida que dói e sangra 
Descontentamento descontente 
É a memória que arranha
Corpo, alma e a mente. 

Quem avisa, amigo é"

 Aconselha-se vivamente a não perturbar, porque tenho uma tendência forte em devolver perturbação.

 A tua delicadeza e pungência poéticas fazem-te enxergar a alma do mundo enquanto artista.

terça-feira, julho 29, 2025

 Não prendas a respiração 

Corre

Foge

Oblitera-te

Vai-te embora 

Para nunca mais voltares

Não podia, nem devia

 Amei-te mais do que podia ou devia
e por isso matei-me um bom bocado 
até igual a ti me ter tornado 
só para veres que eu não podia 
até te ter esgotado e ter-te chateado
só para veres o que não devias
mas não foi um plano engendrado
foi acontecendo com tudo o que via
e que as mulheres tinham queixado
porém nunca foi nada combinado 
e acho que toda a verdade eu te dizia 
pelo menos sobre aquilo que sentia

segunda-feira, julho 28, 2025

 Aprende que o Amor nunca te abandona, são só as pessoas que nunca souberam o que é amar completamente alguém e essas jamais conhecerão o amor verdadeiro que jamais foi interesseiro. 

sábado, julho 26, 2025

Voz

 Como é que uma voz te pode salvar e ao mesmo tempo te matar? 

Uma voz que ama, que acarinha, que fascina, mas ao mesmo tempo te domina, te engana, de fragiliza e assim que te tem inteiramente te adoece, te vicia. 

Ainda assim, essa voz, uma vida inteira eu a ouviria. 

sexta-feira, julho 25, 2025

Nojo de Humanidade

 Deixa as crianças morrerem de fome 

Deixa os sem-abrigo congelarem 

Deixa as crianças sem educação 

Deixa as pessoas trans sem nome

Deixa os doentes a definharem

Deixa as mulheres sem contracepção 

Deixa as crianças serem violadas

Deixa o planeta asfixiar com a poluição 

Deixa as crianças serem exploradas

Deixa as pessoas serem entretidas

Deixa as pessoas serem cegadas

Deixa o consumismo esconder feridas

Tu precisas do teu conforto material 

Os bilionários precisam de mais 

Tu precisas de fingir que és normal 

Os ricos precisam de se sentir superiores 

Os bilionários precisam de mais 

Todos precisam mascarar os seus horrores 


 Esse misto violento 
De paixão e amor
Teu corpo sobre o meu 
Prende a respiração 
Devassa-me
A pele que explode
Em ondas ascendentes
Num voraz desejo
Em todos os poros 
As tuas mãos 
Acariciando cima abaixo 
Num levante mágico 
Que leva à loucura 

Onde estás 
Não sei
Porquê tudo isto 
Esta fantasia pura

 O amor não é algo que encontres, mas algo que te encontra. 

...

Tu perguntas por que não e eu pergunto para quê.

quarta-feira, julho 23, 2025

 "tu enxergas a alma do mundo com olhos de artista" 

hehehe não serve de nada, conforme as pessoas, no mundo real, faz sentido 👌🏽🤣

terça-feira, julho 22, 2025

Do inferno

 O inferno é na Terra, onde todos os dias violam crianças, matam, estropiam, e fazem tantas outras coisas horrendas. 

Fazem uns aos outros e a si mesmos. Aos animais, aos habitats, aos elementos da natureza. 

O ser humano tem deuses falsos para justificar a sua existência idiota e ele próprio é o diabo dos animais. Neste inferno que criámos e para o qual eu nunca quis vir, todos os dias da minha existência tive problemas físicos. Tive esperança várias vezes que o meu inferno pessoal terminasse, que eu finalmente morresse e não tivesse mais de sofrer todos os minutos com a barbárie que me faziam. Não tive ainda essa sorte. Pior, ainda me meti em mais trabalhos. E agora vivo todos os dias a sentir-me culpada e a não entender completamente como me deixei afectar e até contaminar por tantas pessoas, ao ponto de ter imitado os seus comportamentos por tempo suficiente para fazer muito mal, especialmente a mim. 

Com tantas mortes de pessoas da minha família, lembro das pessoas famosas e não só que se suicidaram. Sempre tive um bocado de inveja delas. Sempre queria ter tido a coragem ou a falta da hiperconsciência que me trava sempre nos momentos mais desesperadores. Já vi e vivi tantos horrores para mim. Mesmo assim, digo-me sempre: pior estão as crianças estropiadas, etc., e as que são obrigadas a casar com homens velhos.

É, a merda do inferno na Terra, só fica mais e mais quente ultimamente. Ele é de tantas estirpes e locais, mas é um todo que infelizmente tem como cúmplices os ditos normais. 

 Não olhar

Não ter medo

Não acontece

Não penses 

 Se for agora que é de vez, com a úlcera ou o que for, quero que saibas que não foi nada bom, senão te conhecer. E lamento por tudo o que fiz de errado, claro. 

Tom

 Ele tem o mesmo tom desiludido com a vida do que eu. Às vezes surge um tom mais doce, algo paternal, outras vez um tom mais assertivo e final. Também tem aquele tom de quem ri. Mas também o que faz graça sem se rir ao mesmo tempo, só depois. Esse tem um tom também de chalaça. Há um tom de desgraça: esse é fundo no pesar, ou então é sonoro gritar. Tem o tom maroto acompanhado de jeito afoito. Tem ainda outro tom, que me faz ficar num oito. Há o tom que me atravessa, me devassa, o que me devasta e o que me despedaça.

Todos acompanhados de um olhar quase de cada vez diferente. 

Quase me esquecia do seu primordial tom de espanto. É tão basal quanto o seu tom de pranto. 

Música

 A música está mais acelerada 

Como os indivíduos e os tempos 

Em síncope e sincopadas

Ritmos curtos e ofegantes

As mensagens mais endiabradas

Reflectindo o inferno que vivemos 

Somos o que ouvimos e o que lemos

Mas mais o que fazemos

Nessa vida toda errada

 Abrir os olhos 

Tirar as lentes rosa dos óculos 

Enxergar até o veneno nos ósculos

 Quando toda a gente que mais amaste deixou-te para morreres sozinha, é que finalmente acordas, partem-se as lentes cor-de-rosa com que vias tudo e todos e vês como é que são mesmo as pessoas, e desistes de esperar que elas sejam melhores do que na realidade sempre foram. 

 Quando és completamente honesto 
Ficas inteiramente nu
Tudo o que é funesto
Deixa de ser tu

 Não esperes que eu deixe de te amar
Eu esperei, antes tentei e até lutei
Mas hoje dei por mim novamente 
A sentir-me condenada irremediavelmente 
Apaixonada por alguém que me detesta
E que eu só vejo este sentir como doença 

segunda-feira, julho 21, 2025

Um amor de nós pretas

 Como com todas as coisas, ninguém precisa de acreditar no amor, porque ele existe se existir e pronto, um dia há-de vir. Como volta e meia vem em ondas que ninguém tem, mas que todos sabem sentir quando vêm. 

O amor não salvou quem tanto o teve à sua volta. Embora enquanto ela esteve por cá se sentiu salva por ele. Em tantas formas que se viu, que se sentiu, que veio em ondas bater. 

Estar ligada nessa grelha de afectos com o coração, ainda não me desligou mesmo passado tanto tempo e tanta desilusão. Ainda somos todos o mesmo, com pequenas variações. Sentimos e levamos com as mesmas ondas de rádio. A cura também era assim. Um oásis na dor era feito de amor, não tenhas dúvidas. Fui sim amor infinito em alma penada, sei, mas nunca quis nada. Aconteceu e eu fui também a ele subjugada. 

Entre o amor e o ódio

 Entre o amor e o ódio, está o medo. No início e no fim. É sempre o mesmo enredo. 
Medo de amar e até odiar por medo. Medo de ser ridículo, de ser enganado, medo de estar perdidamente apaixonado, medo de estar condenado, medo de ser ultrapassado, substituído, ultrajado, medo de amar e ser amado. Medo de não ser amado, medo de ser controlado e vilipendiado, medo de ser injustiçado. 
Entre o amor e o ódio, um rio que chove.
 Tanto barulho 
Não há paz
Tanto entulho
Não se é capaz
No meio da pressa
Quem dá não leva
Ninguém se interessa
Por quem fica atrás 

 Da sublime subtileza de passar entre os pingos da chuva. Eu sei. Eu fui a vida toda.