Em cada vértebra minha está uma vértebra de antepassados heróicos que com os seus carácteres estóicos foram ultrapassando todas as dificuldades. Não falo do meu primo afastado, Camões, de quem tenho o mesmo sangue, mas de Ulisses, Hércules e Prometeu.
Assim, tenho em mim mais espinha dorsal que muitos por aí e só assim para explicar a resiliência perante a desgraça, a miséria e o infortúnio de toda a vida.
segunda-feira, outubro 12, 2015
domingo, outubro 11, 2015
sábado, outubro 03, 2015
Não há navio, só destroços, capitão!
O único rumo para todos nós
navegantes da vida e das suas marés
é em direcção à morte,
que poderá ser através da tempestade
ou senão apenas da bonança
quando os raios de luz ainda atravessam a escuridão.
navegantes da vida e das suas marés
é em direcção à morte,
que poderá ser através da tempestade
ou senão apenas da bonança
quando os raios de luz ainda atravessam a escuridão.
terça-feira, setembro 29, 2015
domingo, setembro 27, 2015
terça-feira, setembro 22, 2015
Perdê-la...
Perdê-la foi quebrar-se o tempo e ele deixar de existir por completo, entrando eu numa espécie de suspensão dos sentidos. O gosto que a língua deixou de sentir, as mãos que nada conseguiam mais agarrar, o cheiro e o som de tudo o que havia para olhar e que eu não mais via, não mais enxergava, não mais.
Quando algo me relembrava de quanto tempo tinha de facto passado eu não acreditava porque ele para mim não tinha passado. "Onde foi o tempo?", perguntavam. Eu nunca soube, nem sequer soube que ele tivesse ido.
Ela sempre dentro de mim, mais do que eu mesma, sempre presente no vazio da ausência que deixou. Porque agora já se sabe que existe matéria num buraco negro e que o vazio espacial tem substância, tem peso e dimensão. Porque agora e, sempre, eu soube que ela existia como vórtex espácio-temporal no meu coração.
Eu não vou perdê-la. Eu não vou perdê-la. Eu não vou perdê-la. Nunca.
Quando algo me relembrava de quanto tempo tinha de facto passado eu não acreditava porque ele para mim não tinha passado. "Onde foi o tempo?", perguntavam. Eu nunca soube, nem sequer soube que ele tivesse ido.
Ela sempre dentro de mim, mais do que eu mesma, sempre presente no vazio da ausência que deixou. Porque agora já se sabe que existe matéria num buraco negro e que o vazio espacial tem substância, tem peso e dimensão. Porque agora e, sempre, eu soube que ela existia como vórtex espácio-temporal no meu coração.
Eu não vou perdê-la. Eu não vou perdê-la. Eu não vou perdê-la. Nunca.
sexta-feira, setembro 11, 2015
A estrutura da dor
Se nós nos compararmos a uma casa poderemos dizer que quando a dor abala demasiado as estruturas a casa cai.
E podemos sempre construir em cima das ruínas.
E podemos sempre construir em cima das ruínas.
terça-feira, setembro 01, 2015
terça-feira, agosto 25, 2015
A profissão da solidão
Nos tempos modernos uma das mais complicadas profissões é a da solidão. Não são necessariamente corações vazios e desempregados que habitam as pessoas sós. A vida encarrega-se de separar da multidão as pessoas sós e assim, uma vez destrinçada a natureza delas, podem professar a solidão com esmero e bravura que lhes é exigido.
domingo, agosto 16, 2015
sábado, agosto 15, 2015
terça-feira, agosto 04, 2015
terça-feira, julho 28, 2015
Manifesto Anti-Bimby
Era uma vez um bimbo e uma bimba.
O bimbo e a bimba compraram uma Bimby.
Basta, BUM!
Morra a Bimby, morra Bim!
Aos que não a conhecem, essa douta e ilustre máquina multifunções que diz que praticamente já substitui a bimba e o bimbo no lar, saibam que ela é donzela e por isso para a levar, mais de 1000 euros tem de pagar!
O bimbo e a bimba compraram uma Bimby.
Basta, BUM!
Morra a Bimby, morra Bim!
Aos que não a conhecem, essa douta e ilustre máquina multifunções que diz que praticamente já substitui a bimba e o bimbo no lar, saibam que ela é donzela e por isso para a levar, mais de 1000 euros tem de pagar!
Hoje em dia as pessoas já não têm presente as consequências dos seus actos.
Ninguém sofre as consequências dos seus actos, porque estão todos demasiado ocupados em abstraírem-se e distraírem-se. Nesta sociedade frenética ninguém chega a parar e reflectir sobre as suas acções para retirar delas conclusões. Logo, ninguém aprende as lições que têm de aprender e permanecemos a viver assim num mundo de inconsciência e inconsequência. Acção e reflexão, tornou-se meramente em acção e reacção.
Ninguém sofre as consequências dos seus actos, porque estão todos demasiado ocupados em abstraírem-se e distraírem-se. Nesta sociedade frenética ninguém chega a parar e reflectir sobre as suas acções para retirar delas conclusões. Logo, ninguém aprende as lições que têm de aprender e permanecemos a viver assim num mundo de inconsciência e inconsequência. Acção e reflexão, tornou-se meramente em acção e reacção.
Lisboa tem
Lisboa tem queixumes de rio que chora para o mar
tem gaivotas que esvoaçam bêbadas pelo ar
Lisboa tem navios e léguas de montes e colinas para navegar.
tem gaivotas que esvoaçam bêbadas pelo ar
Lisboa tem navios e léguas de montes e colinas para navegar.
Eu julguei-te meu
Tu julgaste-me tua
E de tanto julgarmo-nos um do outro o nosso amor ardeu, deixando-me completamente nua, despindo-me de tudo o que era nosso. E, no entanto, dia após dia, nessa década de penumbra até hoje fomos sempre um do outro. Em todas as horas, em todos os segundos, não houve outra pessoa, em todas as nossas vidas, com quem tivéssemos tido contacto diário desde que nos cruzámos.
Isso não é só amor, é algo mais forte que misturado com o amor tem sabor a eternidade e por isso jamais se abala perante a morte.
Tu julgaste-me tua
E de tanto julgarmo-nos um do outro o nosso amor ardeu, deixando-me completamente nua, despindo-me de tudo o que era nosso. E, no entanto, dia após dia, nessa década de penumbra até hoje fomos sempre um do outro. Em todas as horas, em todos os segundos, não houve outra pessoa, em todas as nossas vidas, com quem tivéssemos tido contacto diário desde que nos cruzámos.
Isso não é só amor, é algo mais forte que misturado com o amor tem sabor a eternidade e por isso jamais se abala perante a morte.
O ser humano é visto de uma forma tão limitada, nomeadamente ao nível espácio-temporal, que acaba por nem se aperceber de que existe há milhares de anos enquanto homo sapiens sapiens e, ainda assim, na era em que vivemos - e mesmo pelo que sabemos das civilizações antigas - o ser humano continua a achar e desde pequeno a crescer com a ideia de que vai fazer a diferença no mundo e torná-lo melhor.
Até o melhor dos mestres tem um calcanhar de Aquiles, mas se o aceitar sempre será mais seguro. E basta ter uma vontade de ferro e uma mente de aço. Embora saibamos que a mente pode pregar partidas e que se a mesma não for domesticada e controlada, pode mesmo - à semelhança de um cachorro ainda não treinado e que faz xixi no tapete -, criar situações impossíveis de se resolverem.
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