quinta-feira, outubro 05, 2017
Como é que se regressa à vida?
Como é que se regressa à vida, depois de vermos tudo ruir?
Não somos um bebé que começa a aprender tudo do nada. Trazemos memórias de fruta fresca no regaço, trazemos memórias de trovões que fustigaram toda a Terra no horizonte. Chegamos de mãos vazias e olhar fixo numa imagem devastadora que nunca parece largar a mente.
Dizes-me que não se recupera do irrecuperável, quando eu alto formulo retoricamente esse pensamento, mas (logos dixit) e se o tornarmos recuperável, se nos batermos até sangrarmos de novo para voltarmos a recuperar o controlo, e enchermos os destroços com uma intensidade semelhante que os assoberba de amor?
Será utopia pensar que é possível, será presunção almejar o que nos parece impossível e o que dá muito trabalho, porque pensamos que não temos dentro de nós essa força, esse querer, e que não teremos entre nós essa capacidade?
Só sei que a cada abraço teu tudo parece muito melhor.
18.06.2017
segunda-feira, setembro 04, 2017
sábado, agosto 05, 2017
O que dirias se visses o corpo a nu, por detrás das transparências: a limpidez das várias cicatrizes e a sujidade dos poucos sinais?
Bebeste da minha alma: o carinho entre-dedos, o teu semblante de poeta do romantismo e, eu, brincava com a tua face num mundo ao contrário. Tu sorrias, sempre. Eu a amar-te cada vez mais, sem dar por isso.
Tenho saudades
de quem não sei quem és
e do que foste só para mim.
Todas as auroras têm a melancolia da ternura que nos tocou
e o cheiro do orvalho trémulo invade-me como o teu abraçar
que tanto queria de novo em mim.
segunda-feira, julho 31, 2017
sábado, julho 15, 2017
Saudades das tuas singularidades
Escreves muitos "a" sem "h"
E enquanto te leio falta-me sentir o teu sorriso a olhar para mim,
E toda a minha vida percorrida pelos teus dedos,
E até o teu som de estalar o corpo,
Como se sente nostalgia de ouvir o som que a antiga casa fazia;
O teu corpo esquálido de alabastro, o perfeito abrigo para o meu corpo aranhiço;
A tua vida a palpitar na calma excitação, essa ternura tranquila, que não se mede pelas palmas das nossas mãos;
O teu tacto e polidez a cada frase minha, quase como resposta biológica;
São singularidades que me vêm à memória e de que sinto falta no ruído da madrugada, para silenciar a minha mente e sossegar o meu coração.
segunda-feira, julho 03, 2017
O naturalismo dos Homens
Não falemos das plantas masculinas nem das plantas femininas,
Mas é sabido que todos preferem o corpo à mente com todos os seus tropismos.
As raizes ramificam-se e são super funcionais no que é superficial.
A fisiologia dos seres cuja função derradeira é a de se duplicarem apenas por uma questão narcísica de sobrevivência espalham-se pela terra.
Esta é a biologia e antropologia dos seres, que durante séculos maravilha os seus estudiosos. O mundo natural no seu primor e primordial significado.
mens insana in corpore insano
Nesta existência lentamente se degrada e se degenera
Nem sequer cumprindo a função de ser húmus para a terra
O corpo é cadaverizado em vida
E a morte já vem tarde para a recolha
Não falemos do espírito, da alma, da mente, pois esses nunca chegam a ser algum dia integrais,
Unos e sãos, completos na sua essência.
domingo, julho 02, 2017
Afogas-te nas memórias diluídas
Tal como eu embarco nelas...
Faltou-me saber reconhecer a verdade
Parar com os textos repetidos
E começar por admitir a vontade
É sempre tarde quando te apercebes
É sempre impossível quando não consegues
E acabas por ficar apenas com a maresia
de uma vida por viver
Os redemoinhos de repetições
Sucedem-se implacáveis
Nunca varrendo a inutilidade
E a vacuidade que cega,
Mantendo-nos sempre na escuridão
Eu esforcei-me demasiado
Fui contra a corrente
Qual eterna rebelde
Mas descobrindo o niilismo da vida
Como e por quê continuar
Em décadas sucessivas de naufrágio?
Habitas a minha insónia como um inquilino permanente
E na escuridão da noite és tu quem trazes a aurora a pouco e pouco
E a vertes sobre mim em sorrisos que nunca existiram antes de nós os dois
Das janelas das nossas mentes vemos os vôos infinitos dos nossos sonhos
E por instantes tudo é mais belo do que o mundo
As nossas mãos unem-se tão completamente que parecemos gémeos siameses no bater do coração sincronizado
E a vida torna-se uma possibilidade pela primeira vez
...
Entretanto desperto do sonho.
Foi tão imensurável a intimidade que aprofundaram numa só madrugada, que lhes valeu vidas inteiras que nunca viveriam.
A entidade que é a impossibilidade esteve sempre à espreita,
Tornando aquela mais bela felicidade em terna tristeza.
O silêncio antes da palavra dita
É igual ao instante anterior ao beijo?
quarta-feira, junho 21, 2017
Gostava que fosses eterno
e que o teu infinito cobrisse a Terra
como um manto de propagação da tua arte
Gostava que o teu cérebro te permitisse o sentir e o expressar livremente
e que eu, em vez, me tivesse demorado mais no teu abraço e no teu toque
e nunca largasse a extensão da palma da tua mão.
Gostava que o teu sorriso perdurasse para sempre e a verdade da felicidade te fosse alcançável.
Desejos egoístas?
Para a Andreia
Cílios que dormitam e em REM se arrepiam,
Cabelos longos escuros que ensaiam danças
Ela anda pelas ruas que trilha
Como mapas de tesouros para crianças
E no seu sorriso cabe mais doçura do que num pote de mel
Conhecê-la seria sempre aventura
Se o destino não fosse cruel
Mas nada importa quando se está ao lado dela
Pois é uma bela guerreira que torna a vida amarela :)
quinta-feira, junho 08, 2017
sábado, junho 03, 2017
terça-feira, maio 30, 2017
Procurava a esperança como os girassóis procuram a luz do sol,
agarrava-me à racionalidade como os cactos a armazenar água,
buscava a paz como as andorinhas um seu ninho
e toda a vida, no dia-a-dia,
contava as felicidades alheias como quem conta pétalas bem-me-quer.
Porque é necessária a beleza para suplantar a fealdade do mundo
e urgente a humanidade da natureza que salva cada árvore e cada ser,
olhava sequiosa em volta para me abastecer dessas pérolas
e lutar contra esse mundo ruidoso e ruinoso
de stress, de desejo de satisfação imediata,
e todos esses vícios acumulados da insatisfação perpétua e frustração
que a fugacidade do frenético causa.
Um dia já não será preciso procurar:
só escutarei o chilrear dos pássaros e o mar.
agarrava-me à racionalidade como os cactos a armazenar água,
buscava a paz como as andorinhas um seu ninho
e toda a vida, no dia-a-dia,
contava as felicidades alheias como quem conta pétalas bem-me-quer.
Porque é necessária a beleza para suplantar a fealdade do mundo
e urgente a humanidade da natureza que salva cada árvore e cada ser,
olhava sequiosa em volta para me abastecer dessas pérolas
e lutar contra esse mundo ruidoso e ruinoso
de stress, de desejo de satisfação imediata,
e todos esses vícios acumulados da insatisfação perpétua e frustração
que a fugacidade do frenético causa.
Um dia já não será preciso procurar:
só escutarei o chilrear dos pássaros e o mar.
segunda-feira, maio 29, 2017
Antigamente não se ouviam tantos pássaros lá fora, nem as aranhas tinham abdómenes tão grandes a tecerem seda que mais parece cotão de tão grossa...
Havia mais meses em que chovia, eram dias a fio e caminhos alagados, nada era tão bafiento e sem se ver o céu azul ou totalmente cinzento escuro.
Agora é como se vivêssemos em permanente efeito de estufa.
Havia mais meses em que chovia, eram dias a fio e caminhos alagados, nada era tão bafiento e sem se ver o céu azul ou totalmente cinzento escuro.
Agora é como se vivêssemos em permanente efeito de estufa.
Quando o amor está morto...
Quando o amor está morto faz-se a autópsia das memórias:
todas as referências que se guarda dele
todos os momentos
todos os pormenores
palpados com as pontas dos dedos
em perscrutação dos tumores.
Do cemitério ao luto tudo se enegrece em vestes de dor
um abraço contínuo como se tentasse aplacar
ou mesmo estancar
tudo o que vaza do buraco no peito.
A vida continua, lá está,
como grande insulto e ofensa
para nossa maior indignação
pois o céu continua a ser azul
e o sol continua a brilhar.
É simples, mas o enterro é demorado,
tanto quanto uma via sacra
por uma paixão de um cristo
E a música fúnebre entra em loop na mente.
Não te esqueças de quantas vezes te amaram
e de quantas vezes amaste também.
todas as referências que se guarda dele
todos os momentos
todos os pormenores
palpados com as pontas dos dedos
em perscrutação dos tumores.
Do cemitério ao luto tudo se enegrece em vestes de dor
um abraço contínuo como se tentasse aplacar
ou mesmo estancar
tudo o que vaza do buraco no peito.
A vida continua, lá está,
como grande insulto e ofensa
para nossa maior indignação
pois o céu continua a ser azul
e o sol continua a brilhar.
É simples, mas o enterro é demorado,
tanto quanto uma via sacra
por uma paixão de um cristo
E a música fúnebre entra em loop na mente.
Não te esqueças de quantas vezes te amaram
e de quantas vezes amaste também.
sexta-feira, maio 26, 2017
Subscrever:
Mensagens (Atom)