segunda-feira, outubro 31, 2022

Inferno

 O inferno em que vivo
com algozes de sempre
sem poder comer o que quero
sem poder fazer o que quero
sem ter uma casa
sem ter amor, cuidado, carinho
numa longa história de escravidão
violência e sofrimento
certamente é pior que o mitológico.

Segredos

 Gostava de te contar o secreto que há em mim
Como se fosse algo que fosse parte de ti
Mas nunca fui capaz
Passaram-se os anos e não te contei
Sempre te poupei, achei eu
À dor
Afinal esses segredos que guardamos
Às vezes até de nós mesmos
Têm razão de ser

 Tudo em ti é maravilhoso
Mesmo quando nos irritamo-nos
Ou mesmo nos damos um ódio!!!
Que no fundo é mesmo pena
De não podermos estar juntos

Tudo em ti é lindo
Mesmo quando estás feio
Mas tens uns dentes perfeitos
Que ao unirem-se num sorriso
Fazem qualquer um ficar contente

Tudo em ti é genial
Apesar de muita coisa normal
Nesta tua múltipla personalidade
O facto é eu a amar-te totalmente
Ciente de tudo e independentemente
 Sou tua, sabes?
Não costumo imaginar
Como é receber o teu beijo
Mas hoje pelo festejo
Dei por mim a vislumbrar
Talvez fosse esse o meu desejo
Mais bonito para celebrar
Porque hoje é o primeiro dia
Do resto das nossas vidas
E embora haja esta alegria
Sei que nada faz total sentido
Se não as temos juntos repartidas


domingo, outubro 30, 2022

Quando já não houver ninguém

 Quando já não houver ninguém
O vento continuará a soprar
As ondas ainda estarão no mar
A virem bater nas rochas além 
E no céu reminiscências de nuvens
Se juntarão e se separarão
Com o sol, a lua e as estrelas
Essas celestiais testemunhas belas

Devia lembrar-me

Devia lembrar-me que não posso falar com ninguém, mas esqueço-me volta e meia, acabo por trocar mensagens e, pronto, o caldo (dos sintomas) fica entornado. 

Ninguém sabe, ninguém entende, só se houvesse alguém que tivesse o problema glandular que eu tenho. Mas não. 

Explicar, ter de repetir-me e ouvir as mesmas respostas e reacçőes é tão cansativo. 

Vou escrever só a ti. Como antes. 

sábado, outubro 29, 2022

 Ama-me assim perdida
porque só em teus braços me encontro

pois eu sou alma esquecida
que se encostou no teu ombro


A minha garganta silencia-se 
afunda-se no meu choro
nos meus fantasmas delicia-se
quando a língua perde o gosto

Ama-me assim desencantada
com o teu sorriso encantador
tu que és verde e de fé vincada
enche o meu espírito de amor


 Diz-me que virás buscar-me
Que eu pertenço só a ti
Desde sempre
Diz-me que acabar-se-á a angústia
Porque o nosso abraço
Acaba com o mundo
Fecha todo o som
Em nós
E desmancha-se em pó
Para só sobrarmos eu e tu
Finalmente

Triste Sina

 Olhei para a minha vida 
Vi que era um longo fado
Sem quaisquer palavras ou melodia
Ó meu Deus, como fui mal amado!

Logo depois fui percebendo
Que a muita tirania dei guarida
Enquanto cheio de empatia doendo
Nunca concretizei a despedida

Que sina triste de amar sem condição
Foi-se instalar em meu tolo coração!

 Nesta era do descartável
Quem tem amor inefável
É rei

Nossos

 Amo-te como se fosse meu e eu tua
Para sempre e sempre
A todo o instante
Como naqueles momentos
Só nossos 
Em que a sintonia era tudo
E sinto que ainda é
Quando nos arriscamos
A ir tocar lá de novo
De tempos a tempos
Para não nos queimarmos demais
Pois nada cabe de nós neste mundo

sexta-feira, outubro 28, 2022

Ode aos teus olhos

 Olhaste-me com olhos emocionados
Marejados e incrédulos
Olhos espantados
De menino-moço acabrunhado
Disfarçaste o olhar
Disseste "não" a ti mesmo
Mas o teu olhar tirou pedaço
E antes sempre foi farol
Que atraía o meu como insecto
Irradiado pela luz ofuscante
Dessas tuas órbitas gigantes
Que abraçam a intensidade das íris

Os teus olhos envergonhados
Os teus olhos preguiçosos
Os teus olhos ensonados
Os teus olhos diferentes
Os teus olhos a olhar em frente
Os teus olhos duvidosos
Os teus olhos renitentes
Os teus olhos esfomeados
Os teus olhos flamejantes 
Os teus olhos raivosos
Os teus olhos de rios nascentes
Os teus olhos de sóis poentes 

Os teus olhos que disseram:
"também"

Os meus que esperam os teus
Abismos 
Como mito homérico

Os teus que sorrindo ao ver os meus
Lamberam-me do rosto o rubor

Fechei os meus e esses teus, vi.

 Hoje decidi de novo acabar
 tudo para mim
numa espécie de eterno retorno
mas sem antepassados
ou descendentes
Apenas regressar à inexistência
à observação impávida
porque é fulcral a ausência
agora que o pior acontece. 
 Em cada célula te sinto
Presos um no outro
Com vontade de gritar
Como se fôssemos morrer

Que mais valia porque não tem solução
Não dá para escapar a toda a hora
Porque a hora cega com o sol
E cega com a lua

Invade tudo
Mostra que há algo maior
Do que há agora 

terça-feira, outubro 25, 2022

Sentimentos

 Sentimentos invisíveis a olho vestido
Sinto como atravessamentos no ar
De cada pessoa que vejo o olhar
E de ti que estiveste tão entretido

Ventos e luzes e coisas que não dizemos
Porque não as podemos psicografar
É como quando observamos e lemos
Nas nuvens tudo o que queremos fantasiar

Nada depende de nada senão da mente
Mas a tua é demasiado complexa
Múltiplas personalidades profundamente
Se espalham por tudo o que lhes interessa


segunda-feira, outubro 24, 2022

Amado, sempre

 Posso te contar o que sei
Ou aquilo que penso que sei
Uma vez que já tanto pensei
Em tudo aquilo que não sei

A tua voz é o meu porto de abrigo
Oiço-a agora de novo em loop
Nessa nossa mais recente canção
Que fiz de conta que cantaste
Mesmo para mim
Dias depois dos meus anos
Já a ouvi centenas de vezes 
É a única coisa que tenho querido fazer
Ouvir-te esse pedaço
Aqui deitada no escuro
Rodeada da fealdade do mundo 
Como se a sua brutalidade não me afectasse

Eu sei, sei que estou a fazê-lo de novo
Como naquele Dezembro há 2 anos
Com a outra música que programou-me a mente
Também quando estava em sofrimento
E só tu e a tua voz foram o meu ar
A minha bóia de salvação

É por isso que te tenho escrito
Porque não posso dizer-te
Como me salvaste a vida
Como eu que estou condenada
E completamente perdida
Te quis mais que tudo cuidar
E ajudar-te também a te salvares

Mas o choque que te fiz
É algo irreversível
E sei que o amor que te deu depois
No final de tudo foi bom
E que infelizmente ninguém escapa
A crescer e a amadurecer
A inocência perder
Senão eu sempre
Que sou só amor puro
E que tenho o monstro
Da violência e escuridão
Sob vigia e razão apertada

Tu fazes-me todas as horas
Serem tudo e nada
Enquanto aguardo-te
Que finalmente me digas
Aquilo que só tu podes dizer.

domingo, outubro 23, 2022

Descansar da dor

 Preciso de descansar da dor

Alguém me ensina?

Não falo da dor de coluna
da escoliose
Nem tanto das outras
emboras todas acabem físicas

Falo da dor que se aloja no peito
e dói muito
muito
nos sufoca

deita-nos no leito

quinta-feira, outubro 20, 2022

Pilar da Criação

 Quando as estrelas se criaram
Estávamos lá os dois
Matéria ardente
Cruzámo-nos em quantos corpos 
Celestes feitos de poeira cósmica
Em quantas vidas colidimos
Na trajectória dos astros
Até à explosão?

Horror

 Não há solução para mim, viver assim, sem condiçőes sempre e nas piores mesmo. Infelizmente só quando morrer estarei livre de uma vida inteira de horror. 

quarta-feira, outubro 19, 2022

 Não deixes que o abraço vire cinza
que nos enluta sem esperança de viver
e se o vento vier mais forte
não te esqueças o que prometemos
de lutarmos contra a morte
e não deixar que ela se cinja
a apenas sobreviver. 

 Foste ar
quando não conseguia respirar

És água
que me aumenta a sede

Serás terra
que me irá enterrar?

 Feres-me 
e pedes que não grite

De tanto engolir o choro
e o sangue e o ódio
o cuspo e o esterco
meu coração virou grafite
pedra vulcânica

Para me tornar desenhador
no pior dos papéis 
a pintar o som do mar 
na revolta oceânica 
desfazendo-me 
flutuando a definhar

terça-feira, outubro 18, 2022

segunda-feira, outubro 17, 2022

A vida inteira

 Quando ninguém suspeita dos horrores que passamos uma vida inteira, somos nós que disfarçamos e escondemos bem, ou são os outros que sempre estiveram demasiado ocupados para reparar?

"Sê gentil, qualquer um pode estar a passar por um momento horrível". 

E eu a vida inteira...

Só tu

 Todas as músicas que oiço
Todas as músicas que faço
Todos os poemas que leio
Todos os poemas que escrevo
Todos os desenhos que vejo
Todos os desenhos que esboço
Todos os filmes que assisto
Todos os filmes que imagino 
És só tu