sábado, outubro 01, 2016
Testes de Esclerótida Múltipla
Estás bêbado, em vez de passares na prova de balão passas na prova de esclerótida múltipla: vês a dobrar, aos ziguezagues, em forma de túnel e tudo a andar à roda. :D
Aniversário - Quase.
Uma data de princípio e uma de fim, como nas embalagens.
Se se soubesse já alguma coisa sobre a vida quando estamos no ventre ainda,
provavelmente teríamo-nos enforcado com o cordão umbilical.
Fazer anos é simplesmente deixar o tempo passar
e por fazer anos no Verão, neste primeiro dia de Setembro,
quase ninguém se lembra dos meus anos,
quase ninguém se lembra que eu existo,
quase ninguém tem saudades minhas,
quase ninguém me visita,
nem quer saber de mim.
Se se soubesse já alguma coisa sobre a vida quando estamos no ventre ainda,
provavelmente teríamo-nos enforcado com o cordão umbilical.
Fazer anos é simplesmente deixar o tempo passar
e por fazer anos no Verão, neste primeiro dia de Setembro,
quase ninguém se lembra dos meus anos,
quase ninguém se lembra que eu existo,
quase ninguém tem saudades minhas,
quase ninguém me visita,
nem quer saber de mim.
terça-feira, setembro 13, 2016
domingo, agosto 21, 2016
quinta-feira, junho 16, 2016
Pessoas (amigos) que se suicidam - in memoriam, a realidade forçosamente.
(fora um meu tio e o irmão de uma melhor amiga)
Aos meus seis anos - Marco (colega de carteira na primária, com seis também, do meu prédio)
Aos meus 30 anos - Rui (com pouco mais de 50 anos, enforcamento com cinto)
Aos meus 34 anos - Ângela (atirando-se do prédio; com poucos mais anos que eu, cremada hoje no dia do aniversário dela)
Aos meus seis anos - Marco (colega de carteira na primária, com seis também, do meu prédio)
Aos meus 30 anos - Rui (com pouco mais de 50 anos, enforcamento com cinto)
Aos meus 34 anos - Ângela (atirando-se do prédio; com poucos mais anos que eu, cremada hoje no dia do aniversário dela)
sábado, junho 04, 2016
sábado, maio 21, 2016
Velório da Conversação
A morte da conversação chegou de repente, fomos todos ao seu velório.
Com as tecnologias que subitamente minaram as nossas vidas
toda a capacidade conversacional foi-se perdendo.
Hoje em dia a comunicação tornou-se pobre, embrutecida, primitiva
voltando-se ao uso de sinais, símbolos, signos,
sem qualquer complexidade nem aprofundamento lexical.
Ao mesmo tempo com o impacto da linguagem no comportamento
assistimos também a uma queda nos valores generalizadamente.
O desejo do ser humano por facilitismo
fez da tecnologia o seu instrumento de preguiça
e desta o ciclo perpétuo da estupidez
que assassinou a retórica, a oratória e eloquência
que séculos levámos a evoluir.
Com as tecnologias que subitamente minaram as nossas vidas
toda a capacidade conversacional foi-se perdendo.
Hoje em dia a comunicação tornou-se pobre, embrutecida, primitiva
voltando-se ao uso de sinais, símbolos, signos,
sem qualquer complexidade nem aprofundamento lexical.
Ao mesmo tempo com o impacto da linguagem no comportamento
assistimos também a uma queda nos valores generalizadamente.
O desejo do ser humano por facilitismo
fez da tecnologia o seu instrumento de preguiça
e desta o ciclo perpétuo da estupidez
que assassinou a retórica, a oratória e eloquência
que séculos levámos a evoluir.
sexta-feira, abril 29, 2016
domingo, abril 17, 2016
Peculiaridades de um povo e da sua língua
É impressionante e deveras irritante termos chavões e "frases feitas" para tudo.
Se calha termos azar e a seguir um outro, dizemos que "um azar nunca vem só". Mas se a seguir ao azar tivermos sorte já dizemos: "Depois da tempestade vem a bonança." Então neste caso, se um azar nunca vem só então para onde foi o azar que o devia acompanhar a seguir?
(a propósito de uma vida inteira a detestar "frases feitas")
Se calha termos azar e a seguir um outro, dizemos que "um azar nunca vem só". Mas se a seguir ao azar tivermos sorte já dizemos: "Depois da tempestade vem a bonança." Então neste caso, se um azar nunca vem só então para onde foi o azar que o devia acompanhar a seguir?
(a propósito de uma vida inteira a detestar "frases feitas")
quarta-feira, abril 06, 2016
Mundo Apodrecido
Viste como o mundo se tornou empobrecido e apodrecido?
Os seres humanos limitam-se a serem seres vivos; usam químicos tóxicos para se alimentarem e se curarem; destroem o próprio fruto das florestas e da terra e do ar para tentar mobilar as casas, aumentar o conforto, a "qualidade de vida", dizem eles.
O ar que lhes entra nos pulmões é ácido...
A água que penetra a terra, vinda da chuva, é amarga...
Fora todo o sangue derramado nos sítios onde estão as crianças, supostas esperanças.
E tudo deitado abaixo...
E tudo nada...
E tudo aniquilado...
... como se realmente tivesse explodido uma bomba atómica na alma de todos nós.
Os seres humanos limitam-se a serem seres vivos; usam químicos tóxicos para se alimentarem e se curarem; destroem o próprio fruto das florestas e da terra e do ar para tentar mobilar as casas, aumentar o conforto, a "qualidade de vida", dizem eles.
O ar que lhes entra nos pulmões é ácido...
A água que penetra a terra, vinda da chuva, é amarga...
Fora todo o sangue derramado nos sítios onde estão as crianças, supostas esperanças.
E tudo deitado abaixo...
E tudo nada...
E tudo aniquilado...
... como se realmente tivesse explodido uma bomba atómica na alma de todos nós.
quinta-feira, março 24, 2016
sexta-feira, março 11, 2016
segunda-feira, março 07, 2016
(Todos os dias, há dez anos, a ligarmo-nos...)
Um dia liguei-te para te contar uma história... e os pássaros da memória, que saíram pelos orifícios do telefone, foram encontrar um ninho nos teus ouvidos.
sexta-feira, março 04, 2016
terça-feira, fevereiro 16, 2016
A Memória - Esse quadro de uma vida.
A memória - a minha memória - é uma caixa de pintura.
Primeiro, começou com as memórias de aguarelas, de que hoje ainda sobrevivem algumas bastante esmaecidas.
Depois, vieram as memórias de guache com cores mais garridas, mais expressivas, numa pressa de viver a vida.
De seguida, tal como cresce a maturidade, também a tinta da memória ganha consistência e criam-se as memórias a óleo, que são muito mais peganhentas e algumas só se removem mesmo com ajuda de solventes.
No final da minha caixa de pintura encontram-se as memórias de carvão, quando tudo fenece e se transforma no pó que sempre foi, tingido ou não, acaba sempre por ficar sem cor.
Primeiro, começou com as memórias de aguarelas, de que hoje ainda sobrevivem algumas bastante esmaecidas.
Depois, vieram as memórias de guache com cores mais garridas, mais expressivas, numa pressa de viver a vida.
De seguida, tal como cresce a maturidade, também a tinta da memória ganha consistência e criam-se as memórias a óleo, que são muito mais peganhentas e algumas só se removem mesmo com ajuda de solventes.
No final da minha caixa de pintura encontram-se as memórias de carvão, quando tudo fenece e se transforma no pó que sempre foi, tingido ou não, acaba sempre por ficar sem cor.
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