O mundo não é maravilhoso como quando se canta,
nem tanto o mundo das pessoas é tão fascinante como se conta
e há as que têm um mundo por dentro e as que têm um universo,
mas mesmo assim não é tudo belo só por ser complexo.
O salvador* é quem nos traz esse outro lado inesperado,
que nos embala a vista com ternuras tristes
em notas flutuantes que emite como quem inebria,
tal qual as sereias que atraíram tantos marinheiros
transportando na voz promessas de felicidade eterna.
E o mundo fica belo quando se ouve o divino silêncio
e a vida fica mais suportável, esquece-se o inevitável fim,
tudo isto porque alguém dá a sua vida até ao último sopro
para que se tenha direito a vislumbrar essa espécie de nirvana.
Se Camões e Pessoa se juntassem para urdir poemas
para serem cantados com belas melodias a acompanhar
certamente esse seria o rapaz lusitano sem dilemas,
que iria sempre em frente, genuíno, já a ganhar.
* Salvador Sobral, o rapaz mágico e prolífico da Música, que leva a canção e toda a alma portuguesa para espalhar o amor pela Europa no Festival da Eurovisão - singela homenagem, neste mês de Maio, em que evento se aproxima :)
segunda-feira, maio 01, 2017
terça-feira, abril 25, 2017
"Vinte e cincos de Abris"
Eternamente, o ser humano sempre esperará este dia
Vigilantemente, cada um com a vigilância da alegria,
o primordial dia da liberdade e da luta a que compelia,
porque diariamente pela amargura e censura sofria.
O jugo da ganância do homem em cima dos homens,
a ambição do poder e a sua cegueira cruel,
todo um desfile de vontades desumanas,
faz com que este dia nunca se cumpra
e o povo, geração após geração, continue a luta.
Houve aquela madrugada de raiar de luz sobre as trevas,
mas como uma ilusória e fantástica realização cinematográfica,
com o passar dos anos verificou-se ser os efeitos de fumaça
para encobrir o parto de milhares de pequenos tiranos.
Dos "vinte e cincos de Abris" rezará a perpétua História
como o dia em que sempre se recorda um ensaio de liberdade.
Vigilantemente, cada um com a vigilância da alegria,
o primordial dia da liberdade e da luta a que compelia,
porque diariamente pela amargura e censura sofria.
O jugo da ganância do homem em cima dos homens,
a ambição do poder e a sua cegueira cruel,
todo um desfile de vontades desumanas,
faz com que este dia nunca se cumpra
e o povo, geração após geração, continue a luta.
Houve aquela madrugada de raiar de luz sobre as trevas,
mas como uma ilusória e fantástica realização cinematográfica,
com o passar dos anos verificou-se ser os efeitos de fumaça
para encobrir o parto de milhares de pequenos tiranos.
Dos "vinte e cincos de Abris" rezará a perpétua História
como o dia em que sempre se recorda um ensaio de liberdade.
segunda-feira, abril 17, 2017
sexta-feira, abril 14, 2017
quarta-feira, abril 12, 2017
Exaustão da Palavra
Há a palavra dita e há a palavra cantada,
há a palavra escrita e há a palavra apagada,
há a palavra lida e há a palavra sussurrada,
há a palavra contida e há a palavra pintada,
há a palavra silenciada e há a palavra gritada,
há a palavra pensada e há a palavra clamada,
há a palavra omitida e há a palavra codificada,
há a palavra emitida e há a palavra enviada,
há a palavra relida e há a palavra ditada
há a palavra repetida e há a palavra esgotada.
há a palavra escrita e há a palavra apagada,
há a palavra lida e há a palavra sussurrada,
há a palavra contida e há a palavra pintada,
há a palavra silenciada e há a palavra gritada,
há a palavra pensada e há a palavra clamada,
há a palavra omitida e há a palavra codificada,
há a palavra emitida e há a palavra enviada,
há a palavra relida e há a palavra ditada
há a palavra repetida e há a palavra esgotada.
Na verdade, somos milhares, não nascemos um só ser. Somos todas as vezes que o coração se partiu e todas as vezes que ele sorriu; somos todas as vezes que renascemos e todas as vezes que a vida reescrevemos.
E o tempo implacável faz-nos descobrir, como pintores, cada vez mais sobre a sombra e as luzes e como utilizá-las. E, se como dizem, "nascemos, depois morremos e pelo meio temos de nos distrair para não pensar nisso", eu não tenho brilhado em não pensar nesse facto inevitável.
E o tempo implacável faz-nos descobrir, como pintores, cada vez mais sobre a sombra e as luzes e como utilizá-las. E, se como dizem, "nascemos, depois morremos e pelo meio temos de nos distrair para não pensar nisso", eu não tenho brilhado em não pensar nesse facto inevitável.
Do tempo da música.
Ao contrário do que se diz, a música não tem uma época. A boa música dura para sempre; é intemporal; é como a boa comida que quando é boa, passam-se os anos e ela continua boa.
Daí o generation gap em termos culturais ser uma ilusão, porque aquilo que é bom é suposto durar e atravessar gerações...
Daí o generation gap em termos culturais ser uma ilusão, porque aquilo que é bom é suposto durar e atravessar gerações...
quarta-feira, abril 05, 2017
Perder palavras.
Como num sussurro se vão escapando
as palavras da minha mente
e já não sei se vou lembrando
o que o coração tanto sente
No cérebro, no corpo, na dita alma
que é cada vez mais inexistente
começa a língua a perder a calma
e o ânimo decresce descontente
Nada nem ninguém é obrigado a dizer
o que já não se lembra não mente
e o que recorda fá-lo sofrer
De noite e de dia tudo diminui
qualquer ritmo frenético que entre
enluto-me pelas palavras e tudo rui.
as palavras da minha mente
e já não sei se vou lembrando
o que o coração tanto sente
No cérebro, no corpo, na dita alma
que é cada vez mais inexistente
começa a língua a perder a calma
e o ânimo decresce descontente
Nada nem ninguém é obrigado a dizer
o que já não se lembra não mente
e o que recorda fá-lo sofrer
De noite e de dia tudo diminui
qualquer ritmo frenético que entre
enluto-me pelas palavras e tudo rui.
quinta-feira, março 30, 2017
Ela não sou eu.
Ela acordou na minha cama
enquanto o mundo inteiro dormia
e eu sei que não era um sonho
porque belisquei-a e ouvi-a gritar.
Não sei o que é que ela estava lá a fazer,
por que raio apareceu lá estendida
como se estivesse deitada na sua cama
e aqueles fossem os seus lençóis e almofada.
Perguntei-lhe o nome e ela não soube responder,
enquanto esfregava os olhos meio ensonada
com os cabelos despenteados a tapar-lhe a cara
também eu não lhe via o rosto o suficiente.
Quando ela finalmente afastou os cabelos da cara
pude ver que ela era igual a mim tal e qual
como se tivessem feito uma cópia de mim
e depositado na minha própria cama.
enquanto o mundo inteiro dormia
e eu sei que não era um sonho
porque belisquei-a e ouvi-a gritar.
Não sei o que é que ela estava lá a fazer,
por que raio apareceu lá estendida
como se estivesse deitada na sua cama
e aqueles fossem os seus lençóis e almofada.
Perguntei-lhe o nome e ela não soube responder,
enquanto esfregava os olhos meio ensonada
com os cabelos despenteados a tapar-lhe a cara
também eu não lhe via o rosto o suficiente.
Quando ela finalmente afastou os cabelos da cara
pude ver que ela era igual a mim tal e qual
como se tivessem feito uma cópia de mim
e depositado na minha própria cama.
segunda-feira, março 27, 2017
As pessoas fazem com que aos poucos tenhamos que matar pequenos pedaços de nós, que alvejamos com balas de pressão de ar, que fazem buracos, passado algum tempo cicatrizam, ficando só buraquinhos que se parecem com os de ratinhos que comem queijo, como memórias do cérebro.
Mas, como alguém disse, nunca houve alguém que fosse mau e se transformasse em bom e por isso também uma pessoa boa não conseguirá transformar-se em má.
Mas, como alguém disse, nunca houve alguém que fosse mau e se transformasse em bom e por isso também uma pessoa boa não conseguirá transformar-se em má.
Na palidez do Homem (Jogo)
Os homens pálidos são sensíveis,
têm os sentimentos à flor da pele
Os homens morenos são insensíveis,
são os machos latinos, mais racionais
As mulheres pálidas são mais insensíveis,
fazem os seus jogos egoístas
As mulheres morenas são sensíveis,
são as mulheres quentes no coração
têm os sentimentos à flor da pele
Os homens morenos são insensíveis,
são os machos latinos, mais racionais
As mulheres pálidas são mais insensíveis,
fazem os seus jogos egoístas
As mulheres morenas são sensíveis,
são as mulheres quentes no coração
Efemérides e Epitáfios
Hoje é dia de festa, cantam-se os teus anos, uma salva de palmas, blábláblá, ...
(a todos os que já partiram e às pessoas que se lembram dos seus anos)
(a todos os que já partiram e às pessoas que se lembram dos seus anos)
Fundamentalismo à parte...
Triste de quem, fundamentalista, só vê o preto e o branco, pois perde a beleza de cada única cor do espectro de luz.
Classificação de Pessoas como Doces (Estudo)
Pessoas-M&M = Medíocres & Mesquinhas
Pessoas-Bola-de-Berlim : Pessoas com uma barriguinha proeminente, que até parecem alemãs :D
Pessoas-Pastel-de-Nata : Pessoas que até parecem simples, mas que andam sempre com cara de quem lhes cheira a queimado
Pessoas-Marshmellows : Pessoas fofinhas por dentro e por fora
Pessoas-Caramelo : Pessoas que não desgrudam, de tão doces, de tão peganhentas
Pessoas-Pintarolas : Pessoas que se vestem de forma muito garrida
Pessoas-Pudim : Pessoas que são muito moles por dentro
Pessoas-Torrão-de-Alicante : Pessoas que são muito duras, ossos duros de roer
Pessoas-Gelatina : Pessoas que tremem, tremem, mas nunca desabam
Pessoas-Bombocas : Pessoas que são rijas por fora e moles por dentro
Pessoas-Gelado : Pessoas que não passam cartão a ninguém, mas quando se deixam tocar derretem
Pessoas-Sugus : Pessoas que se deixam sugar até não haver mais nada
Pessoas-Gomas : Pessoas muito doces, que até dão dores de dentes
Pessoas-Pastilha-Elástica : Pessoas muito flexíveis, que se esticam, esticam e voltam à mesma forma
Pessoas-Bola-de-Berlim : Pessoas com uma barriguinha proeminente, que até parecem alemãs :D
Pessoas-Pastel-de-Nata : Pessoas que até parecem simples, mas que andam sempre com cara de quem lhes cheira a queimado
Pessoas-Marshmellows : Pessoas fofinhas por dentro e por fora
Pessoas-Caramelo : Pessoas que não desgrudam, de tão doces, de tão peganhentas
Pessoas-Pintarolas : Pessoas que se vestem de forma muito garrida
Pessoas-Pudim : Pessoas que são muito moles por dentro
Pessoas-Torrão-de-Alicante : Pessoas que são muito duras, ossos duros de roer
Pessoas-Gelatina : Pessoas que tremem, tremem, mas nunca desabam
Pessoas-Bombocas : Pessoas que são rijas por fora e moles por dentro
Pessoas-Gelado : Pessoas que não passam cartão a ninguém, mas quando se deixam tocar derretem
Pessoas-Sugus : Pessoas que se deixam sugar até não haver mais nada
Pessoas-Gomas : Pessoas muito doces, que até dão dores de dentes
Pessoas-Pastilha-Elástica : Pessoas muito flexíveis, que se esticam, esticam e voltam à mesma forma
sexta-feira, março 24, 2017
quarta-feira, março 22, 2017
Todos os poemas perdidos nas insónias.
Volta e meia
Escapam-se poemas
Nas madrugadas azuis.
Até hoje e na vida inteira
Escapam-se centenas
e acho que deve haver um lugar muito espectacular,
onde todos eles se encontram
e convivem na mais delirante festa.
A terra dos poemas perdidos
que se chegaram a encontrar
porque se juntaram a mais como eles,
Que terra feliz, cheia de diversidade
e sons e palavras e desejos e rumos,
todos tão díspares, todos tão incrivelmente geniais.
Eu tenho pena de não poder viajar até lá.
Escapam-se poemas
Nas madrugadas azuis.
Até hoje e na vida inteira
Escapam-se centenas
e acho que deve haver um lugar muito espectacular,
onde todos eles se encontram
e convivem na mais delirante festa.
A terra dos poemas perdidos
que se chegaram a encontrar
porque se juntaram a mais como eles,
Que terra feliz, cheia de diversidade
e sons e palavras e desejos e rumos,
todos tão díspares, todos tão incrivelmente geniais.
Eu tenho pena de não poder viajar até lá.
quarta-feira, março 15, 2017
domingo, fevereiro 26, 2017
Lisboa
Lisboa é um amor de verdade,
não nos mente, não nos desilude
É a mais bela das meninas-mulheres
Com os seus cabelos estendidos ao luar
ondulando no rio
Os pontilhados de laranja-tijolo do seu vestido
e a sua maquilhagem garrida na noite,
pelas ruas mais estreitas
cheias de sedução,
Lisboa-independente, lisboa-adulta, lisboa-vivida
não nos mente, não nos desilude
É a mais bela das meninas-mulheres
Com os seus cabelos estendidos ao luar
ondulando no rio
Os pontilhados de laranja-tijolo do seu vestido
e a sua maquilhagem garrida na noite,
pelas ruas mais estreitas
cheias de sedução,
Lisboa-independente, lisboa-adulta, lisboa-vivida
e ainda e sempre a criança que brinca à beira-rio.
quarta-feira, fevereiro 22, 2017
A estranha sensação
Como se chama quando falas e o que dizes não te impacta absolutamente nada? Que fenómeno é este? As palavras saem corridas e até fortes da boca como sempre, mas agora já nada querem dizer porque não as sentes, nem sequer uma letra, uma nota, um gotejar da alma, nada, absolutamente nada.
Esta sensação de não haver sensação e que é diferente de tudo o que já sentiste ou experienciaste, pois não lhe encontras qualquer ponte com anedonia, apatia, indiferença, nada. No entanto sabes que não é mentira o que dizes, mas simplesmente não o sentes e parece que estás a mentir ao dizê-lo. Não é também um desconvencimento ou falta de vontade para o dizer, mas antes um sentir que não valia de nada dizê-lo.
Estranho. Muito estranho.
Quando há algo de novo é porque algo mudou, mas tão subrepticiamente terá sido que não se apercebera? E só agora assim se revela? Talvez.
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