terça-feira, agosto 02, 2022
O amor da minha vida não existe
Impotência
Quando um ente amado está mal é muito pior do que quando nós estamos mal.
Falta-nos o ar, dói-nos o estômago, os nossos braços viram vazios e imprestáveis; tudo parece virar cinzento e inútil.
segunda-feira, agosto 01, 2022
Sentimento extropiado
A bem ver, acho que tu foste a pessoa que mais me insultou a mim e ao sentimento que nutria por ti, depois de tanta proximidade e confidência. Já passei do tempo de te largar a mão, mas é tal como a minha data de expiração, passou mas continuo volta e meia. Um dia será o (meu) fim, porque tudo acaba não é? Até o amor infinito de uma alma penada.
Corpo guarda memória, eu raiva de tudo e todos.
A verdade é que teria medo de te ver, porque o corpo guarda memória e quando se teve um amor tão forte, tendo dito e sentido tudo o que se sentiu, o apaixonamento era sempre o procedimento mal nos reencontrávamos de novo. Não se encontra duas vezes um amor assim, que fala a mesma língua e se entende tão bem em quase tudo.
Passei a vida inteira a gostar de pessoas que foram quase tudo mas não eram exactamente tudo o que pensávamos, nem eles mesmos de si. O que me leva de novo a ver que não só não houve a pessoa mais corajosa, como também a mais forte.
De que vale dizermos que ainda gostamos muito um do outro se é tudo memória forçada pelo que foi bom e já não se tem.
Espero que lhe tenhas dito a ela agora que ela é a mulher da tua vida, e não eu, como me disseste que eu era naquele ano em que estavas com a "linda" ninfeta nórdica masoquista.
Não, tu não gostas de mim, acredita. E se gostas, como dizes, também não fizeste nada que não fosse abandonar-me enquanto a morrer. Nem devia ter atendido a chamada, assustei-me e por isso atendi. :/
PS,: pior q c a porcaria q t disse, tu ainda dizes gostar muito de mim. nos últimos anos tem sido assim, o tal "gosto muito de ti, mesmo com o mau feitio". enfim..., eu ainda expliquei porque é que não tenho respondido nem dito nada. Que raiva é de mim, por ser sempre a compassiva, compreensiva, etc., mas o que vale é que já estou melhor, passa-me rápido hoje em dia, questão de minutos :)
Poeta filósofa, não tanto
Não sou uma poeta amada, nem tanto amável já. Não me dou a entreter o desejo de ninguém, a atiçar paixőes, a ser apenas mais um objecto.
Chamam-me de filósofa, sim, também é o que sempre fui, amei muito o conhecimento, hoje em dia não tanto.
Ter-me finalmente assumido como sendo poesia, o estádio mais almejado, bastou-me. Miller invejaria e Kahlo se orgulharia.
"Coração, mente e alma" já não são mais meninos
Todo o carinho que te tive, o cuidado, o "amor puro e imensurável", relembro agora e não te preocupes que serás sempre meu para te guardar; a promessa que vos fiz nunca hei-de quebrar.
Sempre dizia que esperava que o mundo não amargurasse com o tempo os coraçőes puros, mas sei que tudo muda, poucos são os que ficam inocentes, remanescendo só em amor.
Vi todos quebrarem-se com o tempo, contaminarem-se, e tu amor meu, lindona do meu coração, também viste e cedo bem desististe.
Eu nunca desisto de ninguém, teimosia minha, por mais que isso que sangre, um dia mais tarde verei como já vi, tudo o que estava na essência da pessoa para pequenotes florir. Deve ser porque também estou habituada a sangrar e a continuar, observando o tempo desenrolar-se como vi antes tudo acontecer.
Afinal o que são todos senão a repetição de todos os outros de coração, mente e alma?
Meu mar
Racismo em primeira-mão/voz
Desde criança que sofro violência (incluindo física) por causa da minha cor de pele, por parte de várias pessoas no meu próprio país. Fui feita para acreditar que o que era bonito era ser branquinho de olho azul. A minha própria progenitora sempre demonstrava carinho maior - e dizia coisas que eram horríveis para mim - para com os meus primos brancos e mais gordinhos e perfeitinhos do que eu. Queria que eu tivesse tido olhos azuis como os meus avô ou a minha tia paternos, zangava-se comigo quando eu enquanto criança punha os joelhos no chão porque iam ficar escuros, ou apanhar sol e ficar mais escura ainda. Magoava-me ao mexer no meu cabelo diferente e insultava-o.
Não sei quantos dias foram em que a ouvi chegar a casa e contar num tom racista que me enojava coisas que tinha visto na rua, ou mesmo sempre a referir-se a todos do próprio país em que ela nasceu (estado de Goa, a dita antigamente Índia portuguesa) - que não foi o meu, Portugal - das castas menores, etc. Sinceramente, às vezes parece que foram todos os dias mesmo da minha vida inteira, de uma forma ou de outra.
No ano de 2020, fiz um teste de adn de origens, que surpreendentemente e ao contrário do que eu queria deu 100% de uma só origem, algo que é extremamente raro, visto que somos todos seres humanos misturados mesmo. Se todos fizessem o teste acabaria essa palhaçada, ou senão do jeito que as pessoas são mesmo horríveis é provável que ainda emergissem facçőes puristas de eugenia rara, ou outra qualquer estupidez que inventassem para se sentirem melhores acerca da porcaria que são.
Hoje, ao ver notícia nestes dias de que uma tipa nojenta branca reaccionária foi violenta verbalmente com crianças africanas brasileiras cá em Portugal e foi presa, pois racismo é crime, fez-me lembrar de quantas vezes avisei e disse à minha mãe sobre isso. Ainda me parece ter sido poucas vezes. Pensei em como se a minha mãe perpetrasse de novo semelhante crime, assim como fez no ano passado segundo me relatou chegando de ter andado num transporte público (ao dizer a alguém de aspecto africano que usasse máscara que aqui não era como no país de onde viera), fosse sujeita à justiça dos tais 5 meses ou multa pela leI instaurada, eu ficava maioritariamente bastante contente.
Esse é o tipo de monstro que ela me tornou.