quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Caro leitor (se existir ainda)

 Caro leitor,

não mais escreverei aqui poeminhas romanticóides. Sei que é algo de que as pessoas geralmente gostam, de poemas de amor, mas fartei-me de escrevê-los. Aliás, quem quiser ler tem aqui e no meu blog em inglês, milhentos, inclusive. 

Se por acaso houver de facto algum leitor, que também goste de vir lê-los cá, que gostaria de continuar, então diga e claro, poderei reconsiderar a minha posição. 

Até,
S. 

 tudo bem. tudo certo." naquele bolero eu fui só o reco-reco. 

(Piazzola 4everrr 💓🥺)

Confiar

 Tenho de confiar no Amor, assim como lhe disse para confiar. 

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Cipreste centenário

 Encontrarei o grande amor perto do cipreste centenário. (eu vou saber que é ele) No ar sentirei o seu cheiro e depois o dele ao me abraçar. O meu grande amor para sempre é ele, tronco altivo que me guarda na sua sombra, envolve-me com os seus ramos. Das últimas vezes que fui vê-lo não estava muito bem, afectado pelo Inverno. A sua imensa copa apareceu muito reduzida e com galhos nus, finos, retorcidos, como que a agonizar com o frio. Eu apanhei um dos pedaços de galhos e terminações e trouxe comigo. Desde que começaram as tempestades consecutivas tenho-me lembrado. Como estará o meu cipreste, a minha árvore favorita? Sinto-a despedida, um pouco desprotegida, mas lá ainda. Que saudades tenho! 

Já não me interessa sobre Pessoa. Apenas imagino o meu grande amor a chegar junto ao cipreste. Talvez possamos tocá-lo juntos para vitalizá-lo com o nosso amor. Talvez isso faça-o frondoso de novo e nunca morrer. E os seus pequenos frutos, tal como tudo nele é tão perfeito nas suas geometrias, possam abundar e até resinosos se ponham a exalar. Já faltou mais para a Primavera chegar! 

Cipreste centenário, meu amor inteiro e relicário, leva comigo dentro. 

 Eu amo-o e não queria tê-lo magoado jamais. 💔😭

A dor do amor imerecido

 Dói muito saber que por minha causa sofreste e que te destruí bastante a vida em momentos. Assim como tu me fizeste sofrer o pão que o diabo amassou até me levares à completa confusão mental. Foi uma destruição total. Tanto que contribuiu para que eu, juntamente com tudo de horrível que me aconteceu, me fizesse tornar em alguém completamente diferente. 

As coisas acontecem de forma caótica mesmo quando não se pode controlar nada. Foi o que aconteceu. Só no fim é que tudo se percebeu e eu fiz para que nos libertasses de vez daquele tormento impossível e tão prolongado. Estava tudo já acabado antes de ter começado, condenado por todas. 

Eu mudei muito, consegui claridade e assim não deixar a hiperadrenalina tomar conta de mim como dantes. Agora sou a pessoa mais quieta do mundo, como antes da infernal pandemia. 

Eu nunca te mereci, nem por tudo o que fiz por ti, mas só pelo amor que te tive, esse sim, em essência merece tudo. E teve tudo de ti. Enquanto deu. (foi também graças a ti que eu sobrevivi)

 "Qualquer que seja a matéria de que é feita a alma, as nossas são feitas da mesma."

O que é que eu fiz, meu deus? O que será a verdade? 

"Eu não tenho medo de nunca encontrar a minha alma gémea. O meu maior medo é encontrar e não poder ficar com ela."

A pior dor de amor sempre e para sempre. 💔😭

À espera da Primavera

 Espero que as tempestades cessem
E os vendavais acabem
Espero que os amores se renovem
E as alegrias regressem

Espero que a chuva pare
E o Inverno termine
Espero que o que ele sabe
Fique em lições que me ensine

E quando o sol chegar 
E o céu azul brilhar
Ver as flores desabrochar 
É só o que posso sonhar



terça-feira, fevereiro 10, 2026

 O amor não se explica inteiramente:
parte é pelo rir, pela inteligência 
e pela volúpia dela
parte é pela criança e crença dele
a complexidade e a dor deles
tudo isso faz parte do encanto
da candura da ternura da doçura 
mas eles os três também são jocosos 
bastante astutos e negligentes
com as suas crueldades selectivas
são tão autocentrados que hiperfocam
em mais nada nem ninguém 
as suas relações são só criativas*


*/recreativas(?)

Lamento informar

 Tudo em ti é perpetuação de violência:
o papel social atribuído e explorado
o desporto competido e o não-jogado
a apropriação e aculturação imposta
perante a passividade da não-resposta
não passa de uma simples consequência 
o uso, abuso e normalização da agressão 
e tu próprio és o problema e vês, não?
O consumismo, o capitalismo, a ganância 
As mentiras que te dizes desde criança 
Para te encaixares e obedeceres cego
Às injustiças, racismo, pedofilia e misoginia 

Quanto é nada?.

 Sabes o quanto eu te amo? Provavelmente dirias que sim (tu sempre sabias tudo e eu acreditava em tudo o que tu dizias), ou antes que não te interessava sequer. Porque tu não me amavas, como fizeste questão de me dizer. E eu amei-te, do princípio até...

O amor único dentro de mim

 Só o amor pode ter a força de expulsar a dor.

A chuva não tem parado. Os dias continuam frígidos, nada produzem senão tristeza. As vozes calaram-se, desapareceram com as suas presenças que encolheram. Muutas sumiram. O último suspiro afogado pelas cheias. As cidades estão plenas, a abarrotar com as águas, cheiram a bafio e desolação. Os lutos acumulados vestiram-se de branco vazio. 

Diz que só daqui a dez dias retorna o sol. Eu escolhi que ele viria qualquer dia destes, mas ainda me falta energia, pós-sangria, tudo em mim dói. 

Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi; reconheço-te, no entanto, o ódio que ainda, durante todo este tempo, sentiste por mim. Mas o amor único que tenho dentro salva-me bastante disso, de ti que quiseste a minha morte. Eu não me esqueci. O Japão vilipendiou Nanquim, a Alemanha Israel e Israel a Palestina. O mapa cor-de-rosa-sangue, o atlas negro. Todas as hordas selváticas de homens que mataram, roubaram e massacraram uns aos outros, antes e depois, nunca souberam o que era a satisfação nem o amor ao seu povo irmão. 

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

 Sou ferida viva e com o corpo sangrando todo por dentro, hoje mais, é o teu nome que me veio ao pensamento, é a ti a quem eu lamento. 

Feridos

 Fomos feridos
Por balas perdidas
Fogos cruzados 
Duelos ao luar

Uns machucaram-nos a boca
Outros o resto do corpo
Deixando-nos a voz rouca
E um ouvido mouco

Uns de nós fomos assediados
Outros abusados 
Fomos todos explorados
Escravizados feitos de escravos 
As feridas não cicatrizaram

Fomos julgados e condenados
Depois abandonados
Desapoiados e roubados
De tudo o que podíamos ter

Somos mal olhados
Temos cara de estranhos
Somos feras feridas andantes
Não temos senão passado

Fomos feridos 
Somos
Estamos
E tu onde estás?

domingo, fevereiro 08, 2026

Pedi

 Pedi-te ajuda, pedi-te perdão 
Viraste-me as costas 
Largaste-me a mão 
E eu morri
Transformei-me completamente 
Numa pessoa ausente
De um mundo cruel
De quem é vil
De quem é só o seu papel
Distanciei-me de vez
Não podia mais 
Com tanta falsidade de todos 
Voltei a ser mais só eu
Como não há ninguém mais
Que se lembre de mim
Para fazer parte da sua vida
Fiz as minhas últimas despedidas 
E conformei-me com a dor feliz 

Talvez amar verdadeiramente várias pessoas seja só uma forma de aumentar o amor no mundo. 

Um só amor

 Um só amor persiste e perfura o meu coração. Um rasgão no peito se escora e crava a lembrança dele. Só ele é o amor explodido nas estrelas maior do que supernovas. Este amor tem endereço, morada em mim e tão longe ao mesmo tempo assim. Ele vigora nas leis da natureza e escapa-se-lhes com extrema destreza, fintando todos os deuses. 

Disseste-me que não me amas e eu não deixo de te amar e sei que se me dissesses que me amas era contigo que eu ia ficar. Eu senti que havia sim um sentimento maior entre nós. Perdoa-me por não ter podido acreditar na altura que de facto podia ser verdade e que podias sim me amar. Que eu podia sim ser meritória, a tal e tu o meu para sempre. Que nos amávamos, de tudo e todos, independentemente. 

Não há nada no mundo que mudará este amor tão grande que sempre existiu em mim. Mesmo que não existas mais, mesmo que eu não exista mais, só aquele amor é tão real. Espero que um dia eu possa finalmente: és tu. 

Salva-dor

 Precisei que alguém me salvasse
Deste inferno em que sempre vivi
Mas ninguém nunca quis saber 
Pelo menos o suficiente de mim
Para me ajudar a escapar 
E tive de ficar refém da violência 
Numa vida inteira de sofrimento 
Com quem pior me maltratou
Em tudo até antes do nascimento 
E desde criança a querer morrer 
Só para não ter de continuar a sofrer
Mas não é justo nada de nada
E saber que o amor está longe
E que nunca serei resgatada. 

sábado, fevereiro 07, 2026

 Embora eu passe a vida a esperar-te, eu sei que tu não vens. Fui só uma piada para vocês. Alguém que morrerá só e esperou uma vida inteira por quem nunca a amou. "Só, somente só", como um pinguim daqueles que dão uma de renegados. 

Confusão

 A confusão que se instalou 
não nos saúda
e tira-nos a saúde
mas também às vezes 
faz-nos sentir vivos 

Ter insónias por isso 
Ou não querer dormir 
Porque se está aflito 
E quer-se saber

MAS ELES NEM SEQUER ME AMAM

Se ao menos o cérebro acordasse
E parasse de amar quem não deve...

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

A Revolução não é um momento

 Para quando é a revolução?
Não é para hoje, não. 
Para quando é a justiça? 
A balança nunca está equilibrada.
A verdade não foi calibrada
Há sempre inocentes na prisão. 

Para quando salvamos as crianças?
E quando é que não abandonamos
Os animais, os doentes e os idosos?
Para quando medimos o valor
De todas as pessoas pelo carácter 
E bonança em vez das ganâncias?

Avisem-me quando for
Porque um mundo de humanos
Que não têm humanidade 
E perpetua agressões e horror
Onde só há barulho para distrair
Não consegue chegar ao amor 

(a Revolução não é um momento; são todos os momentos que a antecedem)

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

 Todos os dias sinto a tua falta 
Contenho-me e contento-me
Em pensar que existes nalgum lugar 
Em que estás feliz a namorar
E por isso nunca quiseste saber de mim
Minha bonita e meu querido 
Nenhuma vida chegaria 
Para estar contigo 

Azul entranhado

 Vê lá tu que ainda está azul, deve ser porque tinha proteínas de trigo e entrançou-se no fio dos cabelos. Hoje mudei o cartucho da Parker, limpei os dedos num guardanapo e foi como se sangrasse azul da tanta tristeza dos lutos. Ontem, um pouco antes de receber a notícia da morte do primo Salvador eu tinha visto que um quadrinho meu (uma antiga pequena tela cartonada que estava na estante dos livros em que no início dr começar a pintar a óleo, há mais de 20 anos, pintei um pôr-do-sol laranja numa savana com apenas uma árvore num canto) estava caído na minha cama. Ao colocar no sítio, olhei para os livros antigos e pensei que devia dar e lembrei de novo da priminha Cátia e da sua página de livros. Pensei na possibilidade de ter havido um pequeno abalo sísmico. Houve depois, no meu estômago, aquela dor do luto. Da tristeza pelos que sofrem com a partida dos seus entes. Pela tristeza de todas as desgraças e nojices que se sabe e se espalham e persistem perpetuadas pelas pessoas. 

Um violino rasga o ar... e com ele o meu pesar funesto de um azul escuro fúnebre. A água abunda da chuva, tem alagado tudo, ninguém tem podido contra o azul. Ele é poderoso, o pior inimigo de tudo e de todos os tempos e eu o odeio agora. Queria decepá-lo de mim, podia rapar o cabelo, como a Sinéad, como a Dani ou a Rose, mas precisaria de uma lobotomia e de uma exsanguinação também; talvez assim finalmente o tirasse de mim, toda esta putrefacção que é descobrir tudo o que eu não sabia que me fez triste. 


segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Drama

 Sonhei contigo
Mas não devo dizer-te nada
Porque daria a impressão errada
E eu não posso dar-te a entender 
Que poderias mais uma vez me ter

Pudera eu dizer-te 
Que sonhei contigo e que te amava
Como eu te amo sempre 
E como naquela nervosa madrugada 
Um anjo no 'bico doce' me levava 

Não posso dizer-te que tenho saudades 
Nem posso dar-me a certas liberdades
Tenho de ser firme e forte no decidido 
Todos os dias segurar-me
Para não dizer-te meu querido 

Pois uma vez que eu amo alguém 
Logo tenho de me apressar a soltar
Para que possam ir mais além 
Embora ninguém me vá levar
Já vi que és mais feliz sem mim


sábado, janeiro 31, 2026

sexta-feira, janeiro 30, 2026

tempestades

 ainda que ele seja transparente e invisível, a força do vento é sempre visível. 

(de seguida, as tempestades ingrid, joseph e a kristin que foi a mais forte, deixando mais de 60 concelhos afectados, com centenas de milhares de pessoas sem electricidade nem água e matando 6 pessoas - dados pó-24h)

quinta-feira, janeiro 29, 2026

 Toda a minha vida eu só quis ser "normal", ser uma pessoa como a maioria das pessoas e consequentemente fazer o que elas fazem: ter um trabalho, ter relacionamentos, ter condições minimamente para poder viver, comer, dormir, habitar, ter perspectiva de futuro, fazer escolhas, ou mesmo indo apenas ao sabor do que acontece agarrando o que vem, ser funcional na sociedade em que me insiro. 

Mas eu nunca pude ser assim e , então, não tenho nada e vivo num constante inferno por causa de outros mormente, por não poder ter a minha própria vida tb. Sem possibilidade nenhuma de melhoria da situação eu só penso no dia em que eu serei livre e finalmente poderei livrar-me de todo o mal aqui da Terra. 

Lembro, volta e meia, de todos bons amados familiares e amigos que me aguardam lá noutros planos.  É só o que tenho, lembranças que doem tb 🥺❤️

terça-feira, janeiro 27, 2026

 De que vos serve viver
Se fecham os olhos
Se encerram o coração 
Se não se deixam sentir
A verdade do vosso irmão? 

Dor Dilacerante

 Tem configuração rotunda
Esta dor dilacerante 
Que me destrói devagar
E profusamente 
Corrói qualquer hipótese 
De se estar contente 
Seja com o que for
Durante mais que minuto
Eu sei, eu escuto
Um queixume do coração 
Que morre aos poucos 
Tudo está quebrado 
Nunca houve anjo
Era só um endiabrado 
Quem eu tenho de abraço 
Na memória de espuma
É alguém que foi devasso
Mas que pensei gostar de mim
Não sou dona nenhuma 
De ninguém que não me quer
Pois só há um homem no mundo 
De quem eu poderei ser mulher 
E ele nunca existiu afinal 
Por isso esta dor é, em tudo, normal

sexta-feira, janeiro 23, 2026

 Hoje ouvi esta música da minha favorita Nina Simone pela primeira vez.

Foi um outro pedaço em que o som do contrabaixo me fez ficar a ouvir o trecho em loop.

Há uma magia sonora que opera no nosso corpo e atravessa o coração.

Dizem que é o ritmo da percussão. O latejar nas veias, o pulsar que a pequena bomba emite e ninguém sabe até onde pode chegar.


(escrevi isto num story com a música When I was a young girl)

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Consequência de ti

 Fui consequência de ti
Não lamento a vida passada
Assim como tu, só existi
Inventando uma caminhada

Porque tu exististe
Também eu fui
Assim como viste
Algo que rui

E como ondas do mar
Que fazem navegar
Ora fomos para cima 
Ora para baixo nessa rima

Era o que tu dizias
Com tanta certeza 
Aprendeste com o que lias
A ter tamanha destreza

E com o teu pai a lição 
De que não há o que fazer
Se um dia é de paixão 
E o outro de morrer


 O que é isto, não sei
Porque as nuvens pesam toneladas 
E os galhos de uma árvore quase nada
E eu do amor fiquei desencontrada
A partir do dia em que o olhei
Num espelho na minha mão 
Não, foi numa tela do coração 
Ou no monitor do computador 
Uma impossível aparição 

Uma pedra preciosa no chão 
Apanhei-a sem grande questão 
Deuses sabem o quanto a adorei
Levei-a comigo para todo o lado
Fui apenas um bobo ludibriado
Pela mais velha canção no ar
Que exaltava o brilho do seu olhar


quarta-feira, janeiro 21, 2026

insta c reels a ouvir pássaros no anfiteatro

- por acaso, ao sentar-me no mesmo local onde estivemos pela primeira vez, já vai fazer este ano uns 20 anos, sozinha a ouvir os pássaros, apercebi-me que afinal não houve ninguém que eu, ao encontrar pela primeira vez sentisse de imediato que aquela era a pessoa com quem eu me via uma vida inteira até ao fim. e isso também me fez chorar. só um pouco. a vida e o amor são muito piores do que nos filmes. por isso é que eu só vejo romcoms totós volta e meia. por mais que hoje em dia também me façam chorar por lembrar de alguém que afinal nunca existiu, mas que esse sim era quem eu cheguei a imaginar que me pedisse logo na primeira vez que viesse ver-me à janela que fosse para sempre. 

tu disseste que chorei chuva. sim, 'chovei', mas só duas lágrimas. 

#onceuponatimeiwas #birdschirping #tbt #memo #noone blablablawhiskasaquetasblah

terça-feira, janeiro 20, 2026

não cairei de novo

 não cairei de novo
no desejo de te ver
na vontade de te ouvir
no ímpeto de te procurar 
na busca do teu olhar
no querer te encontrar 
nas ganas de abraçar 
no fogo de te desejar 
na ânsia de voltares
na fome de te espreitar 
na sede de te amar 
na saudade de te lembrar 
na dor de não te ter
na desilusão de me rejeitares
na miragem do teu sorriso 
na tua voz que era meu abrigo 
não cairei de novo
pensar que eras meu amigo

(don't worry, no one is coming back)

domingo, janeiro 18, 2026

 a liberdade 

assim como o amor

foi um sonho bonito 

de alguém sofredor 

que só queria voar

mas nunca pôde votar


Do Amor

 Eu acreditei no Amor, bastante, o suficiente para ter cedido a ele e ter lutado para ficar com ele tantos anos. Mas só o facto de se ter de lutar já é indicativo de que há problemas e de que não é para ser. Demorei muito a entender. Demorei muito a desistir. Pensar que alguém nos ama o suficiente para nos querer assim para sempre é algo fantasioso, na verdade. As pessoas acomodam-se, são boas a não se questionar, a deixarem-se estar, a não se darem ao trabalho de arriscarem e descobrirem que afinal estavam enganadas e deixaram-se ir. 

Para muitos é tarde, sentem, ou dão essa desculpa a si mesmos. Tarde para desistir, para começar de novo. As pessoas vão morrendo ao poucos em vida. Seja na acomodação, seja na rotina.

O esforço de amar alguém e de fazer o exercício de estar em conexão com essa pessoa parecia-me algo desnecessário quando o amor existia e isso simplesmente bastava. Mas na realidade não é nada assim com ninguém. As pessoas esquecem-se, não prioritizam as outras e acabam por negligenciar o cultivo da relação. Acontece com toda a gente. Porém, eu tinha uma relação à distância que alimentava a paixão de cada reencontro e isso mascarava o resto das necessidades, de alguma forma. Só que esses disfarces não duram para sempre. Um dia a casa cai. A verdade explode-nos na cara e já não há como relevar. 

Uma relação de amor implica isso mesmo: uma relação de amor. Um carinho, uma atenção, um cuidado, um olhar, um abraçar, um acompanhar. É uma longa maratona a percorrer. Eu queria fazê-la contigo, como talvez nunca tenha feito com ninguém. Mas não pude. Tu não foste quem me amou o suficiente para não me largar. 


sábado, janeiro 17, 2026

Do que é feito o amor?

 Ele é o olho que me vê quando eu não estou
E os braços que nunca me chegaram a abraçar 
Quiçá o mar, quiçá o céu, aquela nuvem 
Tanto como eu
Mas o que é tangente não se encontra 
(a não ser no ponto de tangência que não temos)
É só paralela infinita no desencontro 
Buscando um pouco mais do que tem
Pior quando nada se tem, assim vazia
De um dia ter estado a transbordar 

O som não tem o seu reverso
Só eu no meu silêncio 
Enquanto o assombroso assobio do vento
Lembra-me dos fantasmas na minha solitude

Ninguém me deixa esquecer-te 
Nem eu 
"quero esquecer-te, acredita,
mas cada vez há mais vento"
E aquela dor permanece 

 - Passa das 5h da manhã. Há uma hora atrás, enquanto acabava de ver o 2° episódio da série documental "Deus Cérebro", o meu olhar vislumbrou ao longe um pedaço do capôt coberto de geada desse carro, pela janela. Uma imagem que me lembrou de desolação. 

Entretanto, já chove.

Pensei em ti, como sempre. Mas, enfim, mais uma vez com a resignação já antiga de "tu ne m'aimes plus". É, essa é a imagem. Fria e distante. Como o que me dá bronquite asmática. 


(pus no insta com a música de reels de November Ultra)

quarta-feira, janeiro 14, 2026

 É incrível como milhões de palavras não conseguiram dizer o que eu sinto de verdade e por quem. 

Pelos vistos, a minha interioridade é mesmo tão privada que jamais será pronunciada. 

Eu amo-te

Dizer em inglês sobre amar-te sempre foi mais fácil. Talvez até nisso sejamos iguais. Escrever em português que te amo só foi mais fácil quando estava sob hiperadrenalina e se não expressasse e te dissesse que te amava sentia que ia morrer. Literalmente "se eu não disser que eu o amo, morro" e nem é camoniano do devemos clamar/cantar os amores - e como tu zombaste de mim -, não, era mais do que isso, coisa de segundos fatal. 
"Eu preciso te falar, te contar de qualquer jeito", era tipo assim. De tirar alguém da forca. Que desespero e figuras ridículas e todas elas necessárias e absolutamente inteligentes para se darem, não é verdade? E isso só se pode fazer na nossa língua, mesmo que não seja a nossa linguagem. 
Este é o ano para esfriar tudo. Deixar tudo sanar. Para tudo ficar no lugar. O amor, como sempre, há-de continuar, mas de vez sossegar e só ficar no arquivo da memória. 

Eternidade

 Vocês, os três, menina e moços, eram perfeitos para mim exactamente sem tirar nem pôr. Foi uma espécie de um instantâneo amor.

Miragem II

 O perigo de amar uma miragem é que, seja ela a de um oásis no deserto, ou a de um reflexo no espelho ou num lago, sempre acabamos a afogarmo-nos.

Tu ainda existes?

 Escolheste existir como um servidor no final dos tempos; vieste ensinar o amor, até nos conventos. O ringue da morte é da pesada. Lutas, lutas e não levas nada. Vês as pilhas de cadáveres dos estudantes iranianos no passeio e, depois, o passeio percorrido vazio com um rastro infinito de sangues imprimido. E as crianças esfaimadas e enregeladas nas tempestades em Gaza. 

Choraste pelas vitrines do horror. Uma mão cheia de terror. Vinte léguas ultramarinas ultrapassadas por ninguém vingadas e um submarino colonial a vigiá-las. Um dia foram bombardeadas, depois de séculos saqueadas.

Os pulhas não se alinham senão em pódios de tecnológico ódio e gaguez. Nunca se terá visto tamanha estupidez. E já a minha lucidez e alegada aclamada clarividência não traz luz nenhuma sobre uma saída do fundo do túnel.

A corda rebentou. O barco virou. A raiva não chegou a falar mais alto. Eles morreram todos, barriga no asfalto. Perdão: é mais costelas quebradas e caixa torácica rebentada, miolos estoirados, cérebros desactivados. No Nepal e na Bulgária funcionou. Em Portugal funcionou? No Irão não. Não sabe ninguém, nada. Ficou a potestade calada. A informação sonegada. Não há interesse em gates, no más, só alcatraz. 

Os fantasmas da Hhistória regressam. Eles não são mulheres. Curiosamente não existem. Mas escolhem os talheres. Mas não o que insistem. 

Eu sei que tu ainda existes. E odeias-me. E fazes muito bem. Porque eu fui dos teus piores inimigos, como tu foste de ninguém. Só te amo porque amar é condição incondicional, não tem solução, não se resolve, não é adicção, é só simplesmente natural. Eu amo-te, mundo mundo, mas não a ti pessoal. 

Quando começa a paixão?

 Talvez eu tenha sido sempre apaixonada por ti, até mesmo antes de saber que existias. Talvez até mesmo quando te vi pela primeira vez e escolhi o teu nome e me desiludi um pouco, ficando meio abespinhada também e nem sequer te segui. Talvez mais até depois quando tu e ele me falaram e eu pensei que não me podia entusiasmar tanto, que era bem capaz de fantasiar possibilidades (tendo eu impossibilidades) e que juntando-se características e atitudes de um e outro tínhamos alguém completamente ideal. Talvez tivesse é sido naquele dia que me disseste algo que me fez fugir de ter apercebido a possibilidade de te ser real. Talvez quando todos já me diziam e sonhavam e conspiravam e me enfureciam. Talvez tenha sido então depois quando me dei por convencida por todo o mundo, nomeadamente as tuas grandes amizades e pelas supostas flagrantes evidências. Esqueci-me o que eram as pessoas, dado tanto tempo de não estar a socializar nem inserida em grupos e deixei-me enganar pela mistura alucinogénica da minha hiperadrenalina a beirar o falecimento com a morte iminente, as drogas assassinas dos comportamentos de grupo; o clima do desespero do fim do mundo. 

Demorei anos para entender e admitir, aceitar o que era mesmo, essa queda também mortal que é se apaixonar, desta vez sem ser sob sequer a desculpa atenuante de pensar que era por empatia. 

A paixão apenas é confirmada. Ela sempre existiu como se espera um pássaro para um ninho. Essa é que é essa. 


(dps d ver algo d escrito d amor dos tão bonitos miúdos Zé Ibarra e Maria Petrucci ❤️❤️ inspiraram e lembraram coisas de mim 😭)

Hoje o Amor

 Hoje o Amor está no sorriso da menina-flor que nasceu no Nepal e veio para Portugal. Sozinha, deixou lá a sua família e veio trabalhar num restaurante onde encontrou colegas de lá também. 

O nome dela é Yasuda - que desenhei por ter o mais belo rosto de pintura no antigo bule de porcelana chinesa -, Urmila (que a invejava e que foi provavelmente quem riscou o rosto no primeiro retrato que fiz), e tantos outros. 

Ela tem o cabelo negro liso sedoso e um sorriso ora doce ora maroto. Todos brincam com ela. Ninguém brinca com ela. Ela é digna e amistosa, ela é também geniosa. 

Hoje o Amor serve-se em pequenas e intensas doses, muitas vezes embrulhadas em conforto quentinho e salutar. Com molho. Com diferentes texturas. Com carnes e verduras. A fumegar. Eu amo momos. De qualquer que seja o lugar. Mas que tenham esse sorriso inigualável a acompanhar: a felicidade e alta energia sempre a flutuar. 

terça-feira, janeiro 13, 2026

Curvas - Zeto do Pajeú

 "eita, quanto tempo uma canção demora no meu peito"


(música bonitaaa - reescutei hj versão lindaaa de Lê - escrita pelo poeta da "capital da poesia" no Brasil, S. José do Egito q eu tinha partilhado há semanas no insta reels sobre tb, mais uma terra onde eu haveria de ir, é bastante como o meu Alentejo e provavelmente é mesmo de seus descendentes ❤️)

segunda-feira, janeiro 12, 2026

 Sinto a tua presença no meu coração 
Sinto a tua ausência e só solidão 
Sei que num dia foste inspiração 
E depois só a minha demência 

O amor que tenho alojado 
No meu peito tão diminuído 
Foi sal para as feridas
Vida quando não havia vida

O impossível não é real
O possível é sempre igual 
O perfeito nunca existe 
E eu sempre fui anormal 

Somente e simplesmente só 
Querendo o paraíso sonhado
Segurança nos braços do amado
Foi tudo algo reduzido a pó 

Das mortes

 Eles foram-se embora 

Um a um

E todos os dias 

Lembrei-os

Inventei despedidas

Chorei um bocado 

Tive o coração magoado 

E pisado, invisível 

Como uma mulher-a-dias

Que passa o tempo no chão 


Perdi todos, tios, tias, irmãos 

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Um dia

 Queria-nos mansos
frouxos, roucos
exaustos
já sem força nenhuma 
para nos defendermos
fosse do que fosse
Queria-nos asténicos
poucos
quase nada do que fomos
um para o outro 
Queria-nos já não loucos
talvez apenas o que somos
quando meio-mortos
adormecemos

Assim já não nos feríamos
como duas bestas enraivadas
que fomos um dia

 Desculpa por te ter rimado com tudo. 😐

segunda-feira, janeiro 05, 2026

 óleo

crude

petróleo 

oleoso

crudento

nojento

putin

trampa

putrefacto

netanayahu


Pesadelo

 Os últimos anos parecem um pesadelo interminável. Ou melhor, vários pesadelos diários, que depois permanecem como traumas enevoado na memória. 
Cinzentos, muito escuros. Magoados. No corpo dores e na alma rasgos. Eu não ter mais capacidade de continuar. Perdi-a já há muito tempo. Não é mais como antigamente uma resignação, mas um luto destruidor e paralisante. Os lutos acumulados são como óleos de cor escura empastados uns sobre os outros. Viscosidade de alcatrão mas sem brilho. Com as suas pedrinhas como micro-memórias esmagadas e levadas todas juntas.

De todos os pesadelos que tenho, o pior é ter de continuar a viver como desde criança a querer morrer por causa do sofrimento e do caos e insegurança que me causam diariamente, vindo de quem precisamente devia ter-me protegido e amado. Toda a falta de respeito, de cuidado, de protecção, de amor e atenção, o abuso e a exploração, estão a latejar no meu corpo a toda a hora. 

Sei que terei descanso finalmente quando morrer, sempre o quis desde criança, mas não ter tido direito a paz, amor, liberdade, a poder fazer escolhas e ter uma vida estável e harmoniosa, é por demais injusto. E vocês sabem como eu sou com as injustiças. 

Alegra-te, meu ser amado de todos os dias, o meu maior pesadelo dá cabo de mim o dia inteiro. E não és tu. Tu foste apenas o meu maior erro. Um que nunca terá perdão.  Ou seja, a pessoa morre burra e estúpida. Mas, também, não é assim que todos morremos?

Como das outras vezes

 E, depois, muitos indignaram-se
Mas enfiaram-se em discotecas 
A dançarem e a se drogarem
Como se não houvesse amanhã 
Contudo, sempre houve
E eles não fizeram nada
Nem no dia a seguir 
Nem nunca 
Como de todas as outras vezes

Se ao menos...

 Se ao menos eu te pudesse amar

com este corpo

ao teu 

talvez lentamente 

nos pudéssemos encontrar 

e eu havia de te ter como meu

e não te querer largar 


mas não 

isso era o eu de antigamente 


hoje eu sei que somos só carentes

Um Mundo Bege

 Casas revestidas a palhinha
Têm cores 'nude' até na cozinha 
Pois no melhor dos panos 
Cai a mais gordurosa nódoa
Apagaram a cor mas não os danos
De uma supremacia da pólvora 

Produtos em série automatizados
Para os seres humanos robotizados
Inventam só que não 
Porque já não têm precisão 
E basta replicar eternamente 
O que é da máquina do demente

Oprimiram povos inteiros 
Tiraram-lhes a cor
Standardizaram a mulher 
E também o amor
Não foi só questão de dinheiros
Mas sim incluíram-lhe o poder 

quinta-feira, janeiro 01, 2026

escrito 29-30 de dez.

 Amor meu, eterna Atena, aqui estou de novo a quebrar o meu silêncio para te escrever que, apesar das trevas que nos rodeiam, estou orgulhosa de termos mantido a nossa luz dentro quase sempre, mesmo quando esteve mais apagada – no meu caso pela dezena de notícias de morte de familiares nestes últimos 2 anos, que me deixou obviamente zombieficada. Mas devo dizer-te também que no meio dos horrores vividos e de lembrar de ti, não somente quando o céu está vermelho de noite como se me avisasse, a tua dor continue, como me proibiste de falar na minha morte; pelo contrário, lutando tanto contra a depressão profunda dos lutos, ergui do fundo do poço e renasci aos poucos. Vi pela primeira vez um metalofone a tocar jazz, que foi meu instrumento favorito quando tinha 10 anos e um pequeno na escola, por exemplo, e outras mais surpresas singelas bonitas ainda assim no meio do caos: conheci 4 artistas visuais que claramente são dados ao existencialismo, como nós 😅😘😘😊❤️


( Tinha publicado no insta, mas depois de um dia ou assim apaguei. entretanto, às 6 e tal de madrugada de dia 1, depois do barulho horrendo do dia 31, deu-se algo horripilante aqui em cima, violência extrema - bati no tecto com o didge várias vezes até o fdpcabraodmrda parar barulho q parecia de estar a bater em alguém q chorava e pedia desculpa-, q de imediato pôs meu sistema todo em crise de Addison, qs q meu coração saiu do peito, agora já são 19:43 e eu ainda estou com dor nele e a recuperar. o mundo continua horrível em todas as áreas, pq há pessoas extremamente nojentas e cruéis. mas tb vi q um grupo d monges budistas está a fazer uma caminhada pelos EUA pela Paz, com um cão, Aloka, que eles têm desde a Índia. Muitas pessoas estão a ir vê-los na estrada e isso tudo tb me fez chorar)

 O suposto recomeço 
é primaveril
devia brotar
como a esperança 
quase às portas de Abril

E quando tu 
que sempre foste 
semente das sementes 
germinares contente
na tarde quente de verão 
entenderás 
que sempre esteve errada
a estação