Não se deita fora o que de melhor se tem.
Não se deita fora algo que se demorou anos a construir
e quando já se passou por tanto para manter.
"Há pessoas certas e as que lutam para dar certo":
nós fomos sempre dessas duas espécies de pessoas
ao mesmo tempo.
Entre nós há quilómetros de distância e no entanto,
não há um único milímetro que nos separe as mentes
e os corações tão presentes.
Se me quiseres alcançar tens de vir como o mar
com toda a sua complexidade
e tens de chegar até mim como o céu azul
com toda a sua serenidade.
É o quanto basta, pois entre nós
haverá sempre toda uma eternidade.
sexta-feira, agosto 09, 2013
terça-feira, julho 23, 2013
domingo, julho 14, 2013
Ecos
soam ecos de quando peco
e me esqueço da redenção
a minha vida sem ti vivi-a
a minha morte contigo esqueci-a
vêm lembranças de mansas danças
que já lá vão
e me esqueço da redenção
a minha vida sem ti vivi-a
a minha morte contigo esqueci-a
vêm lembranças de mansas danças
que já lá vão
sábado, julho 13, 2013
Pernoitar
Lilases reflectiam do cabelo dela,
assim que a noite descia, mansa,
com gentil toque de dedos de luar.
Convidou-me para subir as escadas,
fê-lo só com o olhar
e assim que dei por mim
a cada pé em cada degrau
senti a corrida do coração
e a lentidão dos meus movimentos.
Entre as suas pernas pernoitei,
encostando a cabeça no interior
de umas das suas leves coxas.
A minha vida tinha parado
entre o calor da pele dela
e a suavidade de um afago.
Quando abri os olhos
apenas um pouco
percebi que era um bom sonho,
como aqueles dos quais não queremos despertar.
assim que a noite descia, mansa,
com gentil toque de dedos de luar.
Convidou-me para subir as escadas,
fê-lo só com o olhar
e assim que dei por mim
a cada pé em cada degrau
senti a corrida do coração
e a lentidão dos meus movimentos.
Entre as suas pernas pernoitei,
encostando a cabeça no interior
de umas das suas leves coxas.
A minha vida tinha parado
entre o calor da pele dela
e a suavidade de um afago.
Quando abri os olhos
apenas um pouco
percebi que era um bom sonho,
como aqueles dos quais não queremos despertar.
sábado, julho 06, 2013
sem título
Nunca fomos a um concerto juntos, nem dançámos juntos em público.
No entanto, não trocava os meus momentos contigo, com o teu mundo, por ninguém.
Pois foram os meus momentos mais ricos mesmo sem ter havido riquezas financeiras.
Assim são os grandes amores, são todos impossíveis e de meter dó, tal é o desperdício.
No entanto, não trocava os meus momentos contigo, com o teu mundo, por ninguém.
Pois foram os meus momentos mais ricos mesmo sem ter havido riquezas financeiras.
Assim são os grandes amores, são todos impossíveis e de meter dó, tal é o desperdício.
sábado, junho 29, 2013
Todos os dias eu amo-te em silêncio
como que em oração num templo
onde a devoção que te tenho faz-te o meu deus pessoal.
E todas as noites são passadas em contemplação
na adoração do que foste para mim
lembrando os teus dizeres e gestos
e todos os nossos momentos.
A dor de já não te ter enlouquece-me silenciosamente.
Eras a minha família: a quem dizia boa noite
e a quem desejava um bom dia.
Agora, não poder chegar até ti faz-me sentir paraplégica,
com os braços e pernas amputados
impedindo-me de te alcançar.
O meu desejo de ti encobriu-se de sombras
e já não mais quero alguém amar
porque o amor agora só significa dor.
como que em oração num templo
onde a devoção que te tenho faz-te o meu deus pessoal.
E todas as noites são passadas em contemplação
na adoração do que foste para mim
lembrando os teus dizeres e gestos
e todos os nossos momentos.
A dor de já não te ter enlouquece-me silenciosamente.
Eras a minha família: a quem dizia boa noite
e a quem desejava um bom dia.
Agora, não poder chegar até ti faz-me sentir paraplégica,
com os braços e pernas amputados
impedindo-me de te alcançar.
O meu desejo de ti encobriu-se de sombras
e já não mais quero alguém amar
porque o amor agora só significa dor.
terça-feira, junho 25, 2013
O som do coração a partir-se
Nunca tinha ouvido aquele som antes...
O som do coração a partir-se em microssegundos
acompanhado pela dor lancinante no peito
Para aniquilar sete anos precisamente sete palavras...
sempre metódico, o meu "Ming, o implacável".
Nada sinto, nada sou
e já quase nada resta.
Nunca tinha ouvido aquele som antes...
O som do coração a partir-se.
O som do coração a partir-se em microssegundos
acompanhado pela dor lancinante no peito
Para aniquilar sete anos precisamente sete palavras...
sempre metódico, o meu "Ming, o implacável".
Nada sinto, nada sou
e já quase nada resta.
Nunca tinha ouvido aquele som antes...
O som do coração a partir-se.
sexta-feira, junho 21, 2013
quarta-feira, junho 12, 2013
O fim de uma relação
Não tenho nem nunca tive nada para te oferecer, só dores e tormentos,
os abortos de um mundo de podridão fecundo.
Por isso, fizeste bem em partir, mas devias ir inteiro,
todos os outros encontraram quem lhes fizesse felizes depois;
nunca fui a mais amada e ainda bem que é assim
pois nunca guardei nenhum prisioneiro,
nem quero ser a maior causadora de sofrimento.
Sejamos o mais cândidos que podemos ser
no meio da nojice humana em que habitamos
e ofertemo-nos a paz possível na solidão.
Verdadeiramente sempre estivemos sós:
tu nunca te abriste comigo até à última
e eu nunca te revelei o que incomodava.
Nenhum de nós esteve lá para o outro,
apenas parecia,
pois eu estava e tu não querias
e tu não estavas e eu precisava.
os abortos de um mundo de podridão fecundo.
Por isso, fizeste bem em partir, mas devias ir inteiro,
todos os outros encontraram quem lhes fizesse felizes depois;
nunca fui a mais amada e ainda bem que é assim
pois nunca guardei nenhum prisioneiro,
nem quero ser a maior causadora de sofrimento.
Sejamos o mais cândidos que podemos ser
no meio da nojice humana em que habitamos
e ofertemo-nos a paz possível na solidão.
Verdadeiramente sempre estivemos sós:
tu nunca te abriste comigo até à última
e eu nunca te revelei o que incomodava.
Nenhum de nós esteve lá para o outro,
apenas parecia,
pois eu estava e tu não querias
e tu não estavas e eu precisava.
quarta-feira, maio 15, 2013
como eu queria saber o que é ser livre
ser livre para correr e saltar
andar pelos prados verdejantes
ou simplesmente lançar-me no mar
ser livre para cantar e despir
as pesadas vestimentas das obrigações
tirar o relógio do pulso
esse acessório que é apenas
uma algema do tempo para nos apressar
como eu queria saber o que é ser
absolutamente livre como a perfeição
que não existe
porque eu brilho no escuro
no pano alto, negro,
com o padrão das mil constelações
que como eu
brilham no escuro também
e porque voo como os pássaros
longínquos, negros,
com os bandos de mil geometrias
nos céus
eu gostava que fosses também livre
como eu, que pudesses beber dessa água
e nunca mais ter sede,
que conhecêssemos os dois a liberdade
e que ela não nos largasse mais
andar pelos prados verdejantes
ou simplesmente lançar-me no mar
ser livre para cantar e despir
as pesadas vestimentas das obrigações
tirar o relógio do pulso
esse acessório que é apenas
uma algema do tempo para nos apressar
como eu queria saber o que é ser
absolutamente livre como a perfeição
que não existe
porque eu brilho no escuro
no pano alto, negro,
com o padrão das mil constelações
que como eu
brilham no escuro também
e porque voo como os pássaros
longínquos, negros,
com os bandos de mil geometrias
nos céus
eu gostava que fosses também livre
como eu, que pudesses beber dessa água
e nunca mais ter sede,
que conhecêssemos os dois a liberdade
e que ela não nos largasse mais
sábado, abril 27, 2013
Sem título
Estás presente em todo o lado, mas não consigo ver-te.
Estás a toda à minha volta.
Estás em mim.
Mas ainda assim não te consigo ver como dantes.
Não te consigo tocar como antigamente.
E sufoco aquilo que me apetece gritar.
Escrevo-o debaixo de água com a fúria do grito calado.
E contenho-te para que não me esqueças.
Estás a toda à minha volta.
Estás em mim.
Mas ainda assim não te consigo ver como dantes.
Não te consigo tocar como antigamente.
E sufoco aquilo que me apetece gritar.
Escrevo-o debaixo de água com a fúria do grito calado.
E contenho-te para que não me esqueças.
terça-feira, abril 23, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
Na tua pele
Na tua pele me alimento e bebo desse teu cheiro que me inebria e me faz cair nos teus braços sem defesa.
Repouso na tua pele colada à minha de tal maneira que nos sufoca com tanto desejo. Sinto as gargalhadas que elas dão juntas por mergulharem vezes sem conta num só abismo de prazer.
É na tua pele de sol, de areia, de tarde cálida num deserto tórrido que é esse teu corpo de dunas e oásis, que eu sinto milhões de vezes a vida começar como se nunca tivesse existido antes.
Não há palavras que descrevam o que sinto quando estou na tua pele...
É mais que Amor o que sinto..., é Amor, paixão, desejo e tudo mais, concentrado no sentimento mais profundo e denso, honesto e saudável, que tenho o prazer de conhecer.
Há em ti uma ternura que parece ser só minha conhecida, de um menino adorado pelos pais e que tanto carinho guardou deles consigo, com uma inocência rara. Por outro lado, vejo em ti uma leve tristeza que é profunda desilusão de quem cresceu belo num mundo hediondo.
Essa altivez, essa racionalidade e no entanto uma vontade de te deixar ir, de parar um pouco, de ficar suspenso em camas de plumas no pensamento.
Gotejo porque me esforço e não posso mais, por isso até amanhã.
-- in rolo de papel 05/11/2007 --
Repouso na tua pele colada à minha de tal maneira que nos sufoca com tanto desejo. Sinto as gargalhadas que elas dão juntas por mergulharem vezes sem conta num só abismo de prazer.
É na tua pele de sol, de areia, de tarde cálida num deserto tórrido que é esse teu corpo de dunas e oásis, que eu sinto milhões de vezes a vida começar como se nunca tivesse existido antes.
Não há palavras que descrevam o que sinto quando estou na tua pele...
É mais que Amor o que sinto..., é Amor, paixão, desejo e tudo mais, concentrado no sentimento mais profundo e denso, honesto e saudável, que tenho o prazer de conhecer.
Há em ti uma ternura que parece ser só minha conhecida, de um menino adorado pelos pais e que tanto carinho guardou deles consigo, com uma inocência rara. Por outro lado, vejo em ti uma leve tristeza que é profunda desilusão de quem cresceu belo num mundo hediondo.
Essa altivez, essa racionalidade e no entanto uma vontade de te deixar ir, de parar um pouco, de ficar suspenso em camas de plumas no pensamento.
Gotejo porque me esforço e não posso mais, por isso até amanhã.
-- in rolo de papel 05/11/2007 --
quinta-feira, abril 18, 2013
segunda-feira, abril 01, 2013
Amar e Perder
Algo que é comum a todos os seres humanos:
ter e perder. Há apenas um conjunto limitado de possíveis reacções que temos
face à perda. No entanto, a característica que permanece igual é a de ficarmos
sempre com a sensação da perda. Esta sensação é como um pôr-do-sol que chega
tímido e termina em avassaladora escuridão.
As sombras que se deitam sobre toda
a paisagem e se erguem no horizonte são apenas o acabar de um dia.
Mas para quem perde e tem essa noção
vincada no peito como um golpe que é desferido, o fim é mais duradouro,
prolonga-se pela madrugada fria de quem teve e não foi capaz de manter.
Esta incapacidade que aflora na
mente então parece estender-se num ápice, correndo pelas veias até nos definir
de tal forma que todo o nosso corpo passa a ficar mais pesado. O corpo que é tão
nosso e que só perdemos no final de tudo… O corpo que na maioria do tempo não
quisemos pois prende-nos ao chão impedindo-nos de voar…
Desta pequena germinação de
incapacidade nasce a culpa. A culpa que todos conhecemos e da qual ninguém se
livra nem mesmo no leito de morte. A culpa por sermos incapazes de ter sem
perder, de amar sem perder e por vezes, nos mais conscienciosos, a culpa por só
termos amado mais quando perdemos.
Disto é feito o ser humano.
Eu amei e disse que amava. Eu perdi
e lamentei as minhas perdas. E ainda assim, a culpa por incapacidade de reter
mantém-se.
Portugal, Portugal...
Ultimamente, Portugal faz-me lembrar um doente terminal, que quase a falecer de doença prolongada apresenta alguns típicos rasgos de lucidez que são os poucos negócios novos de que se ouve falar, mas que em nada evitam o fim.
quarta-feira, março 20, 2013
quinta-feira, março 14, 2013
quarta-feira, fevereiro 27, 2013
quinta-feira, fevereiro 21, 2013
Países-Cemitério
Existem países transformados em cemitérios com vários talhões: o dos cinemas, o das casas, o das construções, o dos carros, o das verdades e o das emoções. Todos eles com lápides de neon assinalando a morte intermitente.
Ergue-se agora a hipocrisia que, como morta-viva, esteve sempre lá à espera.
As hélices giram e já não são motor da esperança, apenas o pútrido ruído da mesma débil engrenagem de uma cidade condenada a arrastar-se no pardo nevoeiro.
Dispõem-se filões de betume como soldados que caíram na batalha dos especuladores. E do vasto céu derramam-se as últimas bençãos sobre a terra verdejante como se fosse a derradeira unção.
Caminhamos para o nada e pelo caminho destruímos tudo.
Somos os bárbaros civilizados: com mil esforços para nos controlarmos e a mim parece-me que a bomba-relógio é mais aniquiladora do que se fôssemos mesmo selvagens.
Ergue-se agora a hipocrisia que, como morta-viva, esteve sempre lá à espera.
As hélices giram e já não são motor da esperança, apenas o pútrido ruído da mesma débil engrenagem de uma cidade condenada a arrastar-se no pardo nevoeiro.
Dispõem-se filões de betume como soldados que caíram na batalha dos especuladores. E do vasto céu derramam-se as últimas bençãos sobre a terra verdejante como se fosse a derradeira unção.
Caminhamos para o nada e pelo caminho destruímos tudo.
Somos os bárbaros civilizados: com mil esforços para nos controlarmos e a mim parece-me que a bomba-relógio é mais aniquiladora do que se fôssemos mesmo selvagens.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
A vida de...
Morreste sem dizer Adeus.
E por toda a eternidade perguntarei porquê.
Morreste sem te despedires.
E eu, mesmo sem ser crente, conversei contigo
em todos os dias que passaram,
com uma fé inabalável em ti.
Intercalei a falta que me fazias
com os momentos que guardei de ti.
E por toda a eternidade perguntarei porquê.
Morreste sem te despedires.
E eu, mesmo sem ser crente, conversei contigo
em todos os dias que passaram,
com uma fé inabalável em ti.
Intercalei a falta que me fazias
com os momentos que guardei de ti.
Veleidades da vida - Processos maravilhosos da Natureza
Carvão Vapor Paixão
Grafite Água Amor
Diamante Gelo Dor
Grafite Água Amor
Diamante Gelo Dor
segunda-feira, janeiro 14, 2013
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