sábado, junho 04, 2016
sábado, maio 21, 2016
Velório da Conversação
A morte da conversação chegou de repente, fomos todos ao seu velório.
Com as tecnologias que subitamente minaram as nossas vidas
toda a capacidade conversacional foi-se perdendo.
Hoje em dia a comunicação tornou-se pobre, embrutecida, primitiva
voltando-se ao uso de sinais, símbolos, signos,
sem qualquer complexidade nem aprofundamento lexical.
Ao mesmo tempo com o impacto da linguagem no comportamento
assistimos também a uma queda nos valores generalizadamente.
O desejo do ser humano por facilitismo
fez da tecnologia o seu instrumento de preguiça
e desta o ciclo perpétuo da estupidez
que assassinou a retórica, a oratória e eloquência
que séculos levámos a evoluir.
Com as tecnologias que subitamente minaram as nossas vidas
toda a capacidade conversacional foi-se perdendo.
Hoje em dia a comunicação tornou-se pobre, embrutecida, primitiva
voltando-se ao uso de sinais, símbolos, signos,
sem qualquer complexidade nem aprofundamento lexical.
Ao mesmo tempo com o impacto da linguagem no comportamento
assistimos também a uma queda nos valores generalizadamente.
O desejo do ser humano por facilitismo
fez da tecnologia o seu instrumento de preguiça
e desta o ciclo perpétuo da estupidez
que assassinou a retórica, a oratória e eloquência
que séculos levámos a evoluir.
sexta-feira, abril 29, 2016
domingo, abril 17, 2016
Peculiaridades de um povo e da sua língua
É impressionante e deveras irritante termos chavões e "frases feitas" para tudo.
Se calha termos azar e a seguir um outro, dizemos que "um azar nunca vem só". Mas se a seguir ao azar tivermos sorte já dizemos: "Depois da tempestade vem a bonança." Então neste caso, se um azar nunca vem só então para onde foi o azar que o devia acompanhar a seguir?
(a propósito de uma vida inteira a detestar "frases feitas")
Se calha termos azar e a seguir um outro, dizemos que "um azar nunca vem só". Mas se a seguir ao azar tivermos sorte já dizemos: "Depois da tempestade vem a bonança." Então neste caso, se um azar nunca vem só então para onde foi o azar que o devia acompanhar a seguir?
(a propósito de uma vida inteira a detestar "frases feitas")
quarta-feira, abril 06, 2016
Mundo Apodrecido
Viste como o mundo se tornou empobrecido e apodrecido?
Os seres humanos limitam-se a serem seres vivos; usam químicos tóxicos para se alimentarem e se curarem; destroem o próprio fruto das florestas e da terra e do ar para tentar mobilar as casas, aumentar o conforto, a "qualidade de vida", dizem eles.
O ar que lhes entra nos pulmões é ácido...
A água que penetra a terra, vinda da chuva, é amarga...
Fora todo o sangue derramado nos sítios onde estão as crianças, supostas esperanças.
E tudo deitado abaixo...
E tudo nada...
E tudo aniquilado...
... como se realmente tivesse explodido uma bomba atómica na alma de todos nós.
Os seres humanos limitam-se a serem seres vivos; usam químicos tóxicos para se alimentarem e se curarem; destroem o próprio fruto das florestas e da terra e do ar para tentar mobilar as casas, aumentar o conforto, a "qualidade de vida", dizem eles.
O ar que lhes entra nos pulmões é ácido...
A água que penetra a terra, vinda da chuva, é amarga...
Fora todo o sangue derramado nos sítios onde estão as crianças, supostas esperanças.
E tudo deitado abaixo...
E tudo nada...
E tudo aniquilado...
... como se realmente tivesse explodido uma bomba atómica na alma de todos nós.
quinta-feira, março 24, 2016
sexta-feira, março 11, 2016
segunda-feira, março 07, 2016
(Todos os dias, há dez anos, a ligarmo-nos...)
Um dia liguei-te para te contar uma história... e os pássaros da memória, que saíram pelos orifícios do telefone, foram encontrar um ninho nos teus ouvidos.
sexta-feira, março 04, 2016
terça-feira, fevereiro 16, 2016
A Memória - Esse quadro de uma vida.
A memória - a minha memória - é uma caixa de pintura.
Primeiro, começou com as memórias de aguarelas, de que hoje ainda sobrevivem algumas bastante esmaecidas.
Depois, vieram as memórias de guache com cores mais garridas, mais expressivas, numa pressa de viver a vida.
De seguida, tal como cresce a maturidade, também a tinta da memória ganha consistência e criam-se as memórias a óleo, que são muito mais peganhentas e algumas só se removem mesmo com ajuda de solventes.
No final da minha caixa de pintura encontram-se as memórias de carvão, quando tudo fenece e se transforma no pó que sempre foi, tingido ou não, acaba sempre por ficar sem cor.
Primeiro, começou com as memórias de aguarelas, de que hoje ainda sobrevivem algumas bastante esmaecidas.
Depois, vieram as memórias de guache com cores mais garridas, mais expressivas, numa pressa de viver a vida.
De seguida, tal como cresce a maturidade, também a tinta da memória ganha consistência e criam-se as memórias a óleo, que são muito mais peganhentas e algumas só se removem mesmo com ajuda de solventes.
No final da minha caixa de pintura encontram-se as memórias de carvão, quando tudo fenece e se transforma no pó que sempre foi, tingido ou não, acaba sempre por ficar sem cor.
segunda-feira, janeiro 25, 2016
domingo, janeiro 17, 2016
As flores negras...
Estão flores negras no cemitério da solidão e há uma romaria de corpos fantasmagóricos a deambular para deixá-las aos pés da entidade morta.
No caminho para o Vale do Paraíso vimos um vagão azul a servir de restaurante. Olhámos pela janela do carro e o vale estava iluminado pelo sol laranja que dourava o verde do chão.
Chegando ao destino conheci de novo o fel da mentira do ser humano que tudo aniquila e a surpresa de um acontecimento fatal.
Por que remanescem as ilusões e os sentimentos se tudo está vazio e destruído por dentro?
No caminho para o Vale do Paraíso vimos um vagão azul a servir de restaurante. Olhámos pela janela do carro e o vale estava iluminado pelo sol laranja que dourava o verde do chão.
Chegando ao destino conheci de novo o fel da mentira do ser humano que tudo aniquila e a surpresa de um acontecimento fatal.
Por que remanescem as ilusões e os sentimentos se tudo está vazio e destruído por dentro?
quarta-feira, janeiro 06, 2016
sexta-feira, janeiro 01, 2016
quarta-feira, dezembro 30, 2015
...
Naquela tarde chovia e ao olhar tudo parecia azul-cinza escuro.
Pensei em como um dia passeei pelos montes e noutro pela praia,
e num outro dia conheci o calor de uma fogueira e ainda noutro pisei as folhas secas no caminho.
Pensei em como houve alguém que me afagou o cabelo e outro alguém que me abraçou muito forte.
Como é que é possível que o vazio que as pessoas deixam seja também um preenchimento que transborda?
Pensei em como um dia passeei pelos montes e noutro pela praia,
e num outro dia conheci o calor de uma fogueira e ainda noutro pisei as folhas secas no caminho.
Pensei em como houve alguém que me afagou o cabelo e outro alguém que me abraçou muito forte.
Como é que é possível que o vazio que as pessoas deixam seja também um preenchimento que transborda?
quarta-feira, dezembro 16, 2015
...
A verdade visceral é que todos eles têm bolor nos olhos e já estão mortos e não o sabem.
Por isso, com as suas línguas bífidas exalam bafos fétidos de uma podridão de preconceitos.
Por isso, com as suas línguas bífidas exalam bafos fétidos de uma podridão de preconceitos.
sábado, dezembro 05, 2015
Maria Lisboa
Hoje fui à Rua da Prata e comprei-te três sabões: um de argila, outro de mel e outro de jasmim e alfazema com azeite.
Calcorreei todo centro da cidade e ainda subi até ao miradouro de S. Pedro de Alcântara só para poder sentar-me e descansar olhando a bela vista.
Estava lá um senhor já velho e cansado - pois até escorregou do seu banquinho e deixou cair a viola - a cantar "cheio de penas" e interrompendo-se comentou "tantas penas até parece que sou uma galinha". Depois, mais à frente quando viu um grupo de turistas a aproximar-se em direcção a ele, de novo interrompeu-se "vamos lá trabalhar que agora é a sério".
Eu ri-me de ambas as vezes e entristeci-me ao ouvir os fados e a lembrar da mesma solidão de há 15 anos ali naquele mesmo miradouro.
Agora que já vai longa a noite, penso em como as estrias do teu corpo são a terra infértil e árida em que decidi não semear. Já os sabões que te comprei nada vão mudar.
Porque na realidade nada muda, assim como nada perdura.
Calcorreei todo centro da cidade e ainda subi até ao miradouro de S. Pedro de Alcântara só para poder sentar-me e descansar olhando a bela vista.
Estava lá um senhor já velho e cansado - pois até escorregou do seu banquinho e deixou cair a viola - a cantar "cheio de penas" e interrompendo-se comentou "tantas penas até parece que sou uma galinha". Depois, mais à frente quando viu um grupo de turistas a aproximar-se em direcção a ele, de novo interrompeu-se "vamos lá trabalhar que agora é a sério".
Eu ri-me de ambas as vezes e entristeci-me ao ouvir os fados e a lembrar da mesma solidão de há 15 anos ali naquele mesmo miradouro.
Agora que já vai longa a noite, penso em como as estrias do teu corpo são a terra infértil e árida em que decidi não semear. Já os sabões que te comprei nada vão mudar.
Porque na realidade nada muda, assim como nada perdura.
"Reduz as tuas necessidades se queres passar bem".
Quando estamos limitados, inclusive em aspectos importantes como a mobilidade, é inteligente adaptarmo-nos de modo a que não necessitemos mais de fazer essas coisas.
Foi o que eu fiz e é muito estranho para as outras pessoas compreenderem mas atingi há muito um estádio de não necessitar tanto de alguma coisa ao ponto de não passar bem sem essa coisa.
Foi o que eu fiz e é muito estranho para as outras pessoas compreenderem mas atingi há muito um estádio de não necessitar tanto de alguma coisa ao ponto de não passar bem sem essa coisa.
quarta-feira, dezembro 02, 2015
terça-feira, dezembro 01, 2015
A cabeça que é um mundo.
Espaçosa a tua cabeça que abarca todos os pensamentos que tens na vida inteira e tanto, tanto mais.
A cabeça que é um mundo frenético, imparável, indomável e doente até.
A cabeça que contém os teus neurónios e ainda onde pousam os teus chapéus e usas os teus lenços e gorros e fitas e ganchos. A cabeça onde submergem as tuas memórias e de onde emergem os teus cabelos.
A cabeça que é o labirinto e o minotauro. A cabeça que é o algoz e o orgulho. A cabeça que é o mar e um oceano e o céu e um universo.
A cabeça que é um mundo frenético, imparável, indomável e doente até.
A cabeça que contém os teus neurónios e ainda onde pousam os teus chapéus e usas os teus lenços e gorros e fitas e ganchos. A cabeça onde submergem as tuas memórias e de onde emergem os teus cabelos.
A cabeça que é o labirinto e o minotauro. A cabeça que é o algoz e o orgulho. A cabeça que é o mar e um oceano e o céu e um universo.
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