quinta-feira, março 24, 2016

sexta-feira, março 11, 2016

segunda-feira, março 07, 2016

(Todos os dias, há dez anos, a ligarmo-nos...)

Um dia liguei-te para te contar uma história... e os pássaros da memória, que saíram pelos orifícios do telefone, foram encontrar um ninho nos teus ouvidos.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

A Memória - Esse quadro de uma vida.

A memória - a minha memória - é uma caixa de pintura.
Primeiro, começou com as memórias de aguarelas, de que hoje ainda sobrevivem algumas bastante esmaecidas.
Depois, vieram as memórias de guache com cores mais garridas, mais expressivas, numa pressa de viver a vida.
De seguida, tal como cresce a maturidade, também a tinta da memória ganha consistência e criam-se as memórias a óleo, que são muito mais peganhentas e algumas só se removem mesmo com ajuda de solventes.

No final da minha caixa de pintura encontram-se as memórias de carvão, quando tudo fenece e se transforma no pó que sempre foi, tingido ou não, acaba sempre por ficar sem cor.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

domingo, janeiro 17, 2016

As flores negras...

Estão flores negras no cemitério da solidão e há uma romaria de corpos fantasmagóricos a deambular para deixá-las aos pés da entidade morta.

No caminho para o Vale do Paraíso vimos um vagão azul a servir de restaurante. Olhámos pela janela do carro e o vale estava iluminado pelo sol laranja que dourava o verde do chão.

Chegando ao destino conheci de novo o fel da mentira do ser humano que tudo aniquila e a surpresa de um acontecimento fatal.
Por que remanescem as ilusões e os sentimentos se tudo está vazio e destruído por dentro?

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Vejo o deserto nas costas das mãos, terra mais árida nos seus sucalcos e nos seus montes.
Vejo as cinzas nos fios do cabelo, que a memória expeliu do vulcão coração.
Vejo o céu baço em todo o olho, esclerótida leitosa e íris cataratas.

E não sei como cheguei aqui.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

Neste instante poderia dar tudo para estar naquela amostra de istmo no Baleal de mãos dadas contigo, protegida do frio nem que fosse pelo abraço do teu casaco branco, como outrora. Bastava isso para agora me aquecer o coração como a doce memória o faz um pouco.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

...

Naquela tarde chovia e ao olhar tudo parecia azul-cinza escuro.
Pensei em como um dia passeei pelos montes e noutro pela praia,
e num outro dia conheci o calor de uma fogueira e ainda noutro pisei as folhas secas no caminho.

Pensei em como houve alguém que me afagou o cabelo e outro alguém que me abraçou muito forte.

Como é que é possível que o vazio que as pessoas deixam seja também um preenchimento que transborda?

quarta-feira, dezembro 16, 2015

...

A verdade visceral é que todos eles têm bolor nos olhos e já estão mortos e não o sabem.
Por isso, com as suas línguas bífidas exalam bafos fétidos de uma podridão de preconceitos.

sábado, dezembro 05, 2015

Maria Lisboa

Hoje fui à Rua da Prata e comprei-te três sabões: um de argila, outro de mel e outro de jasmim e alfazema com azeite.
Calcorreei todo centro da cidade e ainda subi até ao miradouro de S. Pedro de Alcântara só para poder sentar-me e descansar olhando a bela vista.
Estava lá um senhor já velho e cansado - pois até escorregou do seu banquinho e deixou cair a viola - a cantar "cheio de penas" e interrompendo-se comentou "tantas penas até parece que sou uma galinha". Depois, mais à frente quando viu um grupo de turistas a aproximar-se em direcção a ele, de novo interrompeu-se "vamos lá trabalhar que agora é a sério".
Eu ri-me de ambas as vezes e entristeci-me ao ouvir os fados e a lembrar da mesma solidão de há 15 anos ali naquele mesmo miradouro.

Agora que já vai longa a noite, penso em como as estrias do teu corpo são a terra infértil e árida em que decidi não semear. Já os sabões que te comprei nada vão mudar.
Porque na realidade nada muda, assim como nada perdura.
Um dia quando olhar o céu ele vai estar branco sem nuvens e eu vou estar deitada na terra azul, esquecendo-me de tudo.

"Reduz as tuas necessidades se queres passar bem".

Quando estamos limitados, inclusive em aspectos importantes como a mobilidade, é inteligente adaptarmo-nos de modo a que não necessitemos mais de fazer essas coisas.
Foi o que eu fiz e é muito estranho para as outras pessoas compreenderem mas atingi há muito um estádio de não necessitar tanto de alguma coisa ao ponto de não passar bem sem essa coisa.
Da desilusão: amarga como uma toranja, ácida como um limão...

quarta-feira, dezembro 02, 2015

... fuga de cérebros, fuga de impostos, fuga de informação, fuga de capitais... Eu gosto mais do "Fuga das Galinhas" (dos únicos preferido em versão portuguesa) grin emoticon

terça-feira, dezembro 01, 2015

A cabeça que é um mundo.

Espaçosa a tua cabeça que abarca todos os pensamentos que tens na vida inteira e tanto, tanto mais.
A cabeça que é um mundo frenético, imparável, indomável e doente até.
A cabeça que contém os teus neurónios e ainda onde pousam os teus chapéus e usas os teus lenços e gorros e fitas e ganchos. A cabeça onde submergem as tuas memórias e de onde emergem os teus cabelos.

A cabeça que é o labirinto e o minotauro. A cabeça que é o algoz e o orgulho. A cabeça que é o mar e um oceano e o céu e um universo.

sexta-feira, novembro 27, 2015

Nada tão maior.

Nunca achei que houvesse algo maior que não o Universo.
Mas no bater do teu coração, ao escutar com o meu ouvido encostado ao teu peito, encontrei aí o pulsar do meu mundo; o infinito ritmo da profundidade do meu universo.

...

"eu já não sou. apenas existo."

sábado, novembro 14, 2015

"Um minuto de silêncio" pelos que não têm mundo na mente nem humanidade no coração...

sábado, novembro 07, 2015

Disseram que ela era bipolar, mas a meu ver ela era apenas Polar porque era uma pessoa feita de gelo e Pular porque pulava a cerca.

sexta-feira, outubro 30, 2015

O que somos nós?

O que somos nós senão as memórias que experienciámos e que acumulamos? Muitas vezes não são as nossas próprias memórias, mas as dos nossos antepassados, das nossas fotografias nos álbuns de família e de todas as vidas que estão retratadas.

Na nossa mente uma caixa arquivadora que volta e meia se desordena, organizada por separadores de letras, um alfabeto de nomes e caras na memória da vida.

É perigoso o que sinto. É perigoso o sentir. E são perigosas as sensações. Porém, os sentimentos que são aparentemente rebeldes e indomináveis são o conjunto de todas as sensações e do próprio exercício de sentir e por isso o que sinto é impossível de se sentir sem todas as sensações que advêm de factores externos e daí incapazes de serem controlados. Ou seja, o que está dentro de mim não pode ser jamais totalmente controlado pois tem uma imprevisível origem exterior. E as memórias são nada mais que completamente incontroláveis imagens que a mente guarda e vai buscar como arquivos por palavras-chaves.
:D de activista estudantil a niilista senil fui a pé-coxinho mas cheguei bem rápido :D