terça-feira, julho 05, 2022

O amor da vida

 Um dia, antes de morreres, terás direito a encontrar o que será o amor da tua vida, pois só assim poderás pensar que afinal tiveste uma vida preenchida. 

Amor pássaro

 Se eu me despir de tudo
Fica só o meu amor por ti
Como âmago do que sou
Regresso a ser corvo-azul
Que encontrou um abrigo
Um ninho debaixo da asa
Do pássaro de maior envergadura
Que sobrevoa os sete mares
O meu irmão de alma alada
Que cuida de mim diariamente
Entoando o seu canto protector.

segunda-feira, julho 04, 2022

Peregrino

 Se eu te amar com Fé
Cega como ela é mistério
Que me dizem ser milagre
Que converte ateus como eu
Será que tu te materializas
Antes que os nossos corpos
E todas as chances virem cinzas?

Sou peregrino nesse caminho
Do meu amor por ti nascem 
As mais belas parábolas 
Os mais poéticos mandamentos
Que a minha devoção a ti
Faz crescer sem lamentos

Oraçőes feitas pelas gentes
Preces dedicadas ao amor
Espalhando o canto, o riso,
Mas também a dor e o pranto
Tudo dedicado em teu louvor
Com o exercício do sacrifício

Porque não há mesmo solução
Quando o sentimento é assim
Tive de fazer uma tal explosão
Para que ele não doesse mais
Nesse calvário de estar no deserto

Pois estamos tão longe e perto
Demais por dentro e sempre
Quando a distração demora
O flagelo e expiação de outrora
Regressam fiéis como um ente
Guiados pelo teu corpo de aurora

Infelizmente

 Só agora é que entendi que afinal tinha de ser mesmo alguém como eu, um monstro como eu, com os mesmos traumas, na mesma quantidade, variedade, profundidade e complexidade. Mas também o mesmo querer, a mesma alegria, a mesma vontade e o mesmo não-querer. A mesma dor e o mesmo amor. A mesma incerteza e insuficiência, o mesmo vazio e o mesmo horror. 

Não há ninguém assim como nós. "It takes one to know one".

Sismos, ondas, labaredas

 Da primeira vez foi terra,

Da segunda vez foi mar,

Da terceira vez foi fogo...

Poemas-Partos

Cada poema que sai de mim
Escorre ágil pelas veias-canetas
Cheias de tinta e placentas

Revolve o ventre
Estripa as entranhas
Grita a dor secular

Cada poema é um parto
Jacteado por hiperadrenalina
Nostalgia e melancolia

Mas mais ainda
Traumas-matrioskas
Quando me desenroscas

Pois cada poema é lágrima de sangue
Que não se chegou nunca a chorar
Porque se é o ser mais raro e exangue.

Anos com alguém que...

 Confiei tanto em ti q qd me puxaste a mao para atravessar a rua esqueci de olhar o semáforo

Acabei atropelada, estripada, com as entranhas no chão

A desaparecer no escuro do asfalto.

Tristeza Maior

 Vivo com a mais profunda das tristezas
De amar perdidamente quem não existe
Fiz isso a mim mesma com mil destrezas
Sem saber o que estava a fazer de tão triste

Está no meu coração e em tudo o que sou
Esta abissal melancolia em que mergulho
Sem que haja aviso sequer de que chegou
Como um eterno SundayBlues pedregulho

Não há felicidade possível para a apagar
Nem tanto para disfarçar esta tristeza-mor
Não há prazer nem benesse para apanhar
Senão olhar esse simulacro que sei de cor

domingo, julho 03, 2022

 Será que algum casal já conseguiu verdadeiramente sentir amor e ficar uma vida inteira numa boa relação sem ser por predisposição genética, imperativos biológicos químicos, dependências e as outras coisas já conhecidas e comprovadas que provocam os tais condicionamentos para que duas pessoas se acomodem uma à outra inclusive sob a falsa ideia de que escolheram?

A minha ingenuidade matou-me. 

 A flacidez dos dias

Arrastando a vida

Como o relógio cansado de bater

Pintado no quadro de Dalí


Nós aqui a sofrer

Tu nem aí

sábado, julho 02, 2022

 Já chego a tal ponto de pensar que as pessoas que estáo a esconder a cura do vírus da covid, deviam mas é ... Enfim, sei que não se deve pensar assim mas estou mesmo com muita raiva.

Ofício

 De todos os ofícios que tive
Amar pessoas como elas são
Foi para mim o mais louco
Porque amava ao mesmo tempo
Por almas, mentes, coraçőes
Ainda platónicas paixőes
Na adolescência atribulada
Pior foi crescer enredada
Embora sempre bem arrumada.

Se houver próxima vez

 Fica comigo mais um instante
Que desta vez digo a verdade
Do que estiver a sentir enquanto
Me abraçares sussurrar-te-ei
Que te quero agora como amante
E já não te darei toda a liberdade
Para ires embora mandado por mim
Com discursos de ter juízo que te dei. 

Se houver próxima vez sei bem
Que será a minha morte por amor
Como nunca acreditei mas brinquei
Só por ser poeta e amar a tal canção
Sei que nunca fomos muito além
Mas unimo-nos tanto na nossa dor
E também na alegria que nos dei
Por inundar e transbordar o coração.

 

Uma menina boazinha

 Uma menina boazinha, sempre fui,
A que obedecia e ajudava todos
Embora fosse a sabichona
A velhota de 90 anos só com 5 anos
A despenteada "zomput" malcriada
Que tudo questionava
Mas que era querida, fofa e bem-educada.

A namorada mais compreensiva
Cujo namorado era óbvia prioridade
A menina engraçada, sexy e pequenina,
Inteligente raridade que ninguém merecia
Todos eles diziam, radical e livre,
Com mau feitio mas a mais querida.

A menina boazinha ...
Que tinha trauma de abandono
E de que qualquer uma era mais boazona.

Dopamina

 Vício
Só quer mais
Nunca satisfeita
Devia ser ilícito
Atrapalhar a paz
Deixar a mente desfeita
Em busca de prazer
Sem nunca felicidade conhecer.

A coisa mais bonita

 Queria que sentisses o mesmo que eu
Que não me deixasses nunca mais 
Que não pudéssemos viver um sem o outro
Num amor maior que o todo
Como estivéssemos no final da adolescência
Mas que desta vez soubéssemos
Que não podemos deixar nada nos afastar
Nem a sociedade, nem nada
Como se estivéssemos mesmo destinados
E não houvesse outra maneira
Que não corrermos para o abraço
E nunca mais nos largarmos.

Mutaçőes

 Mudei completamente
Mais do que costumava
Mudei quando não esperava
Depois do esvaziar
Que os lutos da gente
Fizeram destroçar

Finalmente sou nada
Absolutamente flutuo
Rasa no etéreo mundo
Parei de navegar

Afundo-me no silêncio
Onde antes mergulhava
E raramente vinha à tona
A pele mudando de cor

Vislumbro a casca que sou
Esqueleto apenas de pó
Retornando à terra breve
Pés assentes em corpo leve

Mãos com mutaçőes
Dedos sem ilusőes
Cabeça sem missőes
Apagando coraçőes

Tudo isso que me disseram
Todos os dias da vida
Agora inexistentes
Nas pessoas ausentes

Não esperei ninguém
Ou nada que me salvasse
Pois se eu não mudasse
Tudo ficaria aquém

Nunca aceitei autoridades
Sempre tive problemas com dogmas
Encontrar fontes de felicidades
É só para quem as toma

sexta-feira, julho 01, 2022

 Tento tantooo

Mas não consigo

Parece meteoro em chamas

A vir colidir com meu peito

Tu invades tudo

A torto e direito

Já faz anos que não falo com quase ninguém

 Para quê falar com pessoas-livros
pessoas-documentários, pessoas-fofocas?
Para isso leria em vez os livros,
veria os documentários,
e leria revistas cor-de-rosa e afins.

As únicas coisas que me interessavam
poderiam ser as pessoas em si,
elas que supostamente contêm universos,
mas infelizmente só são nebulosas
com tantas máscaras grossas e toscas
mentiras vãs e ocas
para as quais não há mais paciência.

Saudades das pessoas que têm mundos
criados por elas mesmas dentro
tão ricos e profundos
tão interessantes com os seus delírios
e devaneios que pensam por si
não copiam os outros ipsis verbis
não têm medo de ser assim
assumem que estão perdidas a navegar
em busca de um dos sete mares

Entre nós

 Depois destes meses
Mudei completamente
Falo com pássaros
Muitas vezes
Mas não com gente

Fizeste-me perceber
De tantas coisas
Sem nos entender
Sem que tu me oiças

Navegámos entre nós
Nas marés de final do dia
Pois é quando estamos sós
Que encontramo-nos na alegria

Agradeço-te pelo que me deste
Pela dor, pela agonia
Meu fim de tarde, melancolia,
Desata os nós que me fizeste.

Vive em paz e em mel

 Depois de ter recebido hoje mensagens de áudio a pedir desculpas...
 Será que precisas de ouvir a minha voz a pedir-te desculpa? Embora eu saiba que não tem desculpa, que não gostas de áudios meus, que só seria chatice para ti, que palavras são vãs e que não é suposto nem espero alguma vez que me perdoes. Mas faria tudo para que não sentisses qualquer dor por minha causa, já sabes. Prefiro ir pelo que demonstras e é factual, ou seja, que não estás nem aí para nada do que me diz respeito e, se calhar, ainda bem :) Afinal fui eu que quis assim e te forcei, porque sou um cadáver ambulante e nunca quis que ninguém sofresse por mim nada.

Continuo a lamentar, claro, a sentir culpa, sabes bem, mas também sei que foi tudo de nós os dois. Tudo bem, tudo certo, não é? Vive em paz e em mel. O meu amor persiste de uma forma que nem tem forma mesmo.

Quem és tu?

 Que finges que sorris para mim
Que finges que carregas dor 
Nesses teus olhos de frenesim
Tanto espanto e tanto amor

Ora sombrio o teu rosto
Portando implacável altivez
Ora luminoso e brilhante
Com sorriso de maior nudez

Olho no espelho e reconheço-te
Vejo-te com limpidez única
Com dedos descodificando texto
Enxergo-te atrás dessa túnica

No dia em que beber cachaça
No dia em que abrir o rum
Vais-me falar de toda a desgraça
Contar o que não disseste a nenhum

Quem és tu mesmo
Não sei, nunca soube, nunca supus,
Comeremos um dia torresmo
Provaremos da tal mostarda que seduz

Espero que um dia saibas
Ou mesmo se não descobrires
Não faz mal o que guardas
O importante é sorrires

InSónia

 O mundo era pouco para ela
Talvez mil universos chegariam
Conjuntamente com as galáxias
E as nebulosas misteriosas
Para aplacar a sua fome e sede
De infinito e imensurável explosão
 Quando o amor chegou
tornou-me nuvem
Quando me deixou
fez-me chover...