Um dia, antes de morreres, terás direito a encontrar o que será o amor da tua vida, pois só assim poderás pensar que afinal tiveste uma vida preenchida.
terça-feira, julho 05, 2022
Amor pássaro
segunda-feira, julho 04, 2022
Peregrino
Infelizmente
Só agora é que entendi que afinal tinha de ser mesmo alguém como eu, um monstro como eu, com os mesmos traumas, na mesma quantidade, variedade, profundidade e complexidade. Mas também o mesmo querer, a mesma alegria, a mesma vontade e o mesmo não-querer. A mesma dor e o mesmo amor. A mesma incerteza e insuficiência, o mesmo vazio e o mesmo horror.
Não há ninguém assim como nós. "It takes one to know one".
Sismos, ondas, labaredas
Da primeira vez foi terra,
Da segunda vez foi mar,
Da terceira vez foi fogo...
Poemas-Partos
Anos com alguém que...
Confiei tanto em ti q qd me puxaste a mao para atravessar a rua esqueci de olhar o semáforo
Acabei atropelada, estripada, com as entranhas no chão
A desaparecer no escuro do asfalto.
Tristeza Maior
domingo, julho 03, 2022
Será que algum casal já conseguiu verdadeiramente sentir amor e ficar uma vida inteira numa boa relação sem ser por predisposição genética, imperativos biológicos químicos, dependências e as outras coisas já conhecidas e comprovadas que provocam os tais condicionamentos para que duas pessoas se acomodem uma à outra inclusive sob a falsa ideia de que escolheram?
sábado, julho 02, 2022
Ofício
Se houver próxima vez
Uma menina boazinha
Dopamina
A coisa mais bonita
Mutaçőes
sexta-feira, julho 01, 2022
Já faz anos que não falo com quase ninguém
Para quê falar com pessoas-livros
pessoas-documentários, pessoas-fofocas?
Para isso leria em vez os livros,
veria os documentários,
e leria revistas cor-de-rosa e afins.
As únicas coisas que me interessavam
poderiam ser as pessoas em si,
elas que supostamente contêm universos,
mas infelizmente só são nebulosas
com tantas máscaras grossas e toscas
mentiras vãs e ocas
para as quais não há mais paciência.
Saudades das pessoas que têm mundos
criados por elas mesmas dentro
tão ricos e profundos
tão interessantes com os seus delírios
e devaneios que pensam por si
não copiam os outros ipsis verbis
não têm medo de ser assim
assumem que estão perdidas a navegar
em busca de um dos sete mares
Entre nós
Depois destes meses
Mudei completamente
Falo com pássaros
Muitas vezes
Mas não com gente
Fizeste-me perceber
De tantas coisas
Sem nos entender
Sem que tu me oiças
Navegámos entre nós
Nas marés de final do dia
Pois é quando estamos sós
Que encontramo-nos na alegria
Agradeço-te pelo que me deste
Pela dor, pela agonia
Meu fim de tarde, melancolia,
Desata os nós que me fizeste.
Vive em paz e em mel
Depois de ter recebido hoje mensagens de áudio a pedir desculpas...
Será que precisas de ouvir a minha voz a pedir-te desculpa? Embora eu saiba que não tem desculpa, que não gostas de áudios meus, que só seria chatice para ti, que palavras são vãs e que não é suposto nem espero alguma vez que me perdoes. Mas faria tudo para que não sentisses qualquer dor por minha causa, já sabes. Prefiro ir pelo que demonstras e é factual, ou seja, que não estás nem aí para nada do que me diz respeito e, se calhar, ainda bem :) Afinal fui eu que quis assim e te forcei, porque sou um cadáver ambulante e nunca quis que ninguém sofresse por mim nada.
Continuo a lamentar, claro, a sentir culpa, sabes bem, mas também sei que foi tudo de nós os dois. Tudo bem, tudo certo, não é? Vive em paz e em mel. O meu amor persiste de uma forma que nem tem forma mesmo.
Quem és tu?
Que finges que sorris para mim
Que finges que carregas dor
Nesses teus olhos de frenesim
Tanto espanto e tanto amor
Ora sombrio o teu rosto
Portando implacável altivez
Ora luminoso e brilhante
Com sorriso de maior nudez
Olho no espelho e reconheço-te
Vejo-te com limpidez única
Com dedos descodificando texto
Enxergo-te atrás dessa túnica
No dia em que beber cachaça
No dia em que abrir o rum
Vais-me falar de toda a desgraça
Contar o que não disseste a nenhum
Quem és tu mesmo
Não sei, nunca soube, nunca supus,
Comeremos um dia torresmo
Provaremos da tal mostarda que seduz
Espero que um dia saibas
Ou mesmo se não descobrires
Não faz mal o que guardas
O importante é sorrires