Ardi nas chamas azuis do teu peito
pássaro morto
no último vôo
em que tu me alvejaste com uma seta
Poesia filosófica; Poesia Visual; e outros objectos poéticos de Poeta mera observadora
Lembras-te de quando tiveste o acidente em que o carro ficou de tal forma espatifado que ficou inutilizado? Lembras-te como ficaste depois dias a bater mal da cabeça e a querer viver tudo antes que se acabasse? Lembras-te como, de repente, consciencializaste-te da inevitabilidade do teu fim e tantos arrependimentos vieram ao de cima? Eu lembro, lembro que me ligaste a contar, Lembro-me da tua aflição.
Sempre fico a pensar em como é invariavelmente assim que acontece com toda a gente. Aquele misto de intenso conflito mental com um toque de alívio e o suposto despertar para a iminente morte. Ah e a culpa, especialmente se havia mais gente no carro.
Lembro como eu me espatifei à grande por amor, quase a cada encontro, nunca saí incólume. Eu fui sempre o pendura e como boa pessoa no lugar do morto, morri em bastante. Só para depois entender mais de mim, do que fui e fiz e o quanto me perdi. A tal da expansão da consciência acontece também e a noção da mortalidade regressa. Eu sempre fui propenso a acidentes. Mas qualquer dia destes, despertei, foi de tal forma que nunca mais me apanharam nesses entroncamentos. Nunca mais andei sobre estradas de pedrinhas soltas derrapantes. Nunca mais fiz 180 graus. Nunca mais galguei o passeio nem amolguei coisa nenhuma. Além de ter deixado de conduzir há muito mais de uma década.
Hoje em dia já não sou propenso a acidentes, apenas a raríssimas passagens a pé, que no máximo rebentam as minhas veias das pernas até amanhã.
A vida é uma coisa muito difícil para a maioria das pessoas.
Tenta-se levar em frente, fazer o que se pode, mas há pessoas que estão fadadas a ter todas as suas oportunidades goradas.
Ultimamente olho para trás, para ver se alguma vez houve uma chance, mas chego sempre à mesma conclusão: não houve e nós não fazemos "ses", não é?
Por causa da malograda saúde, estar há mais de uma década sem poder trabalhar fora, mais de duas décadas sem poder viajar, anos sem poder estar com pessoas à-vontade, e todos os pesadelos enfrentados desde a pandemia, mais uma vida inteira de traumas, faz-me pensar em como abraçar ser artista tem sido mais um murro em ponta de faca.
Além do que já estamos habituados no dia-a-dia, hoje também foi triste constatar como não há homens que estejam do lado das mulheres a sério, com acções concretas que façam alguma melhoria por mais pequena que seja. De ano para ano aqui é quase sempre a mesma coisa: nenhum homem se põe a falar para os outros homens e chamar-lhes atenção (começo a ver q n é só pela desculpa esfarrapada do "não sinto que seja esse o meu papel, o meu lugar de fala", mas tlvz pq no fundo eles sabem q tb já foram merdosos com mulheres). Inclusive muitos dos seus amigos são homens que já foram extremamente horríveis para as suas amigas e eles não estão nem aí. Infelizmente não há nenhum que eu tenha conhecido que não tenha sido um cobarde nesse sentido. Todos coniventes. E tantas mulheres também amigas desses meninos. É tudo triste, porque na verdade o amor não existe. Todos usam os outros e nem vêem quem realmente são por dentro.
Continuem a fechar os olhos e a baixar a cabeça, fingindo que não é nada convosco, que com certeza essa onda de ódio maior contra as mulheres há-de desaparecer magicamente, ó se há-de. Ah e não esqueçam de continuar a lamentar depois as mortes, como se não tivessem contribuído para isso.
E, sim, sou misândrica.
O capitalismo, o patriarcado e o colonialismo, todos eles exploram pessoas e assassinam mulheres e crianças. em nome de religião e ganância.
Este início de III Guerra Mundial que estão a tentar arrancar está a ser um fiasco, não? Agora querem meter a Europa ao barulho, quando ela ainda tem memória do que foi a anterior e ainda quer continuar sem abrir mão da paz alcançada. Parece que a Europa também é mais avançada a nível civilizacional e intelectual, sabendo bem o que custa a guerra e a sua ignorância brutal, além do seu eterno despropósito. Haja coisa mais desnecessária! É que não há mesmo. A guerra é o artifício do ser humano para exercitar as suas piores características e não tão somente a sua violência.
Neste presente caso, temos motivos nojentos por detrás da guerra e, como sempre, está a ser propagandeada como algo de sagrado. As desculpas que os homens medíocres dão são sempre as piores que podem existir no espectro das mentiras.
O Mundo está actualmente tão distorcido que, ao mesmo tempo que estamos às portas de se eclodir a III Guerra Mundial, temos a maioria completamente alienada pós-invasōes ucranianas, palestinianas, entre outros também correntes, fissurada em Big Brothers e semelhantes instrumentos de distração e estupidificação humana.
Tudo para não sentir. Tudo para não se queimarem. Incautos, não sabem que só atravessando pelo fogo é que se pode sair para o outro lado. Toda a gente que continua no seu conforto e comodidade, brevemente irá de novo ser obrigado a sentir e, aí, é que vão explodir à séria, pior do que na pandemia.
A guerra nunca foi solução. A alienação também não.
Forçando a NATO, por estar tudo interligado há décadas, estamos já inevitavelmente na III Guerra Mundial e só estão à espera para oficializar com um evento forjado que sirva como desculpa maior. Entre ameaças e falsas promessas de apoio, venha o diabo e escolha o que é mais nocivo.