Tuesday, March 21, 2017

Todos os poemas perdidos nas insónias.

Volta e meia
Escapam-se poemas
Nas madrugadas azuis.
Até hoje e na vida inteira
Escapam-se centenas
e acho que deve haver um lugar muito espectacular,
onde todos eles se encontram
e convivem na mais delirante festa.
A terra dos poemas perdidos
que se chegaram a encontrar
porque se juntaram a mais como eles,
Que terra feliz, cheia de diversidade
e sons e palavras e desejos e rumos,
todos tão díspares, todos tão incrivelmente geniais.
Eu tenho pena de não poder viajar até lá.

Wednesday, March 15, 2017

"Nem só de Facebook viverá o Homem"...

[in 'frases bíblicas da era digital' :D]

Saturday, February 25, 2017

Lisboa é um amor de verdade,
não nos mente, não nos desilude
É a mais bela das meninas-mulheres
Com os seus cabelos estendidos ao luar
ondulando no rio
Os pontilhados de laranja-tijolo do seu vestido
e a sua maquilhagem garrida na noite,
pelas ruas mais estreitas
cheias de sedução,
Lisboa-independente, lisboa-adulta, lisboa-vivida e ainda e sempre a criança que brinca à beira-rio.
Ter muito rock and roll por dentro, mas viver numa era pós-rock, dá um festival de música complexo.

Wednesday, February 22, 2017

A estranha sensação

Como se chama quando falas e o que dizes não te impacta absolutamente nada? Que fenómeno é este? As palavras saem corridas e até fortes da boca como sempre, mas agora já nada querem dizer porque não as sentes, nem sequer uma letra, uma nota, um gotejar da alma, nada, absolutamente nada. 
Esta sensação de não haver sensação e que é diferente de tudo o que já sentiste ou experienciaste, pois não lhe encontras qualquer ponte com anedonia, apatia, indiferença, nada. No entanto sabes que não é mentira o que dizes, mas simplesmente não o sentes e parece que estás a mentir ao dizê-lo. Não é também um desconvencimento ou falta de vontade para o dizer, mas antes um sentir que não valia de nada dizê-lo. 
Estranho. Muito estranho. 
Quando há algo de novo é porque algo mudou, mas tão subrepticiamente terá sido que não se apercebera? E só agora assim se revela? Talvez. 

Monday, January 16, 2017

Frase do dia (que infelizmente serve para muitos dias): Está tudo mal, mas já esteve pior e ainda pode ficar muito pior 😀 é o que me safa.

Sunday, January 15, 2017

Doido, doído, corrompido.
Como os sons do roçar dos dedos nas cordas da agonizante guitarra,
entre os deslizares digitais e os picos de som das agulhas no disco de vinil.

nonsense is real sense

A fragilidade do traço,
não do teu rosto, mas do que traças nessa tarde de vazio...
O abandono e o frio,
chegam de mansinho na neblina que cobre as árvores
e vai abafando os chilreios dos melros.

Ao fim e ao cabo, também não faz mal estares só,
todos te abandonarem, um a um,
como quem sai da máquina de lavar carros,
até porque na realidade
a verdade
é que não precisas de ninguém (quando)
pois ninguém pode impedir que a morte chegue.

Mulher desabitada

Na noite mais anoitecida, que até entrava na madrugada vazia...

encontrei a mulher desabitada
com as unhas que roem os nervos, pensando no teatro do amor.

Ela disse-me profundamente e muito rápido:

não sei mais quem sou, não sou mais quem fui,
nem o que alguma vez pretendi ser.
sei apenas que sou racional, demasiado, diriam.
mas a razão que em mim persiste é tão seca
e ao mesmo tempo tão fervilhante
quanto a vida no deserto,
que não vemos a olho nu.

Tuesday, January 10, 2017

O fotógrafo dos suicídios

O fotógrafo dos suicídios tirou um dia de folga, veio passear beira-rio e viu a paisagem turva e com mil riscos de vozes na tela urbana.
Parar foi viver. Girar os olhos em torno para acompanhar os movimentos sobre rodas. Andar pé ante pé nas poças de uma maresia inexistente, vinda do rio, como sonho que não se tornou realidade.

Tuesday, December 27, 2016

Conheço o começo que cometo: luz, maresia e poesia.
Retrato o que reparo no relato: rosto, cabelo e fantasia.

Qualquer dia acabo o desenho que iniciei.

Sunday, December 11, 2016

in construction

Estou completamente destruído e, com estes simultâneos e constantes vazio e peso alojados no peito, sinto que arrancaram tudo de mim brutalmente, como se uma retroescavadora me atacasse, unhando-me da boca aos joelhos. E viesse ainda um bulldozer com um cilindro demolidor e me chutasse para acabar no chão onde o rolo compressor me esmaga os restantes ossos e me funde com a podridão do alcatrão morno.

Friday, December 02, 2016

O SPA da Mente

Na solitude da mente conseguia espraiar-me e pôr Chopin a tocar - os Nocturnos, claro - e acendia uma vela, sim, pode ser uma "The Greatest Candle in the World" de cassis ou de figo...

Thursday, December 01, 2016

"Os poetas não morrem"

"Os poetas não morrem", oiço alguém dizer com veemência. Mas não o exclamou, não. A mim só me ocorreu que os poetas morrem aos poucos, a uma velocidade tão lenta que ninguém dá por ela. E quando dão, já é tarde demais.

Tuesday, November 29, 2016

O amor é uma ferida transparente, que o assoprar de ninguém consegue aliviar.  

Wednesday, November 09, 2016

As cinzas do corpo dela estão na ampulheta do Tempo
e toda a violência injustificada dos prevaricadores
que mentem, traem, manipulam e chantageiam,
apressam a erosão das areias que jazem na Terra.

A vida, já a máquina orquestrou e tudo aconteceu:
o passado e o futuro que vêm em ondas
embater contra o corpo febril que é assombrado
pelas ruas do seu cérebro labirinto.

Ela corre, tenta fugir desse minotauro de seiva
que escorre feroz pelas aderências
com a força da hiperadrenalina a perfurar,
mas vê as explosões a ocorrerem.

O fim está sempre muito próximo,
sempre a espreitar a qualquer canto
e tudo o que existe é simplesmente nada,
como no princípio e no fim.

Tuesday, November 08, 2016

Os verdadeiros poetas

O verdadeiro poeta nunca se consegue esconder nas suas palavras
Elas são as veias dos seus braços
Os cabelos da sua cabeça
Os dedos das suas mãos
E cada órgão que pulsa dentro do seu corpo.

O verdadeiro poeta está sempre em construção
Dentro do ventre, ainda na gestação,
Até o doloroso parto que nunca ocorre.

O verdadeiro poeta nunca és tu.

Wednesday, November 02, 2016

A verdadeira igualdade da democracia está apenas na morte, perante a qual somos todos iguais...

Sunday, October 30, 2016

:D

Morrer ao pequeno-almoço é chato, porque nunca se sabe o que dia reserva... 

Friday, October 14, 2016

Refugiados

Olho o mar, esse cemitério líquido e conturbado, e vejo os brilhos dos picos das marés, por um segundo é como se fossem a cinza prateada dos corpos que, flutuando no balançar, são o mercúrio tóxico do termómetro do Mundo.

É o Mediterrâneo, o berço fértil dos naufrágios da esperança. É a maré que leva os mortos e traz os feridos. É o azul e o negro e toda a funesta noite infinita que se desenrola depois da lua cheia.
Faltam peónias no meu jardim... e eu estabeleço como objectivo encontrá-las, nem que seja tendo de esperar até Maio; assim como no ano anterior busquei gelado de pistáchio.
Há pessoas que são como Robin Hoods culturais: roubam dos intelectuais para dar aos aborrecidos.

Friday, September 30, 2016

Olhar as estrelas.

As estrelas acabam (quase) sempre por se extinguir e muitas caem que nem morteiros a espalhar fantasia pelos humanos/terráqueos que as olham.
Os olhos que são náufragos da mente e o teu regaço invisível acolhe-me mais uma vez sem saber...
Não peças mais desejos, contempla o infinito apenas.

Lengalenga do Patriotismo

Cidadãos compatriotas, tendo seus países como suas paixões, desfilam pelas ruas, dão as mãos, não se fazem de rogados, nem com mil perdões, sente-se a humidade nas pedras dos chãos como a que envolve a experiência com feijões e o algodão e da NASA começaram a enviar foguetões e desapareceram com o avião. Pufff!
Amo-te tal a força das preces de um escravo negro que grita pela liberdade enquanto está a ser açoitado.
Vasculhas-me a mente com os dedos grossos da memória, dedilhas cada momento como quem procura num armário de ficheiros secretos arquivados há milénios. Também recorres a luvas como quando se mexe em documentos antigos, mas as tuas luvas são feitas de um misto de hesitação, com receio do que podes encontrar.

Não te esqueças que estavas lá comigo, no princípios de tudo e depois quando vieram as areias movediças do tempo abalar-nos o chão que pensámos ter firmes debaixo dos pés.
E não te esqueças também que estavas comigo quando veio o redemoinho que nos evaporou no fim de tudo.

Assim é o nosso amor, espalhado aos quatro ventos, ganhando uma nova vida, ainda maior, correndo a Terra e cavalgando nas ondas do mar, pois nós os dois somos um só conjunto de partículas esvoaçantes e o nosso amor semeia-se em todas as flores e fecunda todos os campos que a vista consegue alcançar... Floresce de novo com mais vigor esse coração que é uno, tal qual a chuva e a terra que sobrevivem à tempestade.