Wednesday, October 04, 2017

Como é que se regressa à vida?


Como é que se regressa à vida, depois de vermos tudo ruir?
Não somos um bebé que começa a aprender tudo do nada. Trazemos memórias de fruta fresca no regaço, trazemos memórias de trovões que fustigaram toda a Terra no horizonte. Chegamos de mãos vazias e olhar fixo numa imagem devastadora que nunca parece largar a mente.
Dizes-me que não se recupera do irrecuperável, quando eu alto formulo retoricamente esse pensamento, mas (logos dixit) e se o tornarmos recuperável, se nos batermos até sangrarmos de novo para voltarmos a recuperar o controlo, e enchermos os destroços com uma intensidade semelhante que os assoberba de amor?
Será utopia pensar que é possível, será presunção almejar o que nos parece impossível e o que dá muito trabalho, porque pensamos que não temos dentro de nós essa força, esse querer, e que não teremos entre nós essa capacidade?
Só sei que a cada abraço teu tudo parece muito melhor.

18.06.2017

Sunday, September 03, 2017

Pincelo as notas de uma dançarina como quem escreve com as cores de um vento intemporal... e ela dança e rodopia, mascara o tempo e leva todo o mal.

Friday, August 04, 2017

O que dirias se visses o corpo a nu, por detrás das transparências: a limpidez das várias cicatrizes e a sujidade dos poucos sinais?

Bebeste da minha alma: o carinho entre-dedos, o teu semblante de poeta do romantismo e, eu, brincava com a tua face num mundo ao contrário. Tu sorrias, sempre. Eu a amar-te cada vez mais, sem dar por isso. 
Tenho saudades 
de quem não sei quem és 
e do que foste só para mim. 
Todas as auroras têm a melancolia da ternura que nos tocou 
e o cheiro  do orvalho trémulo invade-me como o teu abraçar 

que tanto queria de novo em mim. 

Monday, July 31, 2017

Quisera que o fogo nos consumisse a alma na mesma fogueira
Mas a chuva debochada alagava tudo à nossa volta
E os amores impossíveis como de Tristão e Isolda
Só têm lugar na escuridão da noite
Sob o manto negro do céu.

Friday, July 14, 2017

Saudades das tuas particularidades



Escreves muitos "a" sem "h"
E enquanto te leio falta-me sentir o teu sorriso a olhar para mim,
E toda a minha vida percorrida pelos teus dedos,
E até o teu som de estalar o corpo,
Como se sente nostalgia de ouvir o som que a antiga casa fazia;
O teu corpo esquálido de alabastro, o perfeito abrigo para o meu corpo aranhiço;
A tua vida a palpitar na calma excitação, essa ternura tranquila, que não se mede pelas palmas das nossas mãos; 
O teu tacto e polidez a cada frase minha, quase como resposta biológica;

São singularidades que me vêm à memória e de que sinto falta no ruído da madrugada, para silenciar a minha mente e sossegar o meu coração.

Sunday, July 02, 2017

As auréolas abocanhar-te-iam as pupilas e cada poro do meu corpo, micro-vulcão de desejo, queimaria a tua alva pele. Demasiado fluxo mental, demasiada vibração corporal, intensidades sísmicas das quais provavelmente não recuperarias. 
Ainda me dirás o que sentes, ou também me condenas ao abandono? 

O naturalismo dos Homens

Não falemos das plantas masculinas nem das plantas femininas, 
Mas é sabido que todos preferem o corpo à mente com todos os seus tropismos. 
As raizes ramificam-se e são super funcionais no que é superficial. 
A fisiologia dos seres cuja função derradeira é a de se duplicarem apenas por uma questão narcísica de sobrevivência espalham-se pela terra. 

Esta é a biologia e antropologia dos seres, que durante séculos maravilha os seus estudiosos. O mundo natural no seu primor e primordial significado. 

mens insana in corpore insano

Nesta existência lentamente se degrada e se degenera
Nem sequer cumprindo a função de ser húmus para a terra 
O corpo é cadaverizado em vida
E a morte já vem tarde para a recolha

Não falemos do espírito, da alma, da mente, pois esses nunca chegam a ser algum dia integrais, 

Unos e sãos, completos na sua essência. 

Saturday, July 01, 2017

Afogas-te nas memórias diluídas 
Tal como eu embarco nelas...
Faltou-me saber reconhecer a verdade 
Parar com os textos repetidos
E começar por admitir a vontade 

É sempre tarde quando te apercebes
É sempre impossível quando não consegues 
E acabas por ficar apenas com a maresia 
de uma vida por viver

Os redemoinhos de repetições 
Sucedem-se implacáveis 
Nunca varrendo a inutilidade 
E a vacuidade que cega,
Mantendo-nos sempre na escuridão 

Eu esforcei-me demasiado  
Fui contra a corrente 
Qual eterna rebelde 
Mas descobrindo o niilismo da vida 
Como e por quê continuar

Em décadas sucessivas de naufrágio?
A pele do corpo nunca se repete, 
Porque é assim que se mede o tempo,
E da linha sisuda do horizonte 
Estendem-se triliões de raios de luz 
Que se espraiam no seu corpo 

Deleitando-se depois da cansada jornada do sol poente. 
Habitas a minha insónia como um inquilino permanente 
E na escuridão da noite és tu quem trazes a aurora a pouco e pouco
E a vertes sobre mim em sorrisos que nunca existiram antes de nós os dois 
Das janelas das nossas mentes vemos os vôos infinitos dos nossos sonhos 
E por instantes tudo é mais belo do que o mundo
As nossas mãos unem-se tão completamente que parecemos gémeos siameses no bater do coração sincronizado 
E a vida torna-se uma possibilidade pela primeira vez
... 

Entretanto desperto do sonho.
Como estar consciente neste mundo
E continuar a sobreviver, 

Sempre desajustado à sociedade doentia?
Foi tão imensurável a intimidade que aprofundaram numa só madrugada, que lhes valeu vidas inteiras que nunca viveriam. 
A entidade que é a impossibilidade esteve sempre à espreita, 
Tornando aquela mais bela felicidade em terna tristeza.

O silêncio antes da palavra dita

É igual ao instante anterior ao beijo?

Wednesday, June 21, 2017

Gostava que fosses eterno 
e que o teu infinito cobrisse a Terra
como um manto de propagação da tua arte
Gostava que o teu cérebro te permitisse o sentir e o expressar livremente 
e que eu, em vez, me tivesse demorado mais no teu abraço e no teu toque 
e nunca largasse a extensão da palma da tua mão.
Gostava que o teu sorriso perdurasse para sempre e a verdade da felicidade te fosse alcançável.


Desejos egoístas?
O poema tão belo que não se pode perder
Até onde se vai por ele? 
O que se sacrifica para tê-lo?
O sono? O amor? A vida? 

Ninguém sabe o dia de amanhã...

Para a Andreia

Cílios que dormitam e em REM se arrepiam, 
Cabelos longos escuros que ensaiam danças
Ela anda pelas ruas que trilha
Como mapas de tesouros para crianças 
E no seu sorriso cabe mais doçura do que num pote de mel
Conhecê-la seria sempre aventura
Se o destino não fosse cruel
Mas nada importa quando se está ao lado dela

Pois é uma bela guerreira que torna a vida amarela :) 

Wednesday, June 07, 2017

Separa as pálpebras
Aparta-as como se fossem cortinas do universo
Esses véus para revelar o cosmos
Separa o carvão do diamante
O breu do brilho
A espuma e a água
O mar nos teus olhos
Como se Moisés voltasse à terra
E se regressasse às origens da luz e da escuridão
É tudo teu.

Friday, June 02, 2017

Chavão, à Pessoa

Não é coca-cola, é síndrome de abandono:
Primeiro, encontra-se, depois abandona-se.
A Liberdade é o sonho que o Homem tem de um dia voar.

Monday, May 29, 2017

 Procurava a esperança como os girassóis procuram a luz do sol,
agarrava-me à racionalidade como os cactos a armazenar água,
buscava a paz como as andorinhas um seu ninho 
e toda a vida, no dia-a-dia,
contava as felicidades alheias como quem conta pétalas bem-me-quer. 

Porque é necessária a beleza para suplantar a fealdade do mundo
e urgente a humanidade da natureza que salva cada árvore e cada ser,
olhava sequiosa em volta para me abastecer dessas pérolas
e lutar contra esse mundo ruidoso e ruinoso 
de stress, de desejo de satisfação imediata,
e todos esses vícios acumulados da insatisfação perpétua e frustração
que a fugacidade do frenético causa.

Um dia já não será preciso procurar:
só escutarei o chilrear dos pássaros e o mar. 

Sunday, May 28, 2017

Antigamente não se ouviam tantos pássaros lá fora, nem as aranhas tinham abdómenes tão grandes a tecerem seda que mais parece cotão de tão grossa...
Havia mais meses em que chovia, eram dia a fio e caminhos alagados, nada era tão bafiento e sem se ver o céu azul ou totalmente cinzento escuro. 
Agora é como se vivêssemos em permanente efeito de estufa.
O Abraço é o manto que cobre a Saudade.

Quando o amor está morto...

Quando o amor está morto faz-se a autópsia das memórias:
todas as referências que se guarda dele
todos os momentos
todos os pormenores
palpados com as pontas dos dedos
em perscrutação dos tumores.

Do cemitério ao luto tudo se enegrece em vestes de dor
um abraço contínuo como se tentasse aplacar
ou mesmo estancar
tudo o que vaza do buraco no peito.

A vida continua, lá está,
como grande insulto e ofensa
para nossa maior indignação
pois o céu continua a ser azul
e o sol continua a brilhar.

É simples, mas o enterro é demorado,
tanto quanto uma via sacra
por uma paixão de um cristo

E a música fúnebre entra em loop na mente.

Não te esqueças de quantas vezes te amaram
e de quantas vezes amaste também.

Friday, May 26, 2017

A vida que é bela não é amarela,
nem sequer multicolor, 
mas quando todas as cores aparecem
ao mesmo tempo, inundando a 
vista e o coração, explodem e irradiam todas juntas
a beleza maior e mais brilhante do branco.
Sim, a felicidade é a explosão de todas as cores
num branco brilhante. Simples, não?

Sunday, May 21, 2017

Sismo meio Homem meio chão
como centauro que galopa 
pela terra galopante
...