Monday, March 23, 2009

23.03.09

Pedaços de vida
transmutam-se.

Nunca nada é igual.

Linhas de todas as formas
riscam-nos o corpo
numa contínua grafia
dispersa em rasgos de sombra.

Se tivesses mais tempo
nada mudava
porque tu desperdiçáva-lo.

Nada esperes
que em ti já não exista.

Cresce, aumenta-te, magnifica-te,
num só minuto,

Vive tudo o que tens.

Saturday, March 14, 2009

A HORA SABE A TER SIDO

Ah! Como esta hora é velha...
O tic-tac do cansado relógio
Faz pairar memórias no ar...
O teu olhar, praga sem sentido,
Ainda assombra os meus risos;
Cada gesto teu, abismo luzidio,
Aparece-me em imagens langoradas...
Bate uma saudade breve mas fatal
Recortando o sol que cai nas ruínas
No horizonte do silêncio raiado.
Os meus desejos balouçam na brisa,
Há alguém que me fita no nevoeiro,
São sonhos lúcidos e derradeiros
Nesta hora absurda e transviada.
O teu silêncio fechado angustia,
Magoa o meu crepúsculo fundido
Acelerando-o na minha alma tardia...
Se fôssemos nós duas figuras ledas
Num vitral de um mundo longínquo
Trespassado pelo Ocaso vazio, ténue,
Todos os segundos brotando límpido!
No meu céu soturno e pesado
Nunca houve uma única estrela...
Os reflexos no lago espelhado
Estão distorcidos com o vibrar
Do silêncio tenebroso e críptico;
Até mesmo as sombras carregadas
Estão mais tristes do que nunca;
Deslocam-se sôfregas as núvens;
As aves pecam ao cruzar o horizonte
E a cada ribombar de pétalas alvas
Eu recordo-me da tua voz maviosa
Misturada com os risos da fonte.
Nesta Hora enrugada jaz serenidade;
Ela, feita de mim, dos seus lamentos,
Talhada em safira de cristalino azul
É baça na sua essência interior.
Não sei o porquê disto, nem de tudo;
Eu sou uma doida que estranha o mundo.

Solidão retardada

A solidão sempre esteve lá
Só me dei conta quando parei
De me entreter sem parar
Fez-me ouvir vozes e gritos
Sons que nunca notei
Até este silêncio de enlouquecer
Ensurdecer-me com estes sons
Agora habituei-me com o correr
Dos ecos que assolam a alma
De quem permanece assim só
Sem por vezes sequer notar.

Andei sempre por aí, aos pulos
Às gargalhadas sonoras
Correndo para fugir ao sério
Escapando às vezes à reflexão
Aos fantasmas e horrores
Da minha lembrança tardia
Mas o vazio oco da Solidão
Fez-se sentir sempre mais
E nunca deixou o meu corpo
Repousou na minha mente
Insistindo em estar disfarçado.
Estrelas líquidas vibram
Com o agitar dos remos
No soturno breu reluzente
Gotejam-se risos soltos
Que ecoam ao imenso luar
Avistam-se duas silhuetas lânguidas
Esguias, balouçam navegando
Em suspiros mudos sem saber
Há por momentos um silêncio
Tão críptico e confortador
Que evoca a paz na alma
De ambas puras personagens
Que agora à deriva estão
Sem abrigo, sem alento
Apenas têm seus próprios braços
Que açambarcam um ao outro
Quando há chuva de sangue
Escorrendo em formas exangues
Cortando o riso desprotegido
Rasgando os rostos melancólicos
Não há nada mais que beleza
De dois cisnes alvos de pureza...

Tempestuoso Céu | Tempestuosas lembranças

Sinto as nuvens a chorar
As suas lágrimas incidem fortes
Queimando o rosto rasgado
Cheiro a Terra e a sua Morte
Cortando o silêncio pasmado.


Quando olho para o céu revolto
Com veios rubros no breu reluzente
Lembro-me de ti e do Mar
Imagino a sua pura rebeldia
Nesta noite de tempestade aflita.

Quando caí de joelhos para a Lua
Derramando gotas incessantemente
Lembrei-me de ti e das estrelas
Tu foste aquela que brilhou continuamente
És luz eterna que me seca os lamentos.

Quando rolei feliz e despreocupada
Dando gargalhadas sonoras e desgarradas
Pela verdura colorida e solta do monte
Lembrei-me de ti e do Sol intenso
Que nos iluminou numa tarde generosa.

Quando penetrou cá dentro a felicidade
Tão repentina e explosivamente
Que parecia rebentar por não ter cá espaço
Lembrei-me de ti e de uma árvore
Que nos aconchegou na nossa Alegria.

Ninguém há-de ler isto

Isto de se escrever poemas que ninguém há-de ler ou ouvir é apenas um exercício gramatical ou algo do género.

É o quase que nunca chega.

Tal como eu nunca passarei de um medíocre poeta ou aspirante a artista da Arte maior, da Poesia e do Amor.

A quem é que eu quero ludibriar? ...
Ninguém há-de ler isto.

Friday, March 13, 2009

Pearl Jam - IMMORTALITY

Vacate is the word...vengeance has no place so near to her
Cannot find the comfort in this world
Artificial tear...vessel stabbed...next up, volunteers
Vulnerable, wisdom can't adhere...

A truant finds home...and I wish to hold on...
But there's a trapdoor in the sun...immortality...

As privileged as a whore...victims in demand for public show
Swept out through the cracks beneath the door
Holier than thou, how?
Surrendered...executed anyhow
Scrawl dissolved, cigar box on the floor...

A truant finds home...and I wish to hold on, too...
But saw the trapdoor in the sun...

Immortality...
I cannot stop the thought...I'm running in the dark...
Coming up a which way sign...all good truants must decide...
Oh, stripped and sold, mom...auctioned forearm...
And whiskers in the sink...
Truants move on...cannot stay long
Some die just to live...
Ohh...

(song said to be written for Kurt Cobain, after his suicide)

Wednesday, March 04, 2009

"Poeta (do Silêncio) Para Sempre"

Tenho a Poesia para não falecer da Verdade
Minhas palavras vêm como suspiros da alma
Minhas letras estão carregadas de ódio
E outras vezes cheias de revolta
Embora, sempre, sejam muito sinceras
Tenho andado à deriva em descobertas
Eu nunca procuro nada, eu descubro.
O meu silêncio é um amigo que jamais trai
E aprendi a sua arte com vários desgostos
Há alguém com quem é desnecessário falar
E sou feliz por isso, porque entendo-o.
O meu silêncio é corrosivo para os demais
E encontro-me com ele e com a noite
Quando há angústia na solidão, para chorar.
No silêncio, em que vejo a Eternidade,
Se realizou e construiu tudo de grande.
Quando escrevo estou compenetrada,
Tanto, que nada quebra o meu silêncio
Senão o ribombar de pétalas a cair
De uma rosa negra no meu Mundo.
Sinto-me várias vezes como se fosse
Outras personalidades ou mesmo coisas.
Por momentos sou corvo azul e ele,
Também é, aquele com quem não falo,
Pois, não é necessário para entendermo-nos.
Por vezes sou rosa negra, misteriosa com espinhos,
Que tão veemente guarda um segredo
Que permanecerá sempre uma incógnita;
Mas determinadamente sinto-me Lua,
Que os nossos olhos só conseguem ver no céu
A parte a que o Sol dá a sua luz.